Internacional

China critica plano dos EUA para criar bloco comercial de minerais críticos

A China manifestou oposição à proposta dos Estados Unidos de formar um bloco comercial preferencial com países aliados voltado ao fornecimento de minerais críticos. A posição foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que criticou a adoção de regras definidas por grupos restritos de países.

Segundo o governo chinês, iniciativas desse tipo podem prejudicar a ordem econômica e comercial internacional, ao impor normas que não representam os interesses globais. A pasta reforçou que a economia mundial deve ser regida por princípios amplos e não por acordos exclusivos.

China defende comércio internacional aberto e inclusivo

Durante coletiva de imprensa regular, o porta-voz do ministério, Lin Jian, afirmou que a manutenção de um ambiente comercial internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico atende aos interesses comuns de todas as nações.

A declaração sinaliza a preocupação de Pequim com movimentos que possam fragmentar cadeias globais de suprimentos, especialmente em áreas estratégicas como a de minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, transição energética e indústria de defesa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: David Gray/Reuters

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Tecnologia

IA no refino de terras raras do Brasil atrai parceria entre EUA e mineradora canadense

Os Estados Unidos e uma empresa canadense deram um novo passo estratégico para o desenvolvimento do refino de terras raras do Brasil. A mineradora Aclara Resources firmou um acordo de pesquisa e desenvolvimento com um laboratório nacional ligado ao Departamento de Energia dos EUA para aplicar inteligência artificial (IA) na separação de terras raras pesadas.

O anúncio foi divulgado pela companhia por meio de fato relevante ao mercado. Os estudos serão conduzidos no Argonne National Laboratory, um dos principais centros de pesquisa do governo norte-americano.

Como a inteligência artificial será aplicada

A iniciativa tem como foco aumentar a eficiência industrial e reduzir incertezas operacionais. A tecnologia empregada cria uma representação virtual da planta industrial, baseada em dados reais, modelos matemáticos e algoritmos de IA aplicada à mineração.

Com isso, será possível:

  • Simular o comportamento da operação;
  • Testar diferentes cenários produtivos;
  • Antecipar falhas antes da implementação física.

Esse modelo reduz riscos técnicos, otimiza custos e é especialmente relevante em minerais críticos, como as terras raras, cujos processos químicos são altamente sensíveis à variação do minério.

Ganhos operacionais no refino de terras raras

Segundo a empresa, o uso de inteligência artificial no refino contribui para:

  • Elevar as taxas de recuperação dos minerais;
  • Melhorar a eficiência da separação química;
  • Acelerar a transição de plantas-piloto para escala industrial.

Esses avanços são considerados estratégicos em um mercado global cada vez mais competitivo e concentrado.

Projeto Carina fortalece presença no Brasil

A Aclara é responsável pelo Projeto Carina, localizado em Nova Roma (GO), que já conta com financiamento do governo dos EUA por meio da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), agência que apoia investimentos estratégicos em países em desenvolvimento.

O empreendimento adota o modelo de argilas de adsorção iônica, no qual os elementos de terras raras estão adsorvidos na argila, e não em rochas duras — um tipo de depósito raro fora da China.

Esse modelo geológico permite:

  • Menor risco ambiental;
  • Custos operacionais reduzidos;
  • Processos de extração mais simples, sem perfuração profunda, detonações ou britagem pesada.

Planta piloto e cadeia produtiva internacional

Em abril de 2025, a empresa inaugurou uma planta piloto de terras raras pesadas em Aparecida de Goiânia. A unidade tem como principais produtos o disprósio e o térbio, além de outras terras raras leves e pesadas concentradas na forma de carbonato de terras raras.

Essa etapa é intermediária da cadeia produtiva. O material produzido no Brasil será enviado para uma planta da empresa nos Estados Unidos, onde passará pelo refino químico final até se transformar em óxidos de terras raras, produto comercial utilizado pela indústria.

Os óxidos são insumos essenciais para:

  • Veículos elétricos;
  • Turbinas eólicas;
  • Equipamentos eletrônicos;
  • Sistemas de defesa.

Perspectivas de longo prazo

De acordo com a Aclara, o Projeto Carina tem início de operações previsto para 2028, com vida útil estimada em 18 anos. Além do Brasil, a mineradora também mantém ativos no Chile, ampliando sua presença na América do Sul.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Investimento

Brasil e Arábia Saudita ampliam cooperação em minerais críticos e investimentos estratégicos

O Brasil e a Arábia Saudita deram novos passos para aprofundar a parceria estratégica em minerais críticos, com foco na atração de investimentos de longo prazo e no desenvolvimento de projetos considerados essenciais para a transição energética. A agenda foi discutida durante reunião oficial em Riad entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro saudita da Indústria e Recursos Minerais, Bandar Al-Khorayef.

Governança e ambiente regulatório em destaque

Durante o encontro, Alexandre Silveira apresentou os avanços institucionais do setor mineral brasileiro, destacando o fortalecimento da governança e da regulação como fatores-chave para aumentar a confiança de investidores internacionais.

Um dos principais pontos abordados foi a atuação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), órgão que reúne 18 ministérios e assessora diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na formulação das políticas do setor. Segundo o ministro, o conselho tem contribuído para aprimorar o licenciamento ambiental, reduzir gargalos burocráticos e melhorar a coordenação entre os órgãos públicos.

“Mesmo sendo um país federativo, o Brasil tem avançado na padronização regulatória e institucional, mantendo pilares como estabilidade legal, segurança jurídica e previsibilidade para investimentos de longo prazo”, afirmou Silveira.

Projetos estratégicos e potencial mineral brasileiro

No campo dos investimentos, o ministro ressaltou a atuação das empresas nacionais e os esforços do governo para viabilizar projetos estratégicos de minério de ferro de alta redução e de cobre, especialmente nos estados do Pará e de Minas Gerais. A iniciativa busca ampliar a competitividade do Brasil no mercado global de commodities minerais.

Silveira também destacou o expressivo potencial geológico do Brasil. Atualmente, apenas cerca de 30% do subsolo brasileiro está mapeado. Ainda assim, o país já se posiciona como a segunda maior reserva mundial de terras raras e a sétima maior reserva de urânio, o que reforça o interesse em ampliar parcerias internacionais no setor.

Interesse em novos aportes sauditas

Dentro desse contexto, o ministro manifestou interesse em receber no Brasil representantes da Manara Minerals, fundo saudita que é sócio da Vale S.A. na Vale Base Metals, responsável pela produção de cobre e níquel — minerais classificados como críticos para a transição energética.

O objetivo é avaliar oportunidades para expandir investimentos em projetos minerais considerados prioritários pelo governo brasileiro.

Grupo de trabalho e cadeia de valor mineral

Como encaminhamento prático, Brasil e Arábia Saudita decidiram criar um grupo de trabalho bilateral, com reuniões periódicas, inclusive em formato virtual, para analisar iniciativas conjuntas e dar mais agilidade à cooperação no setor mineral.

Silveira também destacou a importância de investimentos sauditas na cadeia de transformação mineral instalada no Brasil. Segundo o ministro, agregar valor à produção é essencial para impulsionar a industrialização, gerar empregos e promover inovação tecnológica. Em um cenário global no qual os minerais críticos ganham relevância estratégica semelhante à do petróleo, a integração entre mineração, indústria e energia torna-se cada vez mais decisiva.

Mapeamento geológico entra na pauta

Ao final da reunião, o ministro solicitou apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) para projetos voltados ao mapeamento do potencial mineral brasileiro. A ampliação do conhecimento geológico, segundo Silveira, é fundamental para criar bases sólidas que sustentem novos investimentos estruturantes no setor.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MME

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Internacional

EUA propõem ao Brasil grupo de trabalho sobre terras raras e minerais estratégicos

Os Estados Unidos sugeriram ao Brasil a criação de um grupo de trabalho voltado à cooperação no setor de minerais críticos e estratégicos, com ênfase nas terras raras — insumos essenciais para tecnologias de ponta.

A proposta foi apresentada pelo encarregado de Negócios norte-americano, Gabriel Escobar, em reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e de mineradoras. O Ibram confirmou a informação e destacou que será responsável por conduzir as discussões iniciais, em conjunto com a Embaixada dos EUA.

Investimentos e próximos encontros

Enquanto o governo brasileiro avalia a proposta, o Ibram discutirá com empresas associadas oportunidades de investimento na produção mineral nacional, que podem atrair capital norte-americano.

Novas reuniões entre representantes dos EUA e do setor mineral brasileiro estão previstas para 2025, incluindo um encontro em dezembro, nos Estados Unidos, promovido pela embaixada brasileira em parceria com o Ibram.

Contexto geopolítico e dependência da China

A iniciativa ocorre em meio às negociações comerciais entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, e ao debate sobre um possível acordo de fornecimento seguro de terras raras aos EUA. O tema ganhou relevância após a China restringir a exportação desses materiais, intensificando preocupações em Washington.

Atualmente, cerca de 60% da mineração mundial de terras raras ocorre em território chinês, mas o país domina 91% do refino global e 94% da produção de ímãs permanentes, usados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos militares. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta que essa concentração representa um risco geopolítico severo, pois permite à China controlar preços e o ritmo de avanços tecnológicos estratégicos.

Brasil no radar global de minerais críticos

O Brasil surge como um potencial parceiro estratégico: detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora sua produção e refino ainda sejam incipientes. A ausência de um marco regulatório específico e de uma cadeia produtiva consolidada limita o aproveitamento do recurso.

Mesmo assim, empresas ocidentais já iniciaram projetos de exploração e mapeamento geológico no país. Paralelamente, o governo federal criou o Conselho Nacional de Política Mineral, responsável por definir diretrizes para o uso sustentável e estratégico desses recursos. Na Câmara dos Deputados, avança o debate sobre a Política Nacional de Minerais Críticos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Internacional

Passo a passo, como a China assumiu o controle de minerais críticos no mundo

O controle chinês de terras raras vitais para a produção militar e tecnológica, como o samário e o disprósio, confere a Pequim enorme poder global

Há mais de um ano, a China vem criando um elaborado conjunto de regras para proteger suas exportações de minerais dos quais o resto do mundo não pode viver sem. Esses minerais com nomes obscuros, a maioria deles chamados de metais de terras raras, são vitais para a fabricação de uma vasta gama de bens militares e civis, desde caças a jatos até semicondutores e carros.

Os controles de exportação deram a Pequim uma enorme alavancagem porque a China é o fornecedor dominante. O país é o único produtor, por exemplo, de samário, um metal de terra rara usado em muitas aplicações militares.

A China também é o único país a dominar a difícil arte de refinar disprósio ultrapuro: o suprimento mundial inteiro, necessário para chips super-rápidos, vem de uma única fábrica perto de Xangai.

Talvez o mais importante: a China fabrica 90% dos ímãs de terras raras do mundo, usados em eletrônicos e motores elétricos. É a única produtora de alguns tipos de ímã pequenos usados em carros.

Pequim invocou as novas regras pela primeira vez no final do ano passado. Autoridades suspenderam as remessas para os Estados Unidos de quatro elementos metálicos, mas ainda não terras raras, em retaliação depois que Washington impôs limites rigorosos à exportação para a China dos semicondutores de mais alto desempenho.

Desde então, a China usou os controles de exportação para apertar cada vez mais o acesso às suas terras raras.

Esses controles se tornaram um ponto chave de discórdia com o governo dos EUA. Espera-se que sejam discutidos na quinta-feira, 30, quando o presidente Donald Trump se reunirá com Xi Jinping, o líder da China.

Altos formuladores de políticas dos EUA expressaram esperança após as negociações comerciais de domingo de que a China pudesse adiar a aplicação de suas novas regras. A China arrisca danos a longo prazo à sua própria economia com as normas, ao prejudicar a imagem do país como um fornecedor confiável.

Aqui está como a China construiu seu embargo regulatório em torno de minerais críticos.

Cronologia dos controles de exportação da China

1º de outubro de 2024

O tiro de largada: Requisitos detalhados de documentação

A China começa a exigir que os exportadores de metais de terras raras obtenham informações detalhadas de todos os clientes no exterior sobre exatamente como os metais serão usados em suas cadeias de suprimentos.

Resultado: A regra dá ao Ministério do Comércio um roteiro abrangente dos tipos e quantidades de terras raras de que empresas em todo o mundo precisam.

3 de dezembro de 2024

Restrições a quatro minerais que não são de terras raras

A China interrompe as exportações para os Estados Unidos de quatro elementos metálicos que não são de terras raras, mas ainda são muito necessários. O Ministério do Comércio restringe qualquer remessa adicional de gálio ou germânio, necessários para a fabricação de alguns tipos de semicondutores, e remessas de antimônio ou tungstênio, usados em munições e outras aplicações militares.

Resultado: Pela primeira vez, a China não apenas limita as exportações diretamente para os Estados Unidos, mas também proíbe empresas em outros países de transferir materiais para empresas dos EUA.

4 de abril de 2025

Controles de exportação sobre alguns metais e ímãs de terras raras

A China impõe controles de exportação em sete dos 17 elementos de terras raras, bem como em ímãs feitos com eles, interrompendo as remessas para todos os países, não apenas os Estados Unidos. Nos dois meses seguintes, o Ministério do Comércio aprova pouquíssimas licenças de exportação. Montadoras e seus fornecedores nos Estados Unidos, Europa e Japão esgotam seus estoques e, em alguns casos, atrasam a produção. O ritmo de emissão de licenças acelera durante o verão (do hemisfério norte), mas muitas fábricas no exterior ainda enfrentam escassez severa.

Resultado: Mais de seis meses depois, as exportações permanecem interrompidas para um elemento de terra rara, o samário, que é vital para ímãs militares. Para outras seis itens e para os ímãs, a China concede licenças de seis meses. Muitas dessas licenças precisarão de renovação em breve.

9 de outubro de 2025

Interrupção da transferência de segredos técnicos de terras raras

Em uma das várias ações naquele dia, o Ministério do Comércio da China ordena uma interrupção imediata, exceto com sua aprovação, de qualquer transferência para fora do país de tecnologia ou informação necessária para quase todo o processo de terras raras — da mineração à reciclagem. Para restringir os esforços de outros países para desenvolver seus próprios setores de terras raras, a ordem proíbe uma ampla gama de atividades, desde o licenciamento de propriedade intelectual chinesa até a contratação de pessoal da China.

Resultado: A China emprega amplamente os controles de exportação para tentar salvaguardar seu domínio quase completo sobre a indústria.

9 de outubro de 2025

Interrupção das exportações de equipamentos de processamento de terras raras.

O Ministério do Comércio também emite uma longa lista de fornos, produtos químicos e outros equipamentos e materiais que são essenciais para o processamento de terras raras, dizendo que nenhum tem permissão para deixar a China sem aprovação a partir de 8 de novembro.

Resultado: A China é a principal produtora de equipamentos para refinarias de terras raras e fábricas de ímãs, então isso pode atrasar os esforços de outros países para estabelecer sua própria produção.

9 de outubro de 2025

Bloqueio de exportações de mais cinco elementos de terras raras

O ministério adiciona mais cinco tipos de terra rara à lista de sete que foi emitida em 4 de abril para as quais são necessárias licenças de exportação, bem como ímãs e outros materiais feitos a partir delas. A regra entra em vigor em 8 de novembro.

Resultado: Ao expandir o número de terras raras que exigem licenças, o governo da China afirmaria uma autoridade mais ampla sobre as cadeias de suprimentos globais.

9 de outubro de 2025

Restrição de equipamentos de fabricação de baterias

O ministério emite uma longa lista de materiais de fabricação de baterias que não poderão deixar a China sem permissão especial a partir de 8 de novembro.

Resultado: Essas mudanças dariam à China mais poder sobre os fabricantes de veículos elétricos do mundo, que são grandes consumidores de baterias, bem como empresas de eletricidade que precisam de tecnologia chinesa para construir grandes baterias de armazenamento em rede para energia solar ou eólica.

9 de outubro de 2025

Proibição de exportações de serras diamantadas e equipamentos semelhantes

O ministério interrompe a exportação de materiais super-rígidos, como serras diamantadas, que são usadas na fabricação de semicondutores e pastilhas solares, a partir de 8 de novembro.

Conclusão: Isso poderia ajudar a China a alcançar a liderança na fabricação de semicondutores e proteger sua participação de 98% no mercado global na fabricação de pastilhas solares, o componente mais importante dos painéis solares.

9 de outubro de 2025

Controle do comércio de ímãs de terras raras fabricados fora da China

O ministério proíbe qualquer movimentação sem sua permissão através de qualquer fronteira nacional de ímãs feitos fora da China se as terras raras da China representarem pelo menos 0,1% do valor do ímã, a partir de 1º de dezembro. A permissão do ministério também é necessária para movimentações de ímãs feitos no exterior com tecnologias de terras raras originalmente desenvolvidas pela China. O ministério redigiu a regra de forma ambígua, de modo que possa se aplicar não apenas a ímãs, mas também a praticamente qualquer coisa fabricada fora da China que inclua vestígios de terras raras, desde motores elétricos a assentos de carro. Os pedidos de permissão ao ministério devem fornecer detalhes extensos sobre os produtos e como serão usados. Os pedidos para produção militar serão “em princípio” negados.

Resultado: A China, que se inclinou para a Rússia na guerra da Ucrânia, poderia usar esta regra para impedir que outros países fornecem armas à Ucrânia ou construam seu próprio arsenal.

14 de outubro de 2025

Interrupção das exportações para a Europa de chips de computador Nexperia

A Nexperia, uma empresa na Holanda que foi adquirida em 2018 por um consórcio chinês, anuncia que foi ordenada a interromper as exportações de semicondutores da China. As montadoras europeias, incluindo a Volkswagen, em breve devem ficar sem chips de computador.

Resultado: A China, que agiu depois que o governo holandês assumiu a direção da Nexperia, mostra novamente como pode usar os controles de exportação para afetar as cadeias de suprimentos globais.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: REUTERS/David Becker

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Comércio Exterior

Guerra Comercial EUA-China: quem vai recuar primeiro, Trump ou Xi?

A tensão entre Estados Unidos e China se intensifica à medida que a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo ganha novos desdobramentos. As negociações seguem estagnadas, enquanto ambos os países impõem tarifas pesadas que podem impactar diretamente o comércio global.

Disputa entre Washington e Pequim se agrava

Apesar de sucessivas rodadas de conversas, Washington e Pequim não avançaram significativamente nas negociações, exceto em um possível acordo sobre o TikTok. As novas tarifas devem entrar em vigor no próximo mês, e a expectativa é de que tragam efeitos negativos sobre a economia global.

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump declarou que a “guerra comercial já está em curso”, reforçando a postura de confronto. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que ainda há espaço para uma trégua tarifária, mas ressaltou que as tratativas ocorrerão “nas próximas semanas”.

As tensões aumentaram após a China anunciar restrições à exportação de minerais críticos, insumos estratégicos usados na produção de veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de inteligência artificial. O domínio chinês sobre esses recursos preocupa os EUA, que veem o movimento como um risco direto à indústria tecnológica e de defesa.

“Os Estados Unidos agora precisam lidar com um adversário capaz de ameaçar setores vitais da sua economia”, afirmou Henry Farrell, cientista político da Universidade Johns Hopkins, ao The New York Times.

A China, por sua vez, segue insatisfeita com as sanções tecnológicas impostas pelo Ocidente, especialmente as que restringem o acesso a chips e tecnologias avançadas de IA (inteligência artificial).

EUA tentam reduzir dependência dos minerais chineses

O governo Trump aposta em uma política industrial fortalecida para diminuir a dependência de insumos importados da China. O plano inclui investimentos estratégicos em empresas nacionais, como a Intel, para reforçar a competitividade americana.

“Quando se enfrenta uma economia não orientada pelo mercado, como a da China, é preciso adotar políticas industriais”, destacou Bessent em evento da CNBC.

Trump e o presidente Xi Jinping devem se encontrar na Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na Coreia do Sul, ainda este mês. O encontro pode definir os próximos passos da disputa.

Ambos os lados precisam mostrar resultados: a China enfrenta baixo consumo interno e instabilidade econômica, enquanto os agricultores americanos sofrem com a redução das exportações de soja. Em outro ponto de sua política externa, Trump afirmou que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se comprometeu a interromper a compra de petróleo russo, pressionando Pequim a seguir o mesmo caminho.

Justiça suspende demissões durante paralisação do governo

A juíza Susan Illston, do Tribunal Distrital de São Francisco, suspendeu temporariamente as demissões planejadas em meio ao fechamento parcial do governo. Segundo ela, a administração Trump “age como se as leis não se aplicassem mais”. O Departamento de Justiça alega que o presidente possui autoridade para reorganizar o funcionalismo federal.

Trump mira o Fisco americano

De acordo com o Wall Street Journal, o governo avalia indicar aliados de Trump para cargos estratégicos no IRS, o Fisco dos Estados Unidos. O objetivo seria enfraquecer a atuação de advogados internos e abrir espaço para investigações contra grupos ligados à esquerda, como a família Soros.

Suprema Corte analisa pacote bilionário de Elon Musk

A Suprema Corte de Delaware avaliou o pacote de remuneração de Elon Musk na Tesla, anulado anteriormente por questões de governança corporativa. Ainda sem decisão, o bilionário pode se beneficiar caso o novo plano de compensação seja aprovado após a reincorporação da Tesla no Texas.

Chobani alcança valor de mercado de US$ 20 bilhões

A Chobani levantou US$ 650 milhões em uma nova rodada de investimento, elevando sua avaliação para US$ 20 bilhões, segundo o DealBook. Os recursos financiarão a expansão da fábrica em Idaho (US$ 500 milhões) e a construção de uma nova planta em Nova York (US$ 1,2 bilhão).

Fundada há 20 anos, a empresa projeta US$ 3,8 bilhões em vendas líquidas em 2025, crescimento de 28% em relação ao ano anterior, e lucros de US$ 780 milhões, alta de 53%. A Chobani, que começou com iogurtes proteicos, agora aposta em leite vegetal, cafés e cremes, e recentemente adquiriu a Daily Harvest, produtora de alimentos à base de plantas.

“Este investimento é mais do que capital — é o reconhecimento do que construímos”, afirmou o fundador e CEO Hamdi Ulukaya.

Mammoth Brands compra fabricante de fraldas premium

A Mammoth Brands, dona das marcas Harry’s e Lume, anunciou a aquisição da Coterie, fabricante de fraldas premium, por um valor que pode ultrapassar US$ 1 bilhão. A Coterie, criada em 2018, tem receita anual acima de US$ 200 milhões e crescimento de 60% no último ano, mantendo lucratividade há três anos consecutivos.

O negócio inclui pagamento em dinheiro e ações, além de bônus vinculados ao desempenho. A empresa planeja entrar no varejo físico e ampliar sua linha de produtos para bebês.

“O segmento premium é o que mais cresce — estamos criando uma nova categoria”, declarou Jess Jacobs, CEO da Coterie.

Glass Lewis muda estratégia e abandona modelo único de voto

A consultoria Glass Lewis, uma das maiores do mundo em voto por procuração (proxy voting), anunciou que deixará de oferecer uma única recomendação de voto a partir de 2027. Seus 1.300 clientes poderão optar por políticas personalizadas, incluindo pautas ambientais, sociais e de governança (ESG).

A decisão ocorre após pressões políticas de republicanos contrários às recomendações favoráveis a pautas ESG. O CEO Bob Mann afirmou que o antigo modelo “não reflete mais a diversidade da base de clientes”.

“Com eleitores mais dispersos, a tendência é que a administração vença”, explicou Ann Lipton, professora de governança corporativa da Universidade do Colorado.

FONTE: New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Exportação

G7 reforça união contra controles de exportação da China e busca diversificar cadeias de suprimentos

Os ministros das Finanças do G7 — grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — decidiram manter uma posição conjunta diante dos novos controles de exportação da China sobre terras raras. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (16) pelo comissário econômico europeu, Valdis Dombrovskis, que destacou o compromisso dos países em coordenar respostas de curto prazo e diversificar fornecedores estratégicos.

G7 manifesta preocupação com restrições chinesas

Segundo Dombrovskis, há um consenso entre os parceiros do G7 sobre a gravidade das novas restrições impostas por Pequim.

“Ficou claro que os membros do G7 compartilham a preocupação com esses novos e amplos controles de exportação chineses, que ampliam o escopo dos minerais cobertos, mas também atingem toda a cadeia de valor, com disposições extraterritoriais bastante abrangentes”, afirmou o comissário europeu.

Coordenação e diálogo com a China

O grupo pretende coordenar ações conjuntas e manter diálogo direto com autoridades chinesas para tentar encontrar soluções de curto prazo que reduzam os impactos econômicos dessas medidas.

“Concordamos em coordenar esse trabalho e nossos compromissos com os colegas chineses para buscar soluções imediatas”, explicou Dombrovskis.

Diversificação das cadeias de suprimentos

Além das medidas emergenciais, o G7 também reforçou o compromisso de longo prazo com a diversificação e a resiliência das cadeias globais de suprimentos, especialmente no setor de minerais críticos usados em tecnologias de ponta, como baterias e semicondutores.

“Está claro que precisamos continuar o trabalho — que não é novo — sobre diversificação e fortalecimento das cadeias de suprimentos”, completou o comissário.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Investimento

Pentágono planeja investir US$ 1 bilhão em minerais críticos para reforçar estoque estratégico

O Pentágono pretende adquirir até US$ 1 bilhão em minerais críticos, segundo informações do Financial Times. O objetivo é fortalecer o estoque estratégico dos Estados Unidos, em meio à crescente preocupação com a dependência de matérias-primas da China. Os dados foram obtidos a partir de documentos recentes divulgados pela Agência de Logística de Defesa (DLA).

Reação às restrições chinesas e tensões comerciais

O plano de compra surge logo após o Ministério do Comércio da China anunciar novas restrições à exportação de terras raras e outros materiais essenciais para os setores de defesa e tecnologia. Em resposta, o presidente Donald Trump declarou na sexta-feira (10) que imporá uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro. Ele também prometeu estabelecer controles de exportação sobre softwares estratégicos.

China domina produção global de terras raras

Atualmente, a China é responsável por cerca de 70% da produção mundial de terras raras, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Esse monopólio chinês é visto há anos como uma ferramenta de pressão geopolítica, dada a importância desses elementos para a indústria militar e tecnológica.

Investimento em cobalto, antimônio e tântalo

De acordo com o Financial Times, a DLA pretende adquirir até US$ 500 milhões em cobalto, US$ 245 milhões em antimônio e US$ 100 milhões em tântalo. Esses minerais são fundamentais para a produção de baterias, ligas metálicas e componentes eletrônicos avançados.

Atualmente, a agência mantém estoques estratégicos de ligas metálicas, minérios e metais preciosos armazenados em diferentes depósitos pelo país. Em 2023, os ativos da DLA foram avaliados em aproximadamente US$ 1,3 bilhão, segundo o jornal britânico.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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