Agronegócio

China ameaça exportações do agro brasileiro com plano para reduzir importações até 2030

A nova política da China para ampliar a autossuficiência alimentar acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. O país asiático pretende diminuir gradualmente a dependência de produtos importados, medida que pode afetar diretamente cadeias estratégicas como soja brasileira, carne bovina e fertilizantes.

As diretrizes fazem parte do 15º Plano Quinquenal chinês, previsto para o período entre 2026 e 2030, e podem impactar exportações que movimentam entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões por ano para o Brasil.

Plano chinês prioriza produção interna e segurança alimentar

A estratégia de Pequim vai além de questões comerciais. O governo chinês busca fortalecer a produção doméstica, ampliar investimentos em tecnologia agrícola e diversificar fornecedores internacionais.

Entre as prioridades estão iniciativas voltadas para proteínas alternativas, agricultura de precisão, modernização da pecuária, desenvolvimento de sementes e aumento da produtividade rural. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade externa em setores considerados estratégicos para a segurança alimentar do país.

Especialistas avaliam que a mudança representa uma transformação estrutural no comércio global de alimentos, especialmente em mercados onde o Brasil possui forte participação.

Soja brasileira pode perder espaço no mercado chinês

A soja aparece como um dos setores mais expostos às mudanças. Atualmente, a China concentra grande parte das compras do grão exportado pelo Brasil.

Estimativas da consultoria Systemiq indicam que as importações chinesas de soja podem cair até 25% até 2030, o equivalente a cerca de 23,5 milhões de toneladas.

O cenário ganhou ainda mais atenção após relatos de retenção e devolução de aproximadamente 20 navios brasileiros carregados com soja em portos chineses. As cargas apresentariam problemas fitossanitários relacionados a impurezas, pragas e sementes consideradas inadequadas pelas autoridades locais.

O episódio aumentou a pressão sobre exportadores e reforçou a necessidade de ajustes nos protocolos sanitários entre os dois países.

Estados Unidos e Argentina ampliam concorrência

Outro fator que amplia a preocupação do setor é a retomada da aproximação comercial entre China e Estados Unidos. Acordos recentes voltaram a colocar a soja americana no centro das negociações internacionais.

Com isso, o Brasil pode enfrentar maior concorrência também de países como Argentina, que buscam ampliar participação nas vendas ao mercado asiático.

Apesar de a demanda chinesa seguir elevada no curto prazo, analistas avaliam que o país trabalha com uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência de fornecedores externos.

Carne bovina brasileira entra em zona de atenção

A carne bovina brasileira também passou a enfrentar maior pressão no mercado chinês. O governo da China implementou uma salvaguarda com tarifa adicional de 55% para volumes que ultrapassem cotas anuais de importação.

Para 2026, o limite estabelecido para o Brasil ficou em torno de 1,1 milhão de toneladas — abaixo do volume exportado no ano anterior.

A medida busca proteger a produção pecuária chinesa diante do excesso de oferta interna e da pressão sobre os preços locais. Com isso, frigoríficos brasileiros terão de disputar espaço em um mercado mais restrito ou buscar novos destinos para parte da produção.

Diversificação de mercados vira prioridade para o agro

Diante do novo cenário, especialistas defendem que o Brasil acelere a diversificação das exportações e amplie investimentos em produtos de maior valor agregado.

Acordos comerciais envolvendo Mercosul, União Europeia, EFTA e Singapura são apontados como alternativas para reduzir a dependência do mercado chinês e abrir novas oportunidades para o setor agroindustrial brasileiro.

Além disso, o país também enfrenta desafios ligados aos fertilizantes, já que parte significativa dos insumos agrícolas utilizados no campo brasileiro depende de importações chinesas e de mercados afetados por tensões geopolíticas.

O movimento reforça a necessidade de fortalecer a produção nacional de insumos e ampliar a competitividade do agro brasileiro em um ambiente global cada vez mais disputado.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Exportadores agrícolas

Brasil pode redirecionar exportações agrícolas após acordo entre EUA e China

O novo acordo comercial firmado entre Estados Unidos e China para ampliar a compra de produtos agrícolas norte-americanos pode provocar mudanças estratégicas no fluxo global de exportações do agronegócio. Especialistas avaliam que o Brasil deve aproveitar espaços deixados pelos embarques dos EUA em outros mercados internacionais.

Acordo entre EUA e China pode alterar mercado global

O entendimento anunciado pela Casa Branca prevê aumento das compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos, especialmente de soja americana. Apesar de ainda haver incertezas sobre os impactos reais da medida, analistas afirmam que o Brasil segue altamente competitivo no comércio internacional.

Dados do governo brasileiro mostram que as exportações do agronegócio para a China somaram US$ 55,22 bilhões em 2025, representando cerca de um terço de todas as vendas externas do setor. A soja brasileira liderou os embarques, com US$ 34,5 bilhões, seguida pelas exportações de carnes, que alcançaram US$ 9,82 bilhões.

Brasil pode ganhar espaço em outros mercados

Segundo estimativas da Casa Branca, a China poderá comprar até 25 milhões de toneladas adicionais de soja dos Estados Unidos. Para especialistas da corretora Stag International, caso esse volume se confirme, o Brasil tende a redirecionar sua produção para outros destinos.

A avaliação é de que a demanda internacional fora da China pode ser parcialmente atendida pelos produtores brasileiros, principalmente devido à forte competitividade do país e à expectativa de safra recorde superior a 180 milhões de toneladas em 2026.

Além disso, entidades do setor, como Anec e Abiove, ainda não comentaram oficialmente os possíveis efeitos do acordo sobre o mercado brasileiro.

Exportações de carne bovina também podem ser beneficiadas

Outro possível reflexo envolve o mercado de carne bovina. Com os Estados Unidos direcionando maior parte da produção para atender a China, o Brasil pode ampliar as vendas para o mercado norte-americano, que enfrenta restrições de oferta interna.

Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo, explicou que a retomada das habilitações de frigoríficos americanos pela China pode incentivar os EUA a recuperar participação no mercado chinês. Com isso, países como o Brasil poderiam encontrar oportunidades adicionais para exportar carne aos americanos.

Recentemente, a China renovou mais de 400 licenças de exportação de frigoríficos dos Estados Unidos, após encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping em Pequim.

Quotas chinesas ainda limitam expansão dos EUA

Apesar da reaproximação comercial entre Washington e Pequim, especialistas lembram que os Estados Unidos também estão sujeitos às cotas impostas pela China para importação de carne bovina. A medida pode limitar um crescimento mais agressivo das exportações americanas ao mercado chinês, mantendo espaço relevante para o produto brasileiro.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Paulo Whitaker

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Exportação

Exportações de soja de MS ultrapassam 1 milhão de toneladas e crescem 59% em abril

O Mato Grosso do Sul registrou forte avanço nas exportações de soja em abril de 2026. De acordo com levantamento da Aprosoja MS, com dados da SECEX, o Estado embarcou 1,031 milhão de toneladas do grão no período, resultado 59% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

O crescimento acompanha o bom desempenho da safra e a manutenção da forte demanda internacional pela soja brasileira, especialmente por parte do mercado asiático.

Receita com exportações supera US$ 434 milhões

Além do aumento no volume exportado, a receita gerada pelas vendas externas também apresentou forte expansão. Em abril, o faturamento alcançou US$ 434 milhões, avanço de 73% em relação ao mesmo período do ano passado.

A China permaneceu como principal destino da produção sul-mato-grossense, concentrando 84,3% das compras realizadas no mês. Na sequência aparecem Paquistão e Irã entre os maiores importadores da soja produzida no Estado.

Segundo o boletim econômico da Aprosoja, o desempenho de Mato Grosso do Sul ficou acima da média nacional, que teve crescimento de 9% nas exportações de soja no mesmo intervalo.

Mercado asiático impulsiona vendas externas

Para o analista econômico da Aprosoja, Linneu Borges Filho, o cenário internacional segue favorecendo os embarques brasileiros, principalmente devido à demanda aquecida dos países asiáticos.

Segundo ele, mesmo diante das oscilações cambiais, o consumo global da commodity continua elevado, mantendo o ritmo forte das exportações.

Exportações de milho recuam durante entressafra

Enquanto a soja apresentou desempenho positivo, o milho teve retração nas exportações em razão do período de entressafra. Em abril, Mato Grosso do Sul embarcou cerca de 6,5 mil toneladas do cereal, queda de 60% em comparação com março de 2026.

O Egito respondeu por aproximadamente 92% das compras do milho exportado pelo Estado no período.

Cenário internacional exige atenção do setor

Apesar dos números positivos, especialistas alertam para possíveis desafios nos próximos meses. Entre os fatores de preocupação estão as incertezas climáticas e as tensões geopolíticas, que podem elevar custos logísticos e impactar o comércio internacional de grãos.

O setor produtivo acompanha o cenário com cautela, especialmente diante das mudanças no mercado global de commodities agrícolas.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Aprosoja

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Exportação

Exportação de soja do Brasil bate recorde histórico em abril, aponta Secex

O Brasil registrou em abril de 2026 o maior volume de exportação de soja dos últimos cinco anos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que os embarques alcançaram 16,75 milhões de toneladas no mês, alta de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado supera o antigo recorde histórico, registrado em abril de 2021, quando o país exportou 16,1 milhões de toneladas da commodity.

Safra recorde impulsiona embarques de soja

Mais cedo, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais já havia projetado exportações próximas de 16,2 milhões de toneladas, também indicando um desempenho histórico para o setor.

Segundo a entidade, o forte ritmo de exportações ocorre em meio ao pico do escoamento da safra brasileira, que já teve cerca de 95% da área cultivada colhida.

O Brasil, líder global na produção e exportação de soja, deve colher uma safra recorde próxima de 180 milhões de toneladas em 2026.

Soja gera US$ 7 bilhões em receitas para o país

Principal produto do agronegócio brasileiro, a soja movimentou aproximadamente US$ 7 bilhões em receitas de exportação em abril, crescimento anual de 18,8%.

O desempenho reforça a relevância do grão para a balança comercial brasileira e para o avanço do comércio exterior do país.

Petróleo e minério de ferro também avançam

Além da soja, outros produtos importantes da pauta exportadora registraram crescimento em abril.

As exportações de petróleo renderam US$ 4,8 bilhões, alta de 10,6% em relação ao ano passado. O avanço foi impulsionado pela valorização internacional dos preços em meio às tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Apesar disso, o volume exportado caiu 10,6%, totalizando 8,17 milhões de toneladas.

Já o minério de ferro ocupou a terceira posição entre os produtos com maior geração de receitas no mês, somando cerca de US$ 2,5 bilhões. O crescimento de 19,5% foi influenciado tanto pelo aumento de preços quanto pelo avanço no volume exportado, que chegou a 34,57 milhões de toneladas.

Algodão dispara e açúcar recua nas exportações

Entre os destaques positivos, os embarques de algodão brasileiro cresceram 54,9% em abril, alcançando 370,4 mil toneladas.

As exportações de carne bovina in natura avançaram 4,3%, enquanto os embarques de carnes de aves tiveram leve alta de 0,5%.

O café apresentou pequena retração de 0,9% no período, somando 171,5 mil toneladas exportadas.

Na contramão, o açúcar registrou queda de 23,6% frente a abril de 2025, totalizando 1,18 milhão de toneladas. O recuo ocorre em um cenário de maior direcionamento da produção de cana para o etanol na safra 2026/27.

Brasil amplia força no mercado global de commodities

O país segue como maior exportador mundial de soja, café, açúcar, algodão e carnes bovina e de frango. O Brasil também mantém posição estratégica no mercado internacional de minério de ferro e petróleo.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Diego Vara

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Logística

Crise logística no Brasil eleva custos e desafia competitividade da economia

A crise logística no Brasil segue como um dos principais entraves ao crescimento econômico. Mesmo sendo uma das maiores economias do mundo, o país ainda enfrenta dificuldades para distribuir sua produção internamente, reflexo da forte dependência do transporte rodoviário.

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e alta no preço do petróleo, essa dependência expõe fragilidades estruturais que encarecem produtos e reduzem a competitividade nacional.

Custos logísticos superam padrões internacionais

Dados do estudo “Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras” indicam que os custos logísticos atingiram R$ 1,96 trilhão em 2025, o equivalente a 15,5% do PIB.

Em comparação, países desenvolvidos registram índices entre 8% e 12%, evidenciando o atraso da infraestrutura logística brasileira e seus impactos diretos sobre a economia.

Agronegócio sente impacto direto nos preços

Setores como o agronegócio brasileiro são fortemente afetados. A produção de soja, concentrada no interior do país, depende de longos trajetos rodoviários até os portos, muitas vezes realizados por caminhões movidos a diesel.

Com o aumento dos custos de frete e combustível, o preço final da soja brasileira sobe, reduzindo margens de lucro e comprometendo a competitividade no mercado internacional.

Estradas precárias agravam o problema

Além dos custos elevados, a qualidade das rodovias também contribui para o problema. Estradas em más condições aumentam o consumo de combustível, elevam o tempo de transporte e ampliam perdas de carga.

Eventos climáticos extremos agravam ainda mais a situação. Um exemplo recente foram as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, que interromperam o fluxo logístico terrestre e evidenciaram a vulnerabilidade do sistema.

Diversificação de modais é caminho estratégico

Especialistas apontam que a solução passa pela diversificação dos modais de transporte, com maior investimento em ferrovias e hidrovias. O Brasil possui amplo potencial para expandir essas alternativas, especialmente devido à sua extensa malha de rios navegáveis.

Embora essas iniciativas exijam planejamento de longo prazo, podem reduzir custos, gerar empregos e aumentar a eficiência logística.

Inovação e planejamento são essenciais

A modernização da logística no Brasil depende de uma mudança estrutural, que inclua inovação, investimentos e políticas públicas voltadas à integração de diferentes modais.

Reduzir a dependência das rodovias não apenas diminui custos, mas também protege a economia de oscilações externas, como crises energéticas e conflitos internacionais.

Transformação logística é prioridade para o país

Mais do que um desafio pontual, a crise logística exige uma estratégia nacional que priorize eficiência, sustentabilidade e competitividade.

Com recursos e potencial disponíveis, o Brasil tem condições de avançar — desde que transforme essa agenda em prioridade e invista em soluções capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico de forma consistente.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Comércio Exterior

China flexibiliza regras para exportação de soja brasileira com presença de sementes de plantas daninhas

A China anunciou uma flexibilização nas regras para a presença de sementes de plantas daninhas em soja importada do Brasil, poucos dias depois de grandes empresas do setor reportarem interrupções e até suspensões de embarques devido a mudanças nas inspeções de cargas pelo Ministério da Agricultura brasileiro.

A medida foi detalhada em documento da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, publicado no sistema eletrônico do governo federal. O texto menciona reunião com autoridades chinesas, na qual foi reconhecido que “não é possível garantir a ausência absoluta de sementes de plantas daninhas na soja, devido às características da produção”.

Flexibilidade nas exportações de soja brasileira

Segundo o documento, “as autoridades chinesas compreenderam e aceitaram que o critério de tolerância zero para a presença de plantas daninhas não será aplicado às cargas de soja importadas do Brasil destinadas ao consumo doméstico para processamento industrial”.

Ainda de acordo com a SDA, “como ainda não existe parâmetro numérico oficial de tolerância, a abordagem será baseada em avaliação de risco e em medidas de mitigação adequadas ao destino do produto, ficando o nível de tolerância sujeito a discussões bilaterais entre autoridades chinesas e brasileiras”.

Diálogo e protocolo sanitário específico

Uma delegação do Ministério da Agricultura do Brasil está na China nesta semana para tratar do assunto. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou em 17 de março que o país apresentará uma proposta para estabelecer um protocolo sanitário específico para o comércio de soja.

Com a flexibilização acordada, o documento da SDA permite que a certificação de embarcações seja realizada mesmo quando os laudos laboratoriais confirmarem a presença de sementes de plantas daninhas, desde que outros requisitos sejam cumpridos, como ausência de sementes tratadas e insetos vivos, até que um nível de tolerância formal seja estabelecido.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Proinde

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Exportação

Exportações de soja do Brasil para a China enfrentam atrasos após reforço em controles fitossanitários

As exportações de soja do Brasil para a China passaram a enfrentar novos desafios após a adoção de controles fitossanitários mais rigorosos nos embarques destinados ao maior importador mundial da commodity. A intensificação das inspeções foi implementada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária após solicitações das autoridades chinesas.

Segundo fontes do comércio internacional de grãos, as verificações foram ampliadas depois que a Administração Geral das Alfândegas da China identificou problemas recorrentes em cargas provenientes do Brasil, como resíduos de pesticidas, fungicidas, presença de insetos vivos e até danos causados pelo calor nos grãos.

Novas exigências aumentam controle sobre embarques

Com a intensificação das inspeções, importadores chineses passaram a exigir garantias adicionais de qualidade fitossanitária antes da liberação das cargas nos portos brasileiros. Caso irregularidades sejam detectadas na chegada à China, os embarques podem ser bloqueados ou sofrer atrasos no desembaraço.

De acordo com operadores do mercado, as empresas importadoras agora solicitam verificações extras junto aos fornecedores brasileiros para assegurar que a soja exportada esteja livre de problemas sanitários antes do embarque.

Atrasos podem impactar abastecimento chinês

A ampliação dos controles ocorre justamente durante a alta temporada das exportações brasileiras, o que pode reduzir o ritmo de chegada da commodity ao mercado asiático.

Para Cheang Kang Wei, inspeções mais rigorosas e processos de liberação mais demorados nos dois países podem afetar o fluxo logístico. Segundo ele, isso pode desacelerar as entregas principalmente nos meses de março e abril.

Apesar disso, analistas avaliam que o impacto tende a ser limitado, já que a China possui estoques elevados de soja, resultado das compras recordes realizadas no ano anterior.

Possível oportunidade para exportadores dos Estados Unidos

Uma eventual desaceleração nos embarques brasileiros poderia abrir espaço para maior participação da Estados Unidos no mercado chinês. Pequim voltou a comprar soja norte-americana no final de outubro, após um acordo comercial entre os países.

Ainda assim, especialistas acreditam que essa janela pode ser temporária. “Caso haja interrupções no fluxo brasileiro, o impacto tende a estar mais relacionado ao tempo e não necessariamente a uma mudança estrutural nas compras”, avaliou Cheang.

Custos logísticos aumentam com inspeções e fretes mais caros

Além das novas exigências sanitárias, o setor enfrenta aumento nos custos logísticos. O maior tempo de espera para certificação das cargas nos portos brasileiros tem elevado despesas com demurrage, taxa cobrada quando os navios permanecem parados além do período previsto.

Dados da consultoria Mysteel apontam que o frete marítimo para navios Panamax entre o Porto de Santos e os principais portos do norte da China subiu cerca de 24% em março.

Com custos mais altos e controles mais rigorosos, operadores relatam redução nas ofertas de soja brasileira para exportação ao mercado chinês.

Mercado reage com alta no farelo de soja

As dificuldades logísticas já começam a refletir no mercado. Nos primeiros dois meses do ano, as importações de soja da China recuaram 7,8%, influenciadas tanto pela colheita mais lenta no Brasil quanto pelos atrasos no desembaraço alfandegário.

Na Bolsa de Commodities de Dalian, o preço do farelo de soja atingiu recentemente o maior nível desde julho de 2024. Mesmo assim, analistas avaliam que o movimento deve ser temporário.

Para Arlan Suderman, é pouco provável que o Brasil permita uma interrupção significativa nas vendas ao principal destino da soja nacional justamente no pico da temporada de embarques.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Informação

Supermercados europeus ameaçam cortar soja brasileira após saída da moratória

As principais redes de supermercados europeus alertaram que podem excluir a soja brasileira de seus contratos de fornecimento caso as grandes tradings não garantam a origem do grão em áreas livres de desmatamento. O posicionamento foi divulgado em uma carta aberta publicada nesta semana e enviada a executivos do setor.

O movimento marca a primeira reação institucional da Europa à decisão de empresas e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) de deixarem a moratória da soja, acordo criado para conter o avanço do desmatamento na Amazônia.

Pressão direta sobre grandes tradings globais

O documento tem como destinatários os CEOs de gigantes do comércio global de grãos, como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfuss e COFCO. A carta também foi encaminhada à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e ao presidente da Abiove, André Nasser.

“Estamos profundamente desapontados com a retirada voluntária da Abiove e de suas afiliadas da moratória”, afirma o texto, assinado pelo Retail Soy Group, entidade que reúne grandes redes varejistas da União Europeia e do Reino Unido.

Moratória da soja e o risco de retrocesso ambiental

Criada em 2006, a moratória da soja impede a comercialização de grãos cultivados em áreas da Amazônia desmatadas após 2008. Segundo os varejistas europeus, o abandono do acordo enfraquece mecanismos de dissuasão ao desmatamento e compromete a credibilidade ambiental da cadeia produtiva.

“Recuar agora ameaça investimentos sustentáveis e dificulta a construção de soluções colaborativas em um contexto de mudanças climáticas aceleradas”, destaca o grupo.

Prazo para esclarecimentos e manutenção de critérios ambientais

Os supermercados deram prazo até 16 de fevereiro para que as tradings expliquem como pretendem manter a rastreabilidade da soja, um dos pilares da moratória. O grupo reforça que seguirá excluindo produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente no bioma amazônico.

Entre as 14 empresas signatárias estão redes de grande presença no continente, como Tesco, Sainsbury’s, Aldi, Lidl, Coop, Migros e Marks & Spencer.

Abiove defende políticas nacionais

Procurada, a Abiove informou que não comentaria o teor da carta. Em comunicado divulgado em janeiro, a entidade afirmou que a moratória “cumpriu seu papel histórico” e que o Código Florestal e as políticas públicas vigentes seriam suficientes para assegurar padrões socioambientais elevados na produção de soja.

Especialistas alertam para limites do Código Florestal

Pesquisas acadêmicas contestam essa avaliação. Segundo a pesquisadora Aline Soterroni, da Universidade de Oxford, mesmo a aplicação rigorosa do Código Florestal evitaria apenas cerca de 50% do desmatamento projetado com a expansão agropecuária até 2050.

Estudos indicam ainda que a ampliação da moratória para o Cerrado não comprometeria o crescimento da produção de soja no país.

Impactos políticos e comerciais

A controvérsia ocorre em meio ao compromisso do governo federal de zerar o desmatamento até 2030, meta reafirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP30, em Belém. Ainda não está claro como a saída da moratória pode afetar esse objetivo.

O tema também ganhou força na Europa, onde consumidores são mais atentos a critérios de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. A tensão contribuiu para a decisão do Parlamento Europeu de submeter o acordo União Europeia–Mercosul à Justiça, o que deve atrasar sua implementação por pelo menos dois anos.

Soja segue como pilar da balança comercial

A soja permanece como a principal commodity da balança comercial brasileira. As projeções apontam exportações entre 112 e 114 milhões de toneladas em 2026. Em 2025, o complexo soja — grão, farelo e óleo — gerou US$ 52,9 bilhões em receitas para o país.

FONTE: ICL Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ICL

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Exportação

China amplia compras de soja do Brasil em 2026 e reduz espaço para exportações dos EUA

A China deve intensificar as importações de soja do Brasil no primeiro semestre de 2026, favorecida por uma safra recorde brasileira e por preços mais competitivos em relação ao produto norte-americano. O movimento tende a reforçar o protagonismo da América do Sul no abastecimento do maior importador mundial de oleaginosas e a pressionar as exportações de soja dos EUA, especialmente no início da temporada comercial.

Fontes do mercado indicam que esmagadores privados chineses já vêm fechando contratos para embarques a partir de fevereiro, acompanhando o avanço da colheita no Brasil. O aumento da oferta amplia a disponibilidade do grão e exerce pressão sobre as cotações, reduzindo o espaço para compras norte-americanas quando a nova safra dos EUA começar a ser exportada, tradicionalmente em setembro.

Preço dita decisões no mercado chinês de soja

A dinâmica atual mostra que o fator econômico segue determinante para o setor privado da China. Com a soja brasileira mais barata, processadores tendem a priorizar o produto do Brasil, enquanto a soja dos EUA permanece menos competitiva, tanto pelo preço quanto pela estrutura tarifária.

As compras recentes de soja norte-americana, estimadas em cerca de 12 milhões de toneladas desde o fim de outubro, foram realizadas exclusivamente por estatais chinesas. Já os compradores privados têm evitado o grão dos EUA, diante de margens mais apertadas e maior sensibilidade aos custos.

Tarifas ampliam vantagem da soja brasileira

Um dos principais elementos dessa equação é a diferença de tarifas. A China aplica 13% de tarifa sobre a soja dos EUA, enquanto a soja brasileira enfrenta apenas 3%, o que reduz significativamente a atratividade do produto norte-americano para esmagadores privados, mesmo em cenários de aproximação comercial entre Pequim e Washington.

Diplomacia e comércio: compras limitadas dos EUA

Mesmo que o governo chinês determine novas aquisições via estatais para cumprir compromissos comerciais com os Estados Unidos, a tendência é de que o apetite do setor privado continue restrito. Analistas avaliam que parte das compras atuais de soja dos EUA tem caráter diplomático, suficiente apenas para sustentar um ambiente político menos tenso entre os dois países.

A expectativa do mercado é de que eventuais concessões adicionais dependam de avanços concretos em temas sensíveis, como tarifas e questões geopolíticas. Até lá, os volumes devem permanecer limitados.

Soja dos EUA perde competitividade no curto prazo

Apesar das aquisições recentes, o volume comprado pela China ainda está bem abaixo do ritmo observado no ano-safra 2024/25, quando as importações de soja dos EUA somaram cerca de 23 milhões de toneladas.

Comparações de preços reforçam a vantagem brasileira. Em novembro, a soja do Brasil destinada à China apresentava valores inferiores aos do Golfo e do Noroeste do Pacífico dos EUA, mesmo antes da incidência das tarifas. Na prática, isso significou um custo adicional de dezenas de milhões de dólares para a China ao optar pelo produto norte-americano.

Safra recorde do Brasil pressiona preços e prêmios

Do lado da oferta, o Brasil segue com perspectiva de abundância ao longo de 2026. Operadores não esperam novas reservas relevantes de soja dos EUA no curto prazo, diante de preços mais elevados e colheitas robustas previstas no Brasil e na Argentina.

Com o avanço da colheita, a soja brasileira para embarques no início do ano tende a manter descontos significativos em relação à origem norte-americana. Especialistas projetam que esse diferencial de preço pode se ampliar ainda mais, reforçando a preferência chinesa pelo produto sul-americano.

Projeções reforçam liderança brasileira em 2025/26

As estimativas para a próxima temporada confirmam o cenário favorável ao Brasil. A produção nacional de soja pode atingir 182,2 milhões de toneladas em 2025/26, segundo consultorias do setor. Do lado da demanda, as exportações brasileiras para a China podem chegar a 85 milhões de toneladas no período, um aumento relevante em relação ao ciclo anterior.

Relatórios de mercado indicam que a China já reservou entre 42 e 44 milhões de toneladas de soja brasileira para embarques entre setembro e agosto, com grande concentração no primeiro semestre de 2026.

Demanda chinesa sustenta importações no primeiro semestre

A demanda por farelo de soja permanece firme, impulsionada por um rebanho suíno ainda elevado na China. Analistas não esperam queda significativa desse consumo antes do fim do segundo trimestre, o que sustenta as importações no curto prazo.

Embora o total importado pela China em 2025/26 deva ser menor do que no ciclo anterior, a combinação de safra recorde no Brasil, preços mais baixos e vantagem tarifária indica que a participação brasileira seguirá elevada, especialmente no primeiro semestre, quando a oferta sul-americana dita o ritmo do mercado global.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Diego Vara

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Comércio

China consolida Brasil como principal vitrine econômica nas Américas

O avanço da China no Brasil deixou de ser apenas uma relação comercial e passou a influenciar decisões econômicas, políticas e estratégicas em Brasília. Com US$ 171 bilhões em comércio bilateral, investimentos recordes, fábricas de montadoras chinesas e a expansão acelerada de apps e plataformas de e-commerce, o país se tornou o principal eixo da presença chinesa na América Latina.

Esse movimento ganhou força após os Estados Unidos aplicarem uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, em julho de 2025, ampliando tensões geopolíticas e empurrando o Brasil para uma aproximação ainda maior com Pequim.

Tarifa dos EUA acelera reposicionamento internacional do Brasil

A sobretaxa americana, somada à tarifa básica de 10%, elevou significativamente o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado dos EUA. O impacto extrapolou o comércio e ganhou contornos políticos, com protestos antiamericanos no Rio de Janeiro, em janeiro de 2026, diante do consulado dos Estados Unidos.

O episódio reforçou a percepção de que decisões comerciais podem gerar efeitos diretos na diplomacia e no debate público, ampliando o espaço da China como parceira estratégica em meio ao protecionismo norte-americano.

BRICS, disputa monetária e pressão estrutural

Como membro fundador do BRICS, o Brasil aparece no centro de um debate mais amplo sobre a ordem econômica global, que envolve críticas à hegemonia do dólar e tentativas de diversificação monetária. Esse pano de fundo fortalece a estratégia chinesa de ampliar influência em mercados-chave, sobretudo em países pressionados por barreiras comerciais.

Nesse contexto, o Brasil surge como prioridade absoluta na América Latina, não apenas por volume de exportações, mas por seu peso político, econômico e simbólico.

Por que o Brasil é prioridade para a China nas Américas

Com mais de 200 milhões de habitantes e uma população majoritariamente jovem, o Brasil é visto como um mercado consumidor de grande escala, capaz de absorver tecnologia, veículos, serviços digitais e bens industriais.

Na lógica chinesa, o país reúne três fatores decisivos: dimensão econômica, potencial de consumo e efeito vitrine para marcas que buscam expansão em um cenário global cada vez mais protecionista.

Comércio bilateral atinge US$ 171 bilhões

Em 2025, o comércio entre Brasil e China alcançou US$ 171 bilhões, impulsionado principalmente por soja, minerais e óleo. A soja, em especial, tornou-se um elemento central da disputa geopolítica, ao substituir fornecedores americanos no abastecimento chinês.

Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 77 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os Estados Unidos venderam cerca de 17 milhões de toneladas no mesmo período. O dado reforça o papel do agronegócio brasileiro como instrumento de poder comercial.

Investimentos chineses batem recorde no Brasil

Os investimentos chineses no Brasil atingiram US$ 4,2 bilhões em 2024, distribuídos em 39 projetos, colocando o país como o terceiro maior destino global desses aportes. A estratégia envolve diversificação setorial, com presença simultânea em indústria, logística, energia, mobilidade e consumo digital.

Esse avanço contínuo transformou marcas chinesas em nomes familiares no cotidiano brasileiro, reduzindo a dependência de um único setor e consolidando uma presença estrutural.

BYD e Great Wall ampliam disputa no mercado automotivo

As montadoras BYD e Great Wall abriram fábricas no Brasil, que figura entre os seis maiores mercados automotivos do mundo. Além da produção local, a BYD anunciou parcerias para qualificar mais de 150 fornecedores brasileiros, ampliando o encadeamento produtivo e o impacto sobre emprego e renda.

A estratégia reforça a percepção de longo prazo da China no país, indo além da simples importação de veículos.

Apps e e-commerce chineses ganham espaço no dia a dia

No setor de mobilidade, a Didi, operando no Brasil como 99, consolidou-se como concorrente direta da Uber. Já no comércio eletrônico, plataformas como Temu, Shein e Alibaba avançam rapidamente, ocupando espaços centrais no consumo cotidiano.

Essa combinação de transporte, entregas e e-commerce faz com que a presença chinesa deixe de ser apenas industrial e passe a integrar a rotina dos consumidores brasileiros.

Energia e infraestrutura reforçam presença de longo prazo

A China também investiu bilhões de dólares em projetos de transmissão de energia elétrica, um tipo de aporte associado a prazos longos e alta dependência técnica. Somados às fábricas, aos apps e às plataformas digitais, esses investimentos ampliam a influência chinesa sobre o funcionamento estrutural do país.

O que muda para Brasília com a China no centro do tabuleiro

O conjunto de dados aponta para uma mudança concreta de incentivos. Comércio recorde, investimentos bilionários, avanço do agronegócio e presença crescente de marcas chinesas reposicionam o Brasil em um cenário global mais polarizado.

Com tarifas elevadas dos EUA, tensões diplomáticas e disputas sobre moeda e blocos econômicos, a China deixa de ser uma opção periférica e passa a ocupar papel central nas decisões econômicas brasileiras, com reflexos diretos sobre indústria, emprego, consumo e infraestrutura.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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