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SCMC transformou concorrentes em comunidade e reúne empresas com faturamento superior a R$ 9 bilhões

Criado em meio aos desafios enfrentados pela indústria têxtil de Santa Catarina, o Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC) tornou-se um dos principais exemplos de colaboração empresarial no país. O movimento, iniciado em 2004 por empresas que disputavam o mesmo mercado, reúne atualmente 49 associados, responsáveis por um faturamento anual superior a R$ 9 bilhões e cerca de 14 mil empregos.

A iniciativa surgiu em um período marcado pelo crescimento das importações de produtos chineses, quando empresários buscavam alternativas para manter a competitividade, preservar marcas tradicionais e fortalecer o setor têxtil catarinense.

União inédita entre concorrentes marcou o início do projeto

Na época, executivos de empresas como Marisol, Hering, Altenburg, Dudalina e Karsten decidiram romper um paradigma do mercado: compartilhar experiências com concorrentes diretos.

Em vez de encontros voltados a negociações comerciais, os empresários passaram a discutir desafios comuns, como a concorrência internacional, os custos de produção e a necessidade de inovação. A partir dessas conversas nasceu o SCMC, com a proposta de transformar a troca de conhecimento em vantagem competitiva para toda a cadeia produtiva.

Mais do que uma associação empresarial, o movimento consolidou um ambiente de colaboração envolvendo indústrias, profissionais, fornecedores, universidades e estudantes.

Colaboração substituiu o isolamento empresarial

A confiança construída entre as empresas permitiu iniciativas pouco comuns naquele momento. Presidentes e gestores passaram a visitar fábricas de outras marcas, conhecer processos produtivos e trocar experiências sobre gestão, inovação e desenvolvimento de produtos.

Sem comprometer estratégias comerciais ou eliminar a concorrência entre as empresas, o compartilhamento de boas práticas fortaleceu o setor e ampliou a capacidade de enfrentar desafios comuns.

As discussões também passaram a envolver fornecedores e parceiros da cadeia produtiva, impulsionando a adoção de novas tecnologias e soluções para aumentar a competitividade da indústria da moda catarinense.

Design e inovação ganharam papel estratégico

Ao longo das discussões, o grupo identificou que competir apenas por preço e escala seria insuficiente diante do avanço dos produtos importados.

A partir dessa percepção, o design, a criatividade e a construção de identidade para as marcas passaram a ocupar posição central na estratégia do movimento.

A própria escolha do nome Santa Catarina Moda e Cultura reflete essa visão, ao unir produção industrial, criatividade, comportamento e desenvolvimento cultural como elementos essenciais para agregar valor aos produtos.

Aproximação entre empresas e universidades fortaleceu formação de talentos

Outro eixo importante do SCMC foi estreitar o relacionamento entre a indústria e as instituições de ensino.

O movimento passou a desenvolver projetos com cursos de moda e design, aproximando estudantes dos desafios enfrentados pelas empresas e incentivando a criação de soluções alinhadas às demandas do mercado.

Com a participação de profissionais reconhecidos nacionalmente, como o estilista Mário Queiroz e o consultor Jackson Araújo, alunos passaram a desenvolver coleções e projetos em parceria com as empresas associadas, considerando aspectos como comportamento do consumidor, identidade das marcas, materiais e viabilidade produtiva.

Além de contribuir para a formação acadêmica, essa integração ajudou a preparar profissionais que posteriormente assumiram cargos estratégicos na indústria têxtil catarinense.

Programa revela novos profissionais para o setor

Um dos exemplos desse impacto é a trajetória da designer Simone Passarin.

Criada em uma família ligada à atividade têxtil, ela conheceu o SCMC durante a graduação, em 2009, experiência que ampliou sua visão sobre as possibilidades da carreira na indústria da moda.

Anos depois, Simone retornou ao movimento em uma nova função. Atualmente, atua como designer de moda e coordena o programa Moda Amanhã, iniciativa voltada à formação de novos talentos para o setor, levando sua experiência às universidades e aproximando estudantes das oportunidades existentes na indústria catarinense.

Comunidade ampliou atuação no Brasil e no exterior

Com o crescimento da rede de associados, o SCMC expandiu sua atuação para além das áreas de criação e design.

Hoje, o movimento reúne profissionais de tecnologia, branding, recursos humanos, áreas comerciais e gestão, promovendo intercâmbio de conhecimento entre diferentes segmentos das empresas.

A comunidade também realiza missões internacionais para centros de referência como Milão, na Itália, e China, permitindo que empresários acompanhem tendências globais de inovação, comportamento do consumidor, tecnologia e produção.

Outra iniciativa é a Rota do Algodão, em Minas Gerais, que aproxima profissionais da origem de uma das principais matérias-primas da cadeia têxtil, ampliando a compreensão sobre todas as etapas da produção.

Propósito permanece o mesmo após duas décadas

Segundo o presidente do SCMC, Marcel Eder Costa, a comunidade evoluiu ao longo dos últimos 20 anos sem perder o propósito que motivou sua criação.

Além do crescimento no número de empresas participantes, o foco passou a ser ampliar o impacto positivo dentro das organizações e na sociedade, mantendo como principal diferencial a colaboração entre empresas que continuam concorrentes, mas compartilham soluções para desafios comuns.

Para o dirigente, o mercado mudou profundamente desde 2004, assim como as necessidades das empresas. Ainda assim, o espírito de cooperação permanece sendo o principal patrimônio da comunidade, que antecipou um modelo de relacionamento hoje adotado por grandes organizações em diversos segmentos.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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