Tecnologia

Aviação brasileira se prepara para nova fase com reforma tributária e novas tecnologias

A aviação brasileira está entrando em uma nova fase, marcada pela implementação da reforma tributária, pelo avanço de novas tecnologias e pela necessidade de reforçar a segurança das operações. As mudanças estão entre as prioridades do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que apresentou medidas e projetos em andamento durante o Aviation Infra Summit, realizado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Na abertura do evento, o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, detalhou propostas que estão sendo discutidas para regulamentar a nova estrutura tributária e reduzir possíveis impactos sobre o setor aéreo.

Reforma tributária pode considerar eficiência ambiental

Uma das propostas apresentadas pelo MPor envolve a regulamentação do Imposto Seletivo, com a possibilidade de utilizar critérios ambientais para definir a incidência do tributo sobre aeronaves.

A ideia é estabelecer tratamento diferenciado para modelos mais eficientes, que atendam aos padrões mais recentes de certificação, utilizem integralmente combustível sustentável de aviação (SAF) ou apresentem níveis significativamente menores de emissão de CO₂.

Segundo Daniel Longo, a proposta busca evitar que aeronaves com melhor desempenho ambiental sejam submetidas ao imposto da mesma forma que modelos menos eficientes.

O Ministério também encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta para retirar a tributação sobre o transporte aéreo internacional em situações nas quais seja aplicado o princípio da reciprocidade, considerando entendimentos do Supremo Tribunal Federal relacionados a atividades regidas por tratados internacionais.

Aviação regional terá benefício tributário

Outro ponto em análise é a regulamentação do benefício fiscal destinado à aviação regional.

A Lei Complementar nº 214/2025 estabeleceu uma redução de 40% nas alíquotas do IBS e da CBS para o segmento. O MPor defende que a aplicação do benefício considere a característica da operação das companhias, e não apenas rotas específicas.

A proposta em discussão prevê que empresas cuja atuação seja predominantemente regional possam ter toda a sua malha considerada para fins de aplicação da redução tributária.

As regras fazem parte da preparação do setor para a implementação da nova estrutura de impostos. Segundo Longo, a regulamentação da reforma tributária é atualmente uma das principais prioridades da Secretaria Nacional de Aviação Civil.

Brasil prepara estrutura para mobilidade aérea avançada

A transformação do setor também envolve o desenvolvimento de novos modelos de transporte. Entre eles estão as aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas como eVTOLs, além dos drones.

Durante o evento, a diretora de Planejamento e Fomento da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), Julia Lopes, apresentou iniciativas do governo para preparar o país para a mobilidade aérea avançada.

A estruturação desse novo mercado exige integração entre diferentes áreas, incluindo espaço aéreo, vertiportos, telecomunicações, energia, segurança operacional, combate a incêndios, controle de ruído, saúde e proteção de dados.

A SAC também trabalha na elaboração de uma Política Nacional de Mobilidade Aérea Avançada, que deverá estabelecer diretrizes para o desenvolvimento do segmento e oferecer maior previsibilidade para empresas e investidores.

Novos veículos podem ampliar conexões regionais

A expectativa do governo é que a mobilidade aérea avançada complemente a infraestrutura existente e ajude a conectar cidades e regiões menores a aeroportos regionais e grandes centros.

A integração entre diferentes modais e novas tecnologias poderá ampliar a capilaridade do transporte aéreo e criar alternativas de deslocamento para passageiros.

Para isso, o planejamento precisa considerar desde as características do espaço aéreo e dos locais de operação até questões relacionadas ao impacto ambiental, segurança, ruído e infraestrutura energética.

Governo propõe novas regras para risco de fauna

A segurança operacional também esteve entre os temas discutidos no evento. A SAC apresentou uma proposta para aprimorar o gerenciamento do risco da fauna, questão relacionada à possibilidade de colisões entre aeronaves e animais.

A coordenadora de Segurança Operacional e Carga da SAC, Raquel Rocha, detalhou a proposta de decreto que regulamenta a Lei nº 12.725/2012. A legislação estabelece a Área de Segurança Aeroportuária (ASA), que corresponde a um raio de 20 quilômetros a partir do centro geométrico da maior pista de cada aeroporto.

Programa nacional terá atuação integrada

A proposta cria o Programa Nacional de Gerenciamento do Risco da Fauna e define atribuições para diferentes agentes envolvidos na prevenção de ocorrências.

Entre eles estão órgãos federais, prefeituras, operadores aeroportuários e responsáveis por atividades capazes de atrair animais para áreas próximas aos aeroportos.

O texto também prevê ações de fiscalização, monitoramento e integração entre órgãos públicos. A minuta foi elaborada conjuntamente pelo Ministério de Portos e Aeroportos, Ministério da Defesa e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

O documento está em análise na Casa Civil.

A proposta prevê ainda a criação do Comitê Nacional de Gerenciamento do Risco da Fauna, que será coordenado pela SAC e terá representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Ministério da Defesa e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Segurança depende também do entorno dos aeroportos

A estratégia pretende ampliar o gerenciamento do risco para além dos limites físicos dos aeroportos.

Isso ocorre porque a possibilidade de colisões com animais está relacionada também ao uso e à ocupação do solo no entorno dos aeródromos. Atividades que favorecem a presença de fauna nas proximidades podem aumentar os riscos para as operações.

A integração entre segurança aeroportuária, planejamento urbano, fiscalização e gestão ambiental será, portanto, um dos pontos centrais para reduzir ocorrências e garantir maior segurança à aviação brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa

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Aeroportos

Embraer realiza primeiro voo de eVTOL e marca avanço da mobilidade aérea no Brasil

A Embraer realizou o primeiro voo da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL), considerado um marco para a aviação brasileira e para o desenvolvimento da mobilidade aérea avançada no país. O feito foi destacado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) como um passo decisivo rumo à consolidação desse novo modal aéreo.

O voo integra a etapa de ensaios e validações técnicas, fundamental para o processo de certificação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que acompanha todas as fases do desenvolvimento do equipamento.

Empresas participam dos testes operacionais

As empresas Vertimob Infrastructure e PRS Aeroportos S.A. foram selecionadas para participar dos testes do eVTOL. Os dados obtidos nessa fase servirão de base para a formulação de normas definitivas, ampliando a segurança jurídica, incentivando a inovação tecnológica e apoiando a expansão da mobilidade aérea urbana no Brasil.

Segundo o secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, a Anac supervisiona desde os testes em solo até os voos experimentais e a avaliação dos sistemas da aeronave, assegurando conformidade com padrões internacionais de segurança e confiabilidade.

“A partir desse voo experimental, inicia-se oficialmente a campanha de certificação do equipamento, aguardada por diversas empresas no Brasil e no exterior”, afirmou.

Protagonismo brasileiro na aviação sustentável

Para o secretário, o avanço do projeto reforça o protagonismo do Brasil no cenário global da aviação e demonstra a capacidade da indústria nacional de liderar soluções inovadoras, alinhadas à transição energética e à redução das emissões de CO₂.

A iniciativa também impulsiona a preparação do país em áreas estratégicas como infraestrutura, regulação e planejamento operacional, incluindo o desenvolvimento de vertiportos — estruturas destinadas a pousos, decolagens, embarque de passageiros e recarga das aeronaves — e novos modelos de operação aérea.

Investimentos em inovação e pesquisa

O MPor atua de forma integrada para adaptar o sistema aéreo brasileiro às novas tecnologias. Em 2024, a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) firmou um Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com investimento de R$ 24 milhões.

Os recursos são destinados a estudos técnicos que darão suporte a políticas públicas voltadas aos serviços aéreos, à infraestrutura aeroportuária e à aeronáutica, com foco na Mobilidade Aérea Urbana.

“Esse investimento garante uma base técnica sólida para orientar decisões estratégicas do poder público e preparar o Brasil para a incorporação segura e eficiente dos novos modais aéreos”, destacou Daniel Longo.

Sandbox regulatório para vertiportos

Em paralelo, a Anac estruturou um sandbox regulatório específico para vertiportos, criando um ambiente controlado para testar soluções inovadoras ligadas à operação de eVTOLs.

A iniciativa permite a avaliação prática da infraestrutura, dos requisitos de segurança e dos procedimentos operacionais, com flexibilização regulatória temporária e acompanhamento técnico contínuo da Agência.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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