Agronegócio

Indústria de fertilizantes alerta para dependência de importações e cobra fortalecimento da produção nacional

O Brasil precisa reduzir a dependência de fertilizantes importados e ampliar a capacidade de produção nacional para proteger o agronegócio e a segurança alimentar. A defesa foi apresentada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert), que divulgou, nesta terça-feira (13/10), a Carta Aberta ao Brasil, documento publicado em referência ao Dia Mundial dos Fertilizantes.

Segundo a entidade, aproximadamente 90% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior. O cenário é considerado um risco estratégico, uma vez que os custos e a disponibilidade desses insumos estão sujeitos a crises internacionais e a fatores fora do controle brasileiro.

Alta no preço das matérias-primas pressiona setor de fertilizantes

A manifestação ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pela indústria, especialmente após a elevação dos custos das matérias-primas em decorrência do conflito no Oriente Médio.

Um dos exemplos é o enxofre, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. Em meados deste ano, o preço chegou a US$ 1,2 mil por tonelada, ante US$ 435 em janeiro, antes do início da guerra. A escalada dos valores afetou a atividade industrial e levou algumas fábricas brasileiras a interromper a produção.

Para o Sinprifert, a situação reforça a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva nacional e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional.

Dependência externa de fertilizantes chega a 90%

De acordo com o sindicato, a participação dos produtos importados no abastecimento brasileiro aumentou de 55% para cerca de 90% nos últimos 30 anos.

A dependência é ainda mais expressiva em determinados nutrientes utilizados na agricultura. Conforme os dados apresentados pela entidade, o Brasil importa 97% do nitrogênio e do potássio consumidos nas lavouras, além de 74% do fósforo.

O presidente do Conselho de Administração do Sinprifert, Elias Lima, ressalta que a liderança agrícola brasileira foi construída em um contexto no qual o fornecimento e os preços dos insumos dependem de decisões tomadas no exterior.

Segundo ele, ampliar a produção doméstica e desenvolver tecnologias próprias são medidas fundamentais para que o país tenha maior autonomia sobre seu futuro agrícola.

Produção agrícola cresce e amplia demanda por fertilizantes

A expansão do agronegócio brasileiro nas últimas décadas evidencia a importância desses insumos para a produtividade das lavouras.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a produção de grãos aumentou de 123 milhões de toneladas, em 2002, para 350 milhões de toneladas, em 2025.

No mesmo intervalo, a área plantada passou de 43,9 milhões para 81,7 milhões de hectares. Já as entregas de fertilizantes avançaram de 19 milhões para 49 milhões de toneladas, segundo informações da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Os números demonstram a ampliação da demanda por insumos agrícolas e reforçam o debate sobre a capacidade nacional de atender às necessidades do setor produtivo.

Carta aberta estabelece cinco compromissos para o setor

No documento, o Sinprifert apresenta cinco compromissos relacionados ao desenvolvimento econômico, à sustentabilidade e à autonomia tecnológica do Brasil.

Entre os objetivos estão garantir que os investimentos realizados pela indústria gerem retornos ampliados para o país, recuperar a fertilidade dos solos, reduzir os impactos ambientais da cadeia produtiva, posicionar o Brasil na liderança de uma nova revolução verde e transformar em realidade as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Fertilizantes (PNF).

A entidade defende que o fortalecimento da produção nacional pode contribuir tanto para a competitividade do agronegócio quanto para a redução dos riscos associados ao abastecimento externo.

Indústria de fertilizantes pode impulsionar outros setores estratégicos

Além da agricultura, o sindicato destaca o potencial da cadeia de fertilizantes para estimular atividades industriais consideradas estratégicas para o desenvolvimento brasileiro.

Entre elas estão a extração de terras raras, a produção de ímãs e baterias e o desenvolvimento do hidrogênio verde.

Para o Sinprifert, ampliar a capacidade industrial do país pode gerar benefícios que ultrapassam o campo, favorecendo a inovação tecnológica, a diversificação produtiva e a redução da dependência de fornecedores internacionais.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves/Portos do Paraná

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Tecnologia

Marcas chinesas chegam a 17% do mercado brasileiro de veículos

A presença das marcas chinesas de carros no Brasil ganhou força rapidamente. Em apenas um ano, a participação dessas fabricantes no mercado nacional passou de 9% para 17%, impulsionada principalmente pelo avanço dos carros eletrificados e pela crescente aceitação dos consumidores brasileiros.

A expansão coloca as montadoras chinesas em posição de destaque no setor automotivo brasileiro. Ao mesmo tempo, o avanço preocupa mercados tradicionais, que estudam medidas para proteger suas próprias indústrias.

Carros chineses avançam com a eletrificação

As fabricantes chinesas se tornaram protagonistas da eletrificação automotiva no Brasil, segmento que vem conquistando espaço entre os consumidores.

O cenário, porém, é diferente em outros grandes mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a entrada de veículos chineses enfrenta uma tarifa de importação de 100%, mantida desde o governo de Joe Biden. Na Europa, também estão em discussão medidas para aumentar a proteção da indústria local diante da concorrência asiática.

No Brasil, uma iniciativa semelhante já provocou controvérsia no passado.

Brasil já adotou barreira para carros importados

Em 2011, o governo brasileiro aumentou em 30 pontos percentuais o IPI incidente sobre veículos importados de países de fora do Mercosul. Com a medida, a alíquota chegou a 70%.

O chamado “super IPI” tinha como justificativa a proteção dos empregos no setor automotivo brasileiro e o estímulo aos investimentos e à inovação dentro do país.

A decisão, entretanto, gerou reação internacional. Alguns países recorreram à Organização Mundial do Comércio (OMC), que concluiu, em 2017, que a política brasileira contrariava regras do comércio internacional. Posteriormente, o mecanismo foi retirado.

Stellantis defende incentivo à produção local

O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, afirma não apoiar um aumento do Imposto de Importação. Para o executivo, o caminho poderia ser outro: oferecer vantagens às empresas que ampliem a fabricação nacional e utilizem mais componentes produzidos no Brasil.

Na avaliação de Zola, o sistema deveria estimular a produção local, beneficiando empresas de acordo com o nível de nacionalização de seus veículos.

O executivo também questiona a falta de incentivos para a compra de insumos nacionais.

“As montadoras que estão no Brasil não recebem incentivo para comprar aço local ou nenhum outro tipo de insumo. Enquanto isso, o aço chinês entra nos carros semimontados sem imposto”, afirma.

Medidas de 2011 estimularam fábricas de marcas premium

Apesar das controvérsias, o aumento do IPI em 2011 contribuiu para que algumas marcas de luxo que atuavam apenas com importações passassem a produzir veículos no Brasil.

Foi o caso de Mercedes-Benz, BMW e Jaguar Land Rover.

Atualmente, apenas a BMW mantém uma fábrica em funcionamento em Araquari, em Santa Catarina. A Mercedes-Benz encerrou as atividades de sua unidade em Iracemápolis, São Paulo, no fim de 2020. A planta foi posteriormente adquirida pela chinesa GWM, que iniciou a produção em agosto de 2025.

A GWM também avalia novos investimentos. Segundo Diego Fernandes, responsável pelas operações da empresa, o grupo tem planos para construir outra fábrica em Aracruz, no Espírito Santo.

Já a unidade da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, continua sem comprador. Nos bastidores do setor automotivo, o grupo Chery aparece como interessado na aquisição da planta.

Chery prepara expansão no Brasil

O CEO da Chery no Brasil, Peng Hu, evita comentar diretamente as negociações envolvendo a fábrica de Itatiaia. O executivo, porém, confirma que a empresa terá uma unidade industrial no país.

Segundo Hu, os termos do acordo ainda precisam ser definidos e formalizados, motivo pelo qual os detalhes permanecem sob sigilo.

A atuação do executivo no Brasil também ganhou novas dimensões. Quando concedeu sua primeira entrevista ao Valor, em dezembro de 2025, Hu era responsável por duas marcas do grupo, Omoda e Jaecoo, criadas pela Chery para atuação internacional e que não são comercializadas na China.

Em julho deste ano, ele passou a comandar as operações do grupo Chery na região.

iCar e novos modelos estão nos planos

A estratégia de crescimento da Chery prevê novas marcas e segmentos no mercado brasileiro. A partir do primeiro trimestre de 2027, a empresa pretende lançar a iCar no país.

De acordo com Hu, mais de 100 grupos de concessionárias já demonstraram interesse em representar a nova marca.

A Chery também prepara projetos relacionados ao uso de etanol em carros híbridos. Engenheiros brasileiros trabalham em conjunto com a equipe de desenvolvimento na China para criar motores capazes de utilizar o combustível derivado da cana-de-açúcar.

Para 2027, a fabricante ainda prevê a chegada de uma nova marca de luxo e a entrada no segmento de carros compactos.

Futuro da produção da Chery pela CAOA ainda é incerto

A expansão direta do grupo Chery no Brasil também levanta dúvidas sobre o futuro da produção de veículos da marca realizada pelo grupo brasileiro CAOA.

Hu afirma não ser o responsável por essa questão. Neste momento, sua atuação está concentrada nos projetos de crescimento e expansão da fabricante chinesa no mercado nacional.

A Chery já ampliou sua participação nas vendas brasileiras para 2,5%, alcançando a 13ª colocação no ranking geral de comercialização de veículos.

Robôs humanoides chegam às concessionárias

Além de investir em novos produtos e ampliar sua participação no mercado, a Chery prepara iniciativas para diferenciar a experiência dos consumidores.

Uma das novidades será a presença de robôs humanoides nas concessionárias do grupo. Os equipamentos deverão recepcionar os clientes e fazer parte da estratégia da empresa para aproximar tecnologia e atendimento no ponto de venda.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ana Paula Paiva/Valor

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Importação

Importação de morangos bate recorde no Brasil e preocupa produtores nacionais

As importações de morangos atingiram um novo recorde no Brasil em 2025. O país comprou 42,1 mil toneladas da fruta no mercado internacional, maior volume registrado na série recente, aumentando a concorrência com a indústria nacional de derivados e acendendo um alerta entre os produtores brasileiros.

Os dados fazem parte do Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Brasil gastou US$ 44,7 milhões com compras externas

De acordo com o levantamento, elaborado com base nas estatísticas do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil desembolsou US$ 44,7 milhões na aquisição de morangos em 2025. O preço médio pago foi de US$ 1.062 por tonelada.

A maior parte das importações foi composta por morango congelado, responsável por aproximadamente 42 mil toneladas. Já as compras de morango preparado ou conservado totalizaram 97,8 toneladas, enquanto a importação da fruta fresca foi praticamente irrelevante, somando apenas 38 quilos durante todo o ano.

Crescimento das importações acelerou nos últimos anos

O estudo mostra que o avanço das compras externas ganhou força a partir de 2023. Entre 2016 e 2022, o volume importado variou entre 4,3 mil e 8,5 mil toneladas por ano.

Em 2023, as importações saltaram para 18,5 mil toneladas. No ano seguinte, chegaram a 34 mil toneladas e, em 2025, alcançaram o recorde histórico de 42,1 mil toneladas.

O crescimento expressivo evidencia uma mudança no mercado brasileiro de morangos, especialmente no segmento destinado ao processamento industrial.

Egito lidera exportações para o mercado brasileiro

O Egito consolidou-se como o principal fornecedor de morangos ao Brasil, respondendo por 83,4% do volume importado e por 80,3% do valor total das compras realizadas em 2025.

Na sequência aparecem a China, com participação de 12,4% do volume e 13,3% do valor negociado. Outros 12 países também exportaram morangos para o mercado brasileiro, porém em quantidades significativamente menores.

O avanço egípcio chama a atenção. Em 2018, o país africano havia enviado apenas 45,6 toneladas da fruta ao Brasil, representando somente 0,9% das importações daquele ano. Na época, China, Argentina e Chile concentravam boa parte das vendas ao mercado brasileiro.

Setor produtivo teme aumento da concorrência

Na avaliação dos técnicos do Deral, a forte entrada de morangos importados, principalmente do Egito, tem aumentado a pressão sobre os produtores nacionais.

Segundo o boletim, os preços praticados pelos produtos importados competem diretamente com os derivados de morango fabricados no Brasil, reduzindo a rentabilidade da cadeia produtiva e dificultando novos investimentos no setor.

A entidade destaca que esse cenário gera preocupação quanto à competitividade da produção nacional e ao futuro da atividade, diante do avanço contínuo das importações.

FONTE: Agrolink
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Importação

Moçambique suspende importação de produtos como cerveja, carne e água para fortalecer indústria nacional

O Governo de Moçambique aprovou restrições temporárias à importação de 16 produtos, incluindo cerveja, carne, água engarrafada e outros bens de consumo corrente. A decisão tem como foco o fortalecimento da produção nacional, o apoio a indústrias emergentes e o estímulo ao consumo de produtos fabricados no país.

Segundo aviso divulgado pelo Ministério da Economia, a suspensão das importações vigorará “até nova comunicação”. O documento também recomenda que cidadãos e agentes económicos priorizem o consumo de produtos nacionais, como forma de impulsionar a economia interna.

Lista inclui alimentos, bebidas e materiais de construção

Entre os itens sujeitos às restrições à importação estão carnes e miudezas de aves, arroz e açúcar não embalados para venda a retalho, óleo de palma refinado, água mineral engarrafada, bebidas gaseificadas, massas alimentícias, sal, cimento portland, tijoleira, farinha de milho, cerveja, mobiliário de madeira e metálico, produtos de papel e papelão, bebidas não alcoólicas, além de trigo e milho em grão.

As quantidades e os moldes dessas limitações ainda não foram detalhados pelo Executivo.

Objetivo é poupar divisas e estimular a economia

O anúncio oficial foi reforçado após a reunião do Conselho de Ministros, realizada em Maputo no dia 16 de dezembro, quando foi aprovado o decreto que estabelece regras para restrições quantitativas temporárias à importação.

De acordo com o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, a medida busca proteger a posição externa de Moçambique, garantir a alocação prioritária de divisas para bens e serviços essenciais e tornar mais competitiva a indústria moçambicana.

Estabilidade macroeconómica e substituição de importações

O Executivo defende que a iniciativa também pretende incentivar a substituição de importações não essenciais, dinamizar a produção interna e ampliar o consumo de bens nacionais. A expectativa é que a política contribua para a estabilidade macroeconómica, o uso mais eficiente das reservas internacionais e a proteção do acesso a produtos essenciais.

Segundo o Governo, a decisão está alinhada com uma política económica baseada nos princípios da proporcionalidade, temporalidade e não discriminação, em conformidade com os compromissos multilaterais assumidos pelo país.

FONTE: Notícias Ao Minuto
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Lusa

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Comércio Exterior

México aplica tarifas de até 210% sobre açúcar importado para proteger mercado interno

O governo do México anunciou a adoção de tarifas de importação que variam entre 156% e 210% sobre o açúcar estrangeiro. A iniciativa tem como objetivo proteger o setor açucareiro nacional, preservar empregos e garantir estabilidade às famílias que dependem da produção local, segundo o Ministério da Agricultura.

Detalhes das novas alíquotas

De acordo com o comunicado oficial, o açúcar de beterraba e os xaropes importados passarão a pagar 156% de tarifa, enquanto o açúcar líquido refinado e o açúcar invertido terão taxa de 210,44%.

Setor produtivo apoia decisão

A União Nacional de Produtores de Cana elogiou a medida, afirmando que as altas tarifas praticamente eliminam as importações que poderiam desestabilizar o mercado interno. Segundo a entidade, a decisão cria um ambiente mais previsível e sustentável para o setor açucareiro mexicano.

Modernização e novas políticas

Além da taxação, o governo anunciou um programa de modernização do setor, com foco em aumentar a produtividade, melhorar a rentabilidade e ampliar o uso da cana-de-açúcar na produção de alimentos e biocombustíveis.

Outras tarifas sobre produtos importados

O México também comunicou a aplicação de tarifas de até 50% sobre mais de 1.400 produtos, abrangendo itens como automóveis, cosméticos e eletrônicos provenientes da China e de outros países da Ásia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Daniel Becerril

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Importação

Sobretaxa sobre poliamida 6 ameaça competitividade do setor têxtil brasileiro

O governo brasileiro anunciou uma sobretaxa provisória de US$ 1,97 por quilo sobre o fio de poliamida 6 (PA6) importado por quatro empresas, incluindo a Yiwu Huading Nylon Co., principal fornecedora do insumo no país. A medida gerou preocupação imediata entre empresários da cadeia têxtil nacional, já que o insumo é essencial para a confecção de roupas esportivas, moda praia, meias e lingerie e não possui produção local.

Para as empresas que utilizam o fio de poliamida 6, a taxação eleva o custo de produção de US$ 3 para US$ 4,97, prejudicando a competitividade e ameaçando milhares de empregos. Renato José Benvenuti, vice-presidente da RVB Malhas, de Brusque (SC), alerta: “O valor sobre aplicado compromete a produção de volumes competitivos. Na prática, não será possível manter as linhas de produtos à base de poliamida no portfólio”.

Impacto na balança comercial e no varejo

O Relatório Setorial Brasil Têxtil 2025, elaborado pela IEMI – Inteligência de Mercado, aponta que o país registra déficit superior a US$ 885 milhões na balança comercial de filamentos como poliéster e poliamida/nylon. As exportações somam US$ 54,8 milhões, enquanto as importações chegam a quase US$ 940 milhões.

Com a elevação dos custos e a redução da oferta de PA6, Benvenuti alerta para a possível migração do varejo para produtos importados, sem barreiras comerciais, enfraquecendo a indústria nacional. “O varejo deverá substituir produtos fabricados no Brasil por peças prontas da Ásia, comprometendo toda a cadeia produtiva”, afirma.

Sustentabilidade e produção em risco

Empresas de diferentes regiões do país também manifestam preocupação. Daniel Pereira de Souza, vice-presidente da CPS – Cia. de Produção Sustentável S.A. (DelRio), do Ceará, destaca: “A aplicação de sobretaxas em um insumo sem equivalente nacional representa um grande risco para nossa produção. Além de aumentar os custos, pode comprometer a entrega e o abastecimento do mercado”.

Segundo a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o setor engloba 25,3 mil empresas, gera 1,3 milhão de empregos diretos e movimenta R$ 32,9 bilhões em salários, consolidando o Brasil como a quinta maior indústria têxtil do mundo.

Taxa aplicada não considera diferenças técnicas do insumo

O valor usado para a medida antidumping considera a poliamida 6.6 (PA6.6), mais robusta e complexa, enquanto o mercado brasileiro utiliza PA6, com processo industrial mais simples e custo menor, voltado à moda e vestuário. Especialistas afirmam que a medida não reflete as características técnicas do material consumido nacionalmente e pode comprometer inovação, eficiência produtiva e sustentabilidade do setor.

Dependência de importações aumenta risco de desabastecimento

O Brasil depende integralmente da importação de poliamida 6, essencial para manter a cadeia têxtil ativa. Mauro de Oliveira Ferraz, gerente de Supply Chain da Diklatex (Joinville/SC), confirma que a sobretaxa impactou o volume de produção e o desenvolvimento de novos produtos.

Especialistas pedem equilíbrio nas políticas comerciais

O economista Mohamed Amal, professor da FURB, destaca que medidas que penalizam fornecedores sem substituto local podem gerar mais custos, perda de empregos e queda de competitividade. “O equilíbrio entre comércio justo e proteção da base produtiva deve ser prioridade”, afirma.

Gabriel Sens, CEO da LIVE! (Jaraguá do Sul/SC), reforça: “Decisões devem preservar a continuidade das operações, o emprego e a competitividade do setor. Avaliar o papel da poliamida 6 na economia brasileira é essencial para manter o país competitivo, sustentável e inovador”.

FONTE: Terra
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplah+ / DINO

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Importação

Governo prorroga direito antidumping sobre alho importado da China por mais 5 anos

Medida busca proteger produtores nacionais

O governo federal decidiu estender por mais cinco anos o direito antidumping aplicado às importações brasileiras de alho fresco ou refrigerado da China. A prorrogação foi oficializada nesta terça-feira (30) por meio de resoluções do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), publicadas no Diário Oficial da União (DOU).

O que é o antidumping

A prática de dumping ocorre quando um país exporta produtos a preços inferiores aos praticados em seu próprio mercado interno, configurando uma forma de concorrência desleal. Essa estratégia pode prejudicar os produtores do país importador ao reduzir artificialmente os preços.

Para neutralizar esses efeitos, governos aplicam taxas adicionais ou definem cotas de importação sobre os produtos estrangeiros que se enquadram nessa prática. No caso do alho chinês, a medida foi considerada necessária para garantir condições justas de competição no mercado brasileiro.

FONTE: Valor Econõmico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agricultura, Agronegócio, Importação, Informação

Entregas de fertilizante cresceram 5,5% em novembro de 2024

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro encerraram o mês de novembro de 2024 com 4,21 milhões de toneladas, registrando crescimento de 5,5% em relação as 3,99 milhões de toneladas do mesmo mês de 2023.

No acumulado de janeiro a novembro, foram 42 milhões de toneladas, com queda de 0,5% em relação as 42,21 milhões de toneladas.

O Estado de Mato Grosso, líder nas entregas ao mercado, concentra o maior volume no período analisado (20,8%), atingindo 8,74 milhões de toneladas. Seguem-se o Rio Grande do Sul (4,88 milhões), Paraná (4,64 milhões), São Paulo (4,50 milhões), Minas Gerais (4,23 milhões), Goiás (3,96 milhões) e Bahia (2,87 milhões).

Produção nacional

A produção nacional de fertilizantes intermediários em novembro de 2024 foi de 621 mil toneladas, representando crescimento de 1% ante o mesmo mês de 2023. No acumulado de janeiro a novembro, foram 6,61 milhões de toneladas, com crescimento de 3,5% na comparação com as 6,39 milhões de toneladas do mesmo período do ano anterior.

Importações

As importações de fertilizantes intermediários alcançaram no mês de novembro de 2024 a quantidade de 4,41 milhões toneladas, indicando aumento de 10,3% em relação ao mesmo mês de 2023, quando se registraram 3,99 milhões. No acumulado de janeiro a novembro, o total importado foi de 37,90 milhões de toneladas, 6,5% a mais do que no mesmo período de 2023, quando ingressaram 35,58 milhões.

Pelo porto de Paranaguá, principal porta de entrada dos fertilizantes, foram importadas 9,35 milhões de toneladas, indicando um crescimento de 10,6% ante 2023. Nesse ano foram descarregadas 8,45 milhões de toneladas no terminal, representando 24,7% do total importado por todos os portos (fonte: Siacesp/MDIC).

Fonte:  Noticias Agrícolas
ANDA: Entregas de fertilizante cresceram 5,5% em novembro de 2024 – Notícias Agrícolas

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