Indústria, Inovação

Inovação industrial em SC supera R$ 1 bilhão e avança do petróleo ao espaço

Santa Catarina alcançou um marco de R$ 1,02 bilhão em inovação industrial, reunindo projetos que vão da automação de plataformas de petróleo ao desenvolvimento de tecnologias espaciais. O volume considera iniciativas realizadas e em execução desde 2014 e representa uma carteira de 344 projetos desenvolvidos para 417 empresas.

A atuação envolve áreas como robótica, manufatura avançada, sistemas embarcados, inteligência artificial, bioeconomia, transição energética e tecnologias para o setor aeroespacial.

Um dos exemplos está em Joinville, onde pesquisadores do SENAI-SC desenvolveram um robô para automatizar parte da preparação, inspeção e pintura do casco de plataformas e embarcações. A tecnologia reduz o tempo da operação e diminui a exposição de trabalhadores a atividades realizadas a cerca de 30 metros de altura sobre o mar.

Rede de inovação está presente em diferentes regiões de SC

A estrutura tecnológica do SENAI acompanha a diversidade da economia catarinense. O estado conta com três Institutos SENAI de Inovação e sete Institutos SENAI de Tecnologia, especializados em áreas como manufatura, sistemas embarcados, processamento a laser, alimentos e bebidas, meio ambiente, setor têxtil, cerâmica, madeira e mobiliário, mobilidade elétrica e energias renováveis.

As unidades estão distribuídas por Florianópolis, Joinville, Chapecó, Blumenau, Brusque, Criciúma, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul.

Para Fabrízio Machado Pereira, diretor regional do SENAI/SC, a evolução da carteira demonstra a consolidação de uma estrutura criada para transformar pesquisa em soluções práticas para a indústria, com impacto em produtividade, segurança, qualidade e competitividade.

Laboratório de Chapecó amplia suporte à indústria de alimentos

No Oeste catarinense, o Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas recebeu credenciamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para realizar análises físico-químicas de produtos de origem animal e exames de microbiologia de alimentos.

A unidade se tornou o único laboratório de Santa Catarina habilitado nesse escopo. A previsão é que uma nova sede, prevista para 2027, amplie a estrutura em Chapecó de aproximadamente 900 para 3,5 mil metros quadrados.

A expansão deve aumentar a capacidade de atendimento às empresas de uma região marcada pela presença de grandes agroindústrias exportadoras.

Joinville recebe R$ 385 milhões em centros tecnológicos

No Norte do estado, a implantação de três centros tecnológicos em Joinville representa um investimento de R$ 385 milhões, em parceria com a Petrobras.

A estrutura será direcionada a segmentos como óleo e gás, robótica, processamento a laser e manufatura de equipamentos de alta complexidade.

O principal projeto é o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo), que concentra R$ 283 milhões e terá mais de 3 mil metros quadrados.

A unidade deverá desenvolver, fabricar e testar componentes considerados críticos para a indústria de petróleo e gás, incluindo equipamentos que atualmente dependem de importação.

Outros R$ 102 milhões serão destinados ao Centro Tecnológico de Robótica (CT ROB) e ao CT Laser. Apesar da origem ligada às demandas do setor offshore, as estruturas também poderão atender segmentos como automotivo, aeroespacial, naval, energia, mineração e transporte.

Robô reduz tempo e custos na manutenção offshore

Entre os projetos conduzidos em parceria com a Petrobras está o RDC-R, robô desenvolvido desde 2015 para atuar na preparação de superfícies, inspeção e pintura de plataformas e embarcações.

O equipamento pode cobrir cerca de 200 metros quadrados por hora, enquanto o processo convencional alcança aproximadamente 20 metros quadrados por dia.

A automação também reduz a equipe necessária de 20 para seis profissionais e diminui o prazo do serviço de 35 para 14 dias. Segundo os resultados apresentados, a tecnologia pode proporcionar uma redução de até 84% nos custos de manutenção.

Além do ganho operacional, o sistema contribui para a segurança do trabalho, ao reduzir a necessidade de profissionais suspensos em grandes alturas sobre o mar.

O projeto resultou em três patentes e teve a tecnologia transferida pela Petrobras para empresas prestadoras de serviços, permitindo que a solução avançasse da pesquisa para a aplicação comercial.

Tecnologia catarinense também chegou ao espaço

A inovação produzida em Santa Catarina também alcançou o setor espacial. O VCUB1 foi lançado em 15 de abril de 2023, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX.

Liderado pela Visiona, o projeto contou com a participação do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, do INPE e do IAE.

A missão terminou em fevereiro de 2025, quando o nanossatélite reentrou na atmosfera conforme o planejado. Durante quase dois anos em órbita, o equipamento manteve seus subsistemas em funcionamento e validou tecnologias nacionais de navegação, comunicação, gestão de bordo e captura de imagens.

Ao longo da missão, foram obtidos quase 500 mil quilômetros quadrados de imagens da superfície terrestre.

Catarina-A2 avança para futuro lançamento

A experiência adquirida com o VCUB1 também contribuiu para o desenvolvimento do Catarina-A2, projeto do SENAI integrado à Constelação Catarina, programa liderado pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

Em março de 2026, o nanossatélite concluiu testes de vibração e termovácuo no INPE e ficou tecnicamente preparado para a próxima etapa antes do lançamento.

O projeto recebeu R$ 5 milhões em emendas da bancada catarinense e deverá produzir dados para aplicações em meteorologia, agricultura, defesa civil, logística e monitoramento ambiental.

A data da missão ainda depende da contratação e da disponibilidade de um veículo lançador.

Inovação também transforma resíduos em novos produtos

A carteira de projetos do estado vai além da indústria pesada. O Banana Têxtil, desenvolvido em parceria com empresas como Musa da Terra, Eurofios, Altenburg e Pacoa Eco, pesquisa formas de transformar fibras do pseudocaule da bananeira em tecido e barbante.

A iniciativa aproxima agricultura, indústria têxtil e economia circular, utilizando um resíduo agrícola como matéria-prima para produtos de maior valor agregado.

Outro projeto, concluído em 2026, concentrou esforços no desenvolvimento de tecnologias para proteína cultivada. A pesquisa envolveu 34 pesquisadores e R$ 6,5 milhões, com resultados que incluem novos meios de cultura, uma plataforma multiômica apoiada por inteligência artificial e biomoléculas com possíveis aplicações nos setores de alimentos, cosméticos e medicamentos.

MagBras aposta na produção de ímãs de terras raras

Na área de transição energética, o programa MagBras reúne R$ 73 milhões, 28 empresas — incluindo 12 mineradoras —, sete instituições científicas e tecnológicas e três fundações.

Iniciada em junho de 2025, a iniciativa terá 36 meses para estruturar no Brasil uma cadeia de produção de ímãs permanentes de terras raras, abrangendo etapas que vão da pesquisa mineral à fabricação e reciclagem.

Os materiais são considerados estratégicos para motores elétricos, equipamentos industriais e diferentes tecnologias associadas à economia de baixo carbono.

Projetos aproximam pesquisa e linha de produção

Um dos desafios da inovação industrial é levar tecnologias desenvolvidas em laboratório até a produção em escala. Projetos realizados com a General Motors (GM) mostram esse processo.

O Smart Die System, por exemplo, foi desenvolvido para ajustar ferramentas e monitorar operações de estamparia. Nos testes realizados, a solução elevou a produtividade de 12 para 20 peças por minuto.

Já o Spark Eyes permite monitorar em tempo real milhares de pontos de solda de um veículo e apresenta potencial para ser utilizado em outras fábricas da montadora.

Em parceria com a CNH, pesquisadores de Florianópolis desenvolveram ainda um sistema de visão computacional para automatizar funções de colhedoras de cana. A tecnologia foi testada na Flórida e posteriormente apresentada à divisão global da empresa na Bélgica.

O projeto resultou em 14 pedidos de patente no Brasil, Estados Unidos, China e Índia.

Financiamento reduz riscos para empresas

A expansão dos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação é sustentada por uma combinação de contratos empresariais, recursos não reembolsáveis e mecanismos de compartilhamento do risco tecnológico.

Entre os instrumentos utilizados estão iniciativas da Embrapii, Finep, BNDES, Rota 2030 e Plataforma Inovação para a Indústria, além de recursos do próprio SENAI e parcerias com empresas, universidades, startups, fundações e instituições científicas.

O modelo busca reduzir a distância entre a criação de uma tecnologia e sua chegada ao mercado. Para as empresas, a divisão dos custos permite viabilizar projetos que podem exigir anos de desenvolvimento, testes e certificações antes de alcançar a produção em escala.

Para Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o avanço dos institutos contribui para fortalecer Santa Catarina como um polo de tecnologia e inovação de relevância nacional.

O volume acumulado de R$ 1,02 bilhão em inovação mostra a diversificação da pesquisa industrial catarinense. Os projetos abrangem setores que vão do agronegócio e da indústria automotiva ao petróleo, energia e espaço, com foco crescente em transformar conhecimento tecnológico em produtividade, competitividade e soluções de mercado.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Investimento

Empresas estrangeiras ampliam investimentos em inovação na China e reforçam centros de P&D

A China vem ampliando seu papel no cenário global ao atrair empresas estrangeiras não apenas para atividades industriais, mas também para projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). O movimento evidencia uma mudança estratégica das multinacionais, que passaram a enxergar o país como um ambiente favorável para inovação, desenvolvimento tecnológico e criação de novos produtos.

Um dos exemplos é a fabricante francesa de dispositivos médicos Stago, que opera uma unidade na Zona de Livre Comércio do Porto de Tianjin. Na fábrica, são produzidos analisadores automatizados de coagulação sanguínea destinados a hospitais e laboratórios chineses, utilizando componentes fornecidos tanto por empresas europeias quanto por fornecedores locais.

Pesquisa e desenvolvimento passam a integrar estratégia das multinacionais

Após mais de duas décadas de atuação no mercado chinês, a Stago expandiu suas atividades além da fabricação e passou a realizar pesquisa e desenvolvimento no país.

Segundo Sun Xiangchao, diretor da cadeia de suprimentos e produção da companhia na China, a decisão aproximou as equipes locais da matriz francesa, acelerando processos de inovação e tornando as decisões mais ágeis.

A estratégia acompanha uma transformação observada em diversas empresas internacionais, que deixaram de utilizar a China apenas como base de produção e passaram a incorporar centros de inovação em suas operações globais.

Investimento estrangeiro continua em expansão

A atratividade da economia chinesa segue elevada para investidores internacionais. Dados do Ministério do Comércio mostram que, nos cinco primeiros meses deste ano, cerca de 4 mil empresas com capital estrangeiro ampliaram seus investimentos no país.

De acordo com o porta-voz da pasta, He Yadong, os centros de P&D financiados por empresas internacionais tornaram-se parte importante do sistema de inovação chinês. Além de atender às demandas do mercado local, essas estruturas passaram a desempenhar papel estratégico no desenvolvimento de tecnologias destinadas ao mercado global.

Setor farmacêutico amplia presença no mercado chinês

Entre os investimentos recentes está o da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, que anunciou em junho um aporte adicional de 200 milhões de yuans (cerca de US$ 29,4 milhões) em sua unidade de Tianjin.

O objetivo é ampliar a capacidade de montagem de canetas injetoras utilizadas em tratamentos médicos. Durante o anúncio, o presidente e CEO da empresa, Maziar Mike Doustdar, destacou que a inovação desenvolvida na China passou a ocupar posição estratégica dentro dos planos globais da companhia.

Segundo o executivo, as soluções criadas no mercado chinês podem servir de referência para outras operações internacionais.

Políticas públicas incentivam desenvolvimento tecnológico

O ambiente favorável aos investimentos também é impulsionado pelas diretrizes do governo chinês. O 15º Plano Quinquenal estabelece como prioridade o fortalecimento da iniciativa China Saudável, além de posicionar a biomedicina entre os setores estratégicos para o crescimento econômico e tecnológico do país.

Esse cenário tem estimulado empresas multinacionais a instalar operações de alta tecnologia voltadas tanto para produção quanto para pesquisa.

Empresas globais ampliam centros de inovação

Outro exemplo dessa tendência é a GE HealthCare, que inaugurou em Tianjin seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para sistemas de Ressonância Magnética no Hemisfério Leste.

A unidade é a única base da empresa dedicada à pesquisa em sistemas completos de ressonância magnética fora dos Estados Unidos.

Para Kelly Londy, presidente e CEO da divisão de Ressonância Magnética da companhia, a instalação fortalece a rede global de inovação da empresa e confirma o papel crescente da China como referência no desenvolvimento de tecnologias para a área da saúde.

Empresas europeias demonstram maior confiança no mercado chinês

Um levantamento realizado pela Câmara de Comércio da União Europeia na China, em parceria com a consultoria Roland Berger, aponta recuperação da confiança das empresas europeias instaladas no país.

O estudo destaca que fatores como o ecossistema de pesquisa e desenvolvimento, a ampla disponibilidade de profissionais qualificados e a velocidade na comercialização de novas tecnologias têm incentivado multinacionais a ampliar suas atividades de inovação na China.

Ao mesmo tempo, o presidente da entidade, Jens Eskelund, observa que o ambiente competitivo exige alto nível de eficiência das empresas que desejam expandir seus negócios no mercado chinês.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Hu Zhenze/Xinhua

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Investimento

Santa Catarina atrai investimento de R$ 250 milhões de uma das maiores empresas de tecnologia médica do mundo

O governador Jorginho Mello anunciou nesta segunda-feira, 1º de junho, que Santa Catarina receberá um investimento de R$ 250 milhões da empresa chinesa Neusoft Medical Systems, uma das maiores companhias globais de tecnologia médica. A iniciativa marca a instalação da primeira unidade produtiva da companhia no Brasil, no município de Porto Belo. O anúncio foi realizado em ato na Casa d’Agronômica.

O projeto terá Porto Belo como base produtiva e operacional da empresa para atender o mercado brasileiro e, futuramente, ampliar a atuação para países da América Latina. A unidade catarinense terá como foco inicial a fabricação de equipamentos de Ressonância Magnética, tecnologia de alta complexidade e valor agregado. Cada equipamento produzido possui valor médio de US$ 2,2 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 10 milhões.

O governador Jorginho Mello destacou a importância da escolha do estado para receber o investimento. “Santa Catarina oferece segurança jurídica, mão de obra qualificada e um ambiente favorável aos negócios. Além de ser o estado mais seguro do país. A chegada da Neusoft Medical Systems representa mais desenvolvimento, inovação e oportunidades para os catarinenses, além de posicionar nosso estado como referência na produção de equipamentos médicos de alta tecnologia”, afirmou.

O anúncio reforça a estratégia do Governo do Estado, por meio da InvestSC, de atrair investimentos internacionais voltados à inovação e à geração de empregos qualificados. A expectativa é de que a operação gere cerca de 100 empregos diretos, além de impulsionar toda a cadeia produtiva ligada ao setor de saúde e tecnologia.

A Neusoft Medical Systems é uma das maiores empresas globais do setor de tecnologia médica, com sede na China. Reconhecida internacionalmente pela inovação aplicada à saúde, a companhia atua no desenvolvimento e fabricação de equipamentos de diagnóstico por imagem utilizados em hospitais e centros de saúde de diversos países.

O projeto no Brasil será desenvolvido em parceria com a empresa argentina Dinan, tradicional distribuidora de equipamentos médicos na América Latina. Além da implantação da fábrica, a empresa assumiu o compromisso de investir 5% do faturamento da operação em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em Santa Catarina.

A iniciativa também prevê a formação de parcerias com universidades catarinenses e programas estratégicos do Governo do Estado, como o Universidade Gratuita e o Programa Catarinense Técnico (CaTec), fortalecendo a integração entre setor produtivo, pesquisa científica e qualificação profissional.

O investimento foi apresentado oficialmente ao Governo de Santa Catarina durante missão institucional realizada à fábrica da Neusoft em Shenyang, na China, e a empresa já está na fase de implantação da operação em Porto Belo.

Participaram ainda do anúncio o embaixador honorário do Estado de Santa Catarina para assuntos da República Popular da China, Bruno Guaresi Maria Machado; o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert; o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi Silva; o secretário adjunto da Indústria, Comércio e Serviço, Edgard Usuy; o presidente da InvestSC, Gil Prayon; o secretário executivo de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, Paulo Bornhausen; o prefeito de Porto Belo, Joel Orlando Lucinda; o CEO Latam e responsável pela Neusoft Medical Systems na América Latina, Brian Liu; o CEO da Dinan Raios X, Adrian Robino; o vice-prefeito de Porto Belo, Ailton Neck; o diretor Latam da Dinan Raios X, Alberto Marioti e o presidente da Câmara de Vereadores de Porto Belo, Jonas Amadeu Raulino.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
IMAGEM: Leo Munhoz / SecomGOVSC

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