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Tufão Champi: veja a rota do ciclone monstro e os países que podem ser afetados

O supertufão Champi, apelidado de ciclone monstro, deve passar nas proximidades do nordeste de Taiwan nesta sexta-feira (23) e avançar em direção ao leste da China e ao sul do Japão ao longo do fim de semana. Mesmo após perder força, o sistema ainda representa um risco para a região, com previsão de chuvas intensas, ventos superiores a 200 km/h e ondas acima de seis metros.

De acordo com a Nasa, o fenômeno registrou os ventos sustentados mais intensos do planeta em 2026, chegando a 296 km/h na terça-feira (20). Quando o critério utilizado é a pressão atmosférica central, entretanto, o furacão Polo, no Pacífico Leste, mantém a liderança.

Diante da aproximação do tufão, Taiwan emitiu um alerta terrestre na quinta-feira (22). A passagem do sistema também provocou o cancelamento de mais de 200 voos em Taiwan e no Japão, conforme informações da agência Reuters.

Onde está o ciclone monstro Champi e qual é sua força?

Às 11h de quinta-feira, pelo horário local, o tufão Champi estava a cerca de 520 quilômetros a leste-sudeste de Eluanbi, no extremo sul de Taiwan. A informação foi divulgada pela Administração Central de Meteorologia da ilha (CWA).

O sistema seguia em direção ao noroeste, com velocidade entre 15 km/h e 20 km/h. Naquele momento, os ventos sustentados alcançavam 184 km/h, enquanto as rajadas chegavam a 227 km/h.

A área de abrangência do fenômeno também aumentou, atingindo um raio de aproximadamente 320 quilômetros. Essa dimensão amplia a possibilidade de impactos em diferentes partes de Taiwan.

Ainda existem divergências entre os modelos meteorológicos sobre a trajetória do ciclone. A maior parte dos serviços internacionais considera pouco provável uma passagem direta sobre a ilha. Já o Centro Meteorológico Nacional da China prevê que o sistema alcance o leste de Taiwan por volta de sábado (24), seguindo posteriormente, com menor intensidade, para a província chinesa de Fujian.

Qual será a rota do tufão Champi nos próximos dias?

As projeções meteorológicas apontam que Taiwan, o leste da China e o sul do Japão estarão entre as áreas mais expostas aos efeitos do ciclone no Pacífico. A tendência é que o sistema enfraqueça gradualmente até o início da próxima semana.

  • Sexta-feira (23): Taiwan deve concentrar os principais efeitos do tufão, sobretudo na costa nordeste. A aproximação máxima está prevista para o fim do dia, enquanto as chuvas começam a avançar sobre o leste da China.
  • Sábado (24): os impactos em Taiwan podem persistir até o começo da tarde. Depois, o sistema deve seguir em direção a Kyushu, no sul do Japão, com previsão de passagem pela região de Yonaguni, no arquipélago de Okinawa.
  • Domingo (25): a chuva deve continuar no leste chinês. Segundo a Weathernews, o Champi poderá perder intensidade e passar à categoria de tempestade tropical severa no Mar da China Oriental, com ventos próximos de 102 km/h.
  • Segunda-feira (26): já enfraquecido para tempestade tropical, o sistema deve acelerar em direção ao Estreito de Tsushima, localizado entre a Coreia do Sul e o Japão.

Os horários das previsões seguem o fuso local. Taiwan, China e Filipinas estão 11 horas à frente de Brasília, enquanto o Japão tem diferença de 12 horas em relação à capital brasileira.

Taiwan pode registrar quase 1 metro de chuva

As autoridades taiwanesas alertaram para o risco de chuvas extremas, alagamentos e ondas elevadas durante a passagem do tufão. Segundo a Administração Central de Meteorologia, as ondas no litoral podem superar seis metros, enquanto áreas montanhosas do norte da ilha, inclusive nas proximidades de Taipei, podem acumular quase um metro de precipitação.

A AccuWeather estima que as rajadas de vento possam alcançar 190 km/h em Taiwan e no leste da China.

O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, recomendou que os moradores evitem regiões costeiras e áreas montanhosas. A preocupação aumenta porque o alerta ocorre durante o feriado prolongado do Dia da Retrocessão.

Segundo a agência AFP, aproximadamente 23 mil militares foram mobilizados para permanecer de prontidão e atuar em possíveis operações de resgate.

O Ministério dos Transportes informou que 125 voos foram cancelados na quinta-feira (22), principalmente em rotas domésticas. Até aquele momento, o transporte ferroviário da ilha ainda não havia registrado interrupções.

China reforça medidas de prevenção contra o tufão

Na China, as autoridades mantêm um alerta azul, o nível mais baixo de uma escala composta por quatro categorias. A medida considera a possibilidade de chuvas fortes e ventos intensos nas províncias costeiras de Zhejiang e Fujian, além de Xangai, importante centro financeiro e econômico do país.

As informações foram divulgadas pelo South China Morning Post.

A província de Zhejiang iniciou os protocolos de emergência na quarta-feira (21). Entre as ações previstas está a retirada de moradores vulneráveis de áreas consideradas perigosas, incluindo idosos, pessoas com deficiência, gestantes e pacientes com problemas de saúde.

Conforme a MetSul Meteorologia, a trajetória do sistema também poderá levar os efeitos do fenômeno a cidades como Hangzhou, Ningbo, Wenzhou, Fuzhou e Xiamen.

Japão cancela voos e altera exercício militar

O avanço do Champi também provocou mudanças na operação aérea japonesa. As companhias Japan Airlines, ANA e Skymark cancelaram mais de 100 voos programados entre quinta-feira (22) e domingo (25), afetando mais de 11 mil passageiros.

Além dos impactos no transporte, o tufão levou a alterações no Keen Sword, exercício militar conjunto realizado pelos Estados Unidos e pelo Japão em ilhas japonesas próximas a Taiwan.

As mudanças refletem as precauções adotadas diante da possibilidade de ventos fortes, chuvas intensas e condições marítimas adversas na região.

Por que o tufão Champi é chamado de ciclone monstro?

A expressão ciclone monstro não corresponde a uma categoria meteorológica oficial. O apelido foi associado ao Champi por causa da intensidade excepcional do sistema e da velocidade com que seus ventos aumentaram.

Durante a aproximação de Guam, território norte-americano no Pacífico, a velocidade dos ventos passou de 110 km/h para 220 km/h em apenas 24 horas.

No fim de semana, o tufão passou a aproximadamente 16 quilômetros do extremo sul da ilha, com intensidade equivalente à categoria 4. O fenômeno provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica que atingiram metade de Guam, levando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a aprovar uma declaração de emergência.

O pico de intensidade ocorreu na terça-feira (20), sobre o Mar das Filipinas. Ao entrar na área de monitoramento das autoridades filipinas, o sistema também recebeu o nome local de Rosal.

O Champi é o sétimo ciclone de categoria 5 registrado mundialmente em 2026. A temporada pode superar o recorde de 12 tempestades dessa intensidade observado em 1997, ano marcado por um episódio muito forte do El Niño.

Em setembro, cientistas confirmaram que o atual fenômeno climático atingiu a condição de super El Niño, caracterizada por um aquecimento excepcional das águas do Pacífico equatorial. Esse contexto favorece mudanças na circulação atmosférica e pode contribuir para a formação e a intensificação de tempestades no oceano.

O nome Champi foi proposto pelo Laos e faz referência a uma flor, identificada como champaca-branca ou plumeria.

O ciclone monstro Champi pode atingir o Brasil?

Não há previsão de que o tufão Champi chegue ao Brasil. O sistema está localizado no oeste do Oceano Pacífico, muito distante do território brasileiro, e as projeções indicam que ele deve perder força na região entre o Japão e a Coreia do Sul.

Também não existe relação direta entre o Champi e os ciclones extratropicais que atingem o Sul do Brasil, incluindo os chamados ciclones-bomba.

Embora ambos sejam sistemas atmosféricos, os tufões se formam no noroeste do Oceano Pacífico, enquanto os ciclones extratropicais que afetam o Brasil apresentam características e mecanismos de formação diferentes.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JTWC Tropical Warnings

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Logística

Super El Niño pode afetar produção de alimentos e logística na América Latina

A América Latina se prepara para a possibilidade de enfrentar um dos El Niños mais intensos já registrados, fenômeno que pode provocar impactos significativos sobre a produção agrícola, geração de energia, transporte e comércio na principal região exportadora de alimentos do mundo.

O El Niño ocorre quando as temperaturas da superfície do mar ficam acima do normal no Pacífico tropical central e oriental. A alteração interfere nos padrões climáticos em diferentes partes do planeta. Na América Latina, o fenômeno costuma provocar mais chuvas no Sul e aumentar o risco de seca nas áreas mais ao norte.

Os efeitos já começam a aparecer. Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, alterações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e períodos de estiagem no Caribe e na Amazônia estão entre os sinais observados.

Pesquisadores estimam que o fenômeno ganhe força a partir de setembro e possa superar a intensidade registrada no ciclo de 2015-2016, considerado o mais forte da era moderna.

Mais chuva pode favorecer lavouras no Sul

Nas áreas agrícolas da Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o El Niño costuma provocar chuvas acima da média. Para a agricultura, o aumento da disponibilidade de água pode ser positivo, especialmente durante o período de plantio.

Segundo o meteorologista Germán Heinzenknecht, da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, o fenômeno pode favorecer as safras de soja, milho e trigo, principalmente ao melhorar a umidade do solo e ampliar a disponibilidade hídrica durante o verão, entre dezembro e fevereiro.

O excesso de chuva, porém, também traz riscos. A elevada umidade pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas e provocar a perda de nutrientes aplicados ao solo.

Chuvas intensas ameaçam estradas e infraestrutura

Um El Niño mais forte também pode aumentar a ocorrência de alagamentos e enchentes em áreas rurais e urbanas já vulneráveis.

Estradas de terra podem ficar intransitáveis, dificultando o acesso dos produtores às propriedades e comprometendo operações como aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas. Muitas dessas vias já apresentam condições precárias nas principais áreas agrícolas do Cone Sul.

A partir de setembro, períodos de chuva intensa também podem afetar cidades e corredores de transporte até os portos, criando novos obstáculos para o escoamento das exportações.

No Paraguai, as autoridades chegaram a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia diante da possibilidade de enchentes.

Costa do Pacífico pode enfrentar extremos opostos

Os impactos também devem variar dentro de um mesmo país.

No norte do Peru, por exemplo, o cenário esperado inclui maior risco de inundações, enquanto áreas montanhosas podem enfrentar escassez de água. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) prevê padrões semelhantes em partes do Chile e de outros países da costa do Pacífico.

O aquecimento das águas também pode alterar a distribuição de espécies marinhas. Algumas populações de peixes comerciais estão migrando para águas mais profundas, reduzindo a disponibilidade para a pesca.

No Peru, um dos principais produtores pesqueiros da região, a atividade caiu 31% nos cinco primeiros meses do ano.

El Niño pode aumentar demanda por gás e favorecer hidrelétricas

As diferenças na distribuição das chuvas também podem criar oportunidades no setor de energia.

Condições mais quentes e secas no norte e oeste do Brasil podem aumentar a necessidade de geração termelétrica e, consequentemente, elevar a demanda por gás natural argentino, segundo a Organização Latino-Americana de Energia (OLADE).

Ao mesmo tempo, o sul do Brasil e o nordeste da Argentina devem registrar aumento significativo das chuvas. A maior vazão do rio Paraná pode favorecer a geração de energia hidrelétrica ao longo de sua bacia.

Em julho, as chuvas nas bacias hidrográficas de usinas do Sul do Brasil chegaram a 256% da média histórica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Para Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os efeitos do El Niño não são idênticos em todos os ciclos. Em determinadas regiões do Centro-Oeste e Sudeste brasileiro, por exemplo, o volume de chuva esperado para um mês pode se concentrar em poucos dias.

Seca ameaça hidrovias da Amazônia

Enquanto o Sul pode receber mais água, o Norte do Brasil enfrenta o risco oposto.

A previsão de condições mais secas aumenta a possibilidade de redução dos níveis dos rios da Bacia Amazônica, uma rede hidroviária essencial para o transporte de mercadorias e especialmente importante para o escoamento da produção de soja brasileira.

O cenário climático também eleva os riscos de seca, calor extremo e incêndios em partes do Brasil, Colômbia e Venezuela, com possíveis consequências para lavouras e criação de animais.

Canal do Panamá enfrenta pressão sobre disponibilidade de água

Os efeitos do El Niño podem alcançar rotas estratégicas do comércio internacional. No Canal do Panamá, a autoridade responsável pela operação vem ampliando as restrições ao peso das embarcações para preservar a água doce utilizada no funcionamento da via e no abastecimento da população.

As previsões indicam que o país pode enfrentar uma seca tão severa quanto a registrada durante o episódio de El Niño de 2023-2024.

Como um novo reservatório planejado para reforçar o abastecimento ainda não estará pronto, a autoridade do canal vem reduzindo gradualmente os limites de calado dos navios. Na prática, embarcações com maior restrição de calado precisam transportar menos carga.

A medida pode elevar os custos do transporte marítimo e aumentar o risco de interrupções no comércio global.

Comércio internacional pode sentir os efeitos

O Panamá está entre os países com maior volume de chuvas do mundo. Por isso, uma redução significativa das precipitações é considerada um importante sinal de alerta para as condições hídricas da região.

Até o momento, a autoridade do Canal do Panamá afirma não esperar reduzir o número diário de embarcações autorizadas a atravessar a rota, a menos que isso se torne indispensável.

A pressão sobre a passagem, porém, já aumentou. Leilões de última hora para obtenção de vagas chegaram a movimentar milhões de dólares, enquanto empresas buscam alternativas diante de problemas em outras rotas marítimas, incluindo as afetadas pelas tensões de segurança no Oriente Médio.

Se o super El Niño confirmar a intensidade projetada, seus efeitos poderão ultrapassar a agricultura e atingir toda a cadeia de abastecimento, da produção de alimentos e geração de energia até as hidrovias, portos e principais corredores do comércio internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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