Transporte

Navio chinês com torre de 156 metros chega ao Brasil para construir maior ponte da América Latina

Um dos maiores equipamentos de engenharia marítima já construídos deixou a China com destino ao Brasil para participar de uma das obras de infraestrutura mais complexas em andamento no país. O navio de cravação de estacas CRCC Bridge Piling No. 1, também conhecido como Tie Jian Da Qiao Zhuang 1, fará parte da construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, na Bahia.

Com 130,5 metros de comprimento, 40,8 metros de largura e uma torre de cravação de impressionantes 156 metros de altura, a embarcação tem capacidade para movimentar estruturas de até 700 toneladas. O equipamento iniciou uma viagem de aproximadamente 45 dias até o Brasil e fará sua primeira operação internacional justamente em uma obra marcada por grandes desafios de engenharia.

A futura ponte terá 12,4 quilômetros construídos sobre a Baía de Todos-os-Santos. De acordo com o Governo da Bahia, será a maior ponte da América Latina sobre lâmina d’água.

Navio percorre 11.300 milhas náuticas até o Brasil

O CRCC Bridge Piling No. 1 partiu em 27 de setembro do Porto de Lüsi, na província chinesa de Jiangsu. Antes da saída, as equipes responsáveis elaboraram um planejamento específico para a travessia, incluindo análise de riscos, definição da rota e acompanhamento das condições durante o percurso.

A embarcação deixará a região da foz do Rio Yangtzé, passará pelo Estreito de Malaca e seguirá pelo Oceano Índico até contornar o Cabo da Boa Esperança, no sul da África. Depois, entrará no Atlântico Sul rumo ao litoral brasileiro.

A rota total prevista é de aproximadamente 11.300 milhas náuticas. O navio deverá chegar inicialmente às proximidades de Recife antes de prosseguir até a Bahia. A estimativa é de cerca de 45 dias para completar a travessia.

Torre de 156 metros permite trabalhar com estacas gigantes

Apesar das dimensões do casco, é a gigantesca torre instalada sobre o convés que mais chama atenção no equipamento.

Com 156 metros de altura, a estrutura permite executar trabalhos com estacas de grandes dimensões em águas profundas. O navio pode içar cargas de até 700 toneladas, manipular estacas com até 7 metros de diâmetro e atuar em profundidades de até 70 metros.

Algumas das estacas compatíveis com o equipamento ultrapassam 120 metros de comprimento. A combinação entre altura da torre, capacidade de içamento e profundidade operacional coloca a embarcação entre os equipamentos mais avançados de sua categoria.

Sistema permite posicionamento das estacas com precisão de centímetros

A tecnologia embarcada não se limita à capacidade de levantar estruturas extremamente pesadas. O navio também conta com sistemas destinados a garantir precisão durante a instalação das fundações.

O equipamento combina posicionamento dinâmico e sistemas de ancoragem. Sensores monitoram continuamente fatores como vento, ondas e correntes, enquanto os propulsores fazem ajustes para manter a embarcação na posição adequada.

A navegação de alta precisão também é integrada ao BeiDou, sistema chinês de navegação por satélite. A tecnologia permite controlar o posicionamento das estacas em escala de centímetros, mesmo durante operações em águas profundas.

Outro recurso aproveita a própria movimentação da estrutura hidráulica. Parte da energia gerada durante a descida ou inclinação da torre pode ser recuperada e convertida em eletricidade, com taxa de recuperação de até 40%.

Equipamento enfrentará águas de até 64 metros de profundidade

A escolha de um navio desse porte está diretamente relacionada às características do local onde a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica será construída.

No trecho central do empreendimento, a profundidade da Baía de Todos-os-Santos chega a aproximadamente 64 metros. Nesse cenário, equipamentos convencionais poderiam encontrar dificuldades para posicionar e cravar estacas de grandes dimensões com a estabilidade necessária.

As fundações terão a função de transferir para o solo submarino as cargas produzidas pela estrutura da ponte. Isso inclui o peso do tabuleiro e dos pilares, além dos esforços provocados pelo tráfego, vento e demais fatores que atuarão sobre a construção.

Vão principal da ponte será de 682 metros

O projeto passou por uma alteração relevante em 2026. O vão principal da parte estaiada foi ampliado de 482 para 682 metros.

A mudança foi planejada para proporcionar maior segurança à navegação e permitir a passagem de embarcações de grande porte. Com o novo desenho, a ponte passa a integrar o grupo das grandes pontes estaiadas do mundo em relação ao comprimento do vão principal.

O trecho central também terá aproximadamente 85 metros de altura livre sobre o nível do mar. O espaço foi dimensionado para atender à navegação de embarcações como navios Panamax e Neo-Panamax, além de grandes petroleiros, porta-contêineres e navios de cruzeiro.

O projeto, portanto, precisa solucionar simultaneamente dois grandes desafios: executar fundações em uma área de grande profundidade e preservar um corredor amplo e elevado para a circulação de navios na baía.

Ponte terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos

Quando estiver concluída, a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica terá 12,4 quilômetros inteiramente sobre a Baía de Todos-os-Santos. O Governo da Bahia considera a estrutura a maior ponte da América Latina quando analisada a extensão construída sobre a água.

A ponte, porém, é apenas uma parte de um projeto viário mais amplo.

O chamado Sistema Viário Oeste terá aproximadamente 46,8 quilômetros de intervenções. O empreendimento inclui novos acessos, túneis, viadutos, uma nova rodovia na Ilha de Itaparica e a duplicação de parte da BA-001.

Em Salvador, estão previstos cerca de 4 quilômetros de acessos e dois novos túneis paralelos aos já existentes na Via Expressa. Na Ilha de Itaparica, uma nova via expressa terá aproximadamente 22 quilômetros, enquanto outros 8,8 quilômetros da BA-001 serão duplicados.

Investimento estimado chega a R$ 11,6 bilhões

O investimento oficialmente estimado para o empreendimento chegou a R$ 11,6 bilhões. Nas divulgações mais recentes, o Governo da Bahia passou a apresentar o projeto como uma obra de aproximadamente R$ 12 bilhões.

As obras civis começaram em julho de 2026. Desde então, centenas de trabalhadores passaram a atuar nos canteiros localizados em São Roque do Paraguaçu, Vera Cruz e Salvador.

Também foram mobilizadas milhares de toneladas de materiais e equipamentos para as primeiras etapas da construção. O cronograma prevê a conclusão do empreendimento em 2031.

Após a entrega, a concessionária ficará responsável pela operação e manutenção do sistema, conforme as regras estabelecidas no contrato de concessão.

Outro navio já transportou mais de 800 toneladas da China

A chegada do gigantesco navio de cravação ocorre depois de outra operação logística realizada neste ano.

Anteriormente, um navio saiu de Xangai carregando mais de 800 toneladas de materiais distribuídos em 44 contêineres. A carga reunia aproximadamente 1.550 itens, avaliados em US$ 3,5 milhões, e percorreu cerca de 17 mil quilômetros até Salvador.

Entre os materiais estavam painéis, peças metálicas e componentes destinados principalmente à montagem da estrutura provisória que será utilizada como plataforma de trabalho sobre a água.

Desta vez, entretanto, o protagonista da travessia é o próprio equipamento que participará diretamente da execução das fundações da ponte.

Plataforma provisória terá cerca de 12 quilômetros

Antes da construção completa da ponte definitiva, o projeto prevê a instalação de uma Plataforma Linear Provisória com aproximadamente 12 quilômetros de extensão.

A estrutura será construída paralelamente ao eixo da futura ponte e funcionará como uma espécie de corredor industrial sobre a água. Por ela deverão circular máquinas, guindastes, equipamentos, materiais e trabalhadores durante diferentes fases da obra.

A solução pretende reduzir a dependência de embarcações de apoio e oferecer pontos fixos para a execução das estruturas.

Enquanto essa etapa avança, o CRCC Bridge Piling No. 1 atravessa uma rota intercontinental que passa pela Ásia, pelo Oceano Índico, pela costa africana e pelo Atlântico. Em sua primeira missão fora da China, o navio terá uma das tarefas mais complexas do empreendimento: instalar, no fundo da Baía de Todos-os-Santos, as enormes fundações que ajudarão a sustentar a futura maior ponte da América Latina sobre a água.

FONTE: Portal Tempo Novo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Notícias

Navio chinês com capacidade de vigilância provoca apreensão entre militares brasileiros

O navio chinês Ark Silk Road, oficialmente classificado como navio-hospital, deixou o porto do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (15), após uma permanência iniciada em 8 de janeiro. Apesar do discurso humanitário, a presença da embarcação gerou desconforto entre autoridades militares brasileiras, diante da suspeita de que o navio possui capacidade de vigilância e coleta de dados estratégicos ao longo do litoral nacional.

Segundo fontes militares ouvidas pelo Poder360, o Ark Silk Road dispõe de equipamentos capazes de mapear infraestrutura portuária, rotas marítimas e características geográficas sensíveis do país, o que despertou atenção da Marinha e de setores do governo federal.

Pedido diplomático não detalhou objetivos da missão

A autorização para atracação foi solicitada pela China em setembro de 2025, por meio de uma nota diplomática enviada em 15 daquele mês. O documento previa a permanência entre 8 e 15 de janeiro, mas não esclarecia os objetivos da viagem nem mencionava a chamada Missão Harmony 2025, posteriormente apresentada como a primeira operação humanitária internacional do navio.

A falta de informações detalhadas desde o início contribuiu para um clima de cautela diplomática em Brasília, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas na América Latina, conforme apuração do portal.

Estrutura do navio reforça suspeitas

Autoridades brasileiras também chamaram atenção para as características técnicas incomuns do Ark Silk Road. Embora classificado como navio-hospital, ele apresenta sensores, antenas e radares externos, tecnologias que ampliam significativamente sua capacidade de monitoramento e inteligência marítima.

De acordo com fontes ouvidas, o uso desse tipo de embarcação como plataforma de reconhecimento é mais frequente entre países que mantêm acordos bilaterais de cooperação militar, o que não é o caso da relação entre Brasil e China, tornando a visita ainda mais sensível do ponto de vista diplomático.

Não houve atendimento médico durante a estadia

A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro informou ao g1 que nenhum atendimento médico foi realizado no navio durante sua permanência. Segundo o órgão, o governo estadual apenas recepcionou os comandantes da embarcação no dia da atracação.

Em nota, o Pier Mauá reforçou que a visita não teve caráter humanitário. “Não há e não haverá atendimento médico no navio, tratando-se apenas de uma visita da delegação chinesa ao país para estreitar laços de amizade entre as duas nações”, informou o terminal portuário.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM:Reprodução/InfoMoney

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Portos

Navio chinês é desencalhado após três dias imobilizado na entrada do Porto de Santos

O navio graneleiro Shandong Xin Ze, de bandeira chinesa, foi desencalhado na manhã desta quarta-feira (17), após permanecer três dias imobilizado próximo ao canal de acesso ao Porto de Santos.

A operação de desencalhe foi realizada às 11h, em ação coordenada pela Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) e pela Autoridade Portuária de Santos (APS). Para liberar a embarcação, foram mobilizados quatro rebocadores da empresa especializada AWS e da Svitzer, que conduziram o navio com segurança até o Fundeadouro nº 6, área de fundeio localizada fora do canal de navegação.

O procedimento foi concluído com êxito, preservando tanto a segurança da navegação quanto a integridade estrutural do navio. Técnicos da Marinha realizarão inspeções a bordo para avaliar as condições da embarcação antes de autorizar o prosseguimento da viagem.

As autoridades reforçaram que não houve vazamento de óleo ou qualquer poluição no estuário de Santos. A coloração escura observada por alguns moradores na superfície da água é resultado do revolvimento de sedimentos provocado pela navegação em áreas rasas.

Relembre o caso
O Shandong Xin Ze, de propriedade da Shandong Shipping Corporation, transportava uma carga de fertilizantes e apresentou falha de máquinas no domingo (14), perdendo propulsão enquanto manobrava para entrar no porto.

A navegação no canal de Santos chegou a ser interrompida por três horas no dia do incidente, mas as operações foram normalizadas na sequência. Durante o período em que esteve encalhado, a embarcação foi monitorada por rebocadores para evitar que derivasse para áreas mais rasas.

A Capitania dos Portos instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as causas do acidente.

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Fonte: Santa Portal

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