Agronegócio

China acelera compras de soja dos EUA diante de risco de safra menor e preços mais altos

A China aumentou o ritmo de compras de soja dos Estados Unidos em meio às preocupações com o potencial da nova safra norte-americana e à possibilidade de preços mais elevados nos próximos meses.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta sexta-feira (21) uma venda de 1,432 milhão de toneladas de soja da safra 2026/27. Desse total, 712 mil toneladas foram destinadas à China, enquanto outras 720 mil toneladas tiveram como destino países não divulgados — volume que o mercado considera que também possa ter como destino os chineses.

China já responde por quase metade das vendas

A nova operação reforça o avanço da demanda pela soja norte-americana. Segundo levantamento da Agrinvest Commodities, o relatório semanal divulgado na quinta-feira apontava 11,86 milhões de toneladas já comprometidas da safra 2026/27.

Com os negócios anunciados posteriormente, o volume indicado de vendas chega a 13,58 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 30% das 45,18 milhões de toneladas que o USDA estima que os Estados Unidos exportarão no ciclo.

Desse total, 6,54 milhões de toneladas têm a China como destino, o equivalente a 48% das vendas já contabilizadas.

A Agrinvest também destaca que outras 870 mil toneladas atualmente registradas como “destinos desconhecidos” ainda podem ser atribuídas a compradores específicos ao longo do ano comercial.

Vendas americanas ganham ritmo

De acordo com a consultoria, os dados oficiais de 13 de agosto já mostravam que o programa de exportação dos Estados Unidos estava acima dos níveis registrados nas três temporadas anteriores, ficando atrás somente de 2022/23.

Os anúncios mais recentes ampliaram essa diferença e reforçaram a percepção de aceleração da demanda internacional pela soja dos EUA.

Somente nesta semana, além da venda anunciada nesta sexta-feira, o USDA havia informado negócios de 136 mil toneladas na terça-feira (18) e de outras 150 mil toneladas para destinos não revelados na quinta-feira (20).

Compras ocorrem antes de possível alta em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o anúncio do USDA ajudou a limitar as perdas durante o pregão desta sexta-feira, mas não foi suficiente para impedir a realização de lucros após uma semana de fortes altas.

Por volta das 13h50, no horário de Brasília, o contrato de novembro era negociado a US$ 12,34 por bushel, enquanto o vencimento de março de 2027 estava em US$ 12,54.

As cotações ganharam força ao longo da semana após os dados do Pro Farmer Crop Tour indicarem problemas relevantes em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos. Os resultados levantaram dúvidas sobre o potencial produtivo da nova safra e aumentaram as expectativas de possíveis revisões nas estimativas de produção, produtividade e estoques pelo USDA.

Clima nos EUA aumenta preocupação com oferta

O cenário de clima adverso nos Estados Unidos é acompanhado de perto pelo mercado, principalmente diante da possibilidade de uma produção abaixo das expectativas iniciais.

A perspectiva de menor oferta potencial ocorre justamente em um momento de fortalecimento da demanda chinesa. A China, maior importadora mundial de commodities agrícolas, vem ampliando as compras de soja americana enquanto busca garantir matéria-prima para a produção de ração.

Até meados de agosto, os dados oficiais indicavam que os chineses já haviam comprado quase 6 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos.

A operação de 712 mil toneladas anunciada nesta sexta-feira representa o maior volume de compra diária da temporada, em um movimento que ocorre antes do encontro previsto para setembro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

Produtores americanos acompanham reação do mercado

A movimentação dos compradores chineses também é observada pelos produtores dos Estados Unidos. Lee Brooke, presidente do conselho da Associação de Soja de Iowa, afirmou à Bloomberg que os agricultores vêm buscando demanda em mercados menores enquanto a China também recorre a outros fornecedores.

Para o produtor Brian Nilson, do Nebraska, um dos estados atingidos por condições climáticas adversas, o cenário evidencia o dilema entre produção agrícola e preços da soja.

Na avaliação do produtor, preços mais elevados normalmente aparecem quando há problemas na produção, criando um equilíbrio delicado para quem depende da atividade agrícola.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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