Agronegócio

Brasil amplia produção de sorgo e ganha espaço no mercado chinês, pressionando liderança dos EUA

O Brasil está ampliando sua participação no mercado global de sorgo e começa a disputar espaço com os Estados Unidos em um segmento estratégico para o comércio internacional de grãos. Com o aumento da produção nacional e a abertura do mercado chinês, o país fortalece sua posição entre os principais produtores e exportadores da cultura.

O avanço ocorre em um cenário de incertezas comerciais para os agricultores norte-americanos, que enfrentam oscilações na demanda chinesa e uma redução prevista na produção do cereal. Depois de conquistar posições de destaque em culturas como soja e algodão, além de ampliar sua presença no mercado de carne bovina, o Brasil passa a representar um concorrente cada vez mais relevante também no sorgo.

Tim Lust, diretor executivo da Associação Nacional de Produtores de Sorgo dos Estados Unidos, reconhece a velocidade desse crescimento. Segundo ele, a produção brasileira vem avançando rapidamente e reduzindo a distância em relação à norte-americana.

Além do Brasil, os produtores dos Estados Unidos enfrentam a concorrência da Austrália e da Argentina, que ocupam posições importantes entre os exportadores mundiais do grão.

China se torna peça-chave na disputa pelo mercado de sorgo

A China é um dos principais destinos do sorgo comercializado internacionalmente. O cereal é utilizado tanto na alimentação de suínos quanto na fabricação do baijiu, bebida alcoólica tradicional chinesa.

Historicamente, o mercado chinês teve grande importância para os produtores norte-americanos. As exportações dos Estados Unidos para o país asiático já superaram US$ 2 bilhões há mais de uma década. Entretanto, as relações comerciais entre as duas potências e as mudanças na demanda provocaram fortes oscilações nas compras.

Em 2019, durante a primeira guerra comercial entre os governos de Donald Trump e da China, as exportações norte-americanas de sorgo recuaram para aproximadamente US$ 186 milhões. Em 2025, o valor caiu ainda mais, chegando a US$ 86 milhões.

A demanda chinesa por importações continua enfraquecida diante da ampla disponibilidade de grãos no mercado doméstico. Esse cenário dificulta o planejamento dos agricultores dos Estados Unidos, que dependem de previsibilidade comercial para decidir quais culturas plantar.

Produtores dos EUA reduzem área e enfrentam queda na produção

A instabilidade das exportações tem levado parte dos agricultores norte-americanos a substituir o sorgo por culturas com maior potencial de retorno e mercados consumidores mais diversificados, como milho e soja.

Em estados como Nebraska, essa mudança já ocorre nas áreas de cultivo. Além disso, a produção de sorgo dos Estados Unidos deve diminuir 33% na safra atual em relação à anterior, segundo as estimativas citadas no levantamento. A redução da área plantada e os efeitos da seca nas Planícies do Sul estão entre os fatores que pressionam o resultado.

Diante das dificuldades, representantes do setor defendem a ampliação dos acordos comerciais. Lust enviou uma carta a Trump no mês passado solicitando que o governo buscasse compromissos para a compra anual de 5 milhões a 7 milhões de toneladas de sorgo norte-americano pela China.

Listas divulgadas pelos dois países após uma reunião entre Trump e Xi Jinping, realizada em setembro, também indicaram a previsão de redução de tarifas chinesas sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos, incluindo sorgo, trigo e milho.

Agricultores buscam alternativas ao mercado internacional

Enquanto parte dos produtores norte-americanos tenta recuperar o acesso à China, outros procuram reduzir a exposição às oscilações do comércio exterior.

Brad Dusenbery, agricultor de Nebraska, cultiva cerca de 700 acres e está construindo um pequeno moinho em Beatrice, no sudeste do estado. O projeto prevê a fabricação de farinha de sorgo para diferentes aplicações alimentícias, incluindo biscoitos e pães para hambúrgueres.

O produtor também está migrando para métodos de cultivo orgânico e pretende priorizar o mercado interno, em vez de depender das exportações.

A estratégia reflete a preocupação com a falta de estabilidade nas relações comerciais e a busca por alternativas que permitam agregar valor ao cereal dentro do próprio país.

Brasil amplia cultivo de sorgo na segunda safra

No Brasil, o movimento é de expansão. O sorgo vem conquistando espaço como alternativa de segunda safra, cultivada após a colheita da soja. A cultura apresenta boa adaptação a diferentes condições de clima e solo, característica que favorece sua utilização em diversas regiões agrícolas.

Um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no ano passado, destacou a ampla adaptação do cereal às condições brasileiras.

Outro fator que impulsiona o setor é a demanda da indústria de biocombustíveis. Grandes fabricantes de etanol, como a Inpasa, ampliaram sua capacidade industrial com unidades preparadas para processar tanto milho quanto sorgo.

Essa combinação de condições agronômicas favoráveis, demanda industrial e oportunidades de exportação contribui para o crescimento da cultura no país.

Produção brasileira pode atingir 10 milhões de toneladas até 2031

A produção de sorgo no Brasil mais que dobrou nos últimos quatro anos, e as perspectivas indicam continuidade desse avanço.

Estimativa do Rabobank aponta que o país poderá alcançar uma produção de 10 milhões de toneladas até 2031. O volume representa um crescimento expressivo em relação às aproximadamente 6 milhões de toneladas registradas na última safra mencionada.

Para Frederico Botelho, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o ritmo de expansão abre a possibilidade de o Brasil superar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial na produção do cereal nos próximos anos.

A evolução dependerá da continuidade dos investimentos, da expansão da área cultivada, da demanda industrial e da consolidação de novos mercados consumidores.

Primeiro embarque para a China abre nova oportunidade para o Brasil

A expansão da produção brasileira ganhou um impulso importante com a abertura do mercado chinês. Em agosto, a Cofco, empresa estatal chinesa de comercialização de grãos, embarcou a primeira carga de sorgo brasileiro com destino à China.

A operação marcou o início de uma nova etapa para o setor e reforçou as expectativas de crescimento das exportações nacionais.

Dados compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indicavam a previsão de embarques de até 2,4 milhões de toneladas de sorgo a partir dos portos brasileiros até o fim de outubro daquele ano, principalmente para o mercado chinês. Em 2025, não haviam sido registrados embarques significativos, segundo as informações apresentadas.

A abertura comercial cria uma alternativa adicional para o escoamento da produção e pode estimular novos investimentos na cadeia produtiva.

Diversificação de fornecedores favorece o sorgo brasileiro

A estratégia chinesa de diversificar suas fontes de abastecimento pode beneficiar diretamente o Brasil. Ao evitar a dependência de um único fornecedor, o país asiático abre espaço para ampliar as compras de outros produtores internacionais.

Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, empresa mineira de armazenamento e comercialização de grãos, avalia que essa política favorece a consolidação do mercado brasileiro de sorgo.

Com o crescimento da oferta nacional, o avanço da indústria de etanol e a abertura de novos destinos comerciais, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no comércio internacional do cereal.

O desafio será transformar o aumento da produção em presença duradoura no mercado externo, em um ambiente marcado pela concorrência internacional e pelas mudanças nas relações comerciais.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Edwin Remsberg/VWPics/AP

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Agronegócio

Produção de gergelim cresce 17% em Mato Grosso e ganha força como alternativa ao milho

A cultura do gergelim em Mato Grosso vem se firmando como uma das principais apostas da segunda safra no Estado. Na temporada 2024/2025, a produção avançou 17,3%, passando de 246,1 mil para 288,9 mil toneladas, consolidando-se como opção estratégica logo após a soja, atrás apenas do milho.

O crescimento não ocorreu apenas pela expansão de área, mas principalmente pelo ganho de eficiência no campo. A produtividade agrícola saltou de 579 quilos por hectare para 720 quilos por hectare, indicando maior domínio técnico da cultura pelos produtores.

Produtor busca culturas mais adaptadas ao clima

O avanço do gergelim reflete uma mudança no planejamento agrícola. Com janelas climáticas mais curtas e maior risco de estiagem, produtores têm buscado culturas mais resistentes. O plantio do gergelim ocorre entre fevereiro e março, logo após a colheita da soja, com ciclo médio de 120 dias, o que favorece sua inserção no calendário agrícola.

Essa adaptação tem sido especialmente relevante em regiões onde as chuvas costumam cessar mais cedo, reduzindo a segurança do milho de segunda safra.

Exportações impulsionam a expansão da cultura

O principal motor do crescimento está no mercado externo. Atualmente, cerca de 99% do gergelim produzido em Mato Grosso é exportado, com destaque para a Ásia. A recente abertura do mercado chinês ao produto brasileiro ampliou a demanda e acelerou investimentos em certificações, pesquisa e melhoramento genético.

Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a entrada da China no rol de compradores foi decisiva para o avanço da cultura. De acordo com ele, mais de 20 empresas já foram credenciadas no Estado, estimulando novos aportes no setor.

Gergelim substitui milho em áreas de maior risco climático

Em regiões como o Vale do Araguaia, onde a estiagem costuma chegar mais cedo, o gergelim tem se mostrado uma alternativa mais segura ao milho. Nessas áreas, o cereal enfrenta maior risco de perdas por falta de chuva, enquanto o gergelim apresenta melhor desempenho agronômico e rentabilidade.

Outro fator que favorece a adoção da cultura é a redução de custos operacionais. Produtores têm conseguido adaptar a mesma colheitadeira utilizada na soja para a colheita do gergelim, o que facilita a transição e diminui a necessidade de novos investimentos em máquinas.

Expectativas para a safra 2025/2026

As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a área plantada com gergelim pode alcançar 400 mil hectares na safra 2025/2026. O desafio, segundo especialistas, passa agora pela escolha das variedades mais adequadas ao mercado.

Enquanto a variedade K3, voltada à produção de óleo, é a mais comum no Estado, o mercado asiático paga prêmios maiores pela K2, conhecida como variedade doce. Na China, por exemplo, o consumo de óleo de gergelim supera o de óleo de soja, o que amplia o potencial de demanda pelo produto brasileiro.

O governo estadual aposta ainda na verticalização da produção, com estímulo à industrialização e à abertura de novos mercados. A Zona de Processamento de Exportação é vista como um dos instrumentos para atrair investimentos e manter o ritmo de crescimento da cultura no Estado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

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