Logística

Scania investe R$ 78 milhões em centro logístico de peças no Brasil

A Scania investiu R$ 78 milhões na ampliação de seu centro logístico de peças em Vinhedo, no interior de São Paulo. O objetivo é aumentar a eficiência da operação, elevar a disponibilidade de componentes e reduzir o tempo necessário para que caminhões e ônibus voltem às ruas após manutenções.

Conhecida como LPC (Latin Parts Center), a unidade teve sua área de armazenagem ampliada em 62%, passando de 15 mil para 24,4 mil metros quadrados.

O investimento integra o ciclo de R$ 6 bilhões destinado pela montadora às operações brasileiras entre 2016 e 2028. Com a expansão, Vinhedo mantém a posição de segundo maior centro logístico de peças da Scania no mundo, atrás apenas da unidade localizada na Bélgica.

Para a fabricante, a disponibilidade de peças é um componente estratégico do negócio. Um veículo comercial parado representa perda de receita para o transportador, o que torna a velocidade do atendimento uma questão diretamente ligada à produtividade da frota.

“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor. O Brasil é o nosso mercado número um, é o lugar do mundo em que a Scania mais vende”, afirma Christopher Podgorski, CEO da Scania América Latina.

Vinhedo tem localização estratégica

A escolha de Vinhedo para concentrar a operação logística está relacionada à posição do município no mapa de infraestrutura brasileiro. A cidade fica na região de Campinas, próxima às principais rodovias, ao Aeroporto Internacional de Viracopos e a um importante polo de empresas especializadas em logística.

A unidade brasileira exerce, na América Latina, função semelhante à desempenhada pelo centro da Scania na Bélgica para o mercado europeu.

Na Europa, a localização belga é favorecida pela proximidade de fornecedores, fábricas e portos, especialmente o de Antuérpia. A infraestrutura facilita o envio de componentes para diferentes mercados.

No Brasil, a proximidade com Viracopos e a conexão com os principais corredores rodoviários foram fatores determinantes para a escolha de Vinhedo.

“A própria infraestrutura, a localização geográfica, a proximidade do aeroporto de Viracopos e a conexão com as principais rodovias e regiões são fatores preponderantes”, explica Podgorski.

A posição do Brasil dentro da operação global da Scania também pesa. O país é o maior mercado da montadora em volume e abriga o principal hub industrial da empresa na região, em São Bernardo do Campo.

Centro mantém mais de 40 mil itens

O LPC possui atualmente mais de 40 mil itens em estoque e funciona como principal centro de distribuição de peças da Scania para a América Latina, com exceção do México, que recebe componentes diretamente da estrutura europeia.

A expansão, entretanto, não foi planejada apenas para aumentar o volume armazenado. A companhia também redesenhou os fluxos internos para tornar a separação e o despacho mais rápidos.

Segundo Alessandro Silvério, gerente do LPC, o projeto foi estruturado para melhorar o fluxo logístico e fazer com que os componentes cheguem mais rapidamente aos clientes.

A Scania acompanha diariamente o estoque das concessionárias por meio do sistema Dealer Stock Management (DSM). Os pedidos de reposição recebidos em um dia são normalmente separados para envio no dia seguinte.

Em situações urgentes, porém, o despacho pode ocorrer no mesmo dia. Para casos classificados como superurgentes, a empresa utiliza inclusive serviços de entrega porta a porta.

Com a nova estrutura, a companhia pretende elevar a disponibilidade de peças de 95,5% para 96,5%. Isso significa ter imediatamente disponíveis mais de 96 itens a cada 100 solicitados pela rede.

Inteligência artificial ajuda a prever a demanda

A inteligência artificial também passou a integrar a gestão dos estoques. A tecnologia é utilizada para analisar históricos de vendas, sazonalidade e comportamento da frota, ajudando a definir quais componentes precisam estar disponíveis no centro de distribuição.

“Hoje a gente está usando muito a IA para nos auxiliar nas análises do histórico e do que estamos vendendo, para entender quais peças precisamos ter e disponibilizá-las o mais rápido possível para os clientes”, explica Silvério.

O planejamento é complexo porque os veículos Scania são utilizados em cerca de 36 diferentes aplicações. A frota atende segmentos que vão do transporte de cana-de-açúcar e madeira à mineração, construção, transporte refrigerado e operações de longa distância.

Por isso, manter todas as peças disponíveis em tempo integral não seria economicamente viável. A inteligência artificial entra justamente para melhorar a previsão e equilibrar disponibilidade, demanda e custo de estoque.

A ampliação também cria espaço para acompanhar a transformação tecnológica da frota. Com o avanço de caminhões elétricos, veículos a gás e modelos movidos a biometano, novos componentes precisarão ser incorporados ao estoque.

Scania aposta no pós-venda diante da concorrência

A expansão do centro logístico acontece em meio ao aumento da concorrência no mercado brasileiro de caminhões e ônibus, inclusive com a entrada de fabricantes asiáticos.

A Scania aposta que a disputa não será determinada somente pelo preço de aquisição. Para a empresa, a estrutura de pós-venda, a disponibilidade de peças e a capacidade de manter os veículos em operação são diferenciais importantes para os transportadores.

A fabricante possui produção local, rede de concessionárias, fornecedores e uma estrutura de engenharia no país. São aproximadamente 400 engenheiros trabalhando no desenvolvimento e na validação de veículos para diferentes aplicações e condições brasileiras.

“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor”, reforça Podgorski.

O executivo avalia que fabricantes estrangeiros podem chegar ao mercado brasileiro com preços competitivos, mas terão de construir uma estrutura capaz de oferecer suporte aos veículos depois da venda.

Investimentos incluem transição energética

A ampliação do centro de Vinhedo levou cerca de um ano e meio e faz parte do ciclo de investimentos anunciado pela Scania no Brasil.

Segundo Podgorski, os recursos previstos estão concentrados principalmente na modernização das fábricas e na transição energética.

A empresa já produz no país chassis de ônibus elétricos e também desenvolve soluções movidas a biometano, ampliando o portfólio de alternativas aos combustíveis convencionais.

Nesse cenário, a Scania considera que a combinação entre tecnologia, produto e serviço será determinante para manter sua posição no mercado brasileiro.

“Diferentemente de automóvel, veículo comercial é dinheiro no bolso e, se não operar, é prejuízo garantido. Se o cliente não for bem-sucedido, eu não tenho cliente amanhã. Não é retórica, é modelo de negócio”, afirma o CEO.

De acordo com Podgorski, o Brasil foi o maior mercado mundial da Scania em volume em 28 dos últimos 30 anos. A companhia pretende manter essa liderança com investimentos em logística, tecnologia, pós-venda e eficiência operacional.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Scania

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Scania vai aumentar produção de motores em São Bernardo

CEO explica que demanda maior no exterior vai elevar em 5% os volumes na fábrica paulista

A Scania pretende aumentar em 5% sua produção de motores até dezembro. Movimento que elevará a capacidade da fábrica de São Bernardo do Campo para 40 mil propulsores/ano.

Essa unidade de motores da Scania já opera em três turnos desde meados do ano passado devido ao aumento da demanda no exterior. Para aumentar a produtividade, portanto, será necessário acelerar o ritmo nas estações de trabalho.

“Nós já estamos aplicando medidas na área de produção para elevar a capacidade. Aplicamos ferramentas e melhorias que os próprios operadores nos sugerem”, disse o CEO Christopher Podgorski, durante a feira IAA Transportation.

O executivo explicou que, na Europa, aumentou a procura por caminhões que operam em uma faixa de potência similar à dos caminhões da Scania no mercado brasileiro, justificando o aumento da produção.

Do total de motores fabricados pela montadora no ABC Paulista, 30 mil unidades são destinadas à aplicação em veículos vendidos no país. O volume restante é destinado à exportação.

A Scania opera em um interessante sistema de produção que integra todas as fábricas da empresa. Se há um aumento de demanda em um mercado específico e a fábrica mais próxima não consegue atender, outra no exterior é acionada.

Esse tipo de plataforma produtiva tem ajudado a companhia a manter suas linhas operantes em momentos de baixa demanda, tanto no mercado doméstico quanto no exterior.

Recentemente, quando a empresa observou as vendas internas diminuírem, foram as exportações que sustentaram as linhas de produção em São Bernardo do Campo por meio desse sistema produtivo.

Mercado interno de caminhões em recuperação

Atualmente, o mercado interno de caminhões se recupera de um período de vacas magras, iniciado com o advento dos motores Euro 6.

Segundo dados do Renavam, divulgados pela Anfavea, a associação que representa as fabricantes instaladas no Brasil, as vendas subiram 13% no acumulado do ano até agosto, em comparação com o mesmo período de 2023.

A produção também aumentou no período, 41%, somando 89,4 mil unidades até agosto. As exportações de veículos, por outro lado, caíram 18% no acumulado dos oito meses, com 241,6 mil unidades embarcadas.

A análise por segmento mostra que as exportações de caminhões caíram apenas 8,6% no período de janeiro a agosto em relação a 2023, somando 10 mil unidades, o que indica que a Scania pode – e deve -comemorar a maior demanda por seus motores no exterior.

Fonte:  Automotibe Business
Exportações elevam produção de motores da Scania | Automotive Business

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Montadora de ônibus e caminhões anuncia R$ 2 bi de novos investimentos até 2028

Vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin visitou fábricas da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), e celebrou os recursos com foco em inovação e descarbonização; montadora produzirá chassis para ônibus elétricos

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, visitou nesta sexta-feira (21) as instalações da montadora Scania, em São Bernardo do Campo (SP). Na ocasião, a empresa sueca anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões no Brasil para o período de 2025 a 2028, com foco em descarbonização de seus ecossistemas de transporte e logística.

Esta é a primeira fabricante de caminhões e ônibus a juntar-se ao movimento de novos investimentos anunciados nos últimos meses por montadoras no Brasil, que já somam mais de R$ 130 bilhões. As fabricantes foram motivadas pela criação do programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER), do MDIC, que estimula novas rotas tecnológicas e aumenta as exigências de descarbonização da frota automotiva brasileira. O projeto de lei que cria o programa será sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 2 de julho.

“Aqui está o exemplo de Nova Indústria Brasil (NIB)”, afirmou Alckmin ao visitar duas fábricas da empresa — uma de motores e outra de chassis.  A planta da Scania em São Bernardo passará a produzir chassis para ônibus elétricos a partir de março de 2025. A fábrica do Brasil será a terceira unidade global da montadora a produzir veículos elétricos.

O vice-presidente ressaltou que a empresa cumpre os principais requisitos da NIB. “Inovação: nós estamos aqui, na ponta, na vanguarda da inovação, da tecnologia; uma indústria sustentável, verde: estamos aqui na ponta da descarbonização, com os veículos elétricos, veículos a gás e veículos com biodiesel; uma indústria competitiva: e nós temos uma indústria de alta competitividade, que faz 115 caminhões pesados e ônibus por dia; e uma indústria exportadora, que exporta para a América Latina e até para outros continentes”, afirmou o ministro.

Para o presidente da área industrial da montadora sueca na América Latina, Christopher Podgorski, a orientação deste governo ao priorizar o investimento em sustentabilidade e inovação é essencial para impulsionar a indústria pelo mesmo caminho. “Essa visita tem, para mim, uma enorme importância porque, juntos, estamos construindo um futuro descarbonizado. E a orientação, as políticas públicas têm um papel fundamental nisso para que a gente deixe um futuro melhor para as próximas gerações”, disse.

Durante a visita, Alckmin conheceu a fábrica de motores da Scania, com capacidade de produção de 33 mil produtos por ano, para consumo interno e exportação; e também a fábrica de chassi, a maior da empresa, que conta, só nesta linha, com mil colaboradores. Ao todo, a Scania em São Bernardo do Campo tem 5,2 mil colaboradores.

Os R$ 2 bilhões anunciados nesta sexta-feira somam-se ao ciclo de R$ 1,4 bilhão desembolsado pela empresa em projetos que se encerram neste ano de 2024.

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