Aeroportos

Acidente em Miami reacende debate sobre segurança nas pistas de aeroportos

Um avião cargueiro operado para a Amazon Air saiu da pista durante o pouso no Aeroporto Internacional de Miami, nos Estados Unidos, na tarde do último domingo (6). A aeronave atingiu veículos que estavam nas proximidades, pegou fogo e deixou cinco pessoas mortas e outras cinco feridas. O acidente mobilizou equipes de emergência e provocou a interrupção temporária das operações no aeroporto, um dos mais movimentados da região.

A aeronave, um Boeing 767-300, havia partido de San Juan, em Porto Rico, com destino a Miami. Segundo a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), o pouso ocorreu por volta das 14h, mas o avião não conseguiu parar dentro da área pavimentada da pista. Dados do Flightradar24 indicam que a aeronave estava a aproximadamente 210 km/h quando deixou a área utilizável da pista.

Até o momento, as autoridades não determinaram o que provocou a saída de pista. Informações preliminares analisadas pela CNN indicam que não houve declaração de emergência por parte da tripulação antes do pouso.

Vítimas estavam em terra e dentro de veículos

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas. Três dos feridos foram encaminhados em estado grave para um centro especializado em trauma, enquanto os demais receberam atendimento em um hospital da região. Equipes de resgate também precisaram retirar pessoas que ficaram presas nos veículos atingidos pela aeronave.

A aeronave atingiu dois veículos, incluindo uma van Ford 2012 que transportava sete trabalhadores da Professional Ocean Service Corporation, uma empresa contratada de limpeza para companhias aéreas, além de um SUV Toyota.

A van estava dentro do aeroporto, e o pequeno SUV que o jato também atingiu estava do lado de fora. Os dois pilotos foram retirados da aeronave e receberam atendimento médico. O estado de saúde deles não havia sido divulgado.

Investigação vai analisar aeronave, pista e condições meteorológicas

A investigação ficará sob responsabilidade da FAA e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB). Investigadores das duas instituições foram mobilizados para apurar as circunstâncias do acidente. Entre os fatores que devem ser examinados estão as condições da aeronave, atuação da tripulação, infraestrutura aeroportuária e condições meteorológicas no momento do pouso.

Uma análise preliminar também apontou uma mudança na direção do vento pouco antes da aterrissagem. Segundo especialista ouvido pela CNN, rajadas de até 26 nós podem ter provocado um componente de vento de cauda, situação que pode aumentar a velocidade da aeronave em relação ao solo e dificultar a frenagem. Ainda não é possível afirmar, contudo, que as condições do vento tenham sido determinantes para o acidente.

Aeroporto de Miami teve mais de 450 voos afetados

O acidente ocorreu durante o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, período de intenso movimento nos aeroportos. A ocorrência provocou uma paralisação das operações em solo por aproximadamente três horas. Até a noite de domingo, mais de 450 voos haviam sido cancelados ou atrasados, segundo dados do FlightAware.

Outro ponto que poderá entrar na análise das autoridades é a ausência, no aeroporto de Miami, do Engineered Materials Arresting System (EMAS), sistema instalado ao final de determinadas pistas para ajudar a conter aeronaves que ultrapassam a área de pouso. O mecanismo utiliza materiais compressíveis capazes de reduzir a velocidade de um avião em uma saída de pista.

Especialistas consultados pela CNN questionaram a ausência do sistema em um aeroporto de grande movimentação e cercado por vias, edifícios e outras estruturas.

Avião era operado pela 21 Air

A Amazon confirmou que a aeronave envolvida no acidente era operada pela 21 Air, empresa especializada em transporte aéreo de cargas com sede na Carolina do Norte.

A companhia mantém uma estrutura operacional em Miami e presta serviços para empresas como Amazon e DHL. De acordo com informações da Cirium citadas na reportagem, a empresa opera oito Boeing 767 destinados à Amazon Air. Tanto a Amazon quanto a 21 Air afirmaram que irão colaborar com as investigações.

A aeronave envolvida fazia parte da operação logística da Amazon Air, braço aéreo utilizado pela gigante do comércio eletrônico para transportar encomendas. A empresa opera diariamente mais de 250 voos e conta com uma frota superior a 100 aeronaves, incluindo modelos Boeing 737 e 767 e Airbus A330.

A estrutura aérea é utilizada para transportar diferentes tipos de mercadorias, desde encomendas convencionais até produtos perecíveis e cargas que exigem condições específicas de transporte.

Saída de pista é um dos principais riscos da aviação

As saídas de pista, conhecidas internacionalmente como runway excursions, estão entre os eventos de segurança mais recorrentes na aviação mundial. Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) apontam esse tipo de ocorrência como o principal incidente envolvendo aeronaves em todo o mundo.

As causas podem envolver diferentes fatores, como condições meteorológicas, problemas técnicos, condições da pista, velocidade, frenagem e procedimentos operacionais. A investigação do acidente em Miami deverá determinar quais desses elementos contribuíram para a ocorrência.

Fonte: CNN, com informações de autoridades norte-americanas e agências de segurança aérea.

Imagem: AFP/Divulgação

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