Portos

Fertilizantes terão prioridade no desembarque no Porto de Santos e em portos do Brasil

Os fertilizantes importados destinados à safra 2026/2027 deverão receber tratamento prioritário no desembarque em portos públicos brasileiros. A medida foi aprovada pela Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos) por meio da Resolução nº 3, de 12 de agosto de 2026.

A recomendação orienta as Autoridades Portuárias a adotarem procedimentos para facilitar a atracação e o desembarque de fertilizantes minerais e outros insumos agrícolas necessários ao abastecimento da próxima safra.

Medida busca garantir abastecimento da safra 2026/2027

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a iniciativa foi construída em conjunto com outros órgãos do Governo Federal e tem como objetivo aumentar a fluidez na movimentação portuária dos insumos.

A decisão ocorre diante de riscos identificados no cenário internacional, que podem afetar o fluxo de fertilizantes agrícolas utilizados na produção brasileira.

A medida tem impacto especialmente sobre cargas de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, além de produtos que fornecem macro e micronutrientes essenciais para as lavouras.

Crise geopolítica aumenta preocupação com fertilizantes

A recomendação da Conaportos foi baseada em avaliação técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O órgão apontou possíveis riscos para a regularidade do abastecimento nacional em razão das tensões geopolíticas e dos obstáculos enfrentados pela logística internacional.

O cenário aumenta a necessidade de garantir que os insumos para a agricultura cheguem ao país com maior previsibilidade, principalmente durante o período de preparação para a safra 2026/2027.

Prioridade não altera fiscalização das cargas

Apesar da prioridade operacional, a resolução não prevê qualquer flexibilização dos procedimentos de controle aplicados aos produtos importados.

Os fertilizantes importados continuarão sujeitos às exigências sanitárias, fitossanitárias, aduaneiras e de qualidade previstas na legislação.

A recomendação tem caráter emergencial e busca apenas agilizar a movimentação portuária, permitindo que as cargas tenham preferência na atracação e no desembarque.

Portos terão fluxo monitorado durante seis meses

O desempenho da medida será acompanhado de forma conjunta pelas autoridades responsáveis. Serão monitorados os fluxos de cargas e o tempo de permanência dos produtos nos portos.

As informações deverão ser encaminhadas mensalmente à Secretaria Nacional de Portos, do MPor. O acompanhamento servirá para verificar os resultados da iniciativa e orientar possíveis mudanças durante sua aplicação.

A resolução terá validade de seis meses a partir da publicação e poderá ser prorrogada ou revisada conforme a evolução do cenário e as necessidades de abastecimento do mercado brasileiro.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Agricultura

Brasil intensifica negociações para garantir fertilizantes e proteger a safra 2026/2027

O governo federal iniciou uma força-tarefa para assegurar o fornecimento de fertilizantes destinados à safra 2026/2027. Coordenada pela Casa Civil, a iniciativa envolve um comitê de crise e negociações diplomáticas com Rússia, China e Marrocos, principais fornecedores do insumo ao mercado brasileiro.

O objetivo é garantir o abastecimento de matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes fosfatados, mesmo que as aquisições ocorram pelos preços praticados no mercado internacional.

Dependência de importações preocupa o governo

A mobilização ocorre em meio ao cenário de instabilidade no mercado global e à elevada dependência brasileira de fornecedores externos.

Em 2025, o país consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 45,5 milhões foram importadas. As compras no exterior movimentaram US$ 14,5 bilhões e responderam por cerca de 92% da demanda nacional. No ano anterior, essa participação chegou a 97%.

Outro fator de preocupação é o ritmo das aquisições para a próxima temporada agrícola. Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apenas entre 40% e 45% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/2027 foram negociados até o momento.

Escassez de insumos pressiona a cadeia produtiva

Representantes da indústria alertaram o governo sobre a redução da oferta de fertilizantes fosfatados e de matérias-primas essenciais, como enxofre e ácido sulfúrico.

O Brasil depende quase totalmente da importação de enxofre, e as dificuldades de abastecimento já provocaram redução e até interrupção de atividades em unidades responsáveis pelo processamento desses insumos.

Nas tratativas internacionais, o governo avalia a capacidade de fornecimento dos países parceiros e estuda a assinatura de memorandos de entendimento para garantir suprimento em situações emergenciais.

Rússia, China e Marrocos estão no centro das negociações

Cada um dos principais parceiros comerciais apresenta características distintas para atender à demanda brasileira.

A Rússia segue com capacidade de produção, apesar dos impactos causados pela guerra sobre parte de suas instalações industriais.

O Marrocos também dispõe de potencial para ampliar o fornecimento, mas um projeto para formação de estoque estratégico em território brasileiro ainda depende da emissão de licença ambiental.

Já a China mantém negociações com o Brasil envolvendo questões tarifárias e é apontada por especialistas como a alternativa mais promissora para ampliar o abastecimento no curto prazo.

Segundo Bruno Fonseca, do Rabobank, a expectativa de um El Niño mais intenso tende a elevar a demanda por fertilizantes, enquanto as restrições financeiras enfrentadas pelos produtores podem limitar novas compras.

Produção nacional não acompanha crescimento da demanda

De acordo com a CNA, a vulnerabilidade brasileira decorre da diferença entre o avanço do consumo e a estagnação da produção doméstica.

Entre 2015 e 2025, as entregas de fertilizantes cresceram 63%, enquanto as importações avançaram 130%. No mesmo período, a produção nacional permaneceu praticamente estável, variando entre 7,2 milhões e 9,1 milhões de toneladas.

Em 2025, China, Rússia, Canadá, Marrocos e Egito responderam, juntos, por 69% das importações brasileiras de fertilizantes.

A dependência varia conforme o nutriente:

  • Potássio: 98%;
  • Nitrogênio: 93%;
  • Fósforo: 57%.

Entre eles, o potássio é considerado o principal ponto de vulnerabilidade por reunir elevada dependência externa e grande participação no consumo agrícola.

Crise do enxofre afeta produção brasileira

Mesmo dispondo de reservas de rocha fosfática em Minas Gerais e Goiás e da entrada em operação, em 2024, do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, da EuroChem, com capacidade para produzir 1 milhão de toneladas anuais de fertilizantes fosfatados, o setor enfrentou novos obstáculos em 2026.

A Mosaic encerrou definitivamente as operações em Araxá e Patrocínio e suspendeu temporariamente as atividades nas unidades de Tapira e Catalão em razão da crise global no mercado de enxofre, cujo preço acumulou alta superior a 1.100%.

Segundo a CNA, esse aumento foi provocado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, gargalos logísticos, redução da produção em países fornecedores e pela maior procura do insumo pelas indústrias de baterias para veículos elétricos e pelo setor industrial asiático.

Entidade defende medidas para reduzir dependência externa

Para diminuir a vulnerabilidade do país, a CNA propõe um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da produção nacional.

Entre as principais medidas estão a aprovação do projeto de lei Profert, o fortalecimento do Confert com a meta de atender 50% da demanda nacional até 2030, a criação de linhas de financiamento para armazenagem de fertilizantes, o incentivo ao uso de bioinsumos e a ampliação das pesquisas sobre fixação biológica de nitrogênio.

Na avaliação da entidade, ampliar a segurança no abastecimento de fertilizantes é uma estratégia essencial para preservar a competitividade do agronegócio brasileiro e garantir a segurança alimentar nos próximos anos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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