Transporte

Marinha Mercante pode enfrentar déficit de 500 oficiais até 2030, aponta estudo

A Marinha Mercante brasileira poderá chegar ao fim da década com um déficit de aproximadamente 500 oficiais, cenário que comprometeria a operação de cerca de 30 navios por falta de tripulação qualificada. A estimativa é de um estudo elaborado pelo Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (Cilip), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Fundação Vanzolini.

Atualizada semestralmente, a pesquisa teve sua versão mais recente divulgada em junho e foi encomendada pela Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) e pela Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam).

Falta de profissionais continua preocupando o setor

O levantamento mostra que, apesar da ampliação das vagas nas escolas de formação de oficiais, o número de novos profissionais ainda será insuficiente para acompanhar o crescimento da demanda da navegação mercante nos próximos anos.

Entre os principais indícios desse desequilíbrio está o aumento das vagas não preenchidas e da contratação de trabalhadores estrangeiros. De acordo com o estudo, a soma de postos em aberto e de oficiais estrangeiros empregados passou de 376 no segundo semestre de 2025 para 458 na atualização mais recente, evidenciando a dificuldade das empresas em encontrar mão de obra especializada no mercado nacional.

Expansão da cabotagem amplia necessidade de oficiais

Os pesquisadores destacam que a demanda por profissionais dependerá do desempenho de segmentos como a cabotagem, o apoio marítimo, a indústria de óleo e gás e os futuros projetos de energia eólica offshore. Mesmo sem considerar esse novo mercado, a previsão segue indicando escassez de cerca de 500 oficiais até 2030.

Para reduzir o déficit, o estudo recomenda ampliar as vagas dos cursos de Adaptação a Segundo Oficial de Máquinas e de Náutica, considerados os caminhos mais rápidos para aumentar a oferta de profissionais no médio prazo.

Outra sugestão é manter o preenchimento integral das vagas nas Escolas de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (Efomm), independentemente das oscilações da economia. Segundo os pesquisadores, reduzir o ingresso de alunos em períodos de menor atividade gera novos ciclos de escassez e prejudica o planejamento das empresas.

Cabotagem já sente impactos da escassez

O diretor-executivo da Abac, Luís Fernando Resano, afirma que a falta de oficiais da Marinha Mercante, principalmente de máquinas, já afeta as operações da cabotagem e pode limitar a expansão da frota brasileira.

Segundo ele, a deficiência é consequência de anos de restrições nos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo (FDEPM), responsável por financiar parte da formação desses profissionais.

Resano explica que a aprovação da Lei 14.301/2022, conhecida como BR do Mar, impulsionou a cabotagem e elevou a procura por mão de obra qualificada. No entanto, a formação de novos oficiais não acompanhou esse crescimento.

Empresas adotam medidas para manter operações

Diante da escassez de profissionais, empresas do setor recorreram a soluções emergenciais para evitar impactos nas operações. Entre as estratégias adotadas está o pagamento em dobro para oficiais que aceitaram trabalhar durante os períodos destinados ao descanso.

Segundo Resano, a medida permitiu manter o transporte marítimo funcionando sem interrupções, mas aumentou significativamente os custos operacionais das armadoras.

Além de defender a ampliação permanente das vagas nas escolas de formação, ele ressalta que existe grande interesse pela carreira marítima. Para o executivo, o principal desafio atualmente não é atrair candidatos, mas ampliar a capacidade de formação.

Enquanto isso, empresas associadas à Abac passaram a investir diretamente na qualificação de novos profissionais por meio de uma parceria com a Fundação de Estudos do Mar (Femar), assumindo integralmente os custos da capacitação de seus empregados.

Marinha afirma que ampliou vagas de formação

Em nota, a Marinha do Brasil informou que vem aumentando gradualmente a oferta de vagas nos cursos de formação e adaptação de oficiais, conforme a necessidade do setor e a capacidade das instituições de ensino.

Segundo a corporação, foram disponibilizadas 333 vagas em 2024. Em 2025, esse número subiu para 374 e, em 2026, chegou a 389 vagas, refletindo o esforço para ampliar a formação de profissionais destinados à Marinha Mercante.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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