Agronegócio

Proteína animal brasileira ganha espaço no mercado global com aumento da demanda e novas oportunidades

A proteína animal brasileira mantém perspectivas positivas de crescimento no mercado internacional, impulsionada pela alta demanda global, pela competitividade do agronegócio nacional e pela abertura de novos destinos comerciais.

A avaliação foi um dos principais pontos debatidos durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, realizado em São Paulo (SP), evento considerado um dos mais importantes encontros das cadeias de aves, suínos, ovos, peixes de cultivo e bovinos do Brasil e da América Latina.

Para Miguel Gularte, CEO da MBRF, o setor brasileiro vive um cenário em que a procura internacional ainda supera a capacidade de oferta. Segundo ele, essa característica abre espaço para que o país amplie sua participação no comércio mundial.

Produção e exportações devem avançar em 2026

Durante o evento, representantes das principais empresas do setor destacaram que o Brasil reúne condições para continuar crescendo, desde que avance na abertura de mercados, na diversificação de compradores e na oferta de produtos com maior valor agregado.

Projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que a produção nacional de carne de frango pode crescer até 5,6% em 2026, enquanto a produção de carne suína deve avançar até 5% e a de ovos cerca de 4,1%.

As exportações também apresentam expectativa positiva. A previsão é de aumento de até 10,3% nos embarques de carne de frango e de 5,9% na carne suína, acompanhando a maior disponibilidade interna e o crescimento do consumo por habitante.

Dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura, mostram que as exportações brasileiras de frango, carne suína e ovos cresceram 2,8% em volume no último ano, alcançando 6,7 milhões de toneladas. Em receita, a alta foi de 3,3%, chegando a US$ 13,3 bilhões.

Diversificação reduz dependência de grandes compradores

Apesar dos números favoráveis, líderes do setor reforçaram que o futuro da indústria de proteína animal dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos mercados.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que a redução das compras chinesas de carne suína não representa uma mudança definitiva no comércio internacional, mas uma retomada aos níveis anteriores ao período da peste suína africana.

Na avaliação dele, países da Ásia, da África e do chamado Sul Global devem concentrar parte relevante do crescimento do consumo de proteínas nos próximos anos.

A expectativa da entidade é que o setor mantenha uma expansão anual entre 3% e 3,5%, sustentada pela competitividade brasileira e pela ampliação de acordos comerciais.

O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, também defendeu a redução da dependência de poucos compradores internacionais.

Segundo ele, o Brasil precisa evitar a concentração das vendas externas em um único mercado e ampliar sua presença em destinos como Coreia do Sul, Japão e outros países estratégicos.

Competitividade depende de tecnologia e eficiência produtiva

Para João Campos, presidente da Seara, a força da proteína brasileira está diretamente ligada à evolução dos sistemas de produção.

Segundo o executivo, a integração entre produtores e indústria, os investimentos em tecnologia, a inovação no campo e a capacidade de adaptação às mudanças do mercado são diferenciais importantes para manter o protagonismo brasileiro.

Miguel Gularte destacou que o setor demonstrou capacidade de resposta diante de desafios recentes, como a pandemia e conflitos internacionais, mantendo padrões sanitários elevados e garantindo o abastecimento de mercados estratégicos.

Na avaliação dele, a estratégia de vender para diferentes países reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

Exportação de produtos industrializados é próximo desafio

Outro tema recorrente nos debates foi a necessidade de ampliar a participação brasileira em produtos processados e de maior valor agregado.

Neivor Canton afirmou que o país ainda concentra boa parte das exportações em produtos básicos e precisa avançar na construção de marcas e no desenvolvimento de produtos diferenciados para o consumidor internacional.

João Campos destacou que a internacionalização da indústria vai além da venda ao exterior, envolvendo também a criação de canais de distribuição, relacionamento com consumidores e fortalecimento das marcas brasileiras.

Para Gularte, a aproximação dos hábitos de consumo em diferentes regiões do mundo cria novas oportunidades para empresas nacionais ampliarem sua atuação internacional.

SIAVS reforça protagonismo brasileiro no comércio mundial

O SIAVS 2026 reuniu representantes da indústria, produtores, pesquisadores, fornecedores e compradores internacionais para discutir os caminhos da proteína animal brasileira.

Segundo Ricardo Santin, o crescimento do evento acompanha a evolução do setor e consolida o Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos.

Os debates mostraram que o próximo ciclo de expansão da agroindústria brasileira dependerá não apenas do aumento da produção, mas também da conquista de novos mercados, da agregação de valor e da manutenção da confiança dos consumidores internacionais.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/SIAVS

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