Agricultura

Soja busca recuperação em Chicago, mas mercado aguarda dados do USDA

Os contratos futuros de soja registravam leves altas na Bolsa de Chicago na manhã desta quarta-feira (30), em um movimento de recuperação após a pressão das últimas sessões. O avanço, porém, permanecia limitado pela cautela dos investidores antes da divulgação de novos dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Por volta das 7h26, no horário de Brasília, o contrato com vencimento em novembro de 2026 subia 3,75 pontos, cotado a US$ 13,0150 por bushel. O janeiro de 2027 avançava 4 pontos, para US$ 13,16, enquanto o março de 2027 também ganhava 4 pontos, negociado a US$ 13,25 por bushel.

Demanda chinesa limita avanço da soja

Apesar da sinalização positiva em Chicago, o mercado segue encontrando dificuldades para ampliar os ganhos diante das incertezas em relação à demanda chinesa por soja dos Estados Unidos.

A China não incluiu a oleaginosa norte-americana no pacote de redução de tarifas anunciado nesta semana. Com isso, a soja dos EUA continua sujeita a uma tarifa de 10%, mantendo um obstáculo para a expansão das compras chinesas do produto.

Além da questão tarifária, outros fatores aumentam a cautela entre os participantes do mercado. Informações divulgadas pela agência Reuters nesta quarta-feira apontam para estoques elevados de soja nas esmagadoras chinesas, margens de processamento negativas e uma perspectiva de menor consumo de ração animal.

De acordo com a agência, os estoques de soja nas unidades de esmagamento da China atingiram o maior nível em 15 anos. Esse cenário pode diminuir a necessidade de novas importações durante o quarto trimestre.

Brasil e Argentina ganham espaço nas compras

A disponibilidade de soja da América do Sul, principalmente do Brasil e da Argentina, também pesa sobre a competitividade do produto norte-americano no mercado chinês.

Um executivo de alto escalão de uma empresa chinesa de processamento de oleaginosas afirmou à Reuters que as compras já realizadas garantem cargas brasileiras e argentinas para outubro e boa parte de novembro. Segundo ele, os embarques devem chegar justamente no período de maior demanda associado ao Ano Novo Chinês.

Nesse contexto, os compradores privados da China tendem a priorizar a soja sul-americana, considerada mais competitiva. Já as compras de soja dos Estados Unidos continuam mais concentradas nas empresas estatais chinesas.

Mercado aguarda estoques dos EUA

Além das questões relacionadas à China e à demanda por soja, os investidores acompanham nesta quarta-feira a divulgação do novo relatório trimestral de estoques dos Estados Unidos.

O USDA apresentará os dados referentes à posição dos estoques norte-americanos em 1º de setembro. As informações são aguardadas pelo mercado e podem trazer novos elementos para a formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Greve

Greve na Argentina paralisa exportação de grãos e afeta setor agrícola

Uma greve na Argentina interrompeu, nesta quarta-feira, as atividades de exportação de grãos e derivados, impactando diretamente o comércio exterior do país. A paralisação foi organizada por sindicatos marítimos em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.

Segundo Gustavo Idígoras, presidente da Cámara de la Industria Aceitera y el Centro de Exportadores de Cereales (CIARA-CEC), a greve de 48 horas compromete integralmente as operações do setor agroexportador. Em declaração à Reuters, ele classificou o movimento como uma ação de caráter político, distante das demandas específicas da atividade.

Portos e embarques afetados

A mobilização comprometeu serviços essenciais, como atracação e desatracação de navios, transporte de práticos e atendimento a embarcações. A região mais impactada foi a área portuária de Rosário, um dos principais polos globais de exportação agrícola.

A paralisação coincide parcialmente com a greve geral convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT), marcada para quinta-feira, o que pode ampliar os efeitos sobre a economia argentina.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Federación Sindical Marítima y Fluvial (Fesimaf) afirmou que a mobilização tem como objetivo defender direitos trabalhistas e preservar a estabilidade no emprego.

Reforma trabalhista amplia tensão sindical

A Câmara dos Deputados argentina deve analisar o projeto de reforma trabalhista, já aprovado pelo Senado na semana passada. A proposta enfrenta forte resistência das entidades sindicais por prever mudanças como flexibilização das contratações, redução de indenizações por demissão, limitação do direito de greve e ampliação da jornada de trabalho.

Além dos marítimos, o sindicato dos trabalhadores da indústria de oleaginosas de San Lorenzo também aderiu à paralisação. A entidade representa empregados do principal polo de processamento de soja do país, localizado ao norte de Rosário, onde se concentra grande parte das usinas responsáveis pela produção de óleo e farelo.

Em comunicado, o sindicato criticou o projeto, afirmando que a modernização proposta compromete direitos históricos dos trabalhadores.

Impacto econômico e mercado internacional

A Argentina ocupa posição estratégica no comércio global, sendo a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja. A interrupção nas operações portuárias pode afetar o fluxo de divisas, essencial para a economia do país.

Para o analista Ion Jauregui, da consultoria ActivTrades, paralisações que atingem transporte e portos geram reflexos que vão além dos dias de trabalho perdidos. Segundo ele, a capacidade de exportação é determinante para manter a entrada de moeda estrangeira.

O governo argentino avalia que as greves recorrentes prejudicam a produtividade e a estabilidade econômica nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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