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Fábio Mello Fontes: prático há 57 anos, ele transforma trajetória no mar em livro

Aos 87 anos e com 57 anos de atuação na praticagem, Fábio Mello Fontes continua olhando para o mar com o mesmo entusiasmo de quando era criança. Presidente da Praticagem de São Paulo, ele começou a definir sua vocação ainda aos 9 anos, quando observava os navios que passavam pelo canal do Porto de Santos.

A paixão pelo ambiente marítimo o levou à Marinha Mercante e, posteriormente, à praticagem, profissão que iniciou em 1969. Agora, parte dessa trajetória de quase seis décadas chega às páginas do livro Fábio Mello Fontes, uma lenda dos Mares, que será lançado amanhã, às 17 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos.

A obra tem autoria de Ivani Cardoso e Maria Fernanda Rodrigues, com coordenação editorial de José Rodrigues, e reúne relatos sobre a vida pessoal, familiar e profissional do prático.

15 horas de estudos por dia para entrar na praticagem

A preparação para ingressar na profissão exigiu uma rotina intensa de estudos. Fontes conta que começou a se preparar para o processo seletivo em 10 de abril de 1968, quando já era casado e tinha três filhos pequenos.

A dedicação chegou a 15 horas diárias de estudos. O esforço resultou na entrada para a Praticagem de São Paulo em janeiro de 1969.

Para Fontes, a carreira e a família sempre caminharam juntas. Ao longo de mais de cinco décadas como prático, ele acumulou aproximadamente 30 mil manobras de navios.

Uma carreira marcada pela paixão pelo mar

Durante sua trajetória, Fontes acompanhou profundas transformações no Porto de Santos. Viu as embarcações aumentarem de tamanho e novas tecnologias modificarem a rotina da atividade.

Apesar das mudanças, a disposição para embarcar permaneceu a mesma. Para ele, a praticagem é mais do que uma profissão: é uma vocação.

A experiência anterior na Marinha Mercante também foi ampla. Fontes desempenhou diferentes funções a bordo e chegou a exercer interinamente o comando de uma embarcação da Petrobras.

A rotina de permanecer meses longe da família, porém, pesou na decisão de seguir outro caminho. Na praticagem, encontrou uma forma de continuar trabalhando no mar sem precisar passar longos períodos embarcado.

Livro resgata histórias da praticagem em Santos e São Sebastião

Além dos depoimentos do próprio Fontes, a biografia reúne entrevistas com familiares, amigos e colegas de profissão.

A publicação também recupera episódios relacionados à história da praticagem e mostra parte da evolução da atividade nos portos de Santos e São Sebastião.

Entre as lembranças consideradas mais marcantes pelo prático está o embarque no porta-aviões São Paulo, da Marinha do Brasil, que chegou a Santos em 28 de abril de 2001 levando o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Na ocasião, Fontes passou cerca de 20 minutos conversando com o presidente na ponte de comando. Meses depois, recebeu uma fotografia autografada daquele encontro.

Aos 87 anos, Fontes diz que ainda não pensa em parar

Viúvo desde 2023, o prático também vive uma nova fase na vida pessoal. Ele reencontrou, graças à internet, uma mulher que havia conhecido 42 anos atrás e com quem havia perdido contato. Ela também é viúva.

Atualmente, os dois mantêm um relacionamento à distância, alternando períodos de visitas e encontros. Fontes resume o momento com bom humor e diz estar vivendo uma espécie de “lua de mel”.

Ele também se define como um “idoso fora da curva” e afirma que a idade não determina sua disposição.

O próximo desafio é continuar a bordo

A relação de Fontes com o mar permanece tão forte que ele já tem um objetivo para os próximos anos: completar 88 anos a bordo de um navio, em 10 de maio de 2027.

A trajetória do prático é marcada por décadas de experiência em navegação, manobras portuárias e praticagem, mas também por uma disposição constante para seguir adiante.

A história de Fábio Mello Fontes mostra que conduzir navios e conduzir a própria vida podem exigir qualidades semelhantes: saber ajustar o rumo, lidar com mudanças, enfrentar condições adversas e continuar navegando mesmo quando os ventos mudam.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Portos

Praticagem: entenda por que a atividade é essencial para a segurança dos portos brasileiros

A praticagem desempenha um papel estratégico para a segurança da navegação e o funcionamento dos portos no Brasil. Embora o comandante seja responsável pela embarcação, é o prático quem possui conhecimento detalhado das condições locais e conduz as manobras em áreas de maior complexidade, como canais estreitos, baías e acessos portuários.

Antes da chegada do navio ao porto, o profissional é transportado por uma lancha de praticagem até a embarcação. Em alto-mar, ele embarca por uma escada de corda fixada ao casco e acompanha toda a operação até a atracação ou até que o navio deixe a chamada Zona de Praticagem (ZP) em segurança.

Conhecimento local garante operações mais seguras

Enquanto o comandante está preparado para navegar em diferentes rotas ao redor do mundo, o prático é especializado nas características específicas da região onde atua. Cada Zona de Praticagem exige habilitação própria, já que fatores como marés, correntes, ventos e condições meteorológicas variam de um porto para outro.

Esse domínio técnico permite que as manobras sejam executadas com precisão, reduzindo riscos durante a entrada e a saída de embarcações em áreas de navegação consideradas críticas.

Praticagem é fundamental para o comércio marítimo

O transporte marítimo responde por cerca de 95% do comércio internacional brasileiro, tornando a praticagem uma atividade indispensável para a logística nacional. A atuação dos práticos contribui para evitar colisões, encalhes e outros acidentes que podem interromper operações portuárias, causar prejuízos econômicos e comprometer o abastecimento de diversos setores.

Além de proteger a infraestrutura dos portos, o serviço garante que cargas como alimentos, combustíveis, medicamentos, máquinas e outros produtos cheguem ao destino com segurança e eficiência.

Proteção ambiental e segurança operacional

Outro aspecto relevante da praticagem é a preservação do meio ambiente. Ao reduzir a possibilidade de acidentes envolvendo grandes embarcações, a atividade diminui o risco de vazamentos de combustíveis e cargas, protegendo rios, baías e áreas costeiras.

A Marinha do Brasil regulamenta a atividade e estabelece critérios rigorosos para formação, qualificação e treinamento dos profissionais, assegurando elevados padrões de segurança nas operações.

Atividade estratégica para o desenvolvimento do país

Mesmo sendo pouco percebida pela população, a praticagem é um dos pilares da logística portuária brasileira. A atuação dos práticos garante o funcionamento eficiente dos portos, protege vidas, preserva o meio ambiente e fortalece a competitividade do comércio marítimo, mantendo o Brasil conectado aos mercados internacionais.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Praticagem do Brasil

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Portos

Cade abre processo para apurar práticas anticompetitivas em praticagem no Porto de Santos

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um processo administrativo para apurar supostas práticas anticompetitivas na atividade de praticagem no Porto de Santos (SP).

A área técnica da autarquia investiga uma possível conduta comercial uniforme por meio de negociações coletivas por parte dos profissionais de praticagem que atuam no Porto, por meio de sindicatos que representam essas empresas, o que é vedado pela legislação concorrencial.

A praticagem é um serviço prestado em portos aos comandantes de grandes embarcações, principalmente quando as peculiaridades locais impõem riscos à navegação segura, auxiliando grandes navios a atracarem ou desatracarem com segurança.

Segundo a investigação, desde 2020, no mínimo, essas entidades participam de negociações coletivas com empresas de navegação, que são usuárias dos serviços, com o objetivo de estabelecer valores mínimos para a remuneração dos serviços de praticagem na região.

Segundo o Cade, esses acordos eram firmados com associações das empresas consumidores ou diretamente com cada empresa de navegação marítima, com tabela de valores pré-estabelecida. Segundo o processo, também houve confissão da conduta por parte das empresas.

O Valor tentou contato com as entidades representadas – Sindicato dos Práticos dos Portos do Estado de São Paulo e Coordenação Geral dos Serviços de Praticagem da ZP-16, mas não conseguiu localizá-las.

Fonte: Valor Econômico

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