Internacional

China compra mais 111 mil toneladas de soja dos EUA antes de encontro entre Trump e Xi

A China voltou a comprar soja dos Estados Unidos na última sexta-feira (18), em mais um movimento que reforça a demanda chinesa pela oleaginosa norte-americana. Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), foram comercializadas 111 mil toneladas de soja, com embarque previsto para o ano comercial 2026/27.

A nova operação ocorre às vésperas do aguardado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, aumentando a atenção do mercado para os possíveis desdobramentos das negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

Compras chinesas de soja ganham ritmo em setembro

O anúncio desta sexta-feira amplia uma sequência de negócios realizados pela China no mercado norte-americano ao longo de setembro.

De acordo com os comunicados do USDA, os compradores chineses já haviam adquirido volumes expressivos de soja dos EUA neste mês:

  • 136 mil toneladas em 1º de setembro;
  • 202 mil toneladas em 2 de setembro;
  • 192 mil toneladas em 3 de setembro;
  • 272 mil toneladas em 10 de setembro;
  • 111 mil toneladas anunciadas nesta sexta-feira (18).

A repetição das operações mantém a demanda chinesa em evidência justamente durante um período importante para a comercialização da nova safra dos Estados Unidos.

Soja está no radar das negociações entre Trump e Xi

A retomada das compras ocorre em um momento particularmente relevante para o comércio agrícola global. O encontro entre Trump e Xi Jinping é aguardado pelo mercado diante das discussões envolvendo tarifas e relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Nesse contexto, a soja aparece entre os produtos agrícolas acompanhados de perto por traders e produtores. Mudanças nas políticas comerciais ou novos compromissos de compra da China podem alterar os fluxos internacionais da oleaginosa.

Para os Estados Unidos, a continuidade das vendas representa um importante sinal de demanda durante a entrada da nova safra no mercado.

Efeito pode chegar ao mercado brasileiro

O movimento chinês também interessa diretamente ao mercado brasileiro de soja.

O aumento das compras da China nos Estados Unidos pode influenciar as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, além de afetar os prêmios de exportação e a formação dos preços nos portos brasileiros.

Por isso, além do volume efetivamente negociado, o mercado acompanha os próximos passos das relações comerciais entre Washington e Pequim. Eventuais novos acordos ou mudanças nas tarifas poderão interferir na distribuição da demanda chinesa entre os principais fornecedores mundiais de soja.

Com a reunião entre Trump e Xi no horizonte, as novas compras chinesas acrescentam mais um elemento ao cenário de preços da soja, exportações e competição entre Estados Unidos e Brasil pelo principal mercado consumidor da oleaginosa.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Trump e Xi se preparam para encontro decisivo, com soja no centro das negociações entre EUA e China

Donald Trump e Xi Jinping ainda não se encontraram pessoalmente, mas Estados Unidos e China já movimentam suas estratégias antes de uma das reuniões de maior peso econômico e geopolítico de 2026. O encontro está previsto para a próxima quinta-feira, 24 de setembro, em Washington.

Será a segunda reunião presencial entre os dois líderes neste ano. A primeira ocorreu em maio, durante a visita de Trump a Pequim. Agora, Xi deverá voltar à Casa Branca pela primeira vez em cerca de uma década. O presidente chinês esteve nos Estados Unidos em 2023 para a cúpula da APEC, em São Francisco, mas aquela passagem pelo país não incluiu uma visita à sede do governo americano.

Tarifas e comércio entram na pauta de Trump e Xi

A dimensão da reunião vai muito além da relação comercial. Entre os assuntos que podem influenciar as negociações estão tarifas, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, Taiwan, relações da China com o Irã, energia e agricultura.

Nos últimos dias, Washington e Pequim deram sinais de que estão preparando o terreno para a reunião.

Segundo informações da Bloomberg divulgadas nesta sexta-feira (18), os Estados Unidos devem deixar para depois do encontro entre Trump e Xi o anúncio de novas tarifas relacionadas ao que Washington considera excesso de capacidade produtiva de parceiros comerciais.

Um relatório que poderia ser divulgado antes da reunião teria a possibilidade de recomendar uma tarifa adicional de 7,5% sobre produtos chineses. Até o momento, porém, não há definição sobre a alíquota final, e o governo americano não informou oficialmente a razão para o adiamento.

Enquanto isso, o mercado financeiro também acompanha os movimentos chineses. O yuan offshore chegou a 6,6957 por dólar nesta sexta-feira, maior nível desde julho de 2022. A valorização ocorreu após o Banco Popular da China reforçar sua taxa de referência pela oitava sessão consecutiva.

Empresários chineses podem acompanhar Xi

As articulações não se limitam aos governos. Estados Unidos e China também trabalham na composição de uma possível delegação de empresários chineses para acompanhar Xi durante a visita.

Executivos de grandes empresas dos setores de veículos elétricos, baterias, tecnologia, bancos e agronegócio estão entre os nomes considerados. A lista, entretanto, ainda não foi concluída e pode depender das negociações previstas para este fim de semana entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng.

Apesar dos preparativos em Washington, Pequim ainda não havia confirmado publicamente e de forma explícita a reunião até quinta-feira. Em conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que os dois países deveriam preparar a próxima etapa das interações de alto nível, sem mencionar diretamente o encontro entre Trump e Xi.

Soja ganha importância nas negociações agrícolas

Em meio a temas como Taiwan, Irã, tecnologia e minerais estratégicos, a soja pode parecer uma questão secundária. Para o mercado agrícola, porém, qualquer mudança na relação comercial entre Estados Unidos e China pode produzir efeitos relevantes.

“No caso da soja, ela é um temperinho dessa coisa que é muito maior. Ela faz parte do que está se discutindo”, afirmou Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex, ao Notícias Agrícolas.

Segundo o analista, um eventual acordo comercial precisaria envolver produtos de grande relevância para as importações chinesas. Entre eles, estariam petróleo, gás e soja.

A avaliação ajuda a dimensionar o papel da oleaginosa: ela é apenas uma das peças de uma negociação muito mais ampla, mas tem potencial para afetar preços, fluxos internacionais e a concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês de soja.

Agricultura pode ser área de avanço entre os países

A agricultura aparece entre os setores com possibilidade de avanço nas negociações. Neste mês, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que podem surgir anúncios envolvendo produtos agrícolas e barreiras não tarifárias.

Além da soja, milho e sorgo também podem fazer parte das discussões.

De acordo com a Casa Branca, a China teria se comprometido, após o encontro de Trump e Xi no ano passado, a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Pequim, contudo, não reconheceu publicamente o compromisso nos mesmos termos apresentados pelo governo dos Estados Unidos.

As compras chinesas realizadas até agora, por outro lado, caminham na direção do volume indicado por Washington. A China já teria adquirido quase metade desse montante e continua ativa no mercado americano.

Somente na semana passada, compradores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos. A possibilidade de novos compromissos agrícolas ocorre em um momento em que a demanda chinesa voltou a ganhar destaque no mercado de Chicago.

Mais compras chinesas poderiam mexer com Chicago

Para Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, uma eventual ampliação das compras chinesas poderia encontrar os Estados Unidos em um cenário de menor disponibilidade.

“Os Estados Unidos não têm soja para se comprometer a exportar tanto assim a mais para a China”, afirmou o analista ao Notícias Agrícolas. Na avaliação dele, uma compra adicional de 5 milhões de toneladas poderia provocar uma forte reação no mercado de curto prazo, especialmente em Chicago.

Palavro, entretanto, não considera que um aumento das compras chinesas nos Estados Unidos necessariamente prejudicaria o Brasil.

Segundo ele, uma eventual perda de participação brasileira na demanda chinesa poderia ser compensada por outros mercados, já que Brasil e Estados Unidos são os dois principais fornecedores globais da oleaginosa.

Outro ponto destacado pelo analista é a relação entre os preços internacionais e o mercado brasileiro. Uma valorização da soja americana tende a influenciar também as cotações brasileiras.

Por isso, para o produtor nacional, será importante observar não apenas o volume que a China eventualmente comprar dos Estados Unidos, mas também os efeitos sobre Chicago, prêmios de exportação e preços da soja no Brasil.

Irã, Taiwan e energia ampliam as negociações

O contexto atual também diferencia a reunião de setembro de outras negociações entre Trump e Xi.

Para Eduardo Vanin, as relações entre China e Irã ganharam importância, assim como Taiwan, tecnologia e comércio. O analista avalia que o peso das questões envolvidas atualmente é maior do que em negociações anteriores.

Nesse cenário, produtos como soja, petróleo e gás podem funcionar como elementos de uma eventual composição comercial entre Washington e Pequim.

A questão do Irã já está presente na agenda diplomática. Nesta semana, Wang Yi conversou com Marco Rubio sobre a situação do Oriente Médio, depois de receber em Pequim o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A China defendeu a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Energia também pode entrar no acordo

O setor energético é outro ponto de interesse nas relações entre os dois países. As compras chinesas de petróleo e gás dos Estados Unidos foram interrompidas depois da adoção de tarifas.

Uma eventual redução recíproca das tarifas, que vem sendo discutida entre Washington e Pequim, poderia criar condições para a retomada desses fluxos comerciais.

Assim, a negociação entre Trump e Xi envolve uma combinação de interesses econômicos, tecnológicos, energéticos e geopolíticos, com a agricultura inserida nesse cenário mais amplo.

O que está em jogo para a soja brasileira

A reunião entre Trump e Xi ocorre em um momento de atenção redobrada dos mercados agrícolas. Uma eventual mudança na política comercial entre Estados Unidos e China pode alterar os fluxos globais de soja, afetando diretamente as referências internacionais e os prêmios praticados no Brasil.

Para o mercado agrícola, algumas questões serão especialmente importantes: a China anunciará novas compras de soja americana? Haverá redução de tarifas? Os dois países estabelecerão novos compromissos para produtos agrícolas?

Para o produtor brasileiro, o impacto dependerá também da reação de Chicago, dos prêmios de exportação e da capacidade de outros mercados absorverem eventuais volumes que deixem de ser destinados à China.

A soja, portanto, é apenas uma peça dentro de uma negociação que envolve comércio, tecnologia, energia, segurança e geopolítica. Mesmo assim, qualquer sinal de mudança na relação entre Washington e Pequim pode repercutir rapidamente nas cotações agrícolas e no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Importação

Importações de soja pela China recuam em agosto, mas acumulado do ano cresce

As importações de soja pela China recuaram em agosto na comparação anual, embora tenham avançado em relação a julho. No acumulado de janeiro a agosto, o país registrou crescimento nas compras externas, impulsionado principalmente pela safra recorde de soja do Brasil, pela eficiência da logística portuária e pela manutenção da demanda doméstica por ração animal.

Dados divulgados nesta terça-feira pela alfândega chinesa mostram que o maior comprador mundial de soja adquiriu 12,14 milhões de toneladas em agosto. O volume representa uma queda de 1,1% ante as 12,28 milhões de toneladas importadas no mesmo mês do ano passado.

Na comparação mensal, porém, houve alta de 5,7% em relação a julho.

China acumula alta nas importações de soja em 2026

Entre janeiro e agosto, as compras chinesas de soja importada chegaram a 74,11 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% frente às 73,33 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

Segundo Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures, o avanço das importações na comparação com julho e o aumento observado no acumulado do ano foram parcialmente favorecidos pelo desempenho excepcional da produção brasileira na safra 2025/26 e pela eficiência dos portos.

A demanda interna também contribuiu para sustentar o mercado. De acordo com o pesquisador, os rebanhos chineses de gado e aves permaneceram em níveis considerados relevantes, mantendo a procura por farelo de soja, principal subproduto obtido no processamento do grão.

Compras anuais podem ficar estáveis ou abaixo do recorde de 2025

As perspectivas para o restante do ano indicam um cenário de estabilidade ou de leve retração nas importações chinesas de soja. Três analistas consultados estimam que o volume anual deverá ficar próximo ou um pouco abaixo do recorde de 111,83 milhões de toneladas registrado no ano passado.

Um dos fatores que pode limitar a demanda é a redução gradual do plantel de matrizes suínas na China. Segundo Liu Jinlu, essa tendência deve diminuir o ritmo de crescimento do consumo de ração para suínos no quarto trimestre e, consequentemente, afetar a procura por soja.

Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co., estima que as chegadas de soja à China somem aproximadamente 35 milhões de toneladas entre agosto e novembro. A expectativa é de que os desembarques diminuam mês a mês durante o quarto trimestre, acompanhando o comportamento sazonal do mercado.

Custos de importação e tarifas influenciam decisões dos compradores

As esmagadoras privadas de soja da China enfrentam atualmente custos elevados de importação e margens menores. O cenário ocorre antes da visita prevista do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos no fim deste mês.

O mercado acompanha a possibilidade de redução das tarifas comerciais, o que poderia ampliar as alternativas de fornecimento para os compradores chineses. A questão ganha importância à medida que os estoques e a oferta de soja da América do Sul se aproximam do fim da temporada de comercialização.

Enquanto isso, compradores estatais chineses já teriam adquirido mais de 11 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos desde a reunião entre os líderes dos dois países, realizada em maio.

Na ocasião, foi mantido o compromisso existente de compra de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano até 2028.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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