Indústria

Máquinas antigas e juros altos pressionam a produtividade da indústria brasileira

A combinação de máquinas envelhecidas, juros elevados e dificuldades de acesso a investimentos ajuda a explicar um dos principais entraves da indústria brasileira: a baixa produtividade. Enquanto grandes empresas conseguem incorporar tecnologias avançadas, uma parcela significativa das fábricas ainda opera com equipamentos próximos do fim de sua vida útil.

Na unidade da ABB Robotics em Sorocaba, no interior de São Paulo, entre dez e 15 robôs industriais usados chegam todos os meses. Muitos passaram anos trabalhando em linhas de montagem de veículos, realizando tarefas como soldagem, pintura e movimentação de componentes.

Os equipamentos são desmontados, atualizados e submetidos a testes antes de voltar ao mercado. Um robô reformado pode custar entre 40% e 60% do valor de um modelo novo e, depois da recuperação, costuma ser vendido para indústrias de máquinas, alimentos, plásticos e autopeças.

Esse mercado de equipamentos recondicionados revela um problema mais amplo: o envelhecimento do parque industrial brasileiro.

Indústria brasileira opera com máquinas cada vez mais antigas

As máquinas utilizadas pela indústria nacional têm, em média, 14 anos. De acordo com uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 38% dos equipamentos já atingiram ou estão próximos da idade considerada adequada para o fim de seu ciclo de vida pelo fabricante.

Para Rafael Cagnin, economista-chefe e diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), o cenário mostra o limite ao qual parte das empresas chegou para manter equipamentos antigos em operação.

Máquinas envelhecidas tendem a apresentar mais falhas e consumir mais energia. Além disso, os recursos destinados à manutenção deixam de ser utilizados na renovação das linhas de produção.

Nesse contexto, o retrofit industrial, que consiste na modernização de equipamentos existentes, aparece como alternativa para empresas que querem avançar na automação industrial sem assumir o custo integral de uma máquina nova.

Baixa produtividade é um problema histórico

A dificuldade para disseminar tecnologia entre empresas de diferentes portes contribui para um problema que acompanha a economia brasileira há décadas: a baixa produtividade do trabalho.

Em 2025, cada hora trabalhada no Brasil gerou, em média, US$ 21,2, considerando dólares de 2021 ajustados pela paridade do poder de compra, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O resultado correspondia a 26% da produtividade registrada nos Estados Unidos e a 62% da observada no Chile. O indicador considera não apenas as máquinas disponíveis, mas também fatores como organização da produção, qualificação dos trabalhadores e infraestrutura.

O cenário ganha importância diante do envelhecimento da população brasileira. O chamado bônus demográfico, que respondeu por aproximadamente 70% do crescimento médio do PIB per capita nos anos 1990, já deixou de impulsionar a economia.

Com uma população economicamente ativa crescendo mais lentamente, o aumento da renda dependerá cada vez mais da capacidade de produzir mais a cada hora trabalhada.

Brasil ainda utiliza poucos robôs industriais

Apesar da presença de fornecedores internacionais de tecnologia e de linhas públicas de financiamento, o Brasil continua com uma densidade relativamente baixa de robôs industriais.

O país não aparece entre os dez maiores mercados de novas instalações de robôs no levantamento mais recente da Federação Internacional de Robótica (IFR).

Em 2024, a média mundial chegou a 132 robôs em funcionamento para cada 10 mil trabalhadores da indústria manufatureira. A Coreia do Sul, líder do indicador, registrava 1.220. No México, cuja indústria automobilística está fortemente integrada às cadeias produtivas dos Estados Unidos, eram 62.

No Brasil, segundo dados da IFR citados por Adrian Covi, gerente da área de Indústrias Gerais da ABB Robotics para a América do Sul, havia 19 robôs para cada 10 mil trabalhadores. Na indústria automotiva, a proporção chegava a 139, enquanto nos demais segmentos industriais era de apenas 13.

A ABB também realiza avaliações nas fábricas para identificar processos nos quais a robotização poderia trazer ganhos iniciais de eficiência.

Grandes empresas avançam, mas tecnologia não se espalha de forma uniforme

Rafael Cagnin, do IEDI, define o cenário brasileiro como uma situação de “heterogeneidade estrutural”. O conceito descreve a convivência entre empresas altamente tecnológicas e uma grande parcela do setor produtivo que permanece defasada.

Empresas como Embraer e WEG, por exemplo, conseguem competir internacionalmente utilizando tecnologias avançadas. Ao redor delas, porém, existe uma extensa cadeia de fornecedores menores, muitas vezes mais dependentes do mercado interno e com acesso limitado ao crédito.

Essa diferença de condições ajuda a explicar por que a modernização tecnológica não ocorre no mesmo ritmo em todos os segmentos da indústria brasileira.

Juros altos dificultam investimento em máquinas

A decisão de substituir uma máquina envolve também uma comparação financeira. Para uma empresa com recursos disponíveis, investir em equipamentos significa assumir riscos e esperar anos pelo retorno.

Em um ambiente de juros altos, entretanto, aplicações financeiras de menor risco podem oferecer uma alternativa mais atraente para o capital.

Em setembro, a taxa Selic estava em 13,75% ao ano, enquanto o IPCA acumulava alta de 4,22% em 12 meses. O juro real retrospectivo ficava, portanto, próximo de 9,5%.

Na prática, um projeto de expansão ou modernização industrial precisa apresentar retorno superior ao custo de oportunidade do dinheiro para se tornar financeiramente interessante.

O problema afeta principalmente pequenas e médias indústrias. Grandes grupos têm mais facilidade para emitir dívida ou captar recursos no exterior, enquanto empresas menores dependem do crédito bancário doméstico ou do próprio caixa.

Quando as vendas diminuem ou o custo do financiamento aumenta, a tendência é postergar a compra de novos equipamentos.

Investimento em automação pode aliviar falta de mão de obra

O baixo investimento em automação industrial também interfere na capacidade de aumentar a produção por trabalhador.

À medida que a mão de obra se torna mais escassa e os salários avançam, o investimento em tecnologia pode permitir que as empresas produzam mais sem depender proporcionalmente do aumento do número de trabalhadores.

Para Cagnin, esse mecanismo é fundamental para elevar a produtividade da indústria. O obstáculo, segundo o economista, é que o elevado custo do investimento dificulta justamente essa transição.

Impostos também entram na conta da modernização

O custo da automação brasileira não é determinado apenas pelos juros. A política de importação de máquinas e equipamentos também influencia o preço final.

A unidade da ABB Robotics em Sorocaba ocupa cerca de 4 mil metros quadrados e concentra atividades como treinamento, manutenção, montagem e testes de células robotizadas. A fabricação dos braços robóticos, porém, ocorre em outras unidades da empresa.

A ABB possui fábricas de robôs na China, nos Estados Unidos e na Suécia. No mercado brasileiro, os equipamentos são principalmente importados da China. Já componentes como garras, ferramentas e sistemas de visão podem ser desenvolvidos pela engenharia local e produzidos por fornecedores brasileiros.

Em fevereiro, o governo elevou para 20% o Imposto de Importação aplicado a um conjunto de máquinas e equipamentos, incluindo braços robóticos. A reação do setor levou a mudanças ainda naquele mês: o imposto voltou a zero para mais de cem produtos e retornou ao nível anterior para outros 15.

As alterações na tributação aumentam a incerteza para as empresas que precisam calcular o prazo de retorno de investimentos em células robotizadas e outras tecnologias de automação.

China ganha espaço no mercado de máquinas e robôs

A importância da China no fornecimento de equipamentos industriais também aparece nos números globais.

Em 2024, foram instalados 542 mil robôs industriais em todo o mundo, dos quais 295 mil na China, segundo a IFR. O país asiático respondeu por 54% das novas instalações e seus fabricantes conquistaram 57% do próprio mercado.

No primeiro bimestre de 2026, a China representou 36,2% das importações brasileiras de máquinas e equipamentos. Estados Unidos, Alemanha e Itália, juntos, responderam por 29,8%, de acordo com levantamento da Abimaq.

Um exemplo está na fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia. Cerca de 200 robôs de pintura utilizados no projeto foram fornecidos pela ABB na China. No Brasil, ficaram a instalação dos equipamentos e aproximadamente US$ 1 milhão em serviços e mão de obra.

Pela metodologia da IFR, esses robôs entram nas estatísticas de instalações realizadas no mercado brasileiro, embora tenham sido fabricados na China. O dado, portanto, registra a modernização da unidade industrial, mas não significa que a fabricação dos equipamentos tenha ocorrido no país.

Robôs usados podem levar tecnologia a empresas menores

Existe ainda outro caminho para a disseminação da automação: a revenda de equipamentos usados.

Os robôs que chegam à unidade da ABB em Sorocaba são recuperados e podem deixar o setor automotivo, onde a densidade de equipamentos é maior, para atender segmentos industriais com menor nível de robotização.

Essa circulação de máquinas reformadas pode ampliar o acesso à tecnologia industrial entre empresas que não têm capital suficiente para comprar equipamentos novos.

O desafio para o Brasil é fazer com que a modernização ultrapasse as grandes fábricas e alcance uma parcela maior do parque produtivo. Em um cenário de envelhecimento populacional, o ritmo desse processo terá impacto direto sobre quanto a economia conseguirá produzir a cada hora de trabalho.

O avanço da produtividade industrial, portanto, dependerá da capacidade de superar simultaneamente obstáculos como máquinas antigas, crédito caro, tributação e desigualdade no acesso à tecnologia. São questões que estarão entre os desafios econômicos enfrentados pelo próximo governo, independentemente de quem vencer as eleições.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniela Arbex

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Tecnologia

Xiaomi Robot: robô humanoide fará estreia oficial em Pequim

A Xiaomi confirmou que o Xiaomi Robot, seu robô humanoide, terá a primeira apresentação pública oficial durante a Conferência Mundial de Robótica de 2026, em Pequim. A informação foi divulgada por Lu Weibing, presidente da companhia, durante uma teleconferência sobre os resultados da empresa realizada na terça-feira (18).

O evento ocorre entre 19 e 23 de agosto e será a oportunidade para a fabricante demonstrar o funcionamento do robô humanoide da Xiaomi em condições próximas às aplicações do mundo real.

Xiaomi Robot mira o ambiente industrial

A estratégia inicial da Xiaomi é utilizar o robô em fábricas inteligentes, especialmente em atividades manuais e repetitivas. A expectativa é empregar a tecnologia para elevar a produtividade e a precisão de tarefas realizadas nas linhas de produção.

Com aproximadamente 1,7 metro de altura, o Xiaomi Robot foi desenvolvido em tamanho semelhante ao de um ser humano. A proposta é criar uma plataforma com maior capacidade de adaptação, tanto no aspecto físico quanto nos sistemas de inteligência artificial responsáveis por controlar seus movimentos.

A empresa pretende, dessa forma, permitir que o humanoide seja utilizado em diferentes ambientes e execute uma variedade maior de tarefas.

Robô atingiu 98% de sucesso em testes

O desempenho do Xiaomi Robot já foi avaliado em uma fábrica de automóveis da própria companhia. Durante um período de quatro meses de testes, descrito como uma espécie de estágio, o humanoide apresentou evolução significativa na instalação de porcas.

A taxa de sucesso da tarefa passou de 90,2% para 98%, segundo os resultados divulgados pela Xiaomi.

O robô também conseguiu trabalhar com peças flexíveis e componentes utilizados no acabamento interno dos veículos. Em períodos prolongados de operação, o equipamento manteve cerca de 90% de eficiência.

Os resultados indicam que a companhia pretende desenvolver o humanoide para atividades industriais que exigem repetição, precisão e funcionamento contínuo.

Xiaomi quer integrar robô a carros e casas inteligentes

Apesar do foco inicial na indústria automotiva, o projeto não deve ficar restrito às fábricas.

Lu Weibing afirmou que o Xiaomi Robot fará parte do conceito de “pessoas, carros e casa”, estratégia que busca conectar diferentes produtos e serviços do ecossistema da empresa.

No futuro, a tecnologia dos robôs humanoides poderá ser integrada a veículos autônomos e sistemas de automação residencial. A ideia é criar uma rede de dispositivos capazes de interagir e prestar assistência de maneira conectada.

Preço do Xiaomi Robot ainda não foi revelado

A Xiaomi ainda não informou quanto deverá custar uma versão comercial do Xiaomi Robot. Diante da complexidade tecnológica envolvida no desenvolvimento do humanoide, a expectativa é de que o preço possa ficar na faixa de dezenas de milhares de yuans.

A chegada de uma versão destinada ao uso doméstico, porém, pode levar mais tempo.

Neste primeiro momento, a estratégia da Xiaomi indica uma prioridade para o uso industrial de robôs humanoides, permitindo que a companhia avance no desenvolvimento e na aplicação da tecnologia antes de ampliar sua utilização para o cotidiano dos consumidores.

FONTE: Tudo Celular
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tudo Celular

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Comércio Exterior

Comércio exterior da China cresce 19,2% em julho e exportações de alta tecnologia avançam

O comércio exterior da China registrou forte expansão em julho, com crescimento de 19,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

O valor combinado das importações e exportações chinesas chegou a 4,66 trilhões de yuans no mês, equivalente a aproximadamente US$ 686,26 bilhões. Com o resultado, o comércio externo de bens permaneceu acima da marca de 4 trilhões de yuans pelo quinto mês consecutivo.

Exportações e importações aceleram

As exportações da China avançaram 17,8% em julho em relação ao mesmo período do ano anterior.

As importações apresentaram crescimento ainda mais expressivo, de 21,2%, indicando uma expansão simultânea dos fluxos de entrada e saída de mercadorias.

O desempenho reforça a força do comércio exterior chinês em um momento de crescente demanda por produtos industriais e tecnológicos.

Comércio exterior supera 30 trilhões de yuans

No acumulado dos primeiros sete meses do ano, o comércio de bens da China movimentou 30,13 trilhões de yuans.

O montante representa aumento de 17,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, mantendo a trajetória de expansão das atividades comerciais do país.

Os números incluem tanto as vendas externas quanto as compras realizadas pela China no mercado internacional.

Produtos de alta tecnologia ganham destaque

Um dos principais destaques do resultado de julho foi o avanço das exportações de produtos de alta tecnologia.

As vendas externas de itens como robôs industriais e impressoras 3D cresceram mais de 50% na comparação anual.

O ritmo foi superior ao registrado no primeiro semestre, quando as exportações desses produtos haviam avançado 39%.

O desempenho evidencia a crescente participação de tecnologias avançadas e produtos industriais de maior valor agregado na pauta de exportações chinesas.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua

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Logística, Tecnologia

China lidera revolução logística com porto 100% automatizado e movido a energia limpa

O porto inteligente de Tianjin, na China, marca um avanço histórico ao se tornar o primeiro porto do mundo totalmente automatizado e abastecido por energia limpa. A estrutura representa um marco na logística global, combinando tecnologia de ponta, eficiência energética e sustentabilidade ambiental.

Operando com guindastes autônomos, veículos automatizados e sistemas inteligentes integrados ao satélite Beidou, o porto realiza todas as operações de carga e descarga sem intervenção humana direta. Todo o processo é alimentado por fontes renováveis, reforçando o compromisso chinês com a redução de emissões e a modernização do setor marítimo.

Eficiência, segurança e sustentabilidade em um só modelo

A iniciativa eleva os padrões internacionais de eficiência logística e segurança portuária, tornando-se referência para infraestruturas marítimas sustentáveis em todo o mundo. Especialistas classificam o porto de Tianjin como um modelo global que une automação, inteligência artificial e energia limpa em larga escala.

China amplia liderança tecnológica e desafia o Ocidente

De acordo com análises do setor, a China é responsável por 80% da produção mundial de robôs industriais, ultrapassando Estados Unidos, Alemanha e Japão em densidade robótica por trabalhador. Esse domínio reforça a posição do país como líder na automação portuária e na indústria 4.0.

Especialistas alertam que, sem investimentos robustos em inovação, IA e infraestrutura, o Ocidente pode se tornar dependente da tecnologia chinesa, não apenas em produtos, mas também em processos produtivos estratégicos.

O futuro dos portos: autônomos e sustentáveis

A transição para portos autônomos e 100% verdes é vista como o modelo produtivo do futuro, oferecendo tanto riscos quanto oportunidades para outras economias. Investir em automação, energia renovável e tecnologia inteligente será essencial para garantir competitividade, eficiência operacional e segurança global nas próximas décadas.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGENS: Reprodução/Jornal Portuário
VÍDEO: @pixnewsms

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