Comércio Exterior, Importação

Índia suspende temporariamente tarifas de importação sobre algodão

Decisão é vista como um alívio para o setor de vestuário do país, que vem sofrendo com uma tarifa de 50% sobre as remessas para os Estados Unidos

A Índia suspendeu impostos de importação sobre o algodão de 19 de agosto a 30 de setembro, atendendo à demanda de grupos do setor que disseram que as isenções ajudariam a tornar o setor mais competitivo.

A suspensão temporária das tarifas, anunciada em uma ordem do governo na noite de segunda-feira (18), é vista como um alívio para o setor de vestuário da Índia, que vem sofrendo com uma tarifa exorbitante de 50% sobre as remessas para os Estados Unidos.

A tarifa dos EUA inclui uma taxa de 25% já existente e uma taxa adicional de 25% que entrará em vigor no final deste mês, imposta como penalidade pelas compras de petróleo russo feitas pela Índia. A taxa efetiva é desfavorável em comparação com 20% para Bangladesh e Vietnã e 30% para a China.

Órgãos do setor, como a CITI (Confederação da Indústria Têxtil Indiana), pediram ao governo que eliminasse a tarifa de importação de algodão para ajudar a tornar o setor mais competitivo.

Antes da isenção, as importações de algodão estavam sujeitas a uma tarifa de 11%.

As autoridades do setor agora esperam que o governo estenda as importações de algodão isentas de impostos para além de setembro.

A Reuters informou anteriormente que alguns exportadores indianos estavam se esforçando para explorar opções de fabricação no exterior para compensar o impacto das tarifas mais altas.

O setor de vestuário da Índia já estava lutando contra a escassez de mão de obra e a capacidade de produção limitada. A perspectiva de os exportadores transferirem a produção para o exterior representa um desafio adicional para a iniciativa de fabricação “Make in India” do governo.

A Índia pretende aumentar as exportações têxteis para US$ 100 bilhões até 2030.

O aumento acentuado das tarifas dos EUA ocorre no momento em que a Índia vinha surgindo como uma forte alternativa para os consumidores norte-americanos de vestuário, com Bangladesh enfrentando incertezas políticas e empresas buscando diversificar as cadeias de suprimentos além da China.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Na surdina, Trump amplia tarifa sobre metais – e surpreende empresários

Nova tarifa apareceu oficialmente no sistema alfandegário só nesta terça, após ter entrado em vigor um dia antes, até mesmo para mercadorias em trânsito

O presidente Donald Trump surpreendeu o setor de logística ao expandir suas tarifas sobre aço e alumínio para abranger mais de 400 itens de consumo que contêm esses metais, como motocicletas e utensílios de mesa. Corretoras alfandegárias e importadores nos Estados Unidos tiveram pouco tempo para se preparar para a mudança, que entrou em vigor na segunda-feira sem exceções para mercadorias em trânsito.

A nova lista de produtos sujeitos a tarifas foi divulgada pela agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) justamente quando muitos profissionais deixavam o trabalho para o fim de semana e só apareceu oficialmente no Federal Register na terça-feira, criando novas dores de cabeça para especialistas em comércio exterior. A orientação oficial tem sido confusa, sobretudo no caso de mercadorias já a caminho dos EUA, e ainda não está claro se as tarifas sobre metais se somam às tarifas impostas país a país.

Após seis meses de guerra comercial sob Trump e de uma pandemia que provocou fortes rupturas na cadeia de suprimentos, é difícil abalar transportadoras, donos de carga e intermediários que mantêm o comércio internacional funcionando. Mas a abrangência e a velocidade de implementação deste último anúncio pegaram muitos de surpresa.

“Temos vivido várias implementações de última hora ao longo de 2025, mas essa, em especial, afeta enormemente todos os meus clientes”, disse Shannon Bryant, corretora alfandegária em Michigan, em entrevista.

“Nos anúncios anteriores, pelo menos havia isenções para mercadorias já em trânsito, o que permitia aos importadores tomar decisões de compra razoáveis”, acrescentou Bryant, presidente da consultoria Trade IQ. “Esta foi única nesse sentido — é realmente um ‘pegadinha’.”

A lista inclui autopeças, produtos químicos, plásticos e componentes de móveis — demonstrando o alcance da autoridade de Trump para aplicar tarifas setoriais. Isso é separado do poder executivo que ele invocou para as chamadas tarifas “recíprocas”.

“Basicamente, se é brilhante, metálico ou remotamente relacionado a aço ou alumínio, provavelmente está na lista”, escreveu Brian Baldwin, vice-presidente de alfândega nos EUA da gigante de logística Kuehne + Nagel, em uma postagem no LinkedIn. “Isso não é apenas mais uma tarifa — é uma mudança estratégica na forma como derivados de aço e alumínio são regulados.”

Custos de compliance

A dificuldade de aplicar tarifas a produtos derivados está em determinar qual porcentagem do item é composta pelos materiais-alvo.

A Flexport, empresa de transporte digital, afirmou em um blog que, “para muitas marcas, isso significa correr atrás de fornecedores para obter dados detalhados: peso do alumínio, percentual do valor aduaneiro e país de fundição/refino”.

“O peso regulatório é significativo”, disse a empresa.

Esta rodada de tarifas também é particularmente ampla, abrangendo itens como motocicletas, equipamentos de movimentação de carga, cadeirinhas infantis, utensílios de mesa e produtos de cuidados pessoais em recipientes ou embalagens metálicas.

Jason Miller, professor de gestão da cadeia de suprimentos na Universidade Estadual de Michigan, estima de forma conservadora que as tarifas sobre metais agora cubram cerca de US$ 328 bilhões em mercadorias, com base em dados de importação de 2024. Isso é seis vezes mais do que em 2018 e um salto em relação aos US$ 191 bilhões em produtos cobertos antes da mudança, disse ele em e-mail à Bloomberg News.

O apelo dos corretores

Bryant, cuja clientela inclui importadores de cosméticos e utensílios de cozinha profissionais, enviou uma carta a parlamentares em Washington na segunda-feira alertando que a complexidade das tarifas sobrepostas está se tornando impossível de administrar, mesmo para especialistas. “Para pequenos importadores”, escreveu, “é inviável.”

“Estou tentando pensar em um cliente que não tenha sido afetado”, disse ela. “São empresas americanas, que empregam americanos, sendo surpreendidas pelo próprio governo.”

Trump impôs tarifas sobre aço e alumínio pela primeira vez em 2018, com o objetivo de estimular a produção doméstica ao tornar mais caro para os americanos comprar material estrangeiro.

Mas vários fornecedores importantes, incluindo Canadá, México e União Europeia, acabaram isentos, e indústrias dos EUA afirmam que ainda enfrentam dificuldades para competir com importados.

Aplausos da siderurgia

Em junho, Trump cumpriu uma promessa de campanha ao dobrar a alíquota sobre aço e alumínio para 50% e também solicitou feedback da indústria sobre como expandi-la ainda mais.

Lourenco Goncalves, CEO da siderúrgica americana Cleveland-Cliffs Inc., elogiou a ampliação da lista de tarifas em um comunicado na segunda-feira, agradecendo à administração Trump por “tomar uma ação decisiva e concreta que vai coibir a evasão de tarifas que ocorre diante de nossos olhos com produtos derivados de aço inoxidável e elétrico.”

E provavelmente vem mais por aí. No fim de julho, o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre importações de cobre semimanufaturado avaliadas em mais de US$ 15 bilhões e ordenou que autoridades elaborassem um plano para aplicar tarifas a uma série de outros produtos intensivos em cobre.

“Isso não acabou”, disse Pete Mento, diretor global de alfândega da DSV, em uma postagem nas redes sociais na segunda-feira. “A próxima lista certamente será sobre cobre e espero que seja igualmente dolorosa.”

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

EUA querem impor solução constitucionalmente impossível para o Brasil

Declaração é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse hoje (18), que o Brasil continua buscando manter um diálogo com os Estados Unidos (EUA) para tentar reduzir a aplicação da tarifa de 50% às exportações brasileiras. No entanto, afirmou ele, a negociação não tem sido possível porque os Estados Unidos insistem em impor ao Brasil uma solução “constitucionalmente impossível”. Para o ministro, está ocorrendo “uma dificuldade de compreensão do que se passa no Brasil”.

“Hoje nós temos documentos oficiais demonstrando que a negociação só não ocorre porque os Estados Unidos está tentando impor ao Brasil uma solução constitucionalmente impossível, que é Executivo se imiscuir em assuntos de outro poder, que é o Poder Judiciário. Nós não temos uma situação constitucional que nos permita, política e juridicamente, atuar no caso. Então, gerou-se um impasse que é pedir o que não pode ser entregue”, disse.

Segundo o ministro, o comércio bilateral entre os dois países já representa hoje metade do que foi nos anos 80 e a tendência é que continue caindo ainda mais.

“Nós tínhamos exportações da ordem de 25% com os Estados Unidos, hoje elas significam 12% e, pelo andar dos acontecimentos, eu acredito que o comércio bilateral, infelizmente, vai cair ainda mais”, disse.

Na manhã de hoje, Haddad participou da cerimônia de abertura do evento FT Climate & Impact Summit Latin America e Brasil 2030: Uma Nação de Oportunidades, promovido pelo Times Brasil/NBC, em parceria com o Financial Times, em São Paulo.

Durante a entrevista ao canal de TV, o ministro também disse que o cancelamento da reunião que ele teria com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi provocado por interlocutores da extrema-direita brasileira. Ele ressaltou que o ministério tem todos os documentos para comprovar as tratativas com o governo americano e detalhou que o encontro com Scott Bessent, em maio, havia sido positivo.

“[Foi uma reunião] excelente. Agora, o que mudou de maio para julho, tem que ser perguntado para eles”.

Segundo ele, causou estranhamento o fato de a reunião ter sido cancelada e, no mesmo momento em que ela ocorreria, Bessent ter aparecido conversando com um “concorrente” do governo brasileiro [no caso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro]. Para Haddad, cada país tem uma maneira de proceder em situações como essa, mas disse que jamais cancelaria uma reunião que tivesse sido agendada.

“Eu nunca faria cometeria uma deslealdade dessa com um homólogo meu de outro país, por mais hostil que o outro país fosse. Se eu marquei um compromisso, eu cumpro”.

Mais tarde, em entrevista a jornalistas, Haddad comentou que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro tem trabalhado “para impedir que as negociações se estabeleçam”. E que, neste momento, o governo brasileiro está trabalhando para regulamentar o plano de contingência para apoiar o setor produtivo afetado pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos. O plano de apoio prevê R$ 30 bilhões em crédito e será viabilizado por meio de uma medida provisória chamada de MP Brasil Soberano.

“A tarefa dessa semana é regulamentar o plano de contingência, fazer chegar na ponta os recursos liberados e proteger o Brasil dessa agressão externa”, disse a jornalistas.

Para o ministro, o plano de contingência “está bem calibrado” e não precisará ser ampliado.

“Se o cenário se confirmar, eu não vejo razão para ampliar. Mas vamos ver o desdobramento da coisa. Nesse momento, eu devo dizer que não”.

Globalização

Para Haddad, o atual movimento do governo Trump, inclusive com a imposição de novas tarifas, indica que os Estados Unidos decidiram “mudar o jogo” da globalização.

“Eles venderam para o mundo a globalização, com desregulamentação financeira, a descentralização das atividades produtivas, o ganho de eficiência que isso ia gerar, a acumulação flexível. E aí, quando eles perceberam que eles ganharam muito, mas que a China ganhou ainda mais, aí [decidiram] ‘vamos melar o jogo’, ‘vamos mudar o jogo’”, destacou.

Segundo o ministro, os Estados Unidos ganharam muito com a globalização, mas enfrentaram um “desafio inesperado” e decidiram “mudar as regras do jogo”.

Confira reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, sobre os impactos do tarifaço no setor têxtil

Fonte: Agência Brasil

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Especialista, O ESPECIALISTA

O ESPECIALISTA: PIETER POOL

O Tarifaço de Trump ameaça colapso nas exportações florestais do Brasil

O Tarifaço indicado pelo presidente Trump no dia 9 de julho de 2025, indicando uma tarifação de 50% sobre os produtos importados do Brasil, deixou os exportadores brasileiros de produtos florestais extremamente preocupados. Empresas com grande dependência do mercado dos EUA foram as mais afetadas, como a produtora de molduras Braspine, optou por dar férias coletivas em sistema de rodízio para 1500 funcionários, conforme matéria do G1 no dia 22de julho de 2025, evitando assim, por hora, medidas mais drásticas. A empresa exporta quase toda sua produção aos EUA onde molduras brasileiras são comumente comercializadas. Igualmente as fabricantes de molduras Ipumirim Mouldings, com 500 funcionários e a Millpar, igualmente entrou em férias coletivas, por 15 dias.

No segmento de madeira serrada de pinus, empresas exportadoras de cerquinhas (dogear pickets) e APG (Appearance Grade Boards), produtos específicos para os EUA, tiveram contratos cancelados e algumas inclusive cogitam a possibilidade de encerrarem suas operações no país, sendo a alternativa, adquirir madeira de outros países como Argentina, Paraguai e Uruguay, pois estes tem a tarifação base de 10%.

No setor de papel e celulose, os preços estão de forma geral em viés de queda. Segundo Antonio Mendes Junior, head de vendas internacionais e sócio da Hypertrade, uma das maiores tradings exportadoras de papel e celulose do Brasil, os maiores players exportadores de celulose fibra longa mercado, Klabin, Eldorado Brasil, Bracell, CMPC e Irani seguraram todos seus embarques. Ele comenta: “Entendo que os clientes não somente nos EUA, que em 2023  estão segurando as ordens, pois entendem que os brasileiros estão fragilizados. Enquanto isso consomem seus  estoques gradativamente aguardando alguma evolução de mercado. Se o Tarifaço for realmente aplicado, os exportadores brasileiros vão ter que procurar mercados alternativos com preços inferiores”. Os EUA forma o terceiro maior importador de celulose do Brasil com ~14%, ficando somente atrás da Europa com ~24% e da China com ~43%.

As indústrias de compensados multilaminados, que em 2024 exportaram, entre compensados multilaminados de eucalipto, pinus e tropical um volume aproximado de 2.241 MM de metros cúbicos, o que representa aproximadamente 51,5 K containers, também podem ser mais uma vez afetadas. Algumas indústrias como a Marini Compensados de Palmas-PR, que anunciou neste dia 23 de julho férias coletivas para 600 funcionários segundo matéria publicada no rbj.com.br, também está se precavendo e tomando as medidas necessárias para mitigar os riscos decorrentes do Tarifaço.

O seguimento que tem uma representatividade significativa no PIB da região sul do Brasil e gera milhares de empregos.

Com isso a cadeia florestal inteira fica prejudicada, chegando a afetar inclusive grandes empresas florestais do setor como por exemplo a REMASA, empresa do ramo florestal, produtora de pinus. Segundo seu diretor executivo Gilson Geronasso, a situação é preocupante e todos estão ansiosos pelos próximos passos. 

A ABIMCI (Associação Brasileira da Industria da Madeira Processada Mecanicamente), entidade de extrema relevância para o setor no Brasil, expressou através de uma “Nota de posicionamento” no dia 18 de julho, sua grande preocupação com as medidas tomadas pelo presidente Trump e disse entre outros, que além do setor gerar mais de 180 mil postos de trabalhos diretos:

“ Nossa participação na balança comercial brasileira é expressiva. Só para os Estados Unidos exportamos cerca de US$ 1,6 bilhão em 2024, o que representa uma dependência do mercado norte-americano de uma média de 50% da produção nacional. Porém, alguns segmentos madeireiros dependem exclusivamente dos EUA, com 100% de suas vendas atreladas a esse mercado. Por isso, desde o anúncio da possível taxação pelos Estados Unidos, instalou-se a insegurança no mercado, levando o nosso setor ao início de um colapso. ” Estão também diretamente engajados em contato com Brasília, em conjunto com outros setores, para articular ações positivas para o setor madeireiro.

Não podemos esquecer toda a cadeia logística, tanto no transporte doméstico, como no transporte internacional. Em relação aos fretes marítimos principalmente, enxerga-se uma tendência de redução, no entanto isso deve se equilibrar a médio prazo, uma vez que os volumes devem aumentar devido à redução dos fretes. Segundo Carlos Hauck, proprietário da CSS, empresa do ramo de transporte internacional, houveram congelamentos de pedidos que a curto prazo, podem acarretar em redirecionamentos de rotas por parte dos armadores, assim como redução na oferta de espaços para os EUA devido à redução na demanda.

O momento não é um momento fácil para o setor e para o país. Exportadores, associações e trabalhadores esperam ações que minimizem os impactos e ofereçam caminhos para diversificação de mercados.

Enquanto isso o setor florestal brasileiro segue em alerta, tentando evitar que o Tarifaço se torne a faísca de um colapso estrutural. Até lá, estamos à deriva.

PIETER POOL é especialista em comércio exterior, com mais de 23 anos de experiência em exportação, importação e desenvolvimento de mercados internacionais. Atuou em setores como madeireiro, automotivo, agroindustrial, alimentício e tecnologia, com passagem por empresas familiares, nacionais e multinacionais.  Tem sólida experiência em prospecção internacional, gestão de fornecedores, logística integrada, processos aduaneiros e desenvolvimento de produtos OEM/ODM. Também se destaca na análise financeira, gestão de indicadores e internacionalização de empresas. Foi Diretor Regional Sul da Aliança Brasil-China (2009) e tem formação em Comércio Exterior, MBA em Logística (UFPR) e Mestrado em Management (FAE/Baldwin Wallace University).

Bibliografia

https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/07/22/tarifaco-de-trump-industria-do-parana-amplia-ferias-coletivas-para-mais-da-metade-dos-funcionarios-e-medida-afeta-15-mil-trabalhadores.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/tarifaco-madeireira-de-sc-da-ferias-coletivas-a-quase-500-trabalhadores

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/setor-madeireiro-forca-ferias-e-projeta-demissoes-frente-a-tarifas-de-trump

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Exportação

Exportações do Brasil para a Argentina voltam a subir: podem aliviar o impacto do tarifaço nos EUA?

Após vacas magras, saltaram 53% as vendas de empresas brasileiras para o país vizinho, que compra produtos tarifados pelos americanos

Com o sinal de alerta aceso nas exportações para os Estados Unidos, por causa do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, o comércio exterior do Brasil terá um alívio, ao menos, nas trocas com a Argentina. As vendas do Brasil para lá saltaram 53,2%, em valor, nos sete primeiros meses do ano, ante igual período de 2024.

O crescimento representa uma recuperação, após as exportações brasileiras para o mercado argentino tombarem 17,6% em 2024 por causa da recessão no país vizinho. Os US$ 10,780 bilhões vendidos à Argentina este ano até julho ainda estão abaixo do registrado nos sete primeiros meses de 2023.

EUA e Argentina são importantes para a indústria brasileira. Tanto o mercado americano quanto o argentino se destacam por demandarem bens manufaturados numa proporção superior à média das exportações do Brasil.

Apesar disso, os tipos de produtos vendidos pelo Brasil para um e outro país são diferentes, lembra Lia Valls, professora da Uerj e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Por isso, ela vê a retomada da demanda argentina como uma boa notícia, mas incapaz de amenizar as perdas com o mercado americano:

— As exportações para a Argentina são muito concentradas nos automóveis. Nem entramos com automóveis nos EUA.

A concentração das vendas para a Argentina nos itens da indústria automotiva se repetiu nos sete primeiros meses deste ano. Desde a década de 1990, com o estabelecimento do Mercosul, as multinacionais do setor passaram a organizar suas cadeias entre Brasil e Argentina numa relação de interdependência entre os dois mercados.

No início deste mês, a Anfavea, associação nacional de fabricantes de veículos, revisou para baixo sua projeção de vendas de automóveis no mercado doméstico para este ano, para 2,7 milhões de unidades, ante os 2,8 milhões estimados em janeiro. Mas manteve inalterada a previsão de produção, em 2,7 milhões de unidades, por causa da demanda argentina — a estimativa é que sejam exportados 552 mil carros para lá este ano, o que representaria um salto de 38,4% na comparação com 2024.

— Os argentinos começaram a comprar mais carros — diz Federico Servideo, presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo (Camarbra).

A economia argentina estava em recessão no primeiro semestre do ano passado, mas voltou a crescer na segunda metade de 2024. No primeiro trimestre, cresceu 0,8%. Ao mesmo tempo, o câmbio do peso com o dólar se valorizou, tornando os produtos brasileiros mais baratos no país. O fluxo de turistas argentinos para o Brasil e as compras deles no varejo nacional também saltaram.

Fatores conjunturais

O problema, para Servideo, é que esses fatores são conjunturais. Na visão do presidente da Comarbra, nos últimos anos a relação comercial entre os dois maiores países da América do Sul tem sido “oportunística”.

As trocas crescem ou caem em função do ritmo do crescimento econômico, da estabilidade da economia ou da variação nas taxas de câmbio. Ideal seria impulsionar a integração das cadeias de produção entre os dois países, envolvendo pequenas e médias empresas, como no setor automotivo.

Servideo cobra maior ativismo do empresariado, de lado a lado, em prol da integração. Nas políticas públicas, o foco deveria ser a remoção da burocracia, como trâmites alfandegários e a regulação de padrões industriais.

Fora do setor automotivo, a volta da demanda argentina pode amenizar, em alguma medida, as perdas nas vendas para os EUA nas indústrias de calçados e de máquinas e equipamentos.

A fabricante alemã de bombas para uso industrial Netzsch vê o redirecionamento dos EUA para outros mercados da América Latina como um caminho, disse ao GLOBO Osvaldo Ferreira, diretor-geral da empresa no Brasil. A recuperação argentina “pode ajudar”, disse o executivo:

— Eles ficaram muito em baixa, sentimos também (quando houve queda nas vendas para a Argentina).

Fonte: O Globo

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Comércio Exterior

Estado anuncia em Itajaí pacote de R$ 435 milhões contra efeitos de tarifaço

Secretário divulgou programas de incentivos a empresários da Amfri

O governo estadual anunciou em Itajaí o pacote emergencial de R$ 435 milhões para apoiar os setores da economia catarinense mais prejudicados pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. Para a região da Amfri, foi apresentado um conjunto de programas e incentivos fiscais pra fortalecer a competitividade das empresas.

A apresentação foi em evento na Associação Empresarial de Itajaí (ACII), com a presença do secretário estadual da Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck. Autoridades locais, lideranças empresariais e representantes de associações empresariais dos municípios da região participaram do encontro.

O secretário destacou as principais ferramentas disponíveis pelo estado, com ênfase em linhas de crédito, incentivos fiscais e programas voltados à inovação e à geração de empregos. Foram apresentados o Programa Juro Zero, para microempreendedores individuais (MEIs), e o Pronampe SC, que oferta crédito a pequenas e médias empresas.

Também foi destacado o Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec), voltado para o setor industrial, e o Pró-Emprego, programa mais abrangente que atende diversos segmentos da economia. Segundo o secretário, os programas buscam estimular investimentos privados, aumentar a produtividade e incentivar a inovação nas empresas.

“Estamos fortalecendo o diálogo entre o setor público e privado, promovendo um ambiente de negócios mais competitivo e com foco na geração de empregos e renda”, afirmou Dreveck.

A presidente da ACII, Thaísa Nascimento Corrêa, ressaltou a importância da parceria entre o empresariado e o estado. “Esta é uma articulação estratégica que contribui para o futuro das nossas empresas e da região como um todo. Iniciativas como essa mostram o potencial da nossa indústria, comércio e serviços, que merecem políticas públicas alinhadas às suas necessidades”, disse.

Foco em inovação, crédito e competitividade

Os programas do governo estadual ganharam atualizações e melhorias para ajudar ainda mais as empresas. O Prodec passou a incluir despesas com inteligência artificial, automação, software, energia renovável e formação de capital humano, para estimular a modernização do parque industrial e o desenvolvimento de novos produtos.

Já o Pró-Emprego, que concede incentivos fiscais na compra de equipamentos, construção civil e insumos importados, foi reforçado como alternativa para negócios do setor comercial, de serviços e energia. Os dois programas somaram mais de R$ 25 bilhões em investimentos nos últimos dois anos, gerando 85 mil novos empregos.

Uma nova frente de atuação do governo será a capacitação da mão de obra. O secretário adiantou que o estado está elaborando, em parceria com entidades, um programa de qualificação pra atender às vagas em aberto em Santa Catarina, que somam mais de nove mil só nos anúncios pelo Sine.

Crédito para empreendedores

Entre as novas linhas de crédito está o financiamento de até R$ 250 mil para projetos de inovação, com subsídio de até 50% dos juros pelo estado, por meio de cooperativas. Já programa Juro Zero oferece microcrédito de até R$ 5 mil para MEIs, com pagamento em dia e possibilidade de renovação sem cobrança de juros.

Em 2024, o programa estadual já financiou mais de R$ 100 milhões em operações para pequenos empreendedores. “Esses recursos movimentam a base da economia catarinense, principalmente nos municípios que têm nos MEIs uma grande força produtiva”, observou o secretário.

Pacote contra o tarifaço

O pacote de R$ 435 milhões em medidas financeiras e tributárias do estado contra o tarifaço de Donald Trump foi anunciado na quarta-feira pelo governador Jorginho Mello (PL). As ações visam evitar demissões, garantir a competitividade das empresas e manter as atividades das indústrias mais afetadas.

São três frentes de atuação do pacote, prevendo a liberação de crédito acumulado de exportação, dividido em três meses; a prorrogação por 60 dias, durante três meses, do pagamento de ICMS e o financiamento emergencial pelo BRDE.

Em contrapartida, as empresas atendidas deverão manter empregos. O governo estima que 73 mil postos de trabalho sejam protegidos pelas medidas. Haverá critérios de classificação de risco pra atendimento às empresas.

Os setores de madeira, blocos de motor e compressores e de motores elétricos e transformadores são os mais afetados pelo tarifaço. A região do vale do Itajaí é a segunda mais impactada no estado, enquanto a norte é a primeira.

Fonte: Diarinho

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Comércio Exterior, Exportação

Empresários do mel no Ceará renegociam com importadores dos EUA e retomam exportações após tarifaço

Empresários cearenses renegociaram diretamente com importadores norte-americanos para viabilizar o embarque de 50 contêineres de mel destinados aos Estados Unidos no segundo semestre deste ano, evitando grandes prejuízos com o tarifaço imposto sobre as exportações brasileiras, em vigor desde o último dia 6 de agosto.

O setor enfrentava forte pressão, sobretudo por exportar 95% de sua produção para os EUA, e chegou a registrar, em julho, o bloqueio de cargas no Porto do Pecém, enquanto importadores ainda aguardavam definições sobre a implementação da medida.

Joventino Neto, presidente da Federação dos Apicultores do Ceará (Fecap), explica que a iniciativa para manter as exportações exigiu a renegociação de contratos, com redução das margens de lucro tanto para os vendedores quanto para os compradores.

De acordo com ele, atualmente, os importadores compram o mel cearense por cerca de R$ 14 o quilo, valor inferior aos R$ 16 pagos anteriormente. No entanto, revendem o produto no exterior por R$ 65 a R$ 70 o quilo, atingindo uma margem de lucro superior a 300%.

Por isso, afirma, aceitaram dividir os prejuízos do tarifaço com os produtores cearenses para minimizar os impactos para ambos.

“Como eles [os EUA] têm uma margem de lucro muito grande, dividiram o prejuízo, porque as grandes empresas já possuem clientes certos, contratos de fidelidade e logística. Eles se prepararam para exportar cerca de 300 toneladas mensais ao longo do ano”, disse, em entrevista ao Diário do Nordeste.

Os acordos na cadeia produtiva do mel acontecem independentemente das medidas anunciadas pelo Governo do Ceará, como a compra de alimentos por supermercados, e das ações Governo Federal, cujos anúncios foram feitos nesta quarta-feira (13).

Pequenos produtores serão os mais impactados pela redução do lucro
A redução do lucro, contudo, terá impacto na cadeia produtiva do mel local, afetando diretamente os apicultores de pequeno e médio porte do Ceará, como frisa Joventino Neto.

Segundo ele, como a maioria dos 70 mil produtores cearenses não é associada a uma cooperativa, os lucros devem ser ainda mais reduzidos em virtude da renegociação entre exportadores e importadores.

“Estou querendo abrir uma cooperativa aqui no Ceará para podermos exportar igual à Casa Ápis (em Picos, no Piauí), e a forma que eles encontraram foi dividir o prejuízo. Quando chega lá, eles fazem um acordo verbal e dividem os prejuízos”, diz.

“Vai baixar em mais ou menos à metade o lucro. Isso, na verdade, vai para as costas dos pequenos apicultores, porque os atravessadores sempre ganham mais”, completa.

Estados Unidos consomem mais de 90% do mel cearense exportado
O Ceará exportou para os Estados Unidos 1,55 mil tonelada de mel de janeiro a julho deste ano, antes de o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump entrar em vigor. Os dados são do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Ainda conforme esses dados, esse número representa 95% das exportações cearenses de mel de abelha em 2025. Foram US$ 5,3 milhões (R$ 28,6 milhões na conversão atual) comprados pelos EUA.

Além dos Estados Unidos, o mel cearense também terá como foco, neste ano, a Europa. Em 2025, Itália e Reino Unido compraram o produto do Ceará, mesmo que em quantidade muito menor.

O resultado demonstra que o mel cearense ganhou o mercado norte-americano, uma vez que o consumo no Brasil ainda é baixo, na comparação com Estados Unidos e Europa.

Fonte: Diário do Nordeste

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Exportação

Exporta para os EUA? ✈️ Confira passo a passo para entender produtos, tarifas extras e exceções

Desenhamos esse processo do início ao fim para esclarecer como os EUA dividiram os produtos, quais as tarifas por setores e quais são as exceções dessa taxação

Se você exporta para os Estados Unidos (EUA) e ainda está confuso sobre como as tarifas adicionais de 50% sobre os produtos brasileiros vão funcionar, a gente te entende! Com a quantidade de medidas em vigor, de listas de produtos, de especificações e ainda de exceções, fica fácil se perder. 

Nós preparamos um fluxograma que desenha esse processo e te ajuda a entender quais são as tarifas e como elas se aplicam aos diferentes produtos.

Vamos a um exemplo: o café. Ele não se encaixa nos setores com tarifas específicas, como aço, alumínio, automóveis, autopeças ou cobre.

O café também não consta na lista de exceções da Ordem Executiva 14323, o que significa que ele parte de uma tarifa base de 10% que já existia. Além disso, o café também não consta na lista de exceções da Ordem Executiva 14323, somando outra tarifa adicional de 40%.

Por isso, o café, assim como outros produtos, está sujeito diretamente à nova tarifa de 50%.

A depender de qual lista o seu produto está, ele tem a possibilidade de não receber nenhuma tarifa adicional ou receber tarifa adicional de 10%, 40% ou 50%.

 Com o café, a conta é a seguinte:

Tarifa Base: 10%

Tarifa Adicional: +40%

Total: 50%

E é assim que vários produtos chegam nos 50% de tarifas extras anunciadas pelo presidente dos EUA. 
 

Dá uma olhada como fica essa história desenhadinha 👇🏾

Fonte: Portal da Indústria

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Comércio Exterior

Alvos do ‘tarifaço’ têm mais de 90% das exportações direcionadas aos EUA

O tarifaço sobre as exportações brasileiras ameaça produtos que têm os EUA como o destino de mais de 90% de suas vendas internacionais. A dependência foi apresentada pelo Icomex (Indicador de Comércio Exterior), da FGV (Fundação Getulio Vargas), que alerta para os desafios ocasionados pela taxação e demonstra preocupação com os gastos originados pela sobretaxa.

O que aconteceu

Entre os 30 produtos mais exportados aos EUA, 18 serão sobretaxados. A cesta de 30 itens corresponde a 65,3% das vendas destinadas aos norte-americanos entre janeiro e julho deste ano e somam 7,8% do total das exportações do Brasil. A lista de exceções ao tarifaço abrangeu 12 deles.

Aço, madeira e sebo animal são os mais prejudicados. O estudo da FGV considera a participação dos norte-americanos nas compras de madeira de coníferas perfilada (98%), sebo de bovinos, ovinos e caprinos (97,3%) e semimanufaturados de ligas de aço (96,1%). Os itens representam mais de 4% das exportações nacionais para os Estados Unidos.

Concentração é entrave até mesmo para os contratos já firmados. Fernando Sette Júnior, economista e professor de relações internacionais, afirma que o cenário reduz as margens de lucro e pode inviabilizar vendas já firmadas. “A logística, a adequação regulatória e a renegociação contratual geram custos adicionais”, avalia ele.

Relação das tarifas adicionais conta com quase 700 exceções. A cobrança inicialmente estabelecida em 10% foi limitada a 694 produtos nacionais, como a celulose, as castanhas, os produtos de aviação e o suco de laranja. Segundo a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), 43,4% das exportações brasileiras aos EUA foram poupadas. Os demais setores foram taxados em 50%.

Entre os mais dependentes, aeronaves se livraram da taxa extra. O setor tem os Estados Unidos como principal parceiro, com 91% das exportações destinadas àquele mercado. Os produtos, que aparecem entre as exceções, respondem por 2,76% do total das vendas nacionais aos EUA, segundo o levantamento.

Dependência dos EUA dificulta a abertura de novos mercados. A concentração das vendas de alguns produtos complica a diversificação das parcerias comerciais. “Não há alternativas imediatas de destino com o mesmo porte de compra dos Estados Unidos”, diz Sette. Lia Valls, pesquisadora associada do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, ligado à FGV), observa que o ingresso em novos países é ainda mais difícil para os exportadores de menor porte.

Para algumas empresas deve ser possível diversificar mercados. Para as pequenas, especialmente, é muito difícil. No comércio exterior, não é tão simples você entrar em um novo mercado. Existem as certificações de qualidade e você tem que conquistar a confiança de um novo cliente. Não é um processo assim tão rápido.Lia Valls, pesquisadora do Ibre/FGV

Socorro do governo

Plano de contingência é visto como positivo, mas insuficiente. Os especialistas em comércio exterior avaliam que as medidas apresentadas para socorrer os exportadores têm caráter temporário e não beneficiam igualmente todos os setores. “É uma medida de alívio. Precisamos ver como ela vai efetivamente ser operacionalizada”, afirma Valls. “O pacote anunciado pelo governo tem caráter parcial e setorial”, complementa Sette.

Abrangência limitada dos auxílios setoriais gera dúvidas. Voltado especialmente para pequenas e médias empresas, o pacote não socorre todos os segmentos afetados pelas tarifas norte-americanas. “Enquanto alguns exportadores terão condições de amortecer a perda de competitividade, outros precisarão absorver o choque sem uma proteção imediata”, avalia Sette.

Custos do tarifaço são apontados como desafio econômico. Além da ajuda do Planalto, outros impactos são previstos. “Há custos adicionais relevantes, que podem perdurar mesmo com apoio governamental”, diz Sette. Ele lista entre os desafios os gastos extras com logística, a menor entrada de dólares no Brasil, a adequação regulatória com certificações na busca por novos mercados e o risco reputacional em meio a cancelamentos e atrasos.

Fonte: UOL

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Comércio Exterior

Tarifas dos EUA ameaçam seguro agrícola no Brasil

“O seguro agrícola brasileiro é altamente dependente das commodities”

O impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros pode redesenhar o cenário do seguro agrícola no país. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as perdas nas exportações agrícolas podem chegar a US$ 5,8 bilhões, com queda de 48% na receita dos exportadores. Essa retração reduz a capacidade dos produtores de contratar seguros, elevando o risco de inadimplência em um momento de maior instabilidade climática e de mercado.

Daniel Miquelluti, Head de Novos Mercados e cofundador da Picsel, destaca que o seguro agrícola brasileiro é altamente dependente das commodities de exportação e sofre impacto direto com a redução das receitas externas. A situação se agrava com o corte de 42% no orçamento do Programa de Subvenção Rural (PSR), segundo o Ministério da Agricultura, que reduziu a área segurada de 14 milhões para 7 milhões de hectares, conforme a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

“O seguro agrícola brasileiro é altamente dependente das commodities de exportação. Quando há redução abrupta na receita externa, o produtor perde fôlego financeiro para manter a cobertura, justamente em um momento de maior volatilidade climática e de mercado”, afirma.

As regiões Sul e Sudeste, mais dependentes do mercado americano, e culturas como café e carne bovina tendem a ser as mais afetadas, segundo análise do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre). A retração na cobertura de seguros nessas áreas pode provocar um efeito cascata sobre produção, renda rural e cadeias produtivas inteiras, comprometendo a resiliência do agro.

“O setor terá de inovar com o desenvolvimento de seguros personalizados e produtos paramétricos, enquanto o governo enfrentará pressão para ampliar subsídios em um contexto de forte restrição fiscal. Mais do que nunca, será necessário tratar seguro rural como uma ferramenta anticíclica, capaz de proteger o produtor e estabilizar a economia do agro em períodos de crise”, conclui.

Fonte: Agrolink

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