Transporte

Maior navio elétrico a bateria do mundo cruza o oceano rumo à América do Sul

O maior navio elétrico a bateria do mundo deixou a Tasmânia, na Austrália, para uma viagem de aproximadamente 40 dias até a América do Sul. A embarcação será transportada sobre o convés do Black Marlin, um dos maiores navios de carga pesada em operação no mundo.

Conhecida durante o desenvolvimento como Casco 096, a balsa foi construída e submetida a testes pelo estaleiro australiano Incat Tasmania. O projeto, que inicialmente previa o uso de Gás Natural Liquefeito (GNL), mudou de direção em 2023, quando a operadora sul-americana Buquebus optou por uma propulsão totalmente baseada em baterias.

Como o navio elétrico será levado à América do Sul

O transporte do Casco 096 ficará a cargo do Black Marlin, embarcação especializada no deslocamento de cargas marítimas de grandes dimensões.

O navio chegou à Tasmânia no fim de julho, depois de enfrentar meses de atraso relacionados ao bloqueio no Estreito de Ormuz. Sua missão agora é levar a nova balsa elétrica até a região do Rio da Prata.

Para realizar operações desse tipo, o Black Marlin utiliza um sistema que permite submergir parcialmente o próprio casco. Com o convés abaixo da superfície, outra embarcação pode ser posicionada sobre a estrutura.

Após o carregamento, o navio de transporte volta a emergir, elevando a carga acima da linha d’água e permitindo que ela seja levada com segurança até o destino.

Viagem de 40 dias termina no Rio da Prata

O embarque do Casco 096 foi concluído na última semana, em uma operação considerada de alta complexidade para os padrões da indústria marítima da Tasmânia.

Com a carga devidamente posicionada, o Black Marlin iniciou a travessia de cerca de 40 dias até a América do Sul. Ao chegar ao destino, o casco será retirado do navio de transporte e passará pelas etapas finais antes de começar a operar comercialmente.

A previsão é que a embarcação seja preparada para atuar no Rio da Prata, conectando Buenos Aires, na Argentina, e Colonia, no Uruguai.

Projeto aposta no futuro das balsas elétricas

O desenvolvimento do Casco 096 representa um dos projetos mais importantes da história da Incat Tasmania. Para Robert Clifford, presidente da empresa, a conclusão da embarcação marca uma etapa relevante tanto para o estaleiro quanto para o avanço do transporte marítimo sustentável.

Segundo Clifford, o projeto exigiu um nível elevado de capacidade técnica, dedicação e inovação por parte da equipe responsável pela construção.

A chegada da embarcação à América do Sul também será uma oportunidade para demonstrar, em uma operação comercial, o potencial da tecnologia de baterias elétricas em larga escala aplicada ao transporte de passageiros por balsas.

Com a conclusão do Casco 096, a Incat Tasmania passa a concentrar seus esforços no desenvolvimento de seu programa de construção naval elétrica em alumínio, ampliando sua atuação em projetos voltados à eletrificação do transporte marítimo.

FONTE: Diário do Litoral
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação | Incat

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Informação

Maior barco elétrico do mundo começa viagem rumo à América do Sul

A América do Sul se prepara para receber o maior barco elétrico do mundo. O ferry China Zorrilla, da Buquebus, fará a ligação entre Buenos Aires e Colonia del Sacramento e já tem previsão para deixar o estaleiro na Tasmânia entre os dias 15 e 25 de março.

A informação foi confirmada por Pablo Francisco López, gerente da Buquebus Colonia, à Forbes Uruguay. A travessia até a América do Sul deve durar de 30 a 32 dias, com chegada estimada para o fim de abril.

Transporte especial e frete milionário

O deslocamento do ferry não será convencional. Para trazer a embarcação, foi contratado um navio do tipo heavy lift, especializado em transporte de cargas ultra pesadas. Existem apenas sete ou oito embarcações desse tipo em operação no mundo.

O custo do frete gira em torno de US$ 6 milhões, reflexo da complexidade logística envolvida na operação.

Tecnologia inédita e testes rigorosos

O China Zorrilla finalizou recentemente dois meses e meio de testes intensivos. Segundo López, a embarcação só foi liberada após atingir desempenho total.

O longo período de ensaios se deve às características técnicas do projeto. Os motores do ferry 100% elétrico não seguem padrões convencionais e o sistema de armazenamento de energia foi desenvolvido sob medida para operar em baixas temperaturas.

Diferentemente das baterias tradicionais de lítio, que podem perder até 30% da densidade energética em temperaturas inferiores a 7°C, o sistema instalado reduz essa perda para cerca de 2%. A solução foi pensada especificamente para as condições do Rio da Prata.

Projetado para águas rasas, o ferry possui calado de 2,75 metros, ligeiramente inferior ao do Silvia Ana, outra embarcação da companhia.

Investimento de US$ 200 milhões e alta capacidade

O projeto exigiu investimento de aproximadamente US$ 200 milhões. O presidente da Buquebus, Juan Carlos López Mena, já havia informado que o ferry terá capacidade para transportar 2.100 passageiros, 226 veículos e oferecerá 3.000 metros quadrados de área de lazer.

Em declarações anteriores, o executivo destacou que a decisão de investir em embarcações movidas a energia elétrica e gás liquefeito envolve riscos e depende do cenário econômico regional.

Consumo de energia e infraestrutura pronta

Para viabilizar a operação do barco elétrico, a empresa firmou um pré-acordo com a estatal uruguaia UTE sobre o fornecimento de energia.

Está em construção uma estrutura de aproximadamente nove quilômetros a partir do porto de Colonia, com cabeamento especial para suportar a demanda. A expectativa é de consumo elevado de eletricidade, com instalação de dois grandes acumuladores de 50 MW, um em Buenos Aires e outro em Colonia.

Segundo López, a infraestrutura em Colonia está praticamente concluída e os capitães já iniciaram treinamento. Após a chegada ao porto, o ferry deve levar cerca de seis dias para entrar em operação. A parte técnica estará pronta; restará apenas abastecer free shop e cafeterias.

Se o cronograma for mantido, o China Zorrilla deve iniciar as operações regulares na rota Buenos Aires–Colonia no início de maio de 2026.

Como funciona um navio heavy lift

O transporte do maior barco elétrico do mundo envolve engenharia especializada. Navios heavy lift são projetados para mover estruturas de grande porte, como plataformas de petróleo, módulos industriais e até outras embarcações.

O sistema funciona por meio de lastro: o navio transportador afunda parcialmente ao encher seus tanques com água; a carga flutua e é posicionada sobre o convés submerso; em seguida, a água é retirada e o navio retorna à superfície já com a estrutura apoiada.

Para a descarga, são necessárias profundidades superiores a 23 ou 24 metros. No Rio da Prata, uma das áreas avaliadas para a manobra fica próxima ao canal em frente a Nueva Palmira. O navio transportador pode ter calado entre 8 e 9 metros, além do peso adicional do ferry.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Incat

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