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Wall Street fecha em forte queda após Fed manter juros e ações de tecnologia ampliarem perdas

As bolsas de Wall Street encerraram o pregão desta quarta-feira em forte baixa, pressionadas pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa básica de juros inalterada e pelo desempenho negativo das ações ligadas à inteligência artificial (IA). O mercado também adotou uma postura cautelosa antes da divulgação dos balanços trimestrais da Microsoft e da Meta Platforms.

Fed mantém juros, mas mercado já olha para setembro

Como era amplamente esperado pelos investidores, o banco central dos Estados Unidos manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.

A decisão, porém, não foi unânime. Três dos 12 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual já nesta reunião, sinalizando divergências internas sobre o combate à inflação.

A manutenção dos juros ocorre em um momento em que a inflação nos Estados Unidos continua acima da meta oficial há mais de cinco anos. Além disso, os preços voltaram a acelerar recentemente, impulsionados pela alta dos custos de energia e alimentos em meio ao conflito no Oriente Médio.

Para analistas, o foco do mercado agora se volta para a reunião de setembro, quando cresce a expectativa de um possível novo aumento dos juros.

Tecnologia e inteligência artificial pressionam Nasdaq

O setor de tecnologia voltou a liderar as perdas na bolsa norte-americana.

As ações de empresas ligadas à IA ampliaram o movimento de queda observado nas últimas sessões, refletindo preocupações dos investidores com o elevado volume de investimentos destinados ao desenvolvimento da tecnologia e os impactos sobre a geração de caixa das companhias.

Também pesa sobre o setor o aumento da concorrência da China, que vem acelerando o desenvolvimento de chips avançados e lançando modelos de inteligência artificial com custos mais baixos.

Apesar desse cenário, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que os investimentos em inteligência artificial representam uma base importante para o crescimento econômico de longo prazo.

Fabricantes de chips ampliam perdas

As empresas do segmento de semicondutores também registraram desempenho negativo.

A sul-coreana SK Hynix teve forte queda após divulgar lucro trimestral cerca de seis vezes superior ao do mesmo período do ano anterior, mas abaixo das expectativas do mercado. As ações da companhia recuaram aproximadamente 10%.

Já a Vertiv, especializada em infraestrutura para inteligência artificial, perdeu valor depois de apresentar receita trimestral inferior às projeções dos analistas.

Principais índices encerram o dia no vermelho

O movimento de venda atingiu os principais indicadores do mercado norte-americano.

  • O S&P 500 caiu 1,50%, encerrando aos 7.317,42 pontos, no menor nível em cerca de um mês.
  • O Nasdaq recuou 1,68%, fechando aos 24.460,08 pontos, acumulando aproximadamente 9% de queda em relação ao recorde alcançado em junho.
  • Já o Dow Jones registrou a maior baixa do dia, com desvalorização de 2,14%, terminando aos 51.618,29 pontos.

Temporada de balanços segue no radar

Além da decisão do Fed, investidores acompanham a divulgação dos resultados financeiros das grandes empresas norte-americanas.

As expectativas seguem elevadas para os balanços da Microsoft e da Meta, duas das principais beneficiadas pela expansão da inteligência artificial.

Segundo estimativas do mercado, o lucro agregado das empresas que compõem o S&P 500 deve crescer cerca de 40% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionado principalmente pelas gigantes da tecnologia.

Ford, Visa e Lennox têm desempenhos distintos

Entre os destaques corporativos do dia, a Ford Motor registrou alta após elevar, pela segunda vez em 2026, sua projeção de lucro anual.

A Visa também avançou depois de divulgar um resultado trimestral acima das expectativas, beneficiada pelo aumento das viagens internacionais impulsionadas pela Copa do Mundo.

Na direção oposta, a fabricante de sistemas de climatização Lennox recuou após reduzir sua estimativa de lucro para o restante do ano.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: MarketScreener

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Notícias

Como petróleo, ouro e bolsas reagiram após choques globais anteriores

Os recentes ataques dos EUA e de Israel contra o Irã provocaram forte volatilidade nos mercados globais, refletida em movimentos bruscos nos preços do S&P 500, do petróleo e do ouro.

Volatilidade inicial e declarações de Trump

O presidente Donald Trump afirmou que o conflito poderia durar “quatro a cinco semanas” ou até ser “perpétuo”, considerando os estoques de munições disponíveis, sinalizando que a instabilidade deve continuar. Na terça-feira, novas ofensivas elevaram o temor de uma guerra prolongada, provocando quedas acentuadas nas bolsas.

Padrão histórico de mercados após crises

Uma análise da Yahoo Finance sobre nove momentos de choque geopolítico recente — do Iraque em 1990 até a captura de Nicolás Maduro na Venezuela — revelou um padrão recorrente: os preços disparam nos primeiros dias, mas tendem a se normalizar semanas depois, mesmo em conflitos prolongados.

O exemplo mais recente ocorreu em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, quando ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas provocaram alta imediata no petróleo e no ouro, e queda no S&P 500. Após 30 dias de negociação, os preços se inverteram: o Brent subiu quase 7,3% em um dia, mas caiu 0,6% em um mês; o ouro subiu 1,49% em um dia e caiu 1,39% após 30 dias; e o S&P 500, que caiu 1,13% no primeiro dia, subiu 5,70% em 30 dias.

Situação atual dos mercados

Nos ataques recentes ao Irã, o padrão inicial se mantém. Na última sexta-feira, o Brent fechou a US$ 72,48 por barril e saltou para US$ 78,16 na segunda-feira, alta de 7,8%. O ouro avançou quase 2,7% no mesmo período.

O S&P 500 iniciou a segunda-feira em queda, recuperou-se e terminou ligeiramente positivo, antes de registrar nova queda nas primeiras negociações de terça-feira. Analistas, no entanto, evitam previsões sobre os preços futuros.

Jim Smigiel, diretor de investimentos da SEI, alertou que “não temos informações suficientes sobre a duração do conflito ou seus impactos de longo prazo” e aconselhou investidores individuais a “respirarem e evitarem decisões drásticas”.

Mudanças de preços de curto prazo não indicam tendência mensal

Estudos históricos mostram que alterações de preços no primeiro dia de conflito raramente refletem o comportamento dos mercados após um mês. Eventos como a guerra Rússia-Ucrânia, a intervenção dos EUA na Líbia e a Guerra do Iraque em 2003 mostraram que, em menos de 56% dos casos, a direção inicial dos preços coincidiu com a observada após 30 dias.

Por exemplo, após os ataques de 11 de setembro de 2001, o ouro disparou 6,85% no primeiro dia e teve alta mais moderada de 2,28% em 30 dias. O petróleo subiu mais de 34% nos primeiros dias da invasão da Ucrânia pela Rússia, mas terminou 30 dias depois com alta de apenas 1,53%.

Chris Verrone, da Strategas, reforçou que “o pico do petróleo ocorreu cerca de uma semana após a invasão da Rússia”, lembrando que essas flutuações iniciais são apenas indicativas e não determinam tendências duradouras.

Exceção histórica: invasão do Kuwait

O choque de 1990 com a invasão do Kuwait pelo Iraque foi uma exceção. O petróleo subiu 11,64% em um dia e quase 57% em 30 dias, enquanto o S&P 500 caiu 1,14% no primeiro dia e mais de 10% após um mês. No entanto, meses depois, os preços se recuperaram quando as forças aliadas expulsaram as tropas iraquianas.

Conclusão

A análise sugere que, embora choques geopolíticos causem fortes reações imediatas em petróleo, ouro e bolsas, os efeitos tendem a se estabilizar em semanas, com exceções notáveis. Para investidores, a lição é clara: observar tendências de curto prazo pode ser enganoso, e decisões prudentes devem considerar cenários históricos e risco prolongado.

FONTE: Finance Yahoo
TEXTO: Redação
IMAGEM: ATTA KENARE via Getty Images

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