Portos

Porto 4.0: tecnologia e dados impulsionam a transformação dos portos brasileiros

A transformação digital já faz parte da rotina dos portos brasileiros. Em um ambiente onde navios, cargas, caminhões, equipamentos e sistemas produzem grandes volumes de informações, a integração e a análise desses dados ganham espaço como ferramentas para melhorar a eficiência, a segurança e o planejamento das operações.

É nesse cenário que se consolida o conceito de Porto 4.0, inspirado nos princípios da Indústria 4.0. O modelo combina tecnologias como inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina, sensores, automação, redes de alta velocidade e plataformas de integração de dados para tornar os complexos portuários mais conectados e inteligentes.

Dados como ferramenta para a operação portuária

Mais do que incorporar novas tecnologias, o Porto 4.0 busca conectar diferentes fontes de informação. Sensores podem transmitir dados em tempo real, enquanto sistemas digitais cruzam informações e identificam padrões que auxiliam na tomada de decisões.

Entre as soluções utilizadas está o Digital Twin, ou gêmeo digital, que cria uma representação virtual de estruturas e operações físicas. A tecnologia permite acompanhar o funcionamento do ambiente real e testar diferentes cenários, contribuindo para o planejamento, a manutenção e a gestão da infraestrutura.

Outra ferramenta é o VTMIS (Sistema de Gerenciamento e Informação do Tráfego de Embarcações), voltado ao monitoramento da navegação. Por meio de radares, câmeras e sensores, o sistema acompanha a movimentação dos navios em tempo real e reúne informações para apoiar a segurança e a coordenação do tráfego marítimo.

O sistema também pode compartilhar informações com órgãos públicos, contribuindo para ações de fiscalização e para a identificação de atividades suspeitas.

Sete portos estratégicos recebem VTMIS

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) coordena iniciativas relacionadas à transformação digital do setor. Em 2025, foi anunciada a implantação do VTMIS em Santos (SP), Paranaguá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande (RS), Itaguaí (RJ), Itaqui (MA) e Vila do Conde (PA).

Juntos, esses portos respondem por mais da metade da movimentação de cargas do país. A implantação dos sistemas amplia a capacidade de acompanhamento do tráfego marítimo e reúne informações que podem ser utilizadas na gestão das operações.

Porto de Santos avança na digitalização

O Porto de Santos é um dos exemplos de como diferentes tecnologias podem atuar de maneira integrada.

A implantação de uma rede privada de 5G amplia a capacidade de transmissão de dados e cria condições para aplicações que dependem de conectividade rápida e estável. Entre elas estão soluções de Internet das Coisas (IoT), automação e inteligência artificial.

Com o Digital Twin, esses dados podem alimentar uma representação virtual mais integrada do complexo portuário. Isso permite acompanhar operações, simular situações e apoiar decisões relacionadas à manutenção e à infraestrutura.

Já o VTMIS acrescenta informações sobre a movimentação de embarcações, contribuindo para uma visão mais ampla do tráfego marítimo e para a coordenação das operações.

Tecnologia conecta o navio à cadeia logística

A transformação digital dos portos não se restringe ao ambiente marítimo. Fluxos de caminhões, operações ferroviárias, movimentação de cargas e procedimentos de segurança também podem ser integrados.

Na prática, informações de diferentes etapas da cadeia logística passam a ser analisadas em conjunto. A previsão de chegada de um navio, por exemplo, pode ser relacionada à disponibilidade de cargas, pátios, acessos terrestres e outros recursos envolvidos na operação.

Um dos exemplos dessa digitalização é o Porto Sem Papel (PSP), plataforma desenvolvida pelo Serpro para o Ministério de Portos e Aeroportos. O sistema centraliza informações relacionadas à estadia dos navios e integra dados de agentes de navegação e de diferentes órgãos públicos, como Receita Federal, Polícia Federal, Anvisa e Marinha do Brasil.

A plataforma reduziu a circulação de documentos físicos e a repetição de informações em diferentes sistemas. Segundo o MPor, desde 2011 a digitalização dos processos evitou o consumo de aproximadamente 342,8 milhões de folhas de papel.

IntegraPSP amplia automação dos processos

Em 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos e o Serpro apresentaram o IntegraPSP, ferramenta que permite conectar diretamente os sistemas das empresas ao Porto Sem Papel.

A integração ocorre por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações), possibilitando a troca automatizada de informações. Com isso, diminui a necessidade de redigitação de dados e, consequentemente, o risco de inconsistências entre sistemas.

A iniciativa representa mais um passo na digitalização dos processos portuários e reforça a tendência de integração entre empresas, sistemas e órgãos públicos.

Transformação digital considera as características de cada porto

O Porto 4.0 não está relacionado a uma única tecnologia ou equipamento. Trata-se de um processo que combina infraestrutura, conectividade, sistemas digitais, dados e profissionais.

Além dos sete portos que estão adotando o VTMIS, o MPor acompanha estudos sobre as necessidades técnicas e possibilidades de apoio em Belém, Santarém e Vila do Conde (PA); Salvador e Aratu (BA); São Francisco do Sul, Imbituba e Itajaí (SC); Fortaleza (CE); e Manaus (AM).

As soluções são avaliadas de acordo com as características de cada complexo portuário.

Em Rio Grande (RS), por exemplo, o VTS permite monitorar embarcações e reunir informações sobre condições como vento, maré, correntes marítimas e salinidade da água. Esses dados são especialmente relevantes para a operação na Lagoa dos Patos.

No Rio de Janeiro, a implantação do VTMIS ocorre de forma gradual, envolvendo Centro de Controle Operacional, sensores, estações remotas e integração de dados.

Um novo modelo de gestão portuária

A digitalização amplia a quantidade e a qualidade das informações disponíveis para a gestão portuária. Com dados integrados, os terminais podem acompanhar operações em tempo real, identificar ocorrências, planejar intervenções e utilizar de maneira mais eficiente a infraestrutura existente.

Nesse contexto, o Porto 4.0 representa uma mudança na forma de administrar os complexos portuários: diferentes tecnologias deixam de atuar de maneira isolada e passam a formar uma rede de informações capaz de apoiar decisões ao longo de toda a cadeia logística.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)

Texto: Redação

Imagem: MPort

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Logística, Portos, Tecnologia

Como a IA está transformando portos, rotas e operações globais

No cenário global atual, a Inteligência Artificial já não é mais tendência: é realidade — e vem transformando profundamente a logística internacional, a gestão portuária e a forma como empresas se posicionam no comércio exterior. Para entender melhor esse movimento e seus impactos no Brasil e no mundo, conversamos Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência. Mariana atua estrategicamente na internacionalização de indústrias e no desenvolvimento de soluções para inserção em mercados globais altamente competitivos.

À frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana lidera projetos que integram expertise técnica e tecnologias de ponta — como Inteligência Artificial, Big Data e automação digital — transformando dados em decisões estratégicas e ampliando os resultados internacionais de empresas brasileiras. Sua missão é clara: tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e inovador.

A seguir, confira a entrevista completa:

Como a IA está revolucionando a logística internacional?
Mariana – A IA permite o uso de algoritmos de aprendizado de máquina para prever atrasos, otimizar rotas, simular custos de frete e antecipar gargalos portuários. Com base em big data e variáveis climáticas, o sistema define o modal mais eficiente, reduz o tempo de trânsito e aumenta a precisão nas entregas. Isso eleva a competitividade das empresas e reduz perdas operacionais.

Quais portos já utilizam tecnologia de ponta?
Mariana – Alguns portos já adotam soluções de automação integradas a sensores IoT e sistemas de IA. Essas tecnologias monitoram o fluxo de carga em tempo real, ajustam o agendamento de atracações e reduzem tempos de espera. No Brasil, a digitalização portuária ainda avança de forma desigual, mas projetos de integração de dados logísticos com sistemas aduaneiros já estão em expansão.

O Brasil está preparado para essa transformação?
Mariana – O país apresenta avanços importantes, especialmente nos portos do Sudeste, mas ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura digital e interoperabilidade entre sistemas privados e públicos. A transição depende de investimentos em conectividade, automação e padronização de processos logísticos. Consultorias técnicas ajudam empresas a adaptar-se a esse novo ambiente operacional.

Como consultorias especializadas podem apoiar?
Mariana – Consultorias qualificadas atuam na análise de cadeias logísticas, seleção de rotas ideais e identificação de regimes tributários e portuários mais vantajosos. Utilizando IA, elas processam dados históricos de embarques, custos e tempos de trânsito para recomendar soluções personalizadas. Esse suporte técnico reduz custos e aumenta a previsibilidade das operações.

Quais desafios tecnológicos ainda persistem?
Mariana – Os principais desafios incluem a integração de sistemas legados, segurança cibernética e escassez de profissionais capacitados em análise de dados logísticos. A fragmentação de informações entre armadores, terminais e agentes de carga impede o pleno uso da IA. Superar essas barreiras exige alinhamento entre governo, empresas e operadores logísticos.

Que impacto isso traz para o profissional de comércio exterior?
Mariana – O perfil do profissional está mudando radicalmente. Ele precisa dominar análise de dados, interpretar métricas logísticas e compreender o funcionamento de sistemas automatizados. O conhecimento técnico tradicional continua essencial, mas deve ser complementado com competências digitais e visão sistêmica de toda a cadeia de suprimentos.

Por que se manter atualizado é essencial?
Mariana – A velocidade das inovações tecnológicas torna a atualização contínua indispensável. Mudanças em protocolos aduaneiros, softwares logísticos e regulamentações exigem aprendizado constante. Profissionais desatualizados perdem competitividade, enquanto aqueles que dominam novas ferramentas ampliam sua relevância estratégica nas empresas que atuam no comércio internacional.

TEXTO: REDAÇÃO / DIVULGAÇÃO EXON TRADE

IMAGEM: ILUSTRATIVA FREEPIK / DIVULGAÇÃO

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Comércio, Comércio Exterior, Informação, Logística, Oportunidade de Mercado, Portos

Fractal apresenta tecnologia de lacres eletrônicos no PortoTechBR e projeta quebra de paradigma para a logística portuária

O futuro dos portos passa por Navegantes. Nos dias 02 e 03 de setembro, o Teatro Municipal da cidade recebeu a 2ª edição do PortoTechBR, evento que reúne profissionais de tecnologia, inovação, cibersegurança e segurança portuária de todo o Brasil. Organizado pelo Núcleo de Tecnologia e Inovação da ACIN (Associação Empresarial de Navegantes), em parceria com a Prefeitura, o encontro se consolida como um dos mais importantes espaços de debate sobre soluções aplicadas ao setor portuário.

De acordo com Jardel Fischer, coordenador do Núcleo e gerente de TI da Portonave, a proposta é aproximar tecnologia e operação. “É um evento técnico, nasceu pra atender os profissionais de tecnologia, inovação, cibersegurança e segurança portuária de todo o Brasil. Temos representantes de portos de todo o país, discutindo assuntos de interesse comum. No ano passado mapeamos dores críticas dos terminais e, nesta edição, estamos compartilhando soluções que melhoram eficiência, segurança e produtividade”, destaca.

Entre as 19 empresas participantes, a Fractal Securitychamou atenção ao apresentar seus lacres eletrônicos de uso único — uma inovação 100% brasileira que promete revolucionar a logística portuária e a gestão da cadeia de custódia. Segundo Mary Anne de Amorim, Co-founder e CCO Fractal Security, o produto foi pensado para unir viabilidade econômica, segurança e eficiência logística. “O nosso desafio era criar um lacre que fizesse sentido economicamente para o cliente, de uso único, e que proporcionasse uma gestão protagonista da cadeia de custódia. Hoje não existe concorrência direta para o que desenvolvemos. Estar no PortoTechBR é importante para mostrar que há um caminho possível, que beneficia não só o cliente ou o armador, mas também o porto, que ganha em eficiência e integração”, explica.

Para Fischer, coordenador do PortoTechBR, tecnologias como essa mostram o quanto a inovação já é uma realidade indispensável nos portos brasileiros. “A inteligência artificial não é mais moda, é realidade. E o desafio é justamente aplicar essas soluções ao nosso dia a dia de operação, de forma aderente, para garantir segurança e eficiência.”

Com debates, networking e exposição de soluções de ponta, o PortoTechBR reforça seu papel como ponto de encontro onde o futuro dos portos começa a ser construído.

Como funciona o lacre eletrônico

A tecnologia da Fractal combina NFC (Near Field Communication) e RFID (Radio-FrequencyIdentification), permitindo monitoramento em curta e longa distância sem necessidade de bateria, o que elimina custos com logística reversa. Integrados a um sistema central de gestão de dados, os lacres permitem que cada etapa da operação seja acompanhada de forma segura e centralizada. A plataforma emite alertas proativos em caso de violações ou inconsistências, reduzindo riscos de perdas e atrasos, além de otimizar a tomada de decisão. 

Ainda segundo Mary Anne, outro diferencial é a interoperabilidade, que possibilita a integração dos lacres com sistemas de logística e compliance já existentes, simplificando a adoção da tecnologia. A gestão da cadeia de custódia também ganha robustez, com registros precisos em cada ponto de contato e maior transparência em todo o processo.

Saiba mais sobre a Fractal: https://fractal-security.com/pt/

TEXTO E IMAGENS: REDAÇÃO

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