Comércio Internacional

China exporta frango mais barato e aumenta concorrência com o Brasil no mercado global

A entrada de frango chinês a preços até 20% menores está intensificando a disputa pelo mercado internacional de carne de aves e pressionando a posição competitiva do Brasil. A China, tradicionalmente uma das principais parceiras comerciais do agronegócio brasileiro, passou a direcionar parte de sua produção excedente para exportação, ampliando a concorrência em destinos historicamente atendidos pelos produtores nacionais.

O movimento está relacionado a mudanças no consumo interno chinês e à estratégia do país de fortalecer sua segurança alimentar. Com maior presença no comércio internacional de proteínas, o gigante asiático assume um papel mais direto na disputa por compradores e exige que as agroindústrias brasileiras reforcem sua competitividade.

Brasil busca novos mercados para ampliar exportações agrícolas

Diante das mudanças no comércio global de carnes, o governo brasileiro intensifica os esforços para diversificar os destinos das exportações do agronegócio. A estratégia busca reduzir a dependência de mercados específicos e ampliar as alternativas para o escoamento da produção nacional.

O Ministério da Agricultura anunciou a abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros no Kuwait, na Nicarágua, na Síria e em Bangladesh.

Os acordos ampliam as oportunidades comerciais em regiões do Oriente Médio e da América Central, com possibilidade de inclusão de proteínas animais, conforme as condições estabelecidas em cada negociação bilateral.

A diversificação dos destinos é considerada estratégica para diminuir a exposição a mudanças na demanda internacional, à concorrência de outros fornecedores e a eventuais restrições comerciais.

Recuperações judiciais no agronegócio caem 20,7%

Apesar das pressões no comércio exterior, os indicadores financeiros do setor agropecuário brasileiro apresentam sinais de melhora. Dados da Serasa Experian apontam que o agronegócio registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026.

O volume representa uma redução de 20,7% em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo o levantamento, foi a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022.

O resultado sugere uma possível melhora nas condições financeiras de parte das empresas do setor, embora a sustentabilidade dessa recuperação dependa de fatores como custos de produção, crédito, preços das commodities e desempenho das exportações.

Agronegócio brasileiro alcança recorde de empregos

O mercado de trabalho também apresenta números positivos. No segundo trimestre de 2026, o agronegócio brasileiro alcançou a marca recorde de 28,4 milhões de pessoas ocupadas.

O contingente corresponde a aproximadamente 26% do total de trabalhadores do país, de acordo com boletim elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Os dados reforçam a importância do setor para a geração de empregos e para a economia nacional, mesmo em um cenário de mudanças na dinâmica do comércio internacional.

A manutenção desse desempenho, contudo, dependerá da capacidade das empresas de preservar sua saúde financeira e enfrentar a concorrência externa sem comprometer investimentos e postos de trabalho.

Sustentabilidade ganha importância no comércio internacional

Além da competitividade comercial e da estabilidade financeira, as práticas de sustentabilidade e ESG — sigla que reúne critérios ambientais, sociais e de governança — ganham espaço nas estratégias do agronegócio.

A adoção de padrões socioambientais e a valorização de iniciativas sustentáveis podem contribuir para fortalecer a imagem dos produtos brasileiros diante de compradores internacionais cada vez mais atentos à origem e aos processos de produção.

Nesse contexto, pescadoras brasileiras receberam reconhecimento como heroínas em uma premiação promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa destacou trajetórias relacionadas à segurança alimentar e à preservação ambiental.

O reconhecimento amplia a visibilidade de iniciativas brasileiras ligadas à sustentabilidade e pode contribuir para valorizar a imagem do país no cenário internacional.

Competitividade será decisiva para o futuro das exportações brasileiras

A combinação entre a expansão das exportações chinesas de frango, a abertura de novos mercados e os indicadores internos do agronegócio evidencia um cenário de oportunidades e desafios para o Brasil.

A redução dos pedidos de recuperação judicial e o recorde de ocupação mostram sinais positivos para a estrutura produtiva nacional. Por outro lado, a concorrência internacional exige ganhos de eficiência, controle de custos e maior capacidade de adaptação às mudanças na demanda.

Nesse ambiente, a diversificação dos destinos comerciais será fundamental para reduzir riscos e ampliar o alcance das empresas brasileiras. A capacidade de combinar competitividade, sustentabilidade e acesso a novos mercados deverá influenciar o desempenho do agronegócio nos próximos anos.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Agronegócio

Agro sustentável atrai mais de US$ 10 bilhões em novos investimentos até 2027

O agro sustentável brasileiro vive um novo momento de expansão. Durante o Climate Implementation Summit (CIS), realizado em São Paulo (SP), foram anunciadas intenções de investimento que somam US$ 10,4 bilhões (R$ 55,4 bilhões) até o fim de 2027. Os recursos serão destinados à implementação de soluções sustentáveis em fazendas de todo o país, fortalecendo o papel do Brasil na transição climática global.

Organizado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Climate Action e Converge Capital, o encontro reuniu mais de 750 líderes empresariais e investidores do Brasil e do exterior, incluindo representantes de governos, organizações multilaterais e fundos filantrópicos.

Soluções baseadas na natureza ganham protagonismo

A aceleradora americana Capital for Climate apresentou o levantamento mais recente sobre Soluções Baseadas na Natureza (SbN) — iniciativas que unem conservação, restauração e manejo sustentável de ecossistemas para enfrentar desafios ambientais, sociais e econômicos. O estudo, desenvolvido em parceria com a Deloitte Brasil, apontou intenção de investimento de US$ 10 bilhões, o dobro da estimativa inicial.

Segundo Anna Lucia Horta, diretora executiva da Capital for Climate no Brasil, US$ 2,7 bilhões (R$ 14,4 bilhões) devem ser desembolsados ainda em 2025, parte já em execução. “As SbNs são soluções de baixo custo e alto impacto, fundamentais para atingir as metas de remoção de carbono. Queremos dar mais visibilidade a esse setor e aproximar investidores dos projetos”, afirma.

Descompasso entre capital e projetos

O levantamento, que envolveu 34 instituições financeiras nacionais e internacionais, revelou um desequilíbrio entre oferta e demanda de capital. Enquanto investidores estão prontos para aplicar recursos, os 32 projetos mapeados pela Capital for Climate têm capacidade de absorver US$ 6,1 bilhões (R$ 32,5 bilhões) até 2028.

As iniciativas priorizam restauração de pastagens degradadas, bioeconomia florestal e proteção de vegetação nativa, gerindo atualmente 1,1 milhão de hectares, com previsão de chegar a 2,7 milhões de hectares até o fim da década. A próxima fase do estudo buscará detalhar perfis de risco e retorno para conectar cada projeto ao investidor ideal.

Capital catalisador impulsiona transição agrícola

Além do impacto ambiental, há um claro interesse financeiro. O fundo Catalytic Capital for the Agriculture Transition (CCAT), administrado pela Vox Capital com apoio da The Nature Conservancy (TNC), busca acelerar a transição para uma agricultura de baixo carbono.

O CCAT conta com investidores como a Fundação Gordon e Betty Moore, a Iniciativa Internacional Climática e Florestal da Noruega (NICFI), a Margaret A. Cargill Philanthropies (MACP), o Instituto Arapyaú e a Porticus. No evento, Daniel Brandão, diretor de Soluções Baseadas na Natureza da Vox Capital, anunciou o primeiro fechamento de US$ 50,5 milhões (R$ 269 milhões). O objetivo é levantar US$ 200 milhões em capital catalisador e destravar US$ 800 milhões em investimentos comerciais até 2028 — podendo chegar a US$ 10 bilhões até 2030.

O fundo pretende apoiar a recuperação e proteção de 500 mil hectares, evitar 240 milhões de toneladas de CO₂ e beneficiar mais de mil produtores rurais. “Vamos investir em instrumentos como CRAs e Fiagros, oferecendo condições mais acessíveis e prazos maiores para facilitar o acesso ao crédito rural”, explica Brandão.

O CCAT exige desmatamento zero, em linha com o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), e apoiará projetos de soja em áreas degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e sistemas agroflorestais (SAFs).

Produtor rural no centro da transição verde

A nova onda de investimentos sustentáveis reforça o protagonismo do produtor rural brasileiro. O Caminho Verde, programa federal que substitui o antigo plano de recuperação de pastagens degradadas, busca restaurar até 40 milhões de hectares na próxima década — quase metade da área hoje considerada degradada.

Para Brandão, o foco é de cooperação, não de confronto. “Queremos o produtor como parceiro e beneficiário direto do processo”, diz. O capital concessional do CCAT deve ampliar o acesso ao crédito e à assistência técnica, reduzindo riscos e aumentando a renda do agricultor.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brazil Photos/Getty Images

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