Agronegócio

Plano Nacional de Logística 2050 reforça urgência do agronegócio por infraestrutura no Brasil

Com a produção agrícola batendo recordes, o agronegócio brasileiro pressiona por melhorias em infraestrutura e transporte. O desafio vai além da porteira: garantir escoamento rápido e eficiente até os portos é essencial para manter a competitividade. Em Cuiabá, especialistas, autoridades e representantes do setor se reuniram nesta segunda-feira (29) para discutir o Plano Nacional de Logística 2050 e lançar um painel sobre a realidade do Centro-Oeste, região que concentra quase metade da produção agropecuária do país.

Protagonismo do agro no Centro-Oeste

O Mato Grosso liderou exportações de soja, milho, algodão e carne bovina em 2024. Já Goiás consolidou-se como o segundo maior produtor nacional de soja, com destaque também para milho e proteína animal. Mato Grosso do Sul, por sua vez, fortaleceu sua presença na indústria de celulose, especialmente no polo de Três Lagoas.

O crescimento da produção exige rodovias e ferrovias integradas, lembrou Pedro Sales, presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Ele defendeu maior participação do governo federal em investimentos estratégicos.

Estradas e trilhos: gargalo do escoamento

De acordo com o Plano, 80% das exportações agrícolas dependem de rotas como BR-163, BR-364, BR-158 e da Malha Norte Ferroviária. Só pelo Porto de Santos, em 2024, passaram mais de 27 milhões de toneladas de grãos vindos do Centro-Oeste.

Cleiton Gauer, superintendente do Imea, destacou que no Mato Grosso a produção agrícola sempre avançou antes da infraestrutura, forçando a abertura de estradas e a chegada de ferrovias e hidrovias. Já um levantamento da CNT mostrou que 31% das rodovias mato-grossenses estavam em estado ruim ou péssimo em 2024; em Goiás, o índice chegou a 68%.

Nos trilhos, a lentidão preocupa: a Malha Norte transportou mais de 40 milhões de toneladas no ano passado, mas com velocidade média de apenas 22 km/h, muito abaixo de padrões internacionais. Projetos como a Fico, a Ferrovia Estadual de Mato Grosso e a Bioceânica aparecem como alternativas para reduzir o frete e diversificar rotas.

Licenciamento ambiental trava obras

A burocracia ambiental foi outro ponto de debate. Pedro Sales, da Goinfra, criticou a demora em processos de licenciamento federal, que chegam a levar décadas. Para Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, o excesso de normas — mais de 105 mil atualmente — prejudica a segurança jurídica e atrasa investimentos.

O secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo Oliveira, reforçou que o “gargalo ambiental eleva o custo Brasil”. Já Lilian de Alencar Pinto Campos, da INFRA S.A., defendeu que as novas regras de licenciamento conciliem preservação ambiental e avanço logístico.

Perspectivas até 2050

Apesar das dificuldades, o Plano Nacional de Logística projeta investimentos em corredores estratégicos, ferrovias, duplicações de rodovias e a rota Bioceânica. Para Lilian Campos, os próximos quatro anos já devem entregar avanços que facilitarão o escoamento de cargas e passageiros na região.

Para o presidente da Fenatc, Paulo Lustosa, se o país superar os gargalos logísticos, terá um futuro promissor no comércio internacional.
“Se resolvermos o problema da logística, o Brasil é imbatível no mundo”, afirmou.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGENS: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Logística

“Deve haver esforço para a solução das rodovias em SC”

Ao encerrar sua gestão à frente da Fiesc, o ex-presidente Mario Cezar de Aguiar destacou, em entrevista exclusiva ao Grupo ND, o legado de sete anos de trabalho voltado à modernização da indústria catarinense e ao fortalecimento da instituição. Segundo ele, a federação se posicionou ativamente
em questões estratégicas para o desenvolvimento do Estado, conduzindo projetos e diretrizes que beneficiaram tanto as indústrias quanto a sociedade.

Foram anos que o senhor trouxe uma reformulação do conceito industrial em Santa Catarina e, em especial, da Fiesc. O senhor sai satisfeito dessa etapa?
Eu acho que saio satisfeito sim. Nós traçamos algumas diretrizes, tínhamos os nossos projetos e conseguimos, ao longo de 7 anos, fazer uma entrega importante para as indústrias catarinenses e para a sociedade catarinense. O fato é que nós sempre nos posicionamos nas questões que afetavam o desenvolvimento do Estado catarinense. A Flesc sempre se posicionou, opinou institucionalmente, conduziu as suas posições no sentido de dar um encaminhamento para que o Estado pudesse ser esse Estado de referência que é. Eu acho que entregamos um bom mandato.

A gente tem também um investimento, talvez recorde ou histórico para a Fiesc, que
foi R$1,5 bilhão em diversas ações. O que representa esse investimento para uma instituição que, como o senhor falou, passou ase posicionar dentro da sociedade, seja no campo administrativo, público, político, mas sempre de uma opinião muito forte e muito assertiva?

Eu tenho sempre dito que a indústria de Santa Catarina é a mais diversificada do Brasil e está distribuída ao longo de todo o território nacional. Isso nos obriga, como federação, a dar atendimento às indústrias que estão localizadas em todo o Estado. Isso demanda investimentos muito elevados. Nós fomos atrás de recursos. À Federação das Indústrias Catarinense é a segunda federação do Brasil de indústria que tem
o maior orçamento. Isso nos possibilitou fazer esse investimento recorde de mais de R$ 1,5 bilhão. Nós construímos várias unidades escolares, meIhoramos os nossos ambientes, os nossos laboratórios. Fizemos investimentos que realmente vão trazer resultados muito positivos, não só para indústria, mas para a sociedade catarinense. Quando eu formo um bom aluno no ensino médio, e essa é a proposta do
Sesi, quando eu formo um bom profissional no Senai, eessaé a
Proposta do Senai para qualificar as pessoas para a indústria, eu estou colaborando com o desenvolvimento da indústria.

O senhor tocou num assunto emblemático que é a Fiesc ter opinião posicionada. Isso foi
fundamental para que a Fiesc também ganhasse mais notoriedade e respeito de gestores públicos ao fazer apontamentos, ao defender projetos de leis lá na Alesc. Isso mudou também a visão dos políticos, dos gestores públicos com a Fiesc e a Fiesc também com esses grupos?

Se nós somos a entidade que representa o setor mais importante da economia de
Santa Catarina, porque a indústria catarinense é o setor que mais emprega, que mais paga impostos, então nós temos que nos posicionar. Nós temos que defender aquilo que atende à nossa indústria, mas que também atende à sociedade catarinense. Porque você não pode desenvolver uma boa indústria num ambiente que não é favorável agora. Quando nós nos envolvemos, por exemplo, nas discussões da melhoria da infraestrutura aqui do Estado, principalmente a infraestrutura rodoviária, nós estamos, evidentemente, melhorando a competitividade da indústria, mas nós estamos dando uma condição de vida melhor para o catarinense.

A Fiesc tem trabalhado também o conceito de transporte ferroviário. O senhor trouxe essa discussão em alguns momentos. O governo do Estado abraçou a causa com muita vontade junto com os Estados do Sul. O governo federal já sinaliza uma ampliação. A Fiesc é uma personagem fundamental mesas discussões também?
A Fiesc sempre defendeu todos os modais. Mas eu acredito que, pela condição topográfica do nosso território catarinense, que é um território muito acidentado, a implantação de ferrovias em Santa Catarina é muito mais cara do que, por exemplo, no Mato Grosso, em São Paulo. Somos favoráveis a rodovias, evidentemente, mas sabemos da restrição fiscal que passa o país. As concessões de ferrovias são de 90 a 100 anos, porque os investimentos são muito fortes. Mas nós defendemos, assim, que deve haver uma concentração e muito esforço na solução das rodovias. Não é simplesmente fazer duplicação da 282, por exemplo. É fazer uma rodovia de padrão internacional, com viaturas, com túneis. Se Santa Catarina é o quarto Estado do Brasil que mais recursos envia para Brasília, é justo que Santa Catarina reivindique rodovias de primeiro mundo.

Sobre portos e mercado externo, nesse ano conversamos sobre os desafios da ameaça do tarifaço dos EUA com a indústria e com os produtores de Santa Catarina. A Fiesc conseguiu se posicionar bem, embora não tenha como não. sentir os impactos e enfrentar esse primeiro momento de crise, e embora também “os percentuais dessa segunda etapa sejam muito mais altos do que as ameaças da primeira?
Quando surgiu o tarifaço estávamos até numa posição confortável, nós tínhamos a menor taxa, de 10%. Mas depois, por uma série de razões, foi elevado para 50%. E nós fomos a primeira Federação das Indústrias que teve audiência com o vice-presidente Alckmin, que é o interlocutor do Brasil na questão do tarifário. Fomos ao ministro Alckmin colocar a nossa posição, depois de discutir com os industriais e nós solicitamos que o governo brasileiro solicitasse uma prorrogação da aplicação da tarifa de 50%. E também que o Brasil não fizesse a retaliação. Nós, infelizmente, somos o elo fraco dessa relação comercial e não podemos retaliar, essa é a pior situação. Alguns setores vão sofrer bastante com essa aplicação de tarifas.

O senhor já foi sondado, inclusive, como possível pré-candidato e sinalizou que não tem muito interesse nesse primeiro momento. Mas também é cotado para assumir uma missão junto ao governo Jorginho Mello. Existe a possibilidade de o senhor continuar contribuindo com o Estado, embora se posicione em voltar a cuidar dos seus projetos pessoais?
Eu tive uma dedicação bastante intensa à Fiesc. Eu não tirei férias nesse período, agora programei algumas viagens. Eu realmente tive convite do governador, tenho muita identidade com o governador Jorginho, estou disposto a ajudá-lo, mas também tenho que verificar meus compromissos que já estavam assumidos antes do convite. Tem algumas viagens já programadas com a minha família, mas no momento oportuno vou conversar com o governador.

Fonte: FIESC

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Aeroportos, Logística, Portos

Logística brasileira avança, mas ainda enfrenta desafios estruturais

Santa Catarina se consolida como hub estratégico e o Logistique Summit debate o futuro do setor

A logística brasileira desempenha um papel estratégico no desenvolvimento econômico do país e na sua integração ao mercado global. Desde a construção das primeiras rodovias e ferrovias até a adoção de tecnologias avançadas nos centros de distribuição e portos, o setor tem buscado se modernizar para lidar com uma demanda crescente, cada vez mais complexa, e manter-se competitivo.

O Brasil conta com uma das maiores malhas rodoviárias do mundo, com mais de 1,7 milhão de quilômetros de estradas — sendo apenas 12,3% pavimentada. Esse modal ainda é responsável por cerca de 60% do transporte de cargas no país. No entanto, especialistas apontam a necessidade urgente de diversificação e maior integração entre os diversos modais de transporte.

A malha ferroviária ainda está muito aquém do ideal, enquanto portos e aeroportos ganham protagonismo. O Brasil opera mais de 36 portos públicos e terminais privados, que juntos movimentam cerca de 1,1 bilhão de toneladas de cargas por ano. Investimentos recentes em automação, ampliação de terminais e melhorias operacionais têm impulsionado a competitividade brasileira no comércio internacional.

Já o transporte aéreo representa apenas 1% do volume total de cargas, mas é responsável por 10% do valor das mercadorias transportadas, especialmente em segmentos de alto valor agregado. Com mais de 100 aeroportos com operações regulares de carga, o país vem ampliando sua conectividade com os principais mercados globais.

Desafios persistem

Apesar dos avanços, os desafios persistem. A precariedade da malha rodoviária, especialmente em regiões remotas, continua elevando os custos logísticos — que hoje representam cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse índice é superior ao observado em países desenvolvidos, comprometendo a competitividade das empresas nacionais.

Além disso, a burocracia e a lentidão nos processos aduaneiros dificultam tanto o fluxo interno quanto as operações de importação e exportação. A falta de integração entre os modais também gera gargalos operacionais e perdas econômicas. Para especialistas, o futuro da logística no Brasil passa por investimentos sustentados em infraestrutura, ampliação do transporte ferroviário e hidroviário, digitalização de processos e incentivos à intermodalidade. A eficiência logística é considerada peça-chave para a redução de custos, aumento da produtividade e conquista de novos mercados.

“Um estado com infraestrutura logística eficiente atrai investimentos, reduz os custos operacionais das empresas, melhora a competitividade de seus produtos e impulsiona setores como indústria, agronegócio, comércio e serviços. A logística também é vetor de geração de empregos, inovação tecnológica e desenvolvimento regional”, destaca o CEO da Logistique 2025, Leonardo Rinaldi.

Rumos da logística em debate

Nesse contexto, o Logistique Summit assume papel determinante nas discussões sobre o futuro da logística brasileira. O evento ocorre em paralelo à Logistique 2025, de 12 a 14 de agosto, no Expocentro Júlio Tedesco, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Consolidada como uma das principais feiras e congressos do setor no país, a Logistique reúne grandes nomes para debater também comércio exterior, relações internacionais, macroeconomia e geopolítica. O Summit já tem confirmadas as presenças de importantes nomes do mercado, entre eles, o ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Marcos Troyjo.

“Mais do que uma feira, a Logistique é uma plataforma de articulação entre o poder público, a iniciativa privada, a inovação e o conhecimento técnico. Reúne os principais players da cadeia logística para debater soluções, apresentar tecnologias, formar parcerias e criar oportunidades reais de negócios”, acrescenta Rinaldi.

Estado de excelência

O fato do evento ser realizado em Santa Catarina, um dos estados mais produtivos do Brasil, também reforça seu papel catalisador no avanço da logística nacional de forma mais integrada e eficiente. Com crescimento de 12% em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor logístico catarinense vive um momento de expansão e consolidação. O Estado se destaca não apenas por sua localização estratégica — que facilita a conexão com os principais mercados nacionais e internacionais —, mas também por sua capacidade de inovação e investimentos contínuos em infraestrutura e tecnologia.

Em 2024, Santa Catarina movimentou mais de US$ 11,6 bilhões em exportações e US$ 33,7 bilhões em importações, consolidando-se como o segundo maior importador do país. A modernização dos portos e aeroportos, somada ao bom desempenho da indústria — que cresceu 6,3% até setembro, segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) —, reforça o papel do estado como um dos principais hubs logísticos do Brasil.

O crescimento da produção industrial, puxado por setores como metalurgia, alimentos e tecnologia, eleva ainda mais a demanda por soluções logísticas eficientes. Cidades como Joinville, Itajaí e Chapecó atraem investimentos produtivos; enquanto polos como Balneário Camboriú, Blumenau e novamente Joinville vivem um varejo aquecido, ampliando a necessidade por transporte e armazenagem qualificados.

A combinação entre localização estratégica, infraestrutura moderna, base industrial diversificada e capacidade de adaptação às demandas globais posiciona Santa Catarina como referência nacional em logística.

SAIBA MAIS EM: https://logistique.com.br/ 

TEXTO E IMAGEM: ASSESSORIA DE IMPRENSA LOGISTIQUE

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Comércio Exterior, Economia, Logística, Mercado Internacional, Networking, Vendas

FUTURO LOGÍSTICO SERÁ DISCUTIDO POR ENTIDADES REPRESENTATIVAS DE SANTA CATARINA

As entidades representativas de Santa Catarina estão sendo convidadas pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF) para discutir o futuro dos equipamentos de logística do estado. A proposta envolve a realização de um workshop sobre ferrovias e formação de grupos de trabalho para discutir soluções para os portos e aeroportos.

O primeiro convite já foi formalizado à Facisc, durante participação do secretário Beto Martins, do adjunto, Robison Coelho, e de equipe técnica da SPAF, em reunião da diretoria. O gestor da pasta ouviu relatos sobre a Ferrooeste, projeto que conecta Santa Catarina e Paraná, sobre o canal de acesso à Baía da Babitonga, envolvendo a operação dos Portos de São Francisco do Sul e Itapoá, e sobre o Aeroporto de Navegantes, que discute a construção de uma segunda pista.

Quer Saber Mais….
Futuro logístico será discutido com entidades representativas de Santa Catarina – Portal de Notícias (estado.sc.gov.br)

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