Investimento

Tesouro Nacional prepara emissão de Panda Bonds na China e busca atrair investidores

O Tesouro Nacional intensificou as articulações com autoridades e investidores da China para viabilizar a emissão de Panda Bonds, títulos de renda fixa denominados em yuans. A iniciativa busca ampliar as fontes de financiamento do Brasil e diversificar a base de investidores da dívida pública, com a possibilidade de realizar a operação ainda em 2026.

Uma comitiva brasileira está no país asiático para discutir os procedimentos necessários à emissão e avaliar o interesse do mercado financeiro local. A estratégia também pretende estabelecer uma referência para empresas brasileiras interessadas em captar recursos na China.

Em comunicado, o Tesouro informou que mantém reuniões com diferentes autoridades e participantes do mercado chinês no âmbito das negociações para uma possível operação.

Tesouro Nacional negocia com autoridades chinesas

Na segunda-feira (19), o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, reuniu-se com Xuan Changneng, vice-governador do Banco Popular da China, para discutir oportunidades de cooperação financeira entre os dois países.

Além das conversas institucionais, o órgão realiza um roadshow com investidores chineses. A agenda tem como finalidade apresentar a proposta de emissão, identificar a demanda por títulos brasileiros e avaliar as condições para acessar o mercado local.

O governo estuda a operação desde pelo menos junho, mas ainda não estabeleceu uma data para o lançamento dos papéis.

Segundo o Tesouro Nacional, o cronograma dependerá da conclusão das etapas necessárias e, principalmente, das condições de mercado. A decisão, de acordo com o órgão, será baseada em critérios técnicos para garantir condições favoráveis à República.

A movimentação ocorre às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, sinalizando que o planejamento para acessar o mercado de dívida chinês segue em andamento, independentemente do resultado eleitoral.

Vale também planeja captar recursos com Panda Bonds

A estratégia brasileira de entrada no mercado chinês não se restringe ao governo federal. A Vale (VALE3) também anunciou planos para emitir títulos de dívida denominados em yuans.

Na terça-feira (20), a mineradora informou que pretende captar até 10 bilhões de yuans entre 2026 e 2028. O montante equivale a aproximadamente US$ 1,5 bilhão, ou R$ 7,5 bilhões, considerando os valores de câmbio mencionados.

A operação, entretanto, ainda depende da aprovação das autoridades chinesas e das condições vigentes no mercado financeiro.

Para o Tesouro Nacional, uma eventual emissão soberana poderá contribuir para dar visibilidade aos títulos brasileiros na China e servir de referência para companhias nacionais que desejam buscar financiamento junto a investidores asiáticos.

Emissões de Panda Bonds crescem no mercado internacional

A procura por Panda Bonds tem avançado no cenário global. No primeiro semestre de 2026, as emissões desses títulos movimentaram 160 bilhões de renminbis, moeda chinesa também conhecida como yuan. O volume representa um crescimento de 69% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse tipo de captação permite que governos e empresas estrangeiras diversifiquem suas fontes de financiamento e reduzam a dependência de mercados tradicionais, como o dos Estados Unidos.

Outro fator que contribui para o interesse é o custo potencial da dívida. Com as taxas de juros chinesas relativamente estáveis e os juros americanos próximos de níveis elevados, a emissão de títulos no mercado chinês pode oferecer condições competitivas de financiamento, dependendo do perfil do emissor e das condições de cada operação.

A possível entrada do Brasil nesse segmento, portanto, faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação da dívida pública e de aproximação financeira com a China, ao mesmo tempo que abre caminho para empresas brasileiras interessadas em acessar novas fontes de capital.

FONTE: Investidor 10
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Investidor 10

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Economia

Panda Bonds: Brasil inicia processo para emitir títulos em Yuan e ampliar acesso ao mercado financeiro chinês

O governo brasileiro deu início aos preparativos para emitir títulos da dívida pública em Yuan, moeda oficial da China. A operação, conhecida internacionalmente como panda bonds, faz parte da estratégia do Tesouro Nacional para diversificar fontes de financiamento, ampliar a base de investidores estrangeiros e fortalecer as relações financeiras entre Brasil e China.

O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, que destacou a relevância da iniciativa para a inserção do Brasil no mercado de capitais chinês.

Mercado chinês passa a ter acesso à dívida brasileira

A emissão dos panda bonds permitirá que investidores da China adquiram diretamente títulos da dívida pública brasileira. A medida amplia as possibilidades de captação de recursos pelo governo federal e reduz a dependência de mercados tradicionalmente concentrados em moedas como dólar e euro.

Segundo Daniel Leal, a operação representa um avanço importante na estratégia de internacionalização da dívida pública brasileira. Além de atrair novos investidores, a emissão em yuan também poderá servir de referência para empresas brasileiras interessadas em captar recursos no mercado financeiro chinês.

Diversificação fortalece estratégia do Tesouro

De acordo com o Tesouro Nacional, a diversificação geográfica e monetária das emissões externas contribui para ampliar a segurança financeira do país e fortalecer o mercado de capitais. Ao acessar novos investidores e novos indexadores, o governo cria alternativas de financiamento e estabelece parâmetros que podem facilitar futuras operações de empresas brasileiras no exterior. A iniciativa também acompanha uma tendência global de ampliação do uso de moedas alternativas nas relações financeiras internacionais.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, cumpre agenda na China nesta semana para avançar nas negociações relacionadas aos panda bonds e discutir outras iniciativas de cooperação econômica entre os dois países. Entre os temas previstos estão projetos ligados ao programa Eco Invest, voltado à atração de investimentos privados para iniciativas sustentáveis no Brasil. A programação inclui ainda um fórum sobre finanças verdes, tema considerado estratégico pelo governo para impulsionar projetos de infraestrutura sustentável, transição energética e economia de baixo carbono.

Reuniões com instituições financeiras e Banco do BRICS

Durante a visita oficial, Durigan deverá se reunir com importantes autoridades do sistema financeiro chinês, incluindo representantes do Banco Popular da China, do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS), presidido por Dilma Rousseff.

A agenda contempla ainda encontros com o Ministério das Finanças da China e a inauguração de uma unidade de representação da Receita Federal brasileira no país asiático, iniciativa que busca ampliar a cooperação fiscal e aduaneira entre as duas nações.

Captações internacionais seguem em expansão

A emissão dos panda bonds ocorre em um momento de fortalecimento da presença brasileira nos mercados internacionais. Em abril deste ano, o Tesouro Nacional realizou uma das maiores operações de captação externa da história recente, levantando 5 bilhões de euros em títulos públicos.

A oferta registrou forte demanda de investidores internacionais e foi complementada por outra emissão que captou US$ 4,5 bilhões. O desempenho reforça o interesse global pelos ativos brasileiros e incentiva o governo a buscar novas alternativas de financiamento em diferentes mercados.

Relação financeira entre Brasil e China ganha novo impulso

Maior parceiro comercial do Brasil, a China tem ampliado sua importância também no campo financeiro. A emissão de títulos brasileiros em yuan representa mais um passo na aproximação entre os dois países e sinaliza a intenção de ampliar os mecanismos de cooperação econômica.

Ao ingressar no mercado chinês de capitais, o Brasil fortalece sua estratégia de diversificação financeira e amplia sua participação em uma estrutura internacional cada vez mais multipolar, com maior protagonismo de instituições e moedas dos países emergentes.

Fonte: Brasil 247, Valor Econômico e Tesouro Nacional.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Ilustrativa criada por IA

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