Tecnologia

Robôs humanoides: por que os EUA enfrentam dificuldades para produzir máquinas próprias

Os robôs humanoides se tornaram uma nova frente da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Washington busca ampliar a produção doméstica dessas máquinas, mas enfrenta um obstáculo central: boa parte da cadeia global de fornecedores está concentrada em território chinês.

Teddy Haggerty conhece esse cenário de perto. Desde 2022, ele atuou como principal distribuidor na América do Norte da Unitree Robotics, uma das empresas chinesas de destaque no segmento de robótica humanoide. A experiência mostrou a ele a diferença de escala e custos entre os dois países.

“Na China, essas coisas já andam pelas ruas”, afirmou Haggerty, destacando a experiência acumulada pelos fabricantes chineses.

Agora, aos 30 anos, ele tenta mudar esse cenário a partir de um galpão em Long Island, nos arredores de Nova York. À frente da Robo Inc., Haggerty busca desenvolver uma operação capaz de fabricar e adaptar humanoides dentro dos Estados Unidos.

Cadeia chinesa é o principal obstáculo

A Robo Inc. pretende combinar componentes importados com peças produzidas internamente. O problema é que a cadeia global de suprimentos para robôs está fortemente concentrada na China.

Para Haggerty, eliminar completamente componentes chineses encareceria significativamente os produtos. Baterias e estruturas de alumínio, por exemplo, já são fabricadas em larga escala e com custos competitivos no país asiático.

Em sua oficina, uma pequena equipe de engenheiros trabalha na adaptação de robôs humanoides e quadrúpedes para aplicações em armazéns e unidades de saúde. O espaço reúne peças sobressalentes, incluindo cabeças e mãos robóticas, enquanto os profissionais desenvolvem componentes específicos para cada utilização.

A experiência reforçou a percepção de que construir uma cadeia de fornecimento totalmente independente da China é um dos maiores desafios para a indústria americana.

Robótica entra na disputa tecnológica entre EUA e China

A competição pelos robôs com inteligência artificial acompanha uma rivalidade tecnológica mais ampla entre Washington e Pequim, que já envolve semicondutores e sistemas de IA.

Os humanoides são vistos por parte da indústria como uma possível etapa seguinte da inteligência artificial: sistemas capazes não apenas de processar informações, mas também de executar tarefas físicas em ambientes humanos.

As expectativas para a tecnologia são amplas. No futuro, esses equipamentos poderiam ser utilizados em atividades como limpeza doméstica, acompanhamento de pacientes, mineração e operações em instalações químicas.

Ao mesmo tempo, a utilização de robôs nesses ambientes levanta questões de segurança e privacidade. Máquinas presentes em residências, hospitais e locais de trabalho poderiam ter acesso a grandes quantidades de informações sobre pessoas e operações.

EUA restringem entrada de novos robôs estrangeiros

A disputa ganhou um novo capítulo com uma decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC). A agência anunciou a proibição da importação de novos modelos de robôs humanoides produzidos no exterior por razões relacionadas à segurança nacional.

Embora a medida não tenha citado especificamente a China, o impacto potencial sobre fabricantes chineses é significativo, já que grande parte dos humanoides atualmente disponíveis no mercado internacional é produzida por empresas do país.

A restrição, porém, não resolve o principal problema enfrentado pelos fabricantes americanos: a dificuldade de construir uma base industrial competitiva.

Para Sunny Cheung, pesquisador da Jamestown Foundation, seria necessário combinar apoio financeiro e respaldo político para que empresas americanas consigam disputar espaço com os fabricantes chineses.

Produção americana ainda está em pequena escala

A indústria de humanoides nos Estados Unidos permanece em uma fase inicial. Estimativas indicam que as principais empresas americanas produziram apenas algumas centenas de unidades no ano passado.

Grande parte desses equipamentos ainda está em projetos-piloto, principalmente em fábricas e centros de distribuição. O mercado de consumo também não foi consolidado.

A diferença de escala é significativa. Unitree e Agibot, duas fabricantes chinesas, produziram juntas aproximadamente 10 mil robôs.

Startups e investidores americanos avaliam que reproduzir nos Estados Unidos o custo da estrutura produtiva chinesa é extremamente difícil. Além da mão de obra mais cara, a indústria depende de fornecedores chineses para matérias-primas e componentes essenciais.

Veículos elétricos ajudaram a criar vantagem chinesa

A liderança chinesa em robótica industrial e humanoide está ligada, em parte, ao desenvolvimento da indústria de veículos elétricos.

Durante anos, o país criou uma cadeia de produção integrada capaz de fabricar uma ampla variedade de componentes, desde elementos básicos até baterias de íons de lítio. Muitas dessas empresas passaram a fornecer peças também para fabricantes de robôs.

O resultado é uma rede de fornecedores capaz de entregar componentes rapidamente.

Brad Porter, CEO da empresa de robótica Cobot e ex-executivo da Amazon, resume a diferença pela disponibilidade de peças: enquanto uma empresa instalada na China pode conseguir determinado componente rapidamente, um fabricante americano pode precisar esperar vários dias.

Porter também cita a automação utilizada pela Amazon como exemplo do avanço da robótica nos Estados Unidos. Entretanto, ressalta que os sistemas empregados pela companhia não são humanoides.

Segundo ele, em muitas operações industriais, pernas não oferecem uma vantagem prática em relação a máquinas projetadas especificamente para uma determinada tarefa.

Afinal, para que servem os robôs humanoides?

A utilidade dos robôs humanoides ainda é uma questão em aberto. Mesmo integrantes do setor reconhecem que trabalhadores humanos continuam mais eficientes em determinadas situações complexas e imprevisíveis.

Os robôs enfrentam dificuldades especialmente quando precisam interpretar ambientes dinâmicos e tomar decisões em tempo real.

Embora fabricantes chineses tenham conquistado grande visibilidade, ainda não surgiu uma aplicação capaz de transformar de maneira ampla o mercado.

Modelos da Unitree, por exemplo, ganharam projeção internacional em apresentações coreografadas na televisão chinesa e até em eventos ligados ao Super Bowl. Essas demonstrações, porém, normalmente envolvem movimentos previamente programados.

O desafio mais complexo é desenvolver máquinas capazes de perceber o ambiente, raciocinar e agir de forma autônoma diante de situações inesperadas.

China também domina a robótica industrial

A vantagem chinesa não se limita aos humanoides. O país também possui uma enorme base instalada de robôs industriais.

Dados da Federação Internacional de Robótica indicam que mais de 2 milhões de robôs estavam em operação nas fábricas chinesas em 2024. Somente naquele ano, cerca de 300 mil novas unidades foram instaladas no país — volume superior ao registrado no restante do mundo somado.

Essa infraestrutura ajuda a explicar por que a China parte de uma posição privilegiada na corrida pela próxima geração de automação.

Para os Estados Unidos, portanto, o desafio vai muito além de desenvolver um robô funcional. O país precisa construir uma cadeia de fornecedores, ampliar a produção em escala e reduzir custos em um mercado no qual a indústria chinesa de robótica acumulou anos de investimentos, experiência e capacidade industrial.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Robôs humanoides da Chery chegam ao Brasil com inteligência artificial para atendimento em concessionárias

A Chery prepara a estreia de sua divisão de robótica no mercado brasileiro. A AiMOGA Robotics, braço tecnológico da fabricante chinesa, deve iniciar as operações no país no último trimestre deste ano, trazendo robôs humanoides e cães-robôs equipados com inteligência artificial (IA) para ampliar a experiência de atendimento ao público.

A empresa já recebeu a homologação da Anatel, permitindo a comercialização dos modelos Mornine e Argos no Brasil. Os dispositivos são os primeiros da categoria a obter autorização para venda no mercado nacional.

Mornine é voltado para atendimento em concessionárias

Entre os destaques está o Mornine, um robô humanoide desenvolvido para atuar em concessionárias da marca. O equipamento mede 1,68 metro de altura, pesa cerca de 70 quilos e utiliza inteligência artificial baseada em modelos de linguagem de grande escala (LLMs) para interagir com os clientes.

O robô realiza atendimento por voz por meio de conexão em nuvem, apresenta informações sobre os veículos da montadora, caminha, dança e conta com certificação europeia de cibersegurança.

Cão-robô Argos funciona sem internet

Outro equipamento que chega ao país é o Argos, um cão-robô criado para atividades de entretenimento e interação com o público.

Diferentemente do humanoide, o dispositivo opera de forma autônoma, sem depender de conexão com a internet, e é capaz de executar comandos como:

  • Dar a pata;
  • Sentar;
  • Deitar.

Assim como o Mornine, o Argos possui autonomia aproximada de duas horas de funcionamento e também utiliza recursos de IA para tornar as interações mais naturais.

Estratégia amplia atuação da Chery além do setor automotivo

Com a chegada dos robôs ao Brasil, a Chery pretende expandir sua atuação para além da fabricação de veículos, investindo em soluções tecnológicas voltadas ao atendimento inteligente e multilíngue.

A iniciativa faz parte da estratégia da empresa para integrar robótica, inteligência artificial e mobilidade, oferecendo novas experiências aos consumidores nas concessionárias e ampliando seu ecossistema tecnológico.

FONTE: Tudo Celular
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tudo Celular

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Robôs humanoides chineses brilham no Ano Novo Lunar e destacam avanço da robótica

As celebrações do Ano Novo Lunar na China ganharam um reforço tecnológico neste ano: um espetáculo protagonizado por robôs humanoides chineses chamou a atenção do público ao unir tradição cultural e inovação. As máquinas foram o centro de um show que combinou tecnologia, entretenimento e cultura, encantando espectadores com movimentos sincronizados e interações ao vivo.

Coreografias sincronizadas e interação com o público

Desenvolvidos por empresas de tecnologia do país, os robôs humanoides executaram coreografias complexas com alto grau de precisão. A performance evidenciou os avanços recentes em robótica e inteligência artificial, áreas que recebem investimentos contínuos da China.

Centenas de unidades participaram da apresentação, demonstrando capacidade de reproduzir gestos e movimentos humanos de forma coordenada. O espetáculo integrou a programação oficial das festividades, tradicionalmente acompanhadas por milhões de pessoas dentro e fora do país.

Tecnologia como vitrine nacional

O evento também funcionou como plataforma para destacar o crescimento do setor de automação e de tecnologias emergentes na China. Ao inserir os robôs em uma celebração de grande visibilidade, o país reforça sua estratégia de posicionamento como referência global em inovação.

Especialistas avaliam que iniciativas desse tipo ajudam a aproximar a população da robótica aplicada, mostrando possibilidades que vão além do entretenimento.

Aplicações futuras e integração entre tradição e modernidade

Além do impacto visual, o uso de robôs humanoides em um evento cultural reforça o potencial dessas tecnologias para atuação em diferentes áreas, como serviços, indústria, educação e atividades culturais.

A apresentação simboliza a fusão entre herança cultural e modernidade tecnológica, característica marcante das comemorações do Ano Novo Lunar, que todos os anos servem de palco para novidades e tendências.

FONTE: Portal Marcos Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Marcos Santos

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Robôs humanoides em fábrica de aço nos EUA marcam avanço da automação industrial

A entrada de robôs humanoides na indústria do aço nos Estados Unidos inaugura uma nova fase da automação industrial e reacende o debate sobre o futuro do trabalho nas fábricas. Um programa piloto firmado no estado da Louisiana levará essas máquinas para o chão de fábrica, com foco em manufatura avançada, inteligência artificial incorporada e transformação da força de trabalho.

Acordo leva humanoides para fábrica na Louisiana

A empresa de robótica Persona AI assinou um Memorando de Entendimento com o Estado da Louisiana para iniciar testes com robôs humanoides na unidade da SSE Steel Fabrication, localizada na paróquia de St. Bernard. A iniciativa prevê a atuação das máquinas em um ambiente real de produção de aço, ao lado de trabalhadores humanos.

O projeto conta com o apoio da Louisiana Innovation, braço da Louisiana Economic Development, e da Greater New Orleans Inc., com o objetivo de posicionar o estado como referência em manufatura avançada com IA.

Testes no chão de fábrica e coleta de dados

Durante o programa piloto, os robôs humanoides serão avaliados em operações industriais pesadas, permitindo analisar como percebem o ambiente, se deslocam e executam tarefas em conjunto com pessoas. A proposta é coletar dados operacionais reais, ampliando o uso dessas tecnologias para além de ambientes controlados de laboratório.

Para Josh Fleig, diretor de Inovação da Louisiana Economic Development, o projeto representa um exemplo de inovação aplicada, capaz de gerar referências práticas para o desenvolvimento de tecnologias industriais de próxima geração.

Movimento global e investimentos no setor

O uso de robôs humanoides na indústria acompanha uma tendência global. A Persona AI recebeu recentemente um investimento de US$ 3 milhões da sul-coreana POSCO DX, sinalizando o interesse crescente do setor siderúrgico e industrial nessas soluções.

Outras empresas também avançam nesse caminho. A Hyundai, por exemplo, já implementou iniciativas semelhantes em fábricas nos Estados Unidos e apresentou um robô humanoide na CES 2026, movimento que gerou críticas de sindicatos preocupados com possíveis impactos sobre empregos.

Tecnologia pensada para ambientes humanos

Diferentemente dos robôs industriais tradicionais, os humanoides da Persona AI são projetados para atuar em espaços feitos para pessoas. Eles utilizam ferramentas comuns, caminham em terrenos irregulares e se adaptam a mudanças constantes no ambiente, características que ampliam sua aplicação em indústrias pesadas, como a siderurgia.

Segundo Justin Airhart, diretor de operações da SSE Steel Fabrication, a parceria permite testar tecnologias emergentes diretamente no chão de fábrica, com foco em segurança, produtividade e sustentabilidade da força de trabalho.

Trabalhos 4D e próximos passos do projeto

A Persona AI desenvolve seus robôs para os chamados empregos 4D — tarefas monótonas, perigosas, em declínio e sujas. A proposta é um modelo colaborativo, no qual as máquinas assumem atividades manuais repetitivas, enquanto os humanos se concentram em funções de maior valor agregado.

Nesta fase, o programa piloto irá treinar robôs humanoides soldadores para aplicações em fabricação industrial e construção naval. Autoridades estaduais e regionais veem a iniciativa como o primeiro passo para ampliar o uso da robótica humanoide na Louisiana, com novas informações previstas à medida que o projeto evoluir.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Robôs com inteligência artificial reforçam fiscalização de trânsito na China

Tecnologia transforma o policiamento urbano em cidades chinesas
Cidades da China começaram a testar robôs humanoides com inteligência artificial em atividades de orientação de pedestres e fiscalização de trânsito, em uma iniciativa que sinaliza mudanças no modelo de policiamento urbano. A experiência foi divulgada pela agência estatal Xinhua, que apelidou os novos equipamentos de “Robocop do trânsito”.

Robô humanoide atua em cruzamentos movimentados
Na cidade de Wuhu, na província de Anhui, um robô identificado como Intelligent Police Unit R001 já opera em cruzamentos de grande fluxo. Equipado com câmeras de alta resolução, sensores e sistemas de reconhecimento visual baseados em IA, o humanoide consegue identificar infrações cometidas por pedestres, ciclistas e veículos não motorizados. O equipamento emite alertas sonoros e realiza gestos sincronizados com os semáforos, auxiliando na organização do tráfego.

IA permite monitoramento autônomo e em tempo real
Com o uso de algoritmos avançados de processamento de dados, o robô realiza a identificação automática de infrações, pode se deslocar para diferentes pontos da cidade, detectar estacionamentos irregulares e acompanhar o trânsito em tempo real. O sistema foi desenvolvido pela empresa AiMOGA Robotics e utiliza os chamados large models, capazes de analisar grandes volumes de dados visuais de forma contínua.

Segundo a fabricante, a tecnologia foi projetada para operar 24 horas por dia, sem interrupções, ampliando a capacidade de vigilância urbana.

Cães-robôs e plataformas autônomas ampliam os testes
Além dos humanoides, cidades como Chengdu e Hangzhou também testam cães-robôs e plataformas sobre rodas. Esses dispositivos são utilizados em patrulhamento, monitoramento remoto e apoio logístico, especialmente em áreas de difícil acesso. As máquinas conseguem transmitir imagens ao vivo e executar tarefas de forma autônoma ou supervisionada.

Estratégia nacional aposta na “inteligência incorporada”
A adoção dessas tecnologias faz parte da estratégia chinesa de desenvolvimento da chamada inteligência incorporada, que integra inteligência artificial, robótica e sistemas físicos. Projeções do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Conselho de Estado da China indicam que o mercado do setor pode alcançar 400 bilhões de yuans até 2030 e ultrapassar 1 trilhão de yuans até 2035.

Debate sobre privacidade e limites da automação
Especialistas destacam que, apesar dos ganhos em eficiência operacional e coleta de dados, o uso de robôs na segurança pública levanta discussões sobre privacidade, governança de dados e os limites da automação no policiamento. Por enquanto, as autoridades chinesas afirmam que os robôs atuam como ferramentas de apoio, sem substituir policiais humanos.

A tendência aponta para um cenário em que algoritmos, sensores e robôs devem dividir cada vez mais espaço com agentes fardados nas ruas, redefinindo o futuro do controle urbano.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Divulgação

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Tecnologia

Vendas de robôs humanoides disparam 480% e consolidam a China como líder global

Mercado de robôs humanoides cresce em ritmo acelerado
As vendas globais de robôs humanoides registraram um avanço expressivo em 2025. De acordo com levantamento da consultoria Omdia, as remessas quase quintuplicaram em relação ao ano anterior, superando a marca de 13 mil unidades enviadas. Apesar do salto de quase 480%, o segmento ainda representa uma fatia reduzida dentro do amplo mercado de tecnologia.

O dado que mais chama atenção é a forte concentração desse crescimento em um único país: a China.

China domina produção e escala global
A indústria chinesa respondeu pela maior parte dos robôs humanoides comercializados no período. Empresas do país ocuparam seis das dez primeiras posições no ranking mundial, enquanto concorrentes dos Estados Unidos tiveram participação limitada em volume.

Gigantes e startups chinesas se beneficiaram de uma combinação de escala industrial, rapidez na comercialização e apoio estratégico, fatores que vêm ampliando a distância em relação a outros mercados.

AgiBot e Unitree lideram envios globais
A liderança ficou com a AgiBot, startup sediada em Xangai, que enviou 5.168 unidades em 2025, o equivalente a cerca de 38% do mercado global. Em seguida aparece a Unitree Robotics, de Hangzhou, com aproximadamente 4.200 robôs entregues, o que representa 32% de participação.

A terceira colocação foi ocupada pela UBTech Robotics, de Shenzhen, com cerca de mil unidades. Outras empresas chinesas, como Leju Robotics, Engine AI e Fourier Intelligence, completam o grupo de destaque e reforçam a vantagem competitiva do país.

Projeção aponta milhões de robôs até 2035
Segundo a Omdia, o crescimento atual é apenas o início. A consultoria projeta que as remessas anuais de robôs humanoides possam atingir 2,6 milhões de unidades até 2035, impulsionadas pela expansão industrial e pela redução de custos.

Analistas destacam que fornecedores chineses já estão estabelecendo novos padrões de produção em larga escala, com capacidade de envio de milhares de unidades em períodos curtos.

Desempenho modesto das empresas americanas
Enquanto a China avança rapidamente, empresas dos Estados Unidos ainda operam em volumes reduzidos. A Tesla, por exemplo, enviou cerca de 150 unidades do seu robô humanoide, o que representa aproximadamente 1% do mercado global. Figure AI e Agility Robotics registraram números semelhantes.

A diferença reflete não apenas o estágio de desenvolvimento, mas também o ambiente industrial e regulatório de cada país.

Política industrial e IA impulsionam vantagem chinesa
Especialistas apontam que a liderança chinesa está ligada a políticas públicas favoráveis, investimentos estatais e privados e uma infraestrutura industrial preparada para escalar rapidamente. A chamada inteligência incorporada, área da inteligência artificial aplicada a sistemas físicos, foi classificada pelo governo chinês como estratégica.

Esse enquadramento acelerou pesquisas, atraiu capital e estimulou a produção comercial em larga escala.

Preço competitivo amplia alcance dos fabricantes
Outro fator decisivo é o custo. A Unitree oferece modelos básicos de robôs humanoides por cerca de US$ 6 mil, enquanto a AgiBot comercializa versões simplificadas por aproximadamente US$ 14 mil. Em contraste, estimativas indicam que o Optimus, da Tesla, deve custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil, ainda sem produção massiva.

A diferença de preços favorece a adoção mais rápida dos modelos chineses, especialmente em aplicações industriais e comerciais.

Mercado ainda está em fase inicial
Apesar do crescimento acelerado, a Omdia ressalta que o mercado de robôs humanoides permanece em estágio inicial. Os volumes atuais ainda são modestos, o que reforça o potencial de expansão ao longo das próximas décadas, à medida que tecnologia, escala e demanda avancem.

FONTE: Tecnoblog
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tecnoblog

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China alerta para possível bolha na indústria de robôs humanoides

A China emitiu um alerta sobre a possibilidade de uma bolha econômica envolvendo a indústria de robôs humanoides, cenário semelhante ao que ameaça o setor de inteligência artificial (IA). O aviso partiu da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

Durante entrevista coletiva, a porta-voz Li Chao demonstrou preocupação com a rápida expansão desse mercado, considerado estratégico para o crescimento do país até o fim da década. Segundo ela, mais de 150 empresas já estão investindo na produção de robôs humanoides na China.

Oferta elevada e baixa adesão preocupam autoridades
Com tantas fabricantes entrando no segmento, o governo teme que o mercado seja inundado com modelos semelhantes, sem diferenciação relevante. A Comissão avalia que o excesso de oferta pode comprometer o avanço em pesquisa e desenvolvimento, reduzindo a inovação.

Apesar da grande variedade de máquinas disponíveis, a adesão do público ainda é baixa.
– Há robôs capazes de executar tarefas pesadas em fábricas, substituindo trabalhadores;
– Modelos domésticos tentam auxiliar em atividades do dia a dia;
– Mesmo assim, nenhuma categoria teve vendas expressivas, ficando abaixo das expectativas.

O contraste entre alta oferta e demanda limitada ocorre em um momento de crescente investimento no setor. O índice Solactive China Humanoid Robotics, que acompanha empresas chinesas do ramo, registrou alta de 26% em 2025. Para o próximo ano, o Citigroup prevê um crescimento “exponencial” na produção.

Uma bolha acontece quando o valor de determinado ativo — neste caso, robôs humanoides — cresce além do seu valor real, alimentado por especulação e otimismo excessivo. Quando estoura, pode gerar grandes perdas, como ocorreu em bolhas anteriores, a exemplo da bolha da internet e da bolha imobiliária.

China anuncia medidas para evitar o estouro da bolha
Para reduzir o risco de desequilíbrio, o governo chinês anunciou uma série de ações:
– Fortalecimento da infraestrutura de treinamento e testes;
– Aceleração do desenvolvimento de tecnologias essenciais;
– Criação de mecanismos mais claros de entrada e saída de mercado;
– Incentivo à consolidação e compartilhamento de recursos industriais;
– Promoção do uso real dos robôs humanoides em diversos setores.

As autoridades também relacionaram a preocupação com a situação da IA, apontando que o setor enfrenta risco semelhante devido ao ritmo acelerado de investimentos.

FONTE: Tec Mundo
TEXTO: Redação
IMAGEM: iLexx/Getty Images

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Robôs humanoides no trabalho: o que sobra para os humanos na era da automação

A presença de robôs humanoides nos ambientes corporativos deixou de ser ficção científica. Em 2025, máquinas com braços e pernas já começam a circular por fábricas e centros de distribuição, caminhando ainda de forma limitada — mas real. Empresas como Agility Robotics, Tesla e Figure apostam na produção em escala desses sistemas, transformando modelos antes vistos apenas como demonstrações futuristas em equipamentos de logística prontos para testes no mundo físico.

Humanoides avançam, mas ainda são frágeis
Apesar do avanço tecnológico, esses robôs continuam longe de alcançar a desenvoltura humana. Eles caem, travam e enfrentam dificuldades para executar tarefas simples, sobretudo fora de ambientes controlados. No universo real — imprevisível e cheio de variáveis — a tecnologia ainda está aprendendo a lidar com complexidade.
Mesmo com as limitações, 2025 marca uma virada simbólica: a discussão deixou de ser “quando teremos um robô funcional?” e passou a ser “quanto custa colocar dezenas deles trabalhando na operação?”. A automação humanoide começa a ser tratada como infraestrutura e não mais como espetáculo tecnológico.

Promessas e limites da automação humanoide
As expectativas permanecem amplas. Esses robôs devem assumir tarefas repetitivas, aumentar a segurança industrial, otimizar custos e liberar profissionais para atividades mais criativas e estratégicas. Porém, o ritmo da revolução robótica será mais progressivo do que os vídeos virais sugerem.
A transformação acontecerá gradualmente — um avanço por vez, alternado com tropeços inevitáveis, como qualquer inovação que tenta replicar a complexidade do corpo humano.

O impacto real no emprego
O debate sobre “robôs substituindo empregos” ganha uma nuance mais realista. Em vez de substituir profissionais de forma ampla, a tendência é que as máquinas ocupem funções pouco desejadas, marcadas por repetição e baixa complexidade. Para muitos setores, isso pode significar um ganho de produtividade e até uma melhoria nas condições de trabalho.

Enquanto isso, competências humanas — como improviso, empatia, criatividade, interpretação de contexto e capacidade de adaptação — continuam sendo diferenciais impossíveis de replicar no curto prazo. Inteligência emocional, por exemplo, permanece muito distante das habilidades robóticas.

2025: entre expectativas e realidade
Os humanoides ainda não dobram roupas, não preparam café e tampouco entendem ironia. Misturam avanços sólidos com demonstrações cuidadosamente coreografadas, típicas de vídeos promocionais. Sua presença no mercado está consolidada, mas a promessa de que dominarão todas as funções ainda está distante.

O verdadeiro desafio para o futuro
Quando a automação enfim assumir as funções mais repetitivas, uma pergunta central permanecerá: o que faremos com o tempo livre que surgirá? Responder a isso pode ser tão desafiador — e transformador — quanto construir robôs capazes de subir escadas sem tropeçar.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cemile Bingol/Getty Images

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China entrega primeira leva de robôs humanoides para trabalho 24h na indústria

A fabricante chinesa UBTECH realizou a primeira entrega em grande escala de seu robô humanoide voltado para manufatura, logística e inspeção industrial. O lote inaugural do modelo Walker S2 ganhou destaque internacional após a divulgação de um vídeo em que centenas de unidades aparecem marchando de forma sincronizada em Shenzhen.

Vídeo viral levanta dúvidas, mas empresa garante autenticidade
As imagens mostram fileiras de robôs alinhados, executando movimentos coordenados antes de seguirem até contêineres de transporte no galpão da empresa. A repercussão global incluiu questionamentos sobre possível manipulação digital — especulação mencionada pelo jornal britânico The Sun, que ouviu especialistas em efeitos visuais.
A UBTECH, porém, negou qualquer edição e divulgou novas fotos, com funcionários ao lado dos humanoides, para comprovar a veracidade do material.

Humanoides projetados para operação contínua
Desenvolvido para atuar 24 horas por dia, o Walker S2 foi apresentado como uma solução de automação capaz de substituir tarefas repetitivas e de alta demanda nas linhas industriais. Somente em 2025, a empresa já acumulou mais de US$ 112 milhões em pedidos, incluindo encomendas individuais superiores a US$ 35 milhões.
Segundo o The Sun, unidades já foram enviadas para grandes fabricantes chinesas, como BYD, Geely, FAW-Volkswagen, DongFeng e Foxconn. O avanço comercial impulsionou o valor das ações da UBTECH, que subiu mais de 150% na bolsa de Hong Kong.

Tecnologia de equilíbrio e autonomia avançada
Documentos técnicos da UBTECH detalham os recursos que permitem autonomia e estabilidade ao modelo. O Walker S2 possui bateria removível com sistema de troca rápida, sensores de pressão nos pés, algoritmos de equilíbrio em tempo real e capacidade de se deslocar com segurança por diferentes superfícies.
O robô conta ainda com módulos de inteligência artificial embarcada, permitindo executar movimentos de precisão, manuseio de objetos, inspeções e transporte interno em ambientes industriais.

Nova fase da automação industrial
A UBTECH apresenta o Walker S2 como parte da “próxima era da manufatura inteligente”, destacando sua integração direta às linhas produtivas e seu papel no avanço da automação nas fábricas chinesas.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/YouTube/UOL

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Robôs domésticos que lavam, passam e cozinham devem chegar ao mercado em 2026

O que antes parecia ficção científica está prestes a se tornar realidade. A partir de 2026, robôs humanoides capazes de limpar, passar roupas e até cozinhar devem começar a ser vendidos nos Estados Unidos, marcando uma nova fase na automação doméstica.

A novidade ganhou destaque com o lançamento do Neo, criado pela empresa de inteligência artificial 1X. Com 1,70 m de altura e 30 kg, o robô é o primeiro modelo “pronto para o consumidor” e pode executar tarefas cotidianas como abrir portas, guardar copos, dobrar roupas e regar plantas.

Apesar do visual impressionante e da promessa de praticidade, os robôs ainda apresentam limitações. São lentos, precisam de comandos repetidos e, em alguns casos, dependem de controle humano remoto.

Robô “autônomo” que depende de um operador

Embora seja divulgado como autônomo, o Neo é teleguiado por uma pessoa real, que utiliza óculos de realidade virtual para comandar seus movimentos à distância. Isso significa que alguém, em outro lugar dos Estados Unidos, controla as ações do robô dentro da casa do comprador.

O modelo está disponível por cerca de US$ 20 mil (R$ 106 mil). A tecnologia funciona melhor conforme o usuário compartilha mais informações pessoais — o que levanta discussões sobre privacidade e vigilância digital em troca de conveniência.

A corrida dos robôs humanoides

O Neo é apenas um dos vários projetos de robôs com aparência humana em desenvolvimento. Modelos como o Optimus, da Tesla, e o Figure 03, da startup Figure AI, também prometem revolucionar o mercado. A Microsoft, Jeff Bezos (Amazon) e a Nvidia estão entre os investidores da Figure AI.

Enquanto o Neo combina autonomia limitada e controle humano, o Optimus Gen 2 e o Figure 03 aprendem observando vídeos e demonstrações humanas, permitindo maior independência. A Tesla usa seus próprios robôs nas fábricas, e Elon Musk já exibiu o Optimus dançando e dobrando roupas.

O Figure 03, por sua vez, é equipado com o sistema Helix, considerado o “cérebro do robô”, e foi projetado para produção em massa, tanto para o setor industrial quanto doméstico. A previsão é que chegue às casas em 2026, com preço estimado entre US$ 20 mil e US$ 30 mil (R$ 106 mil a R$ 160 mil).

Japão, Europa e China também entram na disputa

O Japão foi pioneiro com o robô Asimo, da Honda, apresentado em 2000. Apesar de ter sido descontinuado, o país continua investindo em robótica aplicada à saúde e segurança.

Na Europa, os robôs colaborativos estão mais presentes em ambientes industriais, com uma abordagem cautelosa sobre o uso de humanoides e as implicações éticas da inteligência artificial.

Já a China aposta pesado na tecnologia. A empresa Xpeng apresentou recentemente o Iron de segunda geração, com aparência realista e foco inicial em aplicações industriais. O próprio fundador, He Xiaopeng, precisou provar publicamente que o robô não era controlado por uma pessoa, após causar espanto com seus movimentos naturais.

Bilionários apostam em um futuro dominado por robôs

O CEO da Xpeng afirmou acreditar que os robôs superarão a venda de carros nos próximos anos. Elon Musk compartilha da mesma visão: segundo ele, 80% do valor da Tesla virá dos robôs humanoides Optimus.

De acordo com a BBC News, um relatório do Morgan Stanley estima que a Apple poderá faturar US$ 133 bilhões anuais até 2040 se entrar nesse mercado. A “corrida dos robôs” já movimenta valores trilionários e promete redefinir o papel da IA no cotidiano.

Design e desempenho: o desafio da naturalidade

Além da tecnologia, as empresas apostam no design humanizado. O Neo é coberto por uma malha macia em tons neutros e foi descrito pelo CEO da 1X, Bernt Børnich, como “útil, ainda que imperfeito”.

Testes realizados pelo Wall Street Journal mostraram que o robô levou dois minutos para buscar uma garrafa de água e cinco minutos para colocar copos na lava-louças, evidenciando que ainda há muito a evoluir.

O Optimus tem aparência plástica e estrutura visível, enquanto o Figure 03 traz tecidos removíveis e laváveis, que podem ser personalizados conforme o gosto do dono.

Limites, segurança e o papel humano

Apesar dos avanços, nenhum robô é totalmente autônomo. O CEO da 1X garantiu que o Neo possui camadas de segurança e não executará ações perigosas, como pegar objetos quentes ou afiados.

O treinamento dessas máquinas também depende de pessoas. Na Índia, empresas contratam funcionários que passam horas realizando tarefas repetitivas — como dobrar toalhas centenas de vezes — para criar bancos de dados que alimentam o aprendizado dos robôs.

Segundo o Los Angeles Times, esses trabalhadores se tornaram “tutores” da nova geração de robôs com inteligência artificial, mostrando que, mesmo na era da automação, o toque humano ainda é indispensável.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/1X

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