Especialista

O que a Transamazônica me ensinou e que hoje levo para a gestão da frota

Por Fábio Lins

Minha história na logística começou muito antes de ocupar uma posição de gestão. Comecei como ajudante de motorista, conciliando uma rotina pesada de trabalho e estudos. Foi na estrada que tive minhas primeiras experiências com o transporte e comecei a entender, na prática, os desafios que envolvem uma operação logística.

Hoje, atuo como gestor comercial, de projetos e de frota na Sigatrans Logística. Depois de cerca de 30 anos no setor, percebo que grande parte da visão profissional que tenho atualment foi construída justamente durante os anos em que estive na operação.

Ao longo dessa trajetória, percorri o Brasil de norte a sul, literalmente do Chuí ao Oiapoque. Em 2010, vivi uma das experiências mais marcantes: a Transamazônica.

Enfrentei longos trechos de estrada de chão, percursos em que cerca de 60 quilômetros podiam representar 12 horas de viagem, além de situações de insegurança e dificuldades em regiões como Barra do Corda, onde passei por áreas de reserva indígena.

Essas experiências me ensinaram algo que continua presente na minha rotina: distância não é apenas quilometragem. É tempo, combustível, desgaste, manutenção, risco e custo.

Hoje, esse conhecimento prático contribui diretamente para minhas decisões na gestão de frota. Consigo olhar para números de distância, consumo e despesas dos veículos considerando também a realidade encontrada nas rotas.

Da operação para a gestão

A mudança da operação para a gestão também transformou minha forma de enxergar as pessoas.

Durante minha trajetória, vivi situações difíceis e até humilhações dentro de empresas e transportadoras. Quando passei a liderar, escolhi fazer diferente.

A empatia se tornou uma ferramenta indispensável de gestão. Antes de cobrar um resultado, procuro entender a dificuldade de quem está na ponta. O motorista enfrenta condições de estrada, pressão, imprevistos e longas jornadas. Conhecer essa realidade muda a maneira de tomar decisões.

Essa experiência também reforçou uma convicção: logística é feita por pessoas antes de ser feita por caminhões.

Três aprendizados de 30 anos de logística

Minha experiência profissional pode ser resumida em três aprendizados:

1. Pessoas vêm antes da operação.
Uma frota eficiente depende de uma equipe preparada e de uma gestão próxima.

2. Comercial e operação precisam caminhar juntos.
Prometer ao cliente é fácil quando não se conhece a realidade operacional. O resultado acontece quando as duas áreas trabalham alinhadas.

3. Quem conhece a estrada conhece melhor o cliente.
A experiência prática ajuda a compreender prazos, rotas, custos e dificuldades que nem sempre aparecem em uma planilha.

Não acredito em operação perfeita. Acredito em equipes preparadas, gestão presente e pessoas dispostas a resolver problemas.

Depois de três décadas na logística, minha experiência na estrada continua sendo uma ferramenta importante para a gestão. A diferença é que, hoje, ela se soma aos indicadores, aos projetos e aos números necessários para uma tomada de decisão mais precisa.

A Transamazônica, as longas viagens e as rotas difíceis foram uma espécie de faculdade prática. E é esse conhecimento que continuo levando comigo todos os dias: entender a estrada para compreender a operação, os custos, o cliente e, principalmente, as pessoas que fazem a logística acontecer.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Logística, Tecnologia

Mega operação logística da BYD! Desembarca mais de 2 mil veículos em tempo recorde no Brasil

A cidade de Itajaí, em Santa Catarina, foi palco de um feito inédito para o setor: a desova e movimentação de mais de dois mil veículos da BYD, a gigante chinesa que vem transformando o mercado automotivo global e brasileiro.

A complexidade da carga em contêineres e a agilidade necessária para o processo foram superadas por uma empresa local, consolidando a região como um polo estratégico para a distribuição de carros no país.

A gigante logística em ação: dois mil veículos da BYD desembarcam em Itajaí

operação logística que movimentou mais de dois mil veículos da BYD em Itajaí é um testemunho da capacidade e infraestrutura do setor no Sul do Brasil.

O processo, liderado pela Tecadi, uma das principais operadoras logísticas da região, começou com a chegada de mais de 665 contêineres no Porto de Itajaí, todos vindo diretamente da China. A dimensão da carga em contêineres já indicava a grandiosidade do desafio.

Desde o final de junho, quando a carga aportou, a operação não parou. Funcionando 24 horas por dia, a equipe da Tecadi orquestrou um verdadeiro balé de veículos e equipamentos.

O processo incluiu o transporte rodoviário dos contêineres do porto até o centro logístico da empresa em Itajaí, o descarregamento minucioso de cada veículo de dentro dos contêineres usando empilhadeiras especializadas e, por fim, o armazenamento seguro antes da distribuição para todo o território nacional.

Essa agilidade é crucial para que os veículos da BYD cheguem rapidamente às concessionárias e, consequentemente, aos consumidores brasileiros.

Rafael Dagnoni, co-fundador da Tecadi, destacou a importância do feito: “Esta operação marca um novo marco para a empresa, reforçando a confiança de grandes marcas globais na nossa infraestrutura e demonstrando nossa capacidade de executar operações complexas com agilidade, tecnologia e alinhamento com princípios de sustentabilidade e inovação.”

Essa confiança da BYD em um operador brasileiro sublinha a importância estratégica de Itajaí na cadeia de suprimentos da montadora.

Carga em contêineres: o desafio e a eficiência na desova dos veículos BYD

A movimentação de veículos automotores em carga em contêineres é um processo logístico que exige expertise e equipamentos específicos.

Diferente do transporte em navios roll-on/roll-off (que permite aos veículos rodarem para dentro e para fora do navio), o método em contêineres, embora mais complexo na desova, oferece vantagens em termos de segurança e proteção da carga contra intempéries e avarias durante o transporte marítimo.

Para a BYD, que vem expandindo rapidamente sua presença no mercado brasileiro, essa operação logística eficiente é vital.

Ela garante que os dois mil veículos da BYD desembarquem em perfeitas condições e estejam prontos para a distribuição. Melissa Toresin, supervisora de importação e exportação da BYD Auto do Brasil, elogiou o sucesso e a agilidade da movimentação dos veículos, ressaltando a “excelência operacional” da empresa parceira.

Essa colaboração é fundamental para o cumprimento dos prazos e para a satisfação da demanda crescente pelos carros eletrificados da marca.

Itajaí: o polo logístico que atrai gigantes como a BYD

A escolha de Itajaí para essa monumental operação logística não foi por acaso. A cidade e seu porto consolidaram-se como um dos principais hubs logísticos do Brasil, especialmente para o Sul e Sudeste do país.

Com operadoras logísticas proeminentes, infraestrutura robusta e uma localização estratégica, Itajaí oferece as condições ideais para movimentações de grande volume e alta complexidade.

A Tecadi, com mais de 18 anos de experiência e uma estrutura moderna que inclui mais de 300.000 m² de área de armazenagem e uma frota de mais de 460 veículos, demonstra a capacidade local para atender às necessidades de empresas do porte da BYD.

A capacidade de operar 24 horas por dia, sete dias por semana, entre os portos, é um diferencial que garante a fluidez necessária para a operação logística de volumes tão expressivos.

O sucesso na desova dos dois mil veículos da BYD é um testemunho da crescente importância de Itajaí no cenário logístico nacional, reforçando seu papel como porta de entrada para a chegada de veículos, especialmente os elétricos e híbridos que desenham o futuro da mobilidade no Brasil.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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