Logística

Infraestrutura logística: acessos ruins e falta de espaço nos portos elevam custos no Brasil

A expansão da produção brasileira esbarra em gargalos logísticos que vão além da capacidade dos terminais portuários. Quando rodovias, ferrovias e hidrovias não acompanham o ritmo do setor produtivo, os impactos aparecem principalmente nos períodos de safra, com filas de caminhões, aumento do frete, riscos para a qualidade das cargas e pressão sobre os preços.

Filas de caminhões se agravam durante a safra

Um exemplo ocorreu em fevereiro, no auge da colheita da soja. O acesso ao Porto de Miritituba, no Pará, registrou uma fila de caminhões de aproximadamente 40 quilômetros na BR-163, uma das principais rotas de ligação entre o Centro-Oeste e o Arco Norte.

Transportadoras e produtores relataram aumento das despesas e dificuldades para cumprir os horários programados de entrega. O cenário evidencia como limitações na infraestrutura podem comprometer toda a cadeia de escoamento da produção agrícola.

As filas surgem quando a quantidade de veículos que chega aos terminais em um curto intervalo supera a capacidade de atendimento dos pontos de recebimento e controle existentes ao longo do corredor.

Durante o pico da safra, a concentração do fluxo em determinadas janelas torna o sistema ainda mais vulnerável. Chuvas, acidentes, fiscalizações e condições ruins de tráfego podem reduzir a velocidade dos veículos e provocar interrupções. Na chegada aos terminais, os acessos e pátios também operam próximos do limite.

Com a demora na descarga, os veículos se acumulam nas entradas e em vias do entorno. O resultado é um ciclo de congestionamento que aumenta progressivamente o tempo de espera e os custos da operação.

Demurrage pode ampliar impacto sobre a carga

Os efeitos dos gargalos não ficam restritos ao transporte rodoviário. Segundo Jesualdo Silva, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), atrasos também podem elevar os custos do transporte marítimo.

Um dos principais fatores é o demurrage, cobrança aplicada quando navios ou contêineres permanecem retidos além do período estabelecido em contrato. De acordo com a entidade, a taxa pode chegar a cerca de US$ 40 mil por dia, custo que acaba incorporado à operação e repassado à carga.

Para Silva, o impacto recai sobre toda a cadeia, reduzindo as margens de quem produz e movimenta as mercadorias.

Investimentos em infraestrutura ainda são insuficientes

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) considera que os congestionamentos registrados nos períodos de safra fazem parte de um problema estrutural. Para a entidade, a solução depende de planejamento de longo prazo, investimentos e melhorias na gestão dos corredores logísticos.

Embora os aportes federais tenham aumentado nos últimos dois anos, a avaliação da CNT é de que os recursos ainda não são suficientes para recuperar trechos considerados críticos.

O presidente da confederação, Vander Costa, defende maior integração entre os diferentes modais de transporte. Entre as medidas apontadas estão a implantação de pátios de triagem, sistemas de agendamento para recebimento de cargas e condomínios logísticos nas proximidades dos terminais.

A entidade também destaca a necessidade de ampliar a utilização de ferrovias e hidrovias, além de investimentos em dragagem e manutenção de vias navegáveis.

Dependência das rodovias aumenta os gargalos

Para Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, o Brasil enfrenta custos elevados para contornar deficiências de sua infraestrutura logística. Na avaliação dele, o adiamento de projetos estruturantes pode tornar o problema ainda mais caro no futuro.

Apesar da forte dependência do transporte rodoviário, Glanzmann ressalta a importância de avançar com projetos ferroviários e hidroviários. Segundo ele, grandes obras de infraestrutura exigem tempo para serem concluídas, o que torna necessário iniciar os projetos com antecedência.

O acesso aos terminais de Miritituba é apontado pelo executivo como exemplo do descompasso entre o crescimento da produção e a capacidade da infraestrutura de transporte.

A produção agrícola e mineral brasileira está concentrada em áreas do interior do país. Por isso, a eficiência dos portos depende também das condições das rotas utilizadas para levar as cargas até os terminais.

Condições das rodovias pressionam o escoamento

Os dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 reforçam o cenário. Dos 13,9 mil quilômetros analisados na região Norte, 81,3% foram classificados como regulares, ruins ou péssimos.

Segundo a CNT, problemas relacionados ao pavimento, à sinalização e à geometria das estradas interferem diretamente no desempenho dos corredores que conectam áreas produtoras aos portos do Arco Norte.

Além de aumentar o tempo de deslocamento e os custos operacionais, as condições inadequadas das vias elevam o risco de acidentes e dificultam o planejamento das entregas.

Porto de Santos também enfrenta limite de capacidade

Os gargalos não estão concentrados apenas no Norte do país. Em Santos, o aumento da movimentação, combinado a dificuldades de planejamento e à demora para liberar novas áreas, pode pressionar a capacidade de armazenamento e movimentação de contêineres.

Empresários afirmam que o Porto de Santos se aproxima do limite operacional em determinados segmentos, com restrições de espaço nos terminais.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que a ocupação ideal dos terminais para evitar filas de navios e caminhões seja de até 65% da capacidade.

No Porto de Santos, entretanto, o nível de utilização já ultrapassa 70%, segundo os dados citados no levantamento, sinalizando um cenário de pressão crescente sobre a capacidade portuária brasileira.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Gargalos logísticos em Mato Grosso elevam custos e reduzem competitividade da produção

Os gargalos logísticos em Mato Grosso têm pressionado os custos de produção e comprometido a competitividade do agronegócio estadual. No principal eixo de escoamento rumo ao Arco Norte, que conecta a BR-163 ao distrito de Miritituba, no Pará, produtores enfrentam atrasos, aumento do frete e menor previsibilidade nas entregas.

Em 2025, a movimentação de cargas em Miritituba alcançou cerca de 15,3 milhões de toneladas — alta de 24,6% em relação ao ano anterior. O crescimento da demanda, porém, não foi acompanhado por avanços proporcionais na infraestrutura, especialmente no trecho final de acesso aos terminais portuários, onde há restrições de fluxo e intervenções emergenciais.

Frete mais caro reduz margem do produtor

O impacto é direto na rentabilidade. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, o cenário reforça a urgência de investimentos estruturais para ampliar a capacidade e garantir maior previsibilidade logística.

De acordo com o vice-presidente norte da entidade, Ilson José Redivo, o frete entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) está em torno de R$ 20 por saca. Com a soja sendo comercializada a aproximadamente R$ 106 brutos — e menos de R$ 100 líquidos após encargos — o custo logístico compromete significativamente a margem do produtor.

Ele destaca ainda que o crescimento da produção não foi acompanhado por melhorias nas rodovias. Em períodos chuvosos, caminhões enfrentam trechos sem pavimentação e subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros.

Armazenagem insuficiente amplia pressão no escoamento

Outro entrave estrutural é a capacidade de armazenagem no estado, estimada em cerca de 52% do volume produzido. Esse déficit obriga os produtores a comercializar e escoar rapidamente a safra, concentrando o transporte no pico da colheita e pressionando ainda mais o sistema.

A produtora Katia Hoepers, de Santa Rita do Trivelato, aponta que o preço do diesel e a estrutura limitada no porto agravam a situação. Segundo ela, a falta de organização nos pontos de recebimento em Miritituba provoca longas filas de caminhões e amplia o tempo de espera durante a colheita.

No extremo norte do estado, em Alta Floresta, o produtor Mateus Berlanda relata dificuldades já nas estradas regionais. Chuvas intensas, solos argilosos e estradas de chão com pontes e bueiros danificados dificultam o tráfego. Mesmo após o transporte, ele afirma que os caminhões enfrentam espera de três a quatro dias nos armazéns.

Novo acesso pavimentado e expectativa do setor

Atualmente, o acesso aos terminais passa por melhorias emergenciais. Um novo trecho pavimentado, em traçado paralelo, está em construção e deve ser concluído em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece sensível ao elevado volume de caminhões.

Para o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, é necessário reavaliar a aplicação de recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação. Segundo ele, os produtores contribuem esperando retorno em infraestrutura, mas ainda não percebem resultados concretos no escoamento da produção.

Ferrogrão surge como alternativa estratégica

No médio e longo prazo, o setor produtivo aponta a Ferrogrão como projeto estratégico para reduzir a dependência do transporte rodoviário. Ainda não leiloada, a ferrovia é vista como solução capaz de transferir parte relevante da carga para o modal ferroviário, diminuindo o fluxo de caminhões na BR-163 e nos acessos a Miritituba.

A migração para o transporte ferroviário tende a aumentar a eficiência logística, melhorar a distribuição do fluxo e aliviar a pressão sobre os corredores de exportação destinados aos portos do Norte.

Enquanto as soluções estruturais não avançam, produtores de Mato Grosso continuam absorvendo os efeitos dos gargalos logísticos, enfrentando custos mais altos e maior insegurança operacional no escoamento da safra destinada ao mercado internacional.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mateus Dias / Aprosoja MT

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Logística

Corredor Norte enfrenta filas de caminhões e gargalos logísticos no escoamento da safra

O avanço da safra de soja já pressiona a infraestrutura do chamado Arco Norte, responsável por mais de 50% das exportações brasileiras de grãos. Entidades do setor alertam que os gargalos logísticos, recorrentes nos últimos anos, tendem a se agravar nesta temporada.

O principal entrave está no acesso ao terminal de transbordo de Miritituba, no município de Itaituba, no Pará. O corredor é estratégico para o envio de cargas aos portos de Barcarena e Santarém, que concentram parte relevante das exportações de grãos pelo Norte do país.

Filas na BR-163 e problemas estruturais

Com a colheita avançando em Mato Grosso, filas de caminhões de até 25 quilômetros já foram registradas na BR-163, principal via de ligação ao terminal de Miritituba.

Entre os fatores que agravam o cenário estão a falta de pavimentação e manutenção na chamada Estrada Transportuária. As melhorias previstas — incluindo a abertura de um novo acesso — têm orçamento estimado em R$ 105 milhões, com conclusão prevista entre maio e novembro deste ano.

Além disso, o período chuvoso, a ausência de agendamento eficiente para descarga no terminal e o redirecionamento de cargas que originalmente seguiriam para o terminal da Cargill, em Santarém — alvo recente de protestos indígenas — intensificaram os congestionamentos no trecho entre o Km 30 (entroncamento da BR-163 com a BR-230, a Transamazônica) e os terminais graneleiros de Miritituba.

Produtores avaliam condições do corredor

Cerca de 20 representantes de sindicatos rurais, acompanhados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), percorreram recentemente o trajeto logístico entre Mato Grosso e os portos do Arco Norte para avaliar as condições de escoamento da produção.

Segundo o presidente da entidade, Vilmondes Tomain, ainda existem aproximadamente 8 quilômetros sem pavimentação nos acessos aos terminais. Em períodos de chuva, o trecho se torna ainda mais crítico, comprometendo a previsibilidade do fluxo de cargas.

“Enquanto não houver pavimentação definitiva e melhorias estruturais, o setor continuará enfrentando limitações logísticas que impactam diretamente o escoamento da produção”, afirmou.

Investimentos e obras em andamento

A Associação dos Portos e Terminais de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport) informou que irá pavimentar 3,8 quilômetros da Estrada Transportuária. O investimento previsto é de R$ 21,6 milhões em obras, além de R$ 3,5 milhões destinados à manutenção. Um dos pontos mais críticos, o Morro Santo Antônio, com 406 metros de extensão, receberá cobertura em concreto armado.

Já a concessionária Via Brasil BR-163, responsável pela BR-163, esclareceu que a Estrada Transportuária não está sob sua gestão. A empresa, no entanto, iniciou a construção de um novo acesso aos terminais de Miritituba, com entrega prevista até novembro.

O projeto contempla uma via de 5,7 quilômetros, totalmente pavimentada e sinalizada, com investimento de R$ 80 milhões. A nova rota desviará o tráfego pesado da área urbana do distrito, com expectativa de reduzir ruídos, emissão de fumaça e riscos de acidentes.

Segundo a concessionária, as obras estão na fase final de drenagem profunda e substituição de solos instáveis. Mesmo durante o período chuvoso, os trabalhos avançam nos dias de clima favorável.

Pico da safra amplia pressão logística

Tradicionalmente, os gargalos se intensificam entre fevereiro e abril, período de pico da colheita. De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Pará (Aprosoja-PA), as chuvas dificultam a subida de caminhões em trechos críticos e aumentam o risco de atolamentos, ampliando as filas.

O presidente da entidade, Vanderlei Ataídes, destacou que a demanda por transporte cresce a cada ano. “No ciclo anterior já enfrentamos problemas, mas não nessa dimensão”, afirmou.

O diretor-executivo da Agência para o Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (Adecon), Edeon Vaz Ferreira, ponderou que o volume de caminhões com destino a Santarém é relativamente pequeno, já que a maior parte da carga segue por via fluvial. Ainda assim, eventuais paralisações no terminal da Cargill geram efeito cascata.

Segundo ele, caso o terminal deixe de receber grãos, forma-se um represamento que acaba direcionado a Miritituba para posterior embarque em barcaças. Se Santarém também não recebe as embarcações, o problema se amplia significativamente.

Arco Norte ganha peso nas exportações brasileiras

O Arco Norte consolidou-se como rota estratégica para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. No ano passado, os portos da região responderam por 37% das exportações brasileiras de soja, totalizando 39,76 milhões de toneladas — alta de 14% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Dados do governo federal indicam que, das 40,9 milhões de toneladas de milho exportadas pelo Brasil em 2025, 34,4 milhões de toneladas saíram por portos do Arco Norte, reforçando a relevância do corredor logístico para o agronegócio brasileiro.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lucas Nunes/Famato

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