Internacional

Irã descobre 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás natural em Fars

O Irã anunciou a descoberta de mais de 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás natural na província de Fars, no sul do país. A informação foi divulgada no domingo (23) pelo ministro do Petróleo iraniano, Mohsen Paknejad.

Do total identificado, aproximadamente 5,7 trilhões de pés cúbicos são considerados recuperáveis, segundo o governo. O volume representa uma importante expansão das reservas de gás natural do Irã.

Descoberta equivale a anos de produção

Para dimensionar o tamanho da nova reserva, Paknejad comparou o volume recuperável à produção de uma das fases de South Pars, considerado o maior campo de gás natural do mundo.

De acordo com o ministro, os 5,7 trilhões de pés cúbicos recuperáveis correspondem a cerca de 15 anos de produção de uma das fases de South Pars.

A descoberta na província de Fars pode, portanto, ampliar a capacidade do país de atender à demanda interna e fortalecer sua posição entre os principais produtores globais de gás.

Gás doce pode reduzir custos de exploração

Outro fator destacado pelo ministro é a qualidade do recurso encontrado. O gás natural descoberto no Irã é classificado como gás doce, característica que tende a diminuir os custos relacionados ao desenvolvimento e à operação do campo.

A área também apresenta condensado de gás, um hidrocarboneto associado à produção de gás natural. Segundo Paknejad, esse recurso adicional pode representar a geração de bilhões de dólares em novas riquezas para a economia iraniana.

Irã quer acelerar desenvolvimento do campo

O governo iraniano pretende avançar rapidamente com os estudos, o planejamento e o desenvolvimento da nova área de produção.

A expectativa é colocar o campo em operação o quanto antes, permitindo que o gás natural seja direcionado principalmente para a indústria e para outros setores com alto consumo de energia.

A descoberta ocorre em um momento em que o Irã busca ampliar sua capacidade energética e aproveitar novas reservas para atender às necessidades do mercado doméstico.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo

Ler Mais
Comércio Exterior

Exportações de gás natural da Bolívia devem cair 30% em 2026, prevê YPFB

A estatal boliviana YPFB estima uma redução de 30% nas exportações de gás natural da Bolívia em 2026. O cenário reflete o avanço do declínio das reservas do país, que tem o Brasil como principal destino do combustível.

Segundo dados apresentados no relatório de prestação de contas divulgado pela companhia, a média prevista de exportação para este ano é de 9,11 milhões de metros cúbicos por dia. O volume considera contratos firmes e operações interruptíveis realizadas no mercado spot.

Além da retração nas vendas externas, a expectativa é de que o fluxo de gás argentino via Bolívia para o Brasil continue limitado em 2026.

Importação de gás argentino seguirá em baixa

De acordo com a Gas TransBoliviano (GTB), responsável pelo trecho boliviano do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), a movimentação de gás vindo da Argentina deve permanecer abaixo de 500 mil metros cúbicos por dia ao longo do próximo ano.

Atualmente, o Gasbol é a única estrutura disponível para transportar o combustível argentino até a malha integrada de gasodutos brasileiros.

Bolívia alerta para esgotamento da capacidade de exportação até 2030

A YPFB também informou que, mantido o atual nível de reservas provadas, a capacidade boliviana de exportar gás poderá se esgotar até 2030.

Diante desse cenário, o governo boliviano trabalha em mudanças no marco regulatório do setor de óleo e gás. A proposta inclui incentivos fiscais para atrair empresas estrangeiras e ampliar investimentos em exploração.

O presidente da YPFB, Sebastián Daroca, afirmou que é necessário agir rapidamente para conter a queda na produção de gás no país.

Segundo a estatal, o portfólio atual de exploração reúne projetos com potencial estimado em 11 trilhões de pés cúbicos (TCF). Após ajustes de risco, o volume considerado viável é de cerca de 3 TCF, além de oportunidades adicionais em fase inicial avaliadas em 7 TCF.

Novos investimentos são vistos como essenciais

Durante encontro anual de prestação de contas da companhia, Daroca destacou que a simples utilização das reservas já comprovadas não será suficiente para evitar o avanço da redução produtiva.

A expectativa da YPFB é de que a incorporação de recursos contingentes possa ampliar a autossuficiência boliviana de gás até 2034. Ainda assim, a estatal defende novos investimentos e incentivos para expandir as reservas do país.

A companhia acredita que uma nova legislação para o setor de hidrocarbonetos poderá aumentar a segurança jurídica e estimular aportes privados já a partir deste ano. Caso isso ocorra, a recuperação da produção poderia começar a aparecer entre 2028 e 2029.

Reservas provadas da Bolívia caíram 58% desde 2017

No fim de 2024, a YPFB divulgou, pela primeira vez em seis anos, a atualização oficial de suas reservas provadas. O levantamento confirmou a forte retração dos volumes disponíveis.

Em 31 de dezembro de 2023, a Bolívia possuía 4,5 TCF em reservas provadas, resultado que representa queda de 58% na comparação com 2017.

Declínio do gás boliviano impacta mercado brasileiro

A redução da oferta também afeta o mercado privado de gás natural no Brasil. Desde 2025, a Bolívia se consolidou como importante fornecedora para comercializadoras privadas brasileiras, que importam entre 3 milhões e 5 milhões de metros cúbicos por dia.

Levantamento da agência eixos aponta que empresas como Edge, Galp, J&F, MTX, Shell, Tradener e a própria YPFB mantêm reservas contínuas de capacidade no Gasbol ao longo deste ano.

Os contratos são firmados junto à Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), responsável pela entrada do combustível em Corumbá (MS), principal porta de acesso do gás importado ao país.

Além dessas companhias, Eneva e Deal Comercializadora também realizam importações frequentes utilizando contratos diários de transporte.

Com a redução contínua das reservas bolivianas, especialistas do setor avaliam que o fornecimento atual possui horizonte limitado no médio prazo.

FONTE: Eixos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ABI

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook