Sustentabilidade

Norsul reduz 13 mil toneladas de CO₂ com tecnologia e eficiência energética na cabotagem

A Norsul, empresa de navegação de cabotagem, reduziu em cerca de 13 mil toneladas as emissões de CO₂ de sua frota ao combinar tecnologias de eficiência energética com medidas de otimização operacional.

A estratégia adotada pela companhia tem como foco diminuir o consumo de combustíveis fósseis e tornar a operação dos navios mais eficiente. Entre as ações estão ajustes de velocidade, planejamento de rotas, melhor aproveitamento da frota e adoção de soluções tecnológicas voltadas à redução do atrito das embarcações.

Entre 2023 e 2025, a Norsul registrou uma queda significativa na intensidade das emissões de gases de efeito estufa por milha navegada, tomando 2022 como ano-base. O resultado indica o impacto acumulado das iniciativas implementadas pela empresa.

“Essas medidas mostram que a eficiência energética não depende apenas de novos combustíveis, mas também de dados e tecnologia aplicados à operação do dia a dia”, afirma João Bottoni, gerente executivo de Frota da Norsul.

Segundo o executivo, além de contribuir para a redução de emissões, as medidas ajudam a diminuir custos e aumentar a confiabilidade da frota.

Tecnologia reduz atrito no casco dos navios

Uma das soluções adotadas pela Norsul está relacionada ao revestimento anti-incrustante de silicone aplicado ao casco de uma das embarcações durante uma docagem realizada em 2025.

A empresa utilizou uma tecnologia eletrostática para aplicar o revestimento. A solução cria uma superfície com menor atrito, reduzindo a resistência encontrada pelo navio durante a navegação e, consequentemente, o esforço necessário para seu deslocamento.

Além do ganho de eficiência energética, a tecnologia também diminui a perda de tinta para a atmosfera durante a aplicação, segundo Bottoni.

“O revestimento anti-incrustante de alta performance aumenta a eficiência energética do navio e a aplicação com essa tecnologia reduz a perda de tinta para atmosfera por overspray”, explica.

Sistema eletromagnético combate incrustações marinhas

Outra frente de atuação envolve uma solução desenvolvida pela BioRen, empresa do grupo Lorinvest, que também controla a Norsul.

O sistema utiliza componentes eletrônicos e um algoritmo próprio para produzir pulsos elétricos com diferentes frequências e potências. Esses pulsos formam um campo eletromagnético que atua sobre as superfícies expostas da embarcação.

A tecnologia gera uma corrente elétrica randômica no casco, dificultando a formação de incrustações marinhas. O mecanismo é especialmente relevante quando os navios permanecem longos períodos sem navegar, já que o acúmulo de organismos no casco aumenta o atrito com a água.

De acordo com estudos alinhados à ISO 19030 e às referências da International Towing Tank Conference, tecnologias anti-incrustantes desse tipo podem reduzir em até 35% as emissões de CO₂ e diminuir em até 20% a potência necessária para a navegação em comparação com métodos tradicionais.

Painéis solares e monitoramento também fazem parte da estratégia

A Norsul mantém outras iniciativas voltadas à eficiência energética na navegação. Entre elas está o Propeller Boss Cap Fins, dispositivo instalado na hélice que reduz a formação de vórtices e pode proporcionar economia de combustível de até 5%, com redução proporcional das emissões.

A companhia também instalou painéis solares em barcaças fundeadas, permitindo substituir parte do funcionamento de geradores movidos a diesel.

Outra frente utiliza Internet das Coisas (IoT) e softwares de monitoramento para acompanhar o desempenho operacional das embarcações e identificar oportunidades de ganho de eficiência.

A empresa ainda estuda alternativas para permitir o fornecimento de energia elétrica em terra aos navios durante períodos de permanência nos portos, reduzindo a necessidade de utilização dos equipamentos de geração de energia a bordo.

Eficiência prepara empresa para transição energética

Para a Norsul, as medidas de eficiência ganham importância diante do processo de descarbonização do transporte marítimo. Embora combustíveis alternativos aos derivados de petróleo já estejam disponíveis, a adoção em larga escala ainda enfrenta desafios relacionados a custos e disponibilidade.

“Os combustíveis alternativos aos fósseis já são uma realidade e uma rota para a descarbonização da navegação, mas ainda não alcançaram escala e competitividade de custo suficientes para uma adoção em massa pela indústria”, explica Bottoni.

Nesse cenário, a companhia considera que investir desde já em tecnologias capazes de reduzir o consumo de combustível ajuda a preparar a operação para uma futura mudança na matriz energética do setor.

As emissões da empresa são acompanhadas por meio do Inventário de Emissões da Norsul, publicado no registro público do Programa Brasileiro GHG Protocol. Os resultados também foram apresentados no mais recente Relatório de Sustentabilidade da companhia.

FONTE: Norsul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook