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Governo marca leilão de terminal de contêineres em Fortaleza para dezembro

O governo federal agendou para 9 de dezembro o leilão do terminal de contêineres MUC04, localizado no Porto de Fortaleza, no Ceará. A disputa será a primeira promovida pelo governo federal para arrendamento de um terminal desse tipo em dez anos.

Considerado estratégico para a movimentação de cargas no Nordeste, o empreendimento recebeu, em setembro, autorização do Tribunal de Contas da União (TCU) para avançar à etapa de leilão.

A rodada também incluirá outros dois terminais portuários voltados ao transporte e à movimentação de fertilizantes, ampliando a agenda de concessões portuárias prevista para o fim do ano.

Leilão portuário terá três terminais em disputa

Além do MUC04, no Ceará, o cronograma prevê a concessão de duas instalações destinadas à movimentação de fertilizantes: uma no Porto de Salvador, na Bahia, e outra no Porto do Itaqui, no Maranhão.

Confira os principais detalhes dos empreendimentos:

  • MUC04 — Porto de Fortaleza (CE): terminal de contêineres considerado estratégico para a logística portuária do Nordeste.
  • SSD-A3 — Porto de Salvador (BA): instalação para movimentação de fertilizantes, com contrato de arrendamento de dez anos e previsão de R$ 6,4 milhões em investimentos. O projeto seguirá o modelo de arrendamento portuário simplificado.
  • IQI16 — Porto do Itaqui (MA): terminal destinado à movimentação de fertilizantes, com investimentos previstos de R$ 147 milhões.

A realização dos três leilões integra os esforços para ampliar a participação de operadores privados na infraestrutura portuária brasileira.

Porto de Fortaleza terá primeiro leilão de contêineres em dez anos

A licitação do MUC04 representa um marco para o setor, já que será a primeira vez em uma década que o governo federal realizará um leilão de terminal de contêineres.

A instalação tem relevância para a movimentação de cargas no Nordeste e poderá integrar os esforços para atender à demanda crescente por operações de comércio exterior.

A autorização do TCU, concedida em setembro, permitiu que o projeto avançasse para a fase de disputa pública, etapa necessária para a definição do futuro arrendatário.

Infraestrutura portuária enfrenta pressão por capacidade

O leilão ocorre em meio às discussões sobre a necessidade de ampliar a capacidade dos portos brasileiros para acompanhar o crescimento do transporte de contêineres.

Estudos recentes apontam sinais de pressão sobre a infraestrutura de alguns dos principais complexos portuários do país. O aumento da movimentação de cargas reforça a importância de investimentos em terminais, equipamentos e eficiência operacional.

Nesse cenário, as novas concessões podem contribuir para ampliar a capacidade logística e melhorar as condições de atendimento à demanda do comércio nacional e internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Amanda Perobelli

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Antaq identifica falhas de gestão e problemas de infraestrutura em cinco portos públicos

Fiscalização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou problemas de infraestrutura, baixa execução de investimentos e fragilidades administrativas em cinco portos públicos do país. O levantamento avaliou as autoridades responsáveis pelas instalações portuárias de Fortaleza, Natal, Manaus, Recife e Rio de Janeiro.

O diagnóstico aponta que, apesar da existência de estruturas formais de governança e planejamento, os mecanismos adotados não têm sido suficientes para assegurar melhorias efetivas na operação e na conservação das unidades.

Entre os principais problemas estão a degradação da infraestrutura portuária, dificuldades de manutenção dos canais de acesso, restrições de calado e baixa capacidade de execução de investimentos.

Fiscalização aponta problemas em infraestrutura e gestão

A inspeção encontrou falhas em estruturas como cais e píeres, além de limitações que podem afetar a eficiência das operações e a competitividade dos portos brasileiros.

No voto, o diretor-relator da Antaq, Alber Vasconcelos, afirmou que os problemas identificados não se resumem à elaboração de planos e políticas. Segundo ele, um dos principais desafios é transformar o planejamento em medidas concretas de conservação, segurança, melhoria dos acessos e exploração econômica das áreas portuárias.

Entre as cinco instalações analisadas, o Porto de Manaus foi classificado pela área técnica como o caso mais crítico.

Porto de Manaus concentra série de irregularidades

A fiscalização apontou descumprimentos recorrentes das atribuições de fiscalização da autoridade portuária de Manaus. Também foram identificadas falhas no acompanhamento de operadores e arrendatários, problemas nas informações contábeis e ausência de metas de desempenho formalizadas entre a entidade responsável pelo porto e o governo do Amazonas.

A operação da unidade também apresenta gargalos. Segundo o levantamento, há dificuldades na circulação interna, além da ausência de pátio de regulação e de um sistema eletrônico para agendamento.

A Antaq concluiu que a Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias não desempenha integralmente as funções relacionadas à organização da infraestrutura e à fiscalização das operações portuárias.

Porto de Natal enfrenta restrições de calado

No Porto de Natal, administrado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), os principais obstáculos estão relacionados ao assoreamento, à falta de dragagem e às restrições de calado.

A situação econômico-financeira da companhia também foi considerada preocupante pela agência. O diagnóstico aponta fluxos operacionais negativos, queda nas receitas e perda da linha regular de contêineres.

Diante do quadro, classificado pela área técnica como próximo da insolvência, foi recomendada a abertura de um processo para investigar os problemas estruturais. A Antaq também sugeriu que as conclusões sejam encaminhadas ao Ministério de Portos e Aeroportos.

Fortaleza tem avanços na gestão, mas enfrenta problemas no píer

No Porto de Fortaleza, a Companhia Docas do Ceará apresentou resultados positivos em áreas como governança, planejamento e controles internos.

Apesar dos avanços administrativos, a fiscalização identificou problemas relevantes na conservação do Píer Petroleiro, além de restrições de calado e dificuldades no acesso terrestre.

A situação da estrutura já havia levado à abertura de auto de infração e à interdição do tráfego de veículos na ponte de acesso ao píer.

Porto do Recife depende de recursos públicos

No Porto do Recife, a principal preocupação apontada pela fiscalização está relacionada à situação financeira. A unidade depende de recursos públicos e não dispõe de receitas próprias suficientes para custear as obras e serviços de manutenção considerados necessários.

A Antaq também identificou degradação da infraestrutura e déficit financeiro desde 2018. Segundo a agência, não foram adotadas medidas estruturais suficientes para solucionar o problema.

Diante desse cenário, a área técnica chegou a recomendar que a União avalie a possibilidade de denunciar o convênio de delegação do Porto do Recife, considerando a fragilidade financeira da autoridade portuária e as condições da infraestrutura.

Porto do Recife contesta avaliação e cita medidas recentes

Em nota, a administração do Porto do Recife informou que vem adotando, desde 2023, medidas para reduzir passivos, melhorar o equilíbrio financeiro e aumentar as receitas próprias.

Segundo o porto, o faturamento anual cresceu, em média, 20% no período, passando de R$ 48,6 milhões em 2024 para R$ 55 milhões em 2025.

A administração também citou investimentos em dragagem e sistemas de segurança, além de projetos voltados à manutenção, drenagem e pavimentação.

Outro ponto destacado foi a realização de leilões de arrendamento, que geraram mais de R$ 4 milhões em outorgas. O porto também mencionou o projeto do terminal REC08, que prevê investimento superior a R$ 50 milhões pela Liquiport.

De acordo com a administração, a dragagem em andamento deverá permitir calado operacional de 11,7 metros e diminuir as restrições provocadas pela maré para embarcações de maior porte.

O Porto do Recife afirmou ainda que o Plano Anual de Negócios de 2026 e a extensão do Convênio de Delegação de Competências até 2031 ampliam a segurança jurídica para novos investimentos.

Portos do Rio têm baixa execução de investimentos

A fiscalização da PortosRio, responsável pelos portos do Rio de Janeiro, reconheceu avanços em governança, integridade e planejamento estratégico. Por outro lado, foram identificados problemas financeiros e de execução de projetos.

Entre os pontos levantados estão o patrimônio líquido negativo, a dependência das receitas provenientes dos arrendamentos do Porto de Itaguaí e a baixa execução dos investimentos previstos.

Em 2024, estavam previstos R$ 471 milhões em investimentos, mas apenas 44,7% desse montante haviam sido executados.

Já em 2025, até fevereiro, a execução chegava a somente 0,4% dos R$ 316 milhões previstos.

A Antaq recomendou o aumento da execução dos projetos de infraestrutura, com atenção prioritária para obras de dragagem e para o reforço estrutural do Cais da Gamboa.

Antaq quer ampliar fiscalização para outros portos

A partir dos resultados obtidos, a Antaq pretende ampliar o trabalho de fiscalização para consolidar um diagnóstico em nível nacional.

A proposta é identificar padrões de desempenho, gargalos recorrentes e diferenças entre os diversos modelos de gestão portuária adotados no país.

No voto, Alber Vasconcelos avaliou que uma parcela significativa dos problemas encontrados não decorre necessariamente da ausência de planejamento, mas da dificuldade de transformar planos e estratégias em execução efetiva.

O diretor também defendeu o encaminhamento dos resultados ao Ministério de Portos e Aeroportos. A justificativa é que parte das fragilidades identificadas envolve situação financeira, capacidade de investimento e modelos de gestão, temas que ultrapassam a competência direta da agência reguladora.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Novo terminal de Fortaleza terá foco na exportação de frutas refrigeradas

O Porto de Fortaleza, no Ceará, está prestes a ganhar um novo terminal de contêineres com foco na movimentação de cargas do agronegócio, especialmente frutas destinadas ao mercado internacional. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a modelagem do edital para o leilão do MUC04, projeto que representa a retomada, depois de cerca de 20 anos, da licitação de um novo terminal desse segmento no país.

A futura estrutura deverá ampliar a capacidade logística do porto e oferecer condições mais adequadas para o transporte de cargas refrigeradas, setor fundamental para a exportação de frutas.

Terminal receberá R$ 429 milhões em investimentos

O vencedor do leilão assumirá um contrato de arrendamento com duração de 25 anos e deverá investir aproximadamente R$ 429 milhões na implantação e modernização da infraestrutura.

Atualmente, a movimentação de contêineres no Porto de Fortaleza ocorre de maneira descentralizada e é amparada por um contrato de transição. As operações estão concentradas em uma área de aproximadamente 88 mil metros quadrados.

Com o novo arrendamento, o MUC04 passará a ocupar uma área contínua de cerca de 148 mil metros quadrados, o que permitirá reorganizar o espaço, melhorar o fluxo operacional e implementar estruturas mais eficientes.

Estrutura amplia capacidade logística do Ceará

A expansão deverá fortalecer a oferta de serviços portuários para a hinterlândia do Ceará — região que concentra a área de influência econômica e logística do porto e que alcança diferentes estados do Nordeste e do Centro-Oeste.

A expectativa é que a nova infraestrutura contribua para reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das empresas e tornar mais eficiente o transporte da produção destinada aos mercados nacional e internacional.

Com capacidade projetada para movimentar até 360 mil TEUs por ano, o terminal também deverá gerar impactos no mercado de trabalho. A estimativa é de 379 empregos diretos, distribuídos entre atividades administrativas e operacionais.

Terminal será estratégico para exportação de frutas

O MUC04 será utilizado para movimentação e armazenamento de cargas conteinerizadas e terá importância estratégica para a logística regional.

Um dos principais focos está no escoamento da produção agrícola, especialmente de frutas. Esse tipo de carga exige cuidados específicos durante o transporte, já que a manutenção da temperatura adequada é essencial para preservar qualidade e validade até a chegada ao consumidor.

Por isso, a infraestrutura deverá contar com tomadas para contêineres refrigerados (reefer) e condições adequadas para garantir a eficiência da cadeia de frio.

A estrutura poderá facilitar o acesso de produtores e exportadores do Nordeste aos mercados internacionais, reduzindo etapas logísticas e aumentando a agilidade no embarque de produtos perecíveis.

Próximos passos do leilão

Após a avaliação das contribuições e recomendações apresentadas pelo TCU, o projeto seguirá para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A agência será responsável por dar continuidade aos procedimentos necessários para a realização do leilão do MUC04.

A expectativa é que a implantação do terminal represente um avanço na modernização do Porto de Fortaleza e amplie sua capacidade de atender às demandas do comércio exterior, principalmente em segmentos que dependem de infraestrutura especializada para cargas refrigeradas.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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TCU libera leilão do terminal de contêineres MUC04 em Fortaleza

O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou, na quarta-feira (2), a realização do primeiro leilão do governo para um terminal de contêineres. O ativo, identificado como MUC04, está localizado no Porto de Fortaleza (CE).

Antes da publicação do edital, porém, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) terão de atualizar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) do projeto.

A revisão poderá alterar para cima as projeções de movimentação previstas para o terminal.

TCU determina revisão da capacidade do terminal

Entre as determinações feitas pelo tribunal está a revisão do fator de conversão entre TEU e unidade utilizado na modelagem do empreendimento.

A análise técnica do TCU apontou que o sistema responsável pelo embarque e desembarque de cargas tem capacidade dinâmica estimada em apenas 360 mil TEUs. Na avaliação dos técnicos, esse seria o principal gargalo operacional do terminal e o elemento que limita sua capacidade total.

O relatório atribui a restrição à combinação de mudanças nos indicadores de produtividade do cais, incluindo a redução da chamada prancha geral e o aumento do tempo morto.

Outro fator considerado determinante foi a redução do coeficiente de conversão de 1,87 para 1,73 TEU por unidade.

Mudança no coeficiente reduz capacidade projetada

Segundo a área técnica do TCU, a alteração do fator de conversão diminuiu a capacidade líquida do cais. Na prática, o parâmetro representa a quantidade de TEUs que pode ser obtida a partir dos movimentos físicos realizados pelos equipamentos de movimentação de contêineres.

Com o coeficiente menor, o fluxo operacional do terminal seria limitado antes que os demais subsistemas alcançassem seu potencial máximo.

O governo explicou ao tribunal que a mudança ocorreu após uma revisão das premissas utilizadas para definir o perfil de cargas esperado durante o período de vigência do contrato.

A nova referência adotada foi a média observada no complexo portuário de Fortaleza/Pecém, considerando a expectativa de que o futuro perfil de movimentação do MUC04 se aproxime da composição média das cargas atualmente registradas na região.

Histórico do Porto de Fortaleza gera questionamentos

A área técnica do TCU, no entanto, observou que os dados históricos do Porto de Fortaleza indicam um fator de conversão entre 1,85 e 1,90 TEU por unidade.

Para os técnicos, esses números representariam de maneira mais fiel as características observadas nas operações realizadas no porto.

Com a determinação do tribunal para revisar o fator de conversão, ANTAQ e MPor também precisarão reavaliar a estimativa de demanda considerada na modelagem do terminal.

MUC04 terá investimento próximo de R$ 300 milhões

Na versão do projeto analisada pelo TCU, o MUC04 prevê aproximadamente R$ 300 milhões em investimentos (Capex).

O empreendimento é menor do que outros projetos de terminais de contêineres que fazem parte da carteira de futuras concessões do governo.

Entre eles estão o Tecon 10, planejado para o Porto de Santos (SP), e o novo arrendamento previsto para o Porto de Itajaí (SC).

A autorização do TCU permite que o governo avance na preparação do leilão, mas a publicação do edital dependerá da atualização dos estudos determinada pela corte.

Ministros homenageiam Bruno Dantas antes da sessão

Antes do início da votação dos processos, os ministros do TCU prestaram homenagens a Bruno Dantas, que anunciou nesta semana sua saída do tribunal.

O presidente da corte, Vital do Rêgo, destacou a atuação de Dantas na criação da SecexConsenso, estrutura voltada à busca de soluções consensuais para questões envolvendo a administração pública, durante o período em que esteve à frente do TCU.

Vital do Rêgo também ressaltou a experiência de Dantas nas áreas de direito processual e administrativo e sua compreensão dos desafios enfrentados por gestores públicos.

Rodrigo Pacheco ocupará vaga no tribunal

Durante a sessão, os ministros também comentaram a indicação de Rodrigo Pacheco, atualmente senador, para ocupar a cadeira que será deixada por Bruno Dantas.

O nome de Pacheco recebeu aprovação do Senado Federal na terça-feira (1º) e da Câmara dos Deputados na quarta-feira (2).

A mudança abrirá uma nova etapa na composição do TCU enquanto o governo avança nos preparativos para o leilão do terminal MUC04.

FONTE: Agência Infra
TEXTO: Redação
IMAGEM: ANTAQ

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Porto de Fortaleza registra alta na movimentação de cargas e projeta novo recorde em 2026

O Porto de Fortaleza encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultados acima das expectativas e reforçou a perspectiva de um ano histórico para a movimentação de cargas. Entre janeiro e junho, passaram pelo terminal 2,59 milhões de toneladas, volume 10,06% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 6,87% acima da meta estabelecida pela Companhia Docas do Ceará (CDC).

Além do desempenho operacional, a administração do porto prevê um avanço expressivo no turismo marítimo. Para a temporada de cruzeiros 2026/2027, a expectativa é de um crescimento de 70% no número de escalas, passando de cinco para nove navios entre outubro e abril, com estimativa de aproximadamente 14 mil passageiros.

Segundo o presidente da CDC, Quintino Vieira, o aumento reflete a recuperação do setor e o fortalecimento de Fortaleza como destino no roteiro dos cruzeiros marítimos.

Trigo, combustíveis e contêineres impulsionam a movimentação

O crescimento foi registrado em praticamente todos os segmentos de carga. A carga geral avançou 30,14%, impulsionada principalmente pelo transporte de equipamentos destinados ao setor de energia eólica, como pás e maquinários.

Já a movimentação de contêineres aumentou 14,57%, enquanto os granéis líquidos cresceram 7,63%. Os granéis sólidos agrícolas tiveram alta de 9,93% e os granéis sólidos minerais avançaram 1,40%, alcançando recorde mensal em maio deste ano.

A meta da CDC é movimentar 5,083 milhões de toneladas até o fim de 2026, superando em 2,51% o desempenho do ano anterior. No entanto, o resultado do primeiro semestre já ultrapassa o ritmo inicialmente previsto.

Porto lidera movimentação de trigo no Brasil

Os combustíveis, incluindo diesel, gasolina, GLP e querosene de aviação (QAV), representam 48,4% de toda a carga movimentada no semestre.

Os granéis sólidos respondem por outros 36,3% do volume, com destaque para o trigo, que corresponde a boa parte da movimentação agrícola.

De acordo com a Companhia Docas do Ceará, o Porto de Fortaleza movimenta cerca de 1,2 milhão de toneladas de trigo por ano, consolidando-se como o maior terminal brasileiro nesse segmento, à frente de outros importantes portos nacionais. O desempenho é atribuído à presença de três grandes moinhos instalados dentro da área portuária.

Grande parte do trigo chega da Argentina, por meio dos portos de Rosário, San Lorenzo e San Pedro. Já o coque de petróleo é importado dos Estados Unidos e da Colômbia, enquanto combustíveis são recebidos principalmente do México e do Caribe.

Nas exportações, as frutas destinadas ao mercado europeu, especialmente ao porto de Roterdã, na Holanda, continuam entre os principais produtos embarcados.

Outro fator apontado pela administração para manter o crescimento é a nova rota de cabotagem, iniciada em abril pelo grupo CMA CGM em parceria com a Mercosul Line.

Terminal de passageiros recebe investimento de R$ 6 milhões

O Terminal Marítimo de Passageiros passou por uma requalificação em seu acesso viário, com investimento de R$ 6 milhões realizado pela concessionária ABA Infra.

A obra teve como objetivo melhorar a segurança, facilitar o fluxo de veículos e oferecer mais conforto a passageiros, turistas, organizadores de eventos e operadores logísticos.

Além da intervenção, a CDC também executa a modernização do sistema de iluminação em LED em toda a área portuária e amplia a estrutura de videomonitoramento.

Embora o terminal seja utilizado para diferentes tipos de eventos, sua principal função continua sendo receber navios de cruzeiro durante a temporada turística, tradicionalmente realizada entre outubro e abril.

Atratividade turística ainda é desafio para ampliar cruzeiros

Apesar de possuir estrutura capaz de receber embarcações de grande porte, a administração do porto reconhece que o principal obstáculo para aumentar o número de escalas não está na infraestrutura.

Segundo a CDC, os desafios estão relacionados ao fortalecimento da atratividade turística de Fortaleza, aos custos operacionais e à integração da capital cearense com outras rotas internacionais de cruzeiros.

Plano de expansão prevê novos terminais e melhorias no canal

Nos próximos cinco anos, a Companhia Docas do Ceará pretende ampliar a capacidade operacional do porto por meio do arrendamento de três novos terminais: dois voltados para granéis sólidos minerais e um destinado à movimentação de contêineres e carga geral.

Outra frente de investimento envolve melhorias na infraestrutura aquaviária. Estudos conduzidos pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia da USP permitiram ampliar o calado operacional do Canal Oeste de 8 para 11,75 metros, possibilitando a atracação de navios maiores independentemente da maré.

Também está em processo de atualização junto à Marinha do Brasil um novo canal natural, denominado Canal Norte-Sul, com profundidade de até 12 metros. Além disso, a largura do Canal Oeste foi ampliada de 160 para 220 metros, aumentando a segurança e a eficiência das operações.

Mesmo com os investimentos, a administração reconhece que a expansão física do porto possui limitações por estar inserido em área urbana. Por isso, a estratégia de crescimento está concentrada na modernização da infraestrutura existente, na melhoria da eficiência operacional e na atração de investimentos privados.

FONTE: Movimento Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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