Transporte

Plano ferroviário do Chile aposta no transporte de cargas para fortalecer logística até 2050

O governo do Chile apresentou um plano mestre ferroviário com horizonte até 2050 para impulsionar o transporte ferroviário de cargas e ampliar o protagonismo das ferrovias na cadeia logística do país. A iniciativa contempla as regiões norte, central e sul, com foco na expansão da infraestrutura, eliminação de gargalos operacionais e integração entre os diferentes modais de transporte.

O projeto foi detalhado durante o Congresso Trenes y Metro 2026 e integra o Plano Diretor Nacional de Logística, desenvolvido pelo Programa de Desenvolvimento Logístico (PDL), ligado ao Ministério dos Transportes e Telecomunicações.

Transporte de cargas ganha planejamento de longo prazo

De acordo com Antonio Dourthé, coordenador-geral do PDL, o diferencial do plano é a criação de um programa específico para o transporte ferroviário de cargas, além das iniciativas já existentes para passageiros.

Segundo ele, a proposta busca identificar a capacidade atual da malha ferroviária, mapear futuras demandas logísticas, apontar investimentos prioritários e reduzir os gargalos que limitam a competitividade do modal.

O planejamento terá vigência de 25 anos, entre 2025 e 2050, com acompanhamento contínuo para adaptar as ações às mudanças do mercado e da economia.

Região Norte concentra desafios para ampliar capacidade

No norte chileno, onde a ferrovia está fortemente ligada ao setor mineral, o principal objetivo é aumentar a capacidade operacional das linhas existentes.

Como boa parte da malha pertence à iniciativa privada, os investimentos dependem diretamente da expansão dos projetos de mineração.

Um dos gargalos apontados está no trecho entre Pampa e Prat, na região de Antofagasta, onde as grandes diferenças de altitude reduzem significativamente a velocidade dos trens. Entre as alternativas estudadas estão a implantação de uma segunda via e novos desvios ferroviários para melhorar a fluidez das operações.

Mineração argentina pode impulsionar novos investimentos

A malha ferroviária que liga La Calera, na região de Valparaíso, até Iquique, em Tarapacá, é operada por empresas privadas como Ferronor e FCAB.

Segundo Dourthé, o crescimento da mineração na Argentina abre espaço para novos investimentos em infraestrutura ferroviária, já que parte da produção do país vizinho pode utilizar os portos chilenos como rota de exportação para o Oceano Pacífico.

O governo também pretende trabalhar em conjunto com os governos regionais para elaborar planos específicos, identificando oportunidades de desenvolvimento logístico em cada região.

Integração entre ferrovias e portos será prioridade

Na região central, o plano destaca a importância de ampliar a conexão ferroviária com os principais portos chilenos, especialmente Valparaíso e San Antonio.

Em San Antonio, projetos como corredores logísticos e o Terminal Intermodal Barranca devem fortalecer a movimentação de cargas por ferrovia.

Já em Valparaíso, o compartilhamento da infraestrutura com os trens de passageiros limita o transporte ferroviário de cargas ao período noturno. Entre as soluções analisadas estão a construção de um terminal intermodal e até mesmo de uma nova linha férrea dedicada às operações logísticas.

Concepción enfrenta desafio de equilibrar passageiros e cargas

A região de Concepción, considerada um dos principais polos produtivos do Chile, também integra o plano estratégico.

Apesar da elevada utilização da malha ferroviária, a convivência entre trens de passageiros e de carga exige investimentos para ampliar a capacidade operacional.

O governo avalia ainda a implantação de novos hubs logísticos que possam atender os portos de Coronel, Lirquén e San Vicente-Talcahuano, fortalecendo a integração entre ferrovia e sistema portuário.

Sul do Chile aposta na integração entre modais

No extremo sul do país, o cenário logístico é diferente devido à fragmentação territorial e à forte presença da navegação de cabotagem.

Nesse contexto, o plano não pretende substituir o transporte marítimo, mas integrar ferrovias, caminhões e cabotagem para criar uma cadeia logística mais eficiente.

A proposta prevê conectar a produção do sul ao sistema ferroviário com destino a Concepción, facilitando o escoamento das exportações e reduzindo custos operacionais.

Plano busca aumentar competitividade da logística chilena

Com visão de longo prazo, o plano mestre ferroviário pretende ampliar a participação do transporte ferroviário de cargas na matriz logística chilena, tornando o modal mais competitivo e sustentável.

A expectativa é que a cooperação entre governo, operadores ferroviários, autoridades regionais e iniciativa privada permita desenvolver uma infraestrutura capaz de atender ao crescimento da demanda por transporte e fortalecer o comércio exterior do país.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Portos chilenos movimentam 85 milhões de toneladas de carga entre janeiro e setembro de 2025

Os portos do Chile movimentaram um total de 85.188.444 toneladas de carga entre janeiro e setembro de 2025, impulsionados principalmente pelas exportações de produtos, segundo dados analisados pelo PortalPortuario com base nos registros do Serviço Nacional de Aduanas.

Em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram transferidas 83.489.659 toneladas, houve um aumento de 1.698.485 toneladas, equivalente a 2,03% de crescimento.

Do total mais recente, 47.704.309 toneladas correspondem a exportações (queda de 0,30%), enquanto 37.484.134 toneladas estão relacionadas às importações, que cresceram 5,17%.

De acordo com as estatísticas aduaneiras, Caldera foi o porto com maior volume de carga exportada, com 5.995.606 toneladas, seguido por Patillos (5.030.356 toneladas) e San Antonio (3.828.568 toneladas).

Entre as principais zonas de entrada de carga, San Antonio liderou com 9.021.767 toneladas, seguido de Quintero (6.147.742 toneladas) e Mejillones (6.022.564 toneladas).

No que diz respeito às 47.704.309 toneladas exportadas em 2025, os minerais de cobre e seus concentrados foram o principal produto destinado ao exterior, com 11.131.241 toneladas, seguidos por minerais de ferro e seus concentrados (9.570.386 toneladas) e sal-gema, sal de salinas e sal marinho (6.612.657 toneladas).

Já entre os produtos importados, analisados pelo valor CIF (US$), o óleo diesel ficou em primeiro lugar com US$ 3.353.622.407, seguido pelos automóveis para transporte de pessoas (US$ 2.724.011.270) e automóveis para transporte de mercadorias (US$ 2.212.506.828).

FONTE: Portal Portuário
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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