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Carros chineses no Brasil: mercado deve ultrapassar 100 modelos à venda em 2027

O mercado brasileiro de automóveis está prestes a atingir uma marca histórica na presença de fabricantes chinesas. Com a chegada constante de novas montadoras e a ampliação dos catálogos das empresas que já operam no país, a oferta deverá superar 100 modelos chineses disponíveis no Brasil nos próximos meses, possivelmente ainda no primeiro trimestre de 2027.

A expansão é impulsionada principalmente pelos segmentos de carros elétricos e SUVs híbridos, que concentram boa parte dos lançamentos recentes. A expectativa é que pelo menos 40 novos modelos de marcas chinesas cheguem ao mercado brasileiro ao longo de 2027.

A projeção é de Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, que acompanha o movimento de expansão das fabricantes asiáticas. Para o consultor, o crescimento da oferta representa uma primeira etapa de transformação do mercado, que deverá dar lugar a uma disputa mais intensa entre as próprias marcas chinesas.

Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, também avalia que o Brasil deverá ultrapassar a marca de 100 modelos no primeiro trimestre de 2027.

MG IM6 marca a chegada de mais uma marca chinesa ao Brasil

Uma das estreias mais recentes é a IM, divisão de veículos de luxo da MG Motor. A fabricante iniciou sua operação no país com o SUV elétrico IM6, oferecido em duas configurações.

Confira os preços e as características das versões:

  • IM6 Signature: R$ 368.990, com motor traseiro de 295 cv e torque de 45,9 kgfm.
  • IM6 Performance: R$ 439.990, com tração integral, potência de 752 cv e torque de 81,8 kgfm.

Um dos principais diferenciais do modelo é o sistema de esterçamento das quatro rodas, disponível nas duas versões.

Em velocidades reduzidas, as rodas traseiras se movimentam no sentido contrário às dianteiras, facilitando manobras e diminuindo o diâmetro de giro. O recurso também permite o chamado modo caranguejo, no qual o veículo consegue se deslocar diagonalmente, característica útil em espaços de estacionamento mais restritos.

Em velocidades elevadas, as quatro rodas passam a esterçar na mesma direção, contribuindo para a estabilidade do veículo.

GWM Haval H7 e Jetour S08 ampliam oferta de SUVs híbridos

Poucos dias antes da estreia do IM6, outros dois utilitários esportivos chineses chegaram ao mercado brasileiro: o GWM Haval H7 e o Jetour S08. Ambos utilizam sistemas híbridos plug-in (PHEV), que combinam motores a combustão e elétricos com possibilidade de recarga externa.

GWM Haval H7: potência de 370 cv e autonomia elétrica de 92 km

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<text weight=”medium”>GWM Haval H7</text>

O Haval H7 ocupa uma posição intermediária na linha de SUVs da GWM, entre os modelos H6 e H9. Seu preço de lançamento é de R$ 261 mil.

O conjunto mecânico reúne um motor 1.5 turbo flex e dois propulsores elétricos, instalados um em cada eixo. A potência combinada chega a 370 cv, enquanto o torque total é de 77 kgfm.

A bateria de tecnologia LFP (lítio-ferro-fosfato) tem capacidade de 27,5 kWh e proporciona autonomia elétrica de até 92 quilômetros.

As possibilidades de recarga incluem:

  • Corrente contínua (DC): potência de até 41 kW.
  • Corrente alternada (AC): potência de até 6,6 kW.

Segundo os dados do Inmetro, o consumo do Haval H7 pode chegar a 32 km/l na cidade e 24,3 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, os números são de 20,6 km/l no ciclo urbano e 16,7 km/l no rodoviário.

Jetour S08: SUV híbrido com sete lugares

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<text weight=”medium”>Jetour S08</text>

Com preço de R$ 259.900, o Jetour S08 aposta em uma proposta diferente, com acabamento sofisticado e capacidade para transportar sete ocupantes.

O sistema híbrido combina um motor 1.5 turbo a gasolina, que entrega 135 cv e 20,4 kgfm, com um propulsor elétrico dianteiro de 204 cv e 31,6 kgfm. A fabricante não divulgou a potência combinada do conjunto.

A transmissão utiliza tecnologia DHT (Dedicated Hybrid Transmission), com uma marcha mecânica e diferentes relações simuladas.

A bateria tem capacidade de 18,4 kWh e permite percorrer até 62 quilômetros no modo elétrico, conforme o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV).

Em estações de recarga rápida de corrente contínua, o equipamento pode elevar a carga de 20% para 80% em aproximadamente 18 minutos.

Comparativo: dimensões e espaço interno dos SUVs

Embora tenham propostas distintas, Haval H7 e Jetour S08 apresentam dimensões externas bastante próximas.

CaracterísticaGWM Haval H7Jetour S08
Comprimento4,80 m4,81 m
Largura1,95 m1,93 m
Altura1,84 m1,71 m
Entre-eixos2,73 m2,82 m
Porta-malas586 litros94 litros com 7 lugares

No Haval H7, o compartimento de bagagem oferece 586 litros, capacidade que aumenta para 1.404 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Já o Jetour S08 prioriza a configuração de sete lugares. Com todas as fileiras em uso, o porta-malas dispõe de 94 litros. Na configuração convencional, o volume chega a 658 litros.

O modelo também aposta no conforto dos ocupantes. Todos os bancos contam com ajustes elétricos, enquanto os assentos dianteiros oferecem aquecimento, ventilação, memória de posição e função de massagem.

Concorrência entre marcas chinesas deve aumentar a partir de 2027

O crescimento acelerado da quantidade de modelos disponíveis no Brasil representa apenas a primeira etapa da expansão das fabricantes chinesas.

Na avaliação de Murilo Briganti, o mercado deverá entrar em uma fase de consolidação a partir de 2027, marcada pela disputa por participação, volume de vendas e preços mais competitivos.

Com mais empresas oferecendo produtos semelhantes, a tendência é de aumento da concorrência dentro do próprio grupo de montadoras chinesas.

O consultor considera que nem todas as marcas recém-chegadas conseguirão manter suas estruturas comerciais e investimentos no país. Algumas poderão fortalecer sua presença, enquanto outras terão de reduzir operações ou até encerrar atividades.

Casos como os das fabricantes Neta e Seres, que deixaram o mercado brasileiro pouco tempo depois de iniciarem suas operações, demonstram os desafios de estabelecer uma presença sustentável no país.

Briganti ressalta, entretanto, que a eventual saída de uma marca não significa necessariamente o abandono do mercado brasileiro pelo grupo empresarial ao qual pertence.

Na prática, grandes conglomerados chineses podem optar por concentrar recursos em determinadas fabricantes, priorizando aquelas com maior rentabilidade e potencial de crescimento.

BYD e GWM lideram em quantidade de modelos chineses no Brasil

Entre as marcas chinesas presentes no mercado nacional, BYD e GWM possuem os maiores portfólios, com 17 e 11 modelos, respectivamente.

A seguir, confira a relação de fabricantes e a quantidade de veículos disponíveis, conforme o levantamento apresentado:

MarcaModelosQuantidade
BYDDolphin, Dolphin Mini, Dolphin Plus, Dolphin SE, Han, Seal, Sealion 7, Tan, Yuan Plus, Yuan Pro, Atto 2, Atto 8, King, Shark, Song Plus, Song Plus Premium e Song Pro17
GWMOra 5, Ora 03, Wey 07, Haval H6 HEV, Haval H6 PHEV19, Haval H6 PHEV35, Haval H6 GT, Haval H7, Tank 300, Haval H9 e Poer P3011
GACAion UT, Aion Y, Aion ES, Aion V, Hyptec HT, GS4, GS9 e GS38
Caoa CheryTiggo 7 PHEV, Tiggo 8 PHEV, Tiggo 9 PHEV, Tiggo 5X, Tiggo 7, Tiggo 8 e Tiggo 97
MG MotorCyberster, MG4, MG4 Urban, MG S5, IM6 Signature e IM6 Performance6
Caoa ChanganAvatr 11, CS55 PHEV, CS55 Infinity, CS75 e Unit-T5
JetourT1, T2, T2 4×4, S06 e S085
LotusEletre 600, Eletre 900, Emeya 900, Emira V6 e Emira Turbo5
Omoda JaecooOmoda E5, Jaecoo 5, Jaecoo 7, Omoda 5 e Omoda 75
LeapmotorB10, C10, B10 REEV e C10 REEV4
DenzaZ9GT, D9 e B53
GeelyEX2, EX5 e EX5 EM-i3
ZeekrX, 7X e 0013
FotonTunland V7 e Tunland V92

Mercado brasileiro deve passar por nova fase de transformação

A chegada de novos fabricantes e a ampliação dos catálogos existentes mostram que as montadoras chinesas estão apostando no potencial do consumidor brasileiro.

Além da variedade de modelos, as empresas disputam espaço com tecnologias de eletrificação, equipamentos de assistência à condução, conectividade e diferentes configurações de motorização.

O avanço, porém, também deverá aumentar a pressão sobre preços, estratégias comerciais e redes de concessionárias.

Com a previsão de pelo menos 40 novos modelos chineses em 2027, o mercado brasileiro caminha para uma fase de concorrência ainda mais intensa, na qual a capacidade de conquistar consumidores e manter operações rentáveis será determinante para a permanência das marcas.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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