Agronegócio

Trigo no RS avança, mas frio e doenças exigem atenção durante a floração

As lavouras de trigo no Rio Grande do Sul seguem com desenvolvimento considerado satisfatório na maior parte do estado, mas apresentam diferentes estágios de evolução conforme a data de semeadura e as condições climáticas enfrentadas durante o ciclo.

O diagnóstico consta no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira (17). Nas áreas semeadas mais cedo, principalmente no Oeste gaúcho, algumas lavouras já chegaram ao enchimento de grãos e à maturação, com os primeiros trabalhos de colheita ocorrendo de maneira pontual.

De acordo com a Emater, 44% da área estadual de trigo está na fase de enchimento de grãos e 5% já atingiu a maturação. Entre as lavouras implantadas mais tarde, 12% permanecem no desenvolvimento vegetativo, enquanto 39% estão entre o espigamento e a floração.

Doenças exigem monitoramento nas lavouras de trigo

Apesar do bom desenvolvimento geral, o cenário fitossanitário requer atenção. Foram identificados casos de oídio, manchas foliares, ferrugens e giberela em diferentes áreas produtoras.

O monitoramento deve ser reforçado principalmente nas lavouras que estão em floração, fase em que condições de umidade e temperatura podem favorecer o avanço de doenças.

Para a safra 2026, a Emater estima uma área de 814,2 mil hectares cultivada com trigo no Rio Grande do Sul. A produtividade média projetada é de 2.701 quilos por hectare.

Santa Rosa concentra lavouras mais adiantadas

Na região de Santa Rosa, o ciclo do trigo está mais avançado. Cerca de 61% das lavouras já se encontram em enchimento de grãos e 7% chegaram à maturação.

Outros 28% estão em floração e 4% permanecem na fase de desenvolvimento vegetativo.

A avaliação regional aponta bom potencial produtivo, com quantidade adequada de espiguetas por espiga e, até o momento, ausência de problemas relacionados à fecundação.

Baixas temperaturas retardam trigo em Caxias do Sul

Em Caxias do Sul, o desenvolvimento das lavouras ocorre em ritmo mais lento. A combinação de temperaturas baixas, céu encoberto e menor disponibilidade de luminosidade atrasou o avanço das plantas.

A maior parte das áreas está entre o final do perfilhamento e o começo da elongação do colmo. Mesmo diante das condições meteorológicas adversas, a expectativa de produtividade continua considerada satisfatória.

Geadas mantêm alerta durante a floração em Santa Maria

Na região de Santa Maria, o município de Tupanciretã concentra uma parcela significativa das lavouras de trigo.

No local, 60% das áreas estão em floração, enquanto 20% se encontram em elongação e outros 20% já estão em enchimento de grãos.

Nas lavouras mais adiantadas, a ocorrência de frio intenso e geadas mantém o alerta durante a floração. Até o momento, porém, não há estimativa consolidada sobre eventuais perdas provocadas pelo fenômeno.

Aveia-branca também avança no Rio Grande do Sul

O ciclo da aveia-branca também apresenta evolução no estado. Das 387,7 mil hectares estimadas para a cultura, 49% estão em enchimento de grãos e 27% em floração.

Outros 11% permanecem em desenvolvimento vegetativo, 11% já alcançaram a maturação e 2% da área foram colhidos.

De maneira geral, as condições das lavouras são consideradas satisfatórias. Ainda assim, há registros pontuais de doenças foliares, principalmente ferrugens.

A produtividade média estadual da aveia-branca está projetada em 2.322 quilos por hectare.

Canola entra nas etapas finais do ciclo

A canola no Rio Grande do Sul também avança para o fim do ciclo. Aproximadamente 88% das lavouras estão entre a floração e o enchimento de grãos, enquanto 9% já atingiram a maturação.

A colheita começou de forma pontual e alcança 1% da área cultivada.

A ocorrência de períodos mais ensolarados, temperaturas favoráveis e menor umidade relativa do ar contribuiu para o desenvolvimento da cultura e aumentou a presença de polinizadores nas áreas em floração.

Por outro lado, as geadas podem ter causado danos localizados em lavouras que ainda estavam em formação, especialmente com possível comprometimento parcial do enchimento das síliquas. As perdas ainda não foram dimensionadas.

A área de canola estimada para o estado é de 353,4 mil hectares, com produtividade média prevista em 1.619 quilos por hectare.

Carinata e cevada avançam com tempo mais firme

Na cultura da carinata, 62% das lavouras estão em enchimento de grãos, 32% em floração, 3% em desenvolvimento vegetativo e outros 3% em maturação.

Em Frederico Westphalen, 70% das áreas estão em enchimento de grãos e 30% em maturação, com produtividade estimada próxima de 1.100 quilos por hectare.

Em Ijuí, 80% das lavouras estão em granação, 15% em floração e 5% em maturação.

A cevada também apresentou avanço com a ocorrência de períodos de tempo firme. Nas principais regiões produtoras, as chuvas de maior volume não provocaram impactos considerados relevantes.

Atualmente, metade da área está em desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 20% em enchimento de grãos. Algumas lavouras já começam a alcançar a maturação.

A área estimada de cevada no estado é de 20,3 mil hectares, com produtividade média projetada em 3.020 quilos por hectare.

Plantio do milho alcança 60% da área prevista

Entre as culturas de verão, o plantio do milho no RS chegou a 60% da área projetada. Na região Noroeste, a semeadura já está praticamente concluída.

As geadas provocaram danos principalmente nas lavouras implantadas mais cedo e em áreas mais suscetíveis à ocorrência do fenômeno.

Os produtores também avançaram nas aplicações de herbicidas e inseticidas. A cigarrinha do milho está entre as principais preocupações, devido ao aumento da incidência observado nas lavouras.

Para o milho, a Emater estima uma área de 896,4 mil hectares, produtividade média de 7.711 quilos por hectare e produção próxima de 6,91 milhões de toneladas.

Tempo seco acelera plantio do arroz

O plantio do arroz ganhou ritmo na região de Bagé, inicialmente com maior concentração na Fronteira Oeste. A intenção é cultivar 361 mil hectares na região.

Em Maçambará, 15% dos 16,9 mil hectares previstos já haviam sido semeados. A elevada capacidade operacional dos produtores tem permitido avanço rápido das atividades de campo.

Embora a previsão de temperaturas mais baixas possa retardar o estabelecimento inicial das plantas, a sequência de dias secos favoreceu o trabalho das máquinas.

O nível elevado das barragens e a recuperação das cotações do arroz também contribuem para melhorar as perspectivas dos produtores.

Frio reduz ritmo do plantio de feijão

A semeadura do feijão da primeira safra avançou no estado, mas as baixas temperaturas reduziram o ritmo de desenvolvimento inicial em algumas regiões.

Em Ijuí, 40% da área estimada já havia sido plantada. Em Pelotas, os trabalhos começaram pelas áreas mais protegidas e com menor risco de geada.

Em Soledade, no Baixo Vale do Rio Pardo, o plantio está próximo da conclusão. Já no Centro-Serra e no Alto da Serra do Botucaraí, as áreas estão sendo preparadas para o início da semeadura.

Umidade ainda dificulta atividade leiteira

Na pecuária de leite, o excesso de umidade e a formação de barro continuam dificultando o acesso às pastagens e algumas operações de manejo.

As condições também elevam o risco de mastite e problemas de casco em determinadas regiões.

Com a redução do encharcamento em parte das áreas, o acesso dos animais às forrageiras melhorou. Em Bagé, vacas mantidas em campo nativo apresentam recuperação da condição corporal, enquanto produtores sazonais começam a retomar as atividades.

Em Ijuí, os sistemas a pasto registraram pequena redução na produção, enquanto os modelos confinados mantiveram a produtividade. Nas propriedades com animais estabulados, ainda há dificuldade para controlar a umidade das camas, embora o conforto térmico seja considerado adequado.

Na região de Santa Rosa, períodos de excesso de umidade provocaram danos pontuais por pisoteio e dificultaram o manejo, mas não comprometeram a alimentação do rebanho. A utilização de silagem e concentrados continua, sobretudo para vacas em pico de lactação.

Chuva forte aumenta riscos na piscicultura

Na piscicultura, o frio e as geadas reduziram o apetite e a atividade dos peixes na região de Erechim.

A situação foi agravada pela chuva de até 150 milímetros registrada na sexta-feira (11). O elevado volume aumentou a turbidez dos viveiros e trouxe riscos relacionados à redução do oxigênio dissolvido, inversão térmica, transbordamentos e fuga de peixes em estruturas com pouca margem de segurança.

Apesar da turbidez, os açudes apresentam boa disponibilidade de água.

Rio Uruguai volta a afetar pesca artesanal

Na pesca artesanal, a elevação do nível do Rio Uruguai voltou a prejudicar pescadores de Porto Vera Cruz e de outros municípios da região de Santa Rosa.

Para reduzir o risco de perdas, a maior parte dos profissionais retirou redes e demais equipamentos da água. As embarcações permanecem nas margens enquanto persistem as condições desfavoráveis.

O cenário mostra que, além do avanço das principais culturas de inverno e do início das culturas de verão, o clima no Rio Grande do Sul continua sendo um dos principais fatores de atenção para a produção agrícola e as atividades do campo.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Notícias

Custo de produção de leite sobe 4,13% em 2026 e aumenta pressão sobre produtores

O custo de produção de leite avançou 1,47% em agosto e acumulou alta de 4,13% entre janeiro e agosto de 2026. Os dados são do ICPLeite/Embrapa e apontam para uma sequência de aumentos que pode apertar ainda mais as margens dos produtores nos próximos meses.

Agosto foi o segundo mês consecutivo de elevação significativa das despesas da atividade leiteira. O movimento ocorre em um cenário diferente do observado no custo de vida das famílias brasileiras, que registrou deflação de 0,32% no mês, segundo o IBGE.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o índice de inflação das famílias ficou em 3,11%, abaixo da variação registrada pelo custo da produção de leite.

Minerais e alimentação puxam alta dos custos

Entre os componentes avaliados pelo índice, o grupo minerais apresentou o maior aumento em agosto, com alta de 10,89%.

Outro destaque foi o grupo concentrado, que reúne itens utilizados na alimentação do rebanho. Os custos dessa categoria cresceram 3,35%, influenciados principalmente pela valorização da ração e do milho.

Segundo a análise da Embrapa, a elevação dos custos ainda não está associada aos efeitos do El Niño. O cenário atual está relacionado principalmente à menor oferta de pastagens, ao encarecimento dos grãos e à alta de insumos importados utilizados na alimentação dos animais.

A instituição também considera o impacto de um ambiente de maior tensão no mercado internacional, que pode afetar os preços de determinados insumos utilizados na atividade.

Custo do leite acelera em 12 meses

O avanço das despesas também aparece no acumulado de longo prazo. Nos 12 meses encerrados em agosto, o custo de produção de leite aumentou 3,73%.

O resultado representa mais que o dobro da variação de 1,72% registrada nos 12 meses encerrados em julho.

A mão de obra esteve entre os fatores que mais contribuíram para essa alta, principalmente devido à sua participação relevante na composição das despesas totais das propriedades leiteiras.

No acumulado de janeiro a agosto, os grupos minerais, sanidade e reprodução apresentaram aumentos de dois dígitos. Os gastos com mão de obra também registraram crescimento expressivo no período.

Produtor enfrenta cenário de margens mais apertadas

A combinação entre despesas maiores e a perspectiva de redução dos preços pagos pelo leite pode aumentar a pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Na avaliação da Embrapa, a tendência de custos mais elevados, associada à expectativa de menor remuneração recebida pelos produtores durante o segundo semestre, deve contribuir para uma redução das margens da produção leiteira até o verão.

O cenário deixa a atividade diante de um equilíbrio mais difícil. Enquanto despesas com alimentação, minerais, mão de obra e insumos avançam, existe a possibilidade de queda na remuneração obtida com a venda do leite.

O que é o ICPLeite/Embrapa?

O ICPLeite/Embrapa acompanha mensalmente a evolução dos custos de produção da atividade leiteira em propriedades de Minas Gerais.

O indicador considera diferentes grupos de despesas envolvidos na produção, como alimentação do rebanho, minerais, sanidade e reprodução, mão de obra, energia, além de outros insumos e serviços utilizados nas propriedades.

A evolução do índice serve como referência para acompanhar as mudanças nos custos enfrentados pelos produtores e os impactos sobre a atividade leiteira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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