Comércio Exterior

Comércio entre Brasil e China bate recorde e soma US$ 143,3 bilhões em 2026

O comércio entre Brasil e China alcançou níveis históricos nos primeiros nove meses de 2026. As exportações brasileiras para o país asiático, as importações de produtos chineses e a corrente de comércio bilateral registraram recordes entre janeiro e setembro, consolidando a China como principal destino das vendas externas brasileiras e maior fornecedora de produtos ao Brasil.

As exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram 12% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a US$ 84,7 bilhões. Já as importações avançaram 9,9%, totalizando US$ 58,6 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio bilateral — que reúne exportações e importações — atingiu US$ 143,3 bilhões. O Brasil também registrou superávit comercial de US$ 26,1 bilhões na relação com os chineses.

Os dados foram compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Soja, petróleo e minério de ferro lideram exportações brasileiras

As commodities continuam dominando a pauta de exportações do Brasil para a China. Soja, petróleo bruto e minério de ferro, juntos, representam mais de 77% das vendas brasileiras destinadas ao país asiático.

A soja permaneceu na primeira posição, com US$ 30 bilhões em receitas entre janeiro e setembro. A China absorveu 70% de toda a soja exportada pelo Brasil no período.

O petróleo bruto ocupou o segundo lugar, movimentando US$ 21,8 bilhões. O valor representa um aumento de 49% em comparação com os nove primeiros meses de 2025.

Na sequência aparece o minério de ferro, tradicional produto da pauta exportadora brasileira. A carne bovina também figura entre os principais itens vendidos ao mercado chinês, mas sofreu uma retração de 8,5% neste ano, em meio à adoção de uma cota anual de importação estabelecida por Pequim.

Exportações de carne de frango crescem mais de 100%

Enquanto as vendas de carne bovina recuaram, os embarques de carne de frango brasileira para a China apresentaram forte expansão.

Entre janeiro e setembro, as exportações de carne e miúdos de frango aumentaram 113% em valor e 86% em volume. O produto ficou na sétima posição entre os dez principais itens exportados pelo Brasil ao mercado chinês e registrou o maior crescimento proporcional entre eles.

O minério de cobre também apresentou desempenho positivo. Os embarques avançaram 7,8%, garantindo ao produto a oitava colocação no ranking das principais exportações brasileiras para a China.

Sorgo e DDG ganham espaço no mercado chinês

Além dos produtos tradicionais, novas oportunidades começam a surgir na relação comercial entre os dois países. Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, destacou o avanço das vendas de sorgo e de grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla DDG, um subproduto da fabricação de etanol de milho.

Segundo o pesquisador, o crescimento dos embarques está relacionado à implementação de acordos bilaterais que ampliaram o acesso desses produtos brasileiros ao mercado chinês.

O DDG é utilizado principalmente na produção de ração animal. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 204 milhões do produto para todos os destinos, dos quais 53% foram destinados à China.

As vendas aos chineses eram pouco expressivas no ano passado, mas ganharam impulso após a assinatura de um protocolo bilateral em maio de 2025. Os embarques efetivos começaram em fevereiro deste ano.

O sorgo, por sua vez, obteve acesso ao mercado chinês por meio de um acordo fitossanitário firmado no fim de 2024. Com a ampliação das oportunidades comerciais, as exportações brasileiras da commodity somaram US$ 170 milhões nos nove primeiros meses de 2026.

Cariello ressaltou que esses avanços são relevantes porque a China busca diversificar seus fornecedores de insumos para alimentação animal, ao mesmo tempo que procura ampliar a produção doméstica.

Exportações de espodumênio avançam 339%

Outro destaque entre as vendas brasileiras foi o espodumênio, mineral utilizado na extração de lítio e associado à crescente demanda chinesa por minerais críticos, fundamentais para diferentes cadeias industriais e tecnologias.

As exportações brasileiras do mineral para a China atingiram US$ 172,3 milhões entre janeiro e setembro, uma alta de 339% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

O mercado chinês respondeu por 97% das exportações brasileiras de espodumênio, evidenciando a concentração das vendas desse produto no país asiático.

Importações de veículos eletrificados chineses somam US$ 5,9 bilhões

Do lado das importações, os veículos eletrificados chineses estiveram entre os principais destaques do comércio bilateral. A categoria inclui modelos híbridos convencionais, híbridos plug-in e veículos totalmente elétricos.

Após uma sequência de altas mensais no primeiro semestre, as importações recuaram em julho e agosto. Nesse período, o Brasil elevou para 35% a tarifa de importação dos veículos eletrificados, ante alíquotas anteriores de 25% ou 30%, conforme as características dos modelos.

Apesar da mudança tributária, os embarques de veículos chineses voltaram a crescer de forma significativa em setembro.

No acumulado de janeiro a setembro, as compras brasileiras de veículos eletrificados provenientes da China chegaram a US$ 5,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente 10% de todas as importações brasileiras originárias daquele país.

Para Cariello, os números indicam que o avanço dos veículos chineses no Brasil não se explica apenas pelas condições tarifárias vigentes no primeiro semestre.

Na avaliação do diretor do CEBC, a tendência é que as vendas continuem crescendo até o fim do ano, impulsionadas pela consolidação das marcas chinesas no mercado brasileiro. Ele também apontou os registros de veículos eletrificados no país como um sinal dessa expansão.

Herbicidas e chips de memória se destacam nas importações

Entre os demais produtos comprados pelo Brasil da China, os herbicidas apareceram na terceira posição entre as dez principais categorias de importação.

No segmento de tecnologia da informação, os chips de memória chamaram a atenção pela diferença entre o volume adquirido e o valor desembolsado.

Embora a quantidade importada tenha diminuído 11% entre janeiro e setembro, o valor das compras avançou 237% no mesmo período.

O resultado evidencia mudanças importantes na composição das importações brasileiras de produtos chineses e reforça a relevância da relação comercial entre as duas economias.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Domingos Peixoto/Agência o Globo

Ler Mais
Negócios

Grupo BID e America Business Forum reúnem mais de 200 líderes globais em Miami

O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o America Business Forum (ABF) anunciaram a realização da primeira edição do CEO Forum of the Americas, evento que reunirá mais de 200 CEOs, investidores e executivos de alto escalão em Miami, nos Estados Unidos, no dia 15 de dezembro. O encontro será fechado para convidados.

A iniciativa busca aproximar as políticas públicas das oportunidades de investimento, estimulando soluções para os principais desafios de desenvolvimento da América Latina e do Caribe. A programação também pretende identificar caminhos para ampliar os investimentos, fortalecer a integração econômica e impulsionar o crescimento regional.

Fórum terá três eixos estratégicos para o desenvolvimento econômico

As discussões do CEO Forum of the Americas serão organizadas em torno de três áreas consideradas estratégicas para o futuro econômico das Américas: cadeias de suprimentos, minerais críticos e inteligência artificial.

Cadeias de suprimentos e integração global

A América Latina e o Caribe têm potencial para ampliar sua participação nas cadeias globais de suprimentos, consolidando-se como centros de produção, logística e manufatura de maior valor agregado.

Para avançar nesse cenário, será necessário criar condições favoráveis à expansão dos negócios e estimular a integração das empresas regionais às cadeias de valor internacionais.

Minerais críticos e atração de investimentos

O crescimento da demanda por recursos utilizados em tecnologias digitais avançadas abre novas perspectivas para a região no mercado de minerais críticos.

A estratégia envolve atrair capital, ampliar parcerias e fortalecer as etapas de produção que agregam mais valor aos recursos minerais, aumentando a participação latino-americana nas cadeias produtivas globais.

Inteligência artificial e inovação tecnológica

A inteligência artificial (IA) também estará entre os temas centrais do encontro. A região reúne condições para expandir a adoção responsável de novas tecnologias e transformar a inovação em um vetor de desenvolvimento econômico.

Entre os fatores favoráveis estão o avanço do ecossistema tecnológico, as oportunidades de investimento em data centers, a disponibilidade de recursos energéticos competitivos e a integração crescente aos mercados digitais internacionais.

Grupo BID destaca potencial da América Latina e do Caribe

Para Ilan Goldfajn, presidente do Grupo BID, o momento representa uma oportunidade para que a América Latina e o Caribe ampliem sua contribuição para enfrentar desafios globais e convertam suas vantagens competitivas em resultados econômicos concretos.

O executivo ressaltou que o avanço dessa agenda depende de iniciativas coordenadas para estimular investimentos, gerar empregos e promover o crescimento. Também destacou a importância de fortalecer as relações entre os setores público e privado e ampliar as conexões da região com outros mercados.

America Business Forum reforça diálogo entre líderes das Américas

Ignacio González, fundador e CEO do America Business Forum, afirmou que a parceria com o Grupo BID representa uma nova etapa na missão da organização de conectar lideranças influentes e ampliar o alcance de discussões estratégicas em escala global.

Segundo González, a iniciativa pretende reunir representantes das Américas para debater o potencial da região e contribuir para transformar oportunidades em ações concretas.

Encontro busca transformar debates em investimentos

Com a primeira edição do CEO Forum of the Americas, o Grupo BID e o ABF pretendem aproximar o debate econômico da implementação de soluções práticas. A proposta é conectar as prioridades de desenvolvimento regional ao capital, às parcerias e à cooperação necessários para produzir resultados efetivos.

O encontro reforça, assim, a busca por novas oportunidades de crescimento econômico, inovação e integração internacional na América Latina e no Caribe.

FONTE: BID
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Informação

Terras raras no Brasil atraem produtoras de fertilizantes em busca de novos negócios

A corrida por terras raras no Brasil começa a ganhar novos participantes vindos do setor de fertilizantes. A Verde AgriTech ampliou os trabalhos de exploração do projeto Minas Americas, em Minas Gerais, e divulgou nesta terça-feira (6) novos resultados de sondagem.

Por meio da subsidiária Magnes Rare Earths, a empresa identificou um intervalo de 30 metros a partir da superfície com concentração média de 1.853 partes por milhão (ppm) de óxidos de terras raras magnéticas.

Desse volume, 1.792 ppm correspondem a óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr), elementos empregados na fabricação de ímãs permanentes. O mesmo intervalo apresentou ainda 270 ppm de óxidos de terras raras pesadas.

Sondagens apontam altas concentrações de minerais

Outras sondagens realizadas em níveis mais próximos da superfície também encontraram concentrações superiores a 2.100 ppm de terras raras magnéticas.

Em um dos furos, por exemplo, foram identificados 11 metros de mineralização desde a superfície, com média de 2.179 ppm de MREO e 335 ppm de terras raras pesadas.

Apesar dos resultados, o projeto ainda está em fase de avaliação. A empresa não estabeleceu até o momento taxa de recuperação comercial, recurso mineral ou avaliação econômica para o empreendimento.

A Verde AgriTech criou a Magnes em maio deste ano com o objetivo de concentrar seus ativos de terras raras em uma subsidiária integralmente controlada pelo grupo.

A companhia pretende divulgar uma primeira estimativa de recursos minerais até o fim de 2026. Uma avaliação econômica preliminar está prevista para o primeiro semestre de 2027, desde que os trabalhos técnicos avancem conforme o planejado.

Harvest amplia presença em terras raras

A Verde não é a única empresa ligada à produção de fertilizantes a investir no segmento. A Harvest Minerals, responsável pelo projeto de fertilizantes Arapuá, também em Minas Gerais, acelerou sua estratégia voltada aos minerais críticos ao longo deste ano.

Em setembro, a companhia concluiu a compra da Scanty Mineração. Com a operação, incorporou oito projetos de terras raras distribuídos em 27 direitos minerários localizados em quatro estados brasileiros.

O novo portfólio se soma ao potencial para exploração de terras raras já identificado pela empresa em Arapuá.

Com a mudança de estratégia, a Harvest passou a se apresentar como uma companhia emergente de exploração de terras raras, embora continue mantendo suas operações tradicionais de fertilizantes no país.

Negócio de fertilizantes enfrenta incertezas

A diversificação ocorre em um momento de desafios para a operação tradicional da Harvest. Nos resultados apresentados na semana passada, a empresa afirmou que as perspectivas para sua divisão de fertilizantes continuam “muito incertas”.

A companhia também informou que segue avaliando de forma crítica o futuro dessa atividade dentro do grupo.

Ao mesmo tempo, a aquisição da Scanty foi classificada pela empresa como um passo importante para a construção de um negócio relevante de minerais de terras raras no Brasil.

Mosaic busca terras raras em resíduos de fertilizantes

A estratégia da Mosaic tem uma característica diferente. A companhia está trabalhando com a Rainbow Rare Earths para recuperar terras raras a partir do fosfogesso gerado durante a produção de ácido fosfórico em Uberaba, Minas Gerais.

O fosfogesso é um subproduto resultante do processamento da rocha fosfática utilizada na fabricação de fertilizantes. A proposta, nesse caso, não é abrir uma nova mina exclusivamente para extrair terras raras, mas aproveitar um material que já é gerado pela operação industrial.

Em setembro, Mosaic e Rainbow iniciaram um estudo de pré-viabilidade para avaliar o projeto.

A SRK Consulting foi contratada para elaborar uma primeira estimativa de recursos minerais. Paralelamente, cerca de seis toneladas de fosfogesso serão encaminhadas para testes no laboratório e na planta-piloto da Rainbow, na África do Sul.

A previsão é concluir o estudo de pré-viabilidade no segundo semestre de 2027. Caso o projeto avance pelas etapas técnicas, regulatórias e de investimento, a produção inicial está projetada para 2030.

Setor de fertilizantes busca espaço no mercado de minerais críticos

Embora utilizem estratégias diferentes, os movimentos de Verde AgriTech, Harvest Minerals e Mosaic apontam para uma mesma tendência: empresas tradicionalmente ligadas ao agronegócio passaram a buscar oportunidades no mercado de terras raras.

Verde e Harvest estão utilizando sua atuação no setor mineral para desenvolver novos projetos de exploração. A Mosaic, por sua vez, aposta no aproveitamento de um resíduo produzido pela própria cadeia de fertilizantes.

Os elementos de terras raras têm importância estratégica por serem utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, equipamentos tecnológicos, sistemas de defesa e outras aplicações consideradas essenciais para a indústria de alta tecnologia.

A movimentação amplia a participação de empresas do setor de fertilizantes na busca por novos ativos minerais e reforça o interesse crescente pelas terras raras brasileiras como uma possível nova frente de negócios.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/David Becker

Ler Mais
Informação

Nova lei dos minerais críticos prevê até R$ 7 bilhões em incentivos para o setor

O Brasil terá uma nova política para estimular a exploração e o processamento de minerais críticos e estratégicos, incluindo as chamadas terras raras. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (16), a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) prevê até R$ 7 bilhões em mecanismos de incentivo para ampliar a produção nacional e agregar valor aos recursos minerais.

Esses minerais são considerados importantes para setores como tecnologia, defesa e transição energética. Apesar de possuir grandes reservas, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para transformar seu potencial geológico em produção em escala.

Brasil tem grandes reservas de terras raras

O cenário das terras raras mostra a distância entre o potencial brasileiro e a produção efetiva. O país possui aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas, segundo os dados citados na proposta, ficando atrás apenas da China nesse ranking.

Um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou 62 projetos relacionados a terras raras no território nacional. As iniciativas estão em diferentes fases, que vão desde a prospecção até estudos técnico-econômicos mais avançados.

Apesar do número de projetos, apenas um empreendimento está em produção comercial: o projeto Pela Ema, da Serra Verde, localizado em Minaçu, Goiás. A operação começou a produzir em escala comercial em 2024 e foi adquirida recentemente pela empresa americana USA Rare Earth por aproximadamente US$ 2,8 bilhões.

Como funcionarão os incentivos aos minerais críticos

O principal instrumento criado pela nova política é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).

O programa permitirá que empresas convertam em crédito fiscal até 20% das despesas realizadas com atividades de mineração urbana, beneficiamento e transformação dos minerais contemplados.

O mecanismo terá um limite de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. Para ter acesso ao incentivo, cada empreendimento deverá ser previamente aprovado pelo conselho criado pela nova legislação.

A proposta busca estimular não apenas a extração, mas principalmente as etapas de processamento e transformação mineral, consideradas fundamentais para aumentar o valor agregado produzido no país.

Fundo terá até R$ 5 bilhões em garantias

Outra frente da política é o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM).

A União poderá fazer um aporte inicial de até R$ 2 bilhões. Com a participação de estados, municípios e entidades privadas, a estrutura poderá alcançar até R$ 5 bilhões.

O fundo terá a função de oferecer garantias e reduzir os riscos associados a projetos de minerais críticos e estratégicos. O acesso, entretanto, ficará restrito a empreendimentos classificados como prioritários pelo conselho responsável pela política.

Lei busca levar projetos da exploração à produção

Grande parte dos projetos de minerais críticos ainda está nas primeiras etapas de desenvolvimento. Muitas iniciativas permanecem em fases de exploração, sondagem e testes laboratoriais.

Outras já avançaram para etapas como testes metalúrgicos, licenciamento ambiental e estudos de viabilidade técnico-econômica.

Entre os projetos de terras raras considerados mais avançados estão o Caldeira, da australiana Meteoric Resources, em Minas Gerais, e o Carina, da canadense Aclara Resources, em Goiás. A previsão apresentada para ambos é de início da produção em 2028.

É justamente nesse intervalo entre a descoberta de uma reserva e a entrada efetiva de uma mina em operação que os novos instrumentos de crédito fiscal e garantias pretendem atuar.

Processamento no Brasil é um dos objetivos

Um dos desafios do setor é avançar além da simples extração. Sem investimentos suficientes em beneficiamento e processamento mineral, o minério pode seguir o caminho da exportação em estado bruto, deixando de gerar etapas adicionais de valor dentro do país.

A nova política pretende estimular a criação de uma cadeia produtiva mais completa, envolvendo desde a mineração até a transformação dos minerais em insumos para setores industriais estratégicos.

Conselho definirá projetos prioritários

A legislação também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), ligado à Presidência da República.

O órgão terá entre suas atribuições definir e atualizar a relação de minerais considerados críticos e estratégicos, além de selecionar projetos prioritários e participar da análise de alterações societárias envolvendo ativos minerais.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) continuará responsável pelas atividades de regulação e fiscalização que já fazem parte de suas atribuições.

Como será formado o novo conselho

O CIMCE terá uma estrutura dividida em três níveis.

  • Plenário: contará com 13 ministros, além de representantes de estados, municípios, empresas e universidades.
  • Comitê executivo: reunirá representantes de nove ministérios e ficará responsável pela aprovação e priorização dos projetos.
  • Secretaria executiva: funcionará no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e organizará o processo de análise das iniciativas.

A estrutura deverá concentrar a definição das prioridades da política nacional para minerais estratégicos.

Mapeamento geológico terá mais recursos

Além dos incentivos aos projetos, a nova política prevê reforço na produção de conhecimento sobre o subsolo brasileiro.

Segundo o governo, somente 25% do território nacional foi mapeado geologicamente até o momento.

A legislação também aumenta os recursos destinados ao Serviço Geológico do Brasil para atividades de mapeamento. O orçamento citado passa de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões.

A ampliação dos levantamentos geológicos poderá ajudar a identificar novas ocorrências minerais e melhorar o conhecimento sobre o potencial do território brasileiro.

O desafio é transformar reservas em produção

A nova política busca enfrentar uma das principais dificuldades do setor mineral brasileiro: transformar grandes reservas e projetos em produção efetiva e cadeias industriais de maior valor agregado.

Com mecanismos de crédito fiscal, garantias financeiras, estímulo ao processamento e ampliação do mapeamento geológico, a estratégia pretende criar condições para acelerar projetos considerados relevantes para a transição energética, tecnologia e indústria.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Invest News

Ler Mais
Exportação

Governo condiciona debate sobre imposto de exportação ao aumento da produção de minerais críticos

O governo federal pretende deixar para um momento posterior a discussão sobre a criação de um imposto de exportação para minerais críticos. A medida só deverá entrar em avaliação quando o Brasil ampliar a produção desses recursos.

A declaração foi feita na quarta-feira (16) pelo secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Anderson Arruda, após a cerimônia de sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A nova legislação permite ao governo criar mecanismos e estabelecer condições para a exportação de minerais críticos e estratégicos. Parte das medidas, no entanto, ainda precisa ser regulamentada.

Imposto depende do aumento da produção mineral

Segundo Arruda, a possibilidade de instituir uma cobrança sobre as exportações será analisada apenas quando houver uma produção nacional mais significativa dos minerais abrangidos pela política.

O secretário afirmou que, atualmente, a produção brasileira desses recursos ainda é pequena. Por isso, uma eventual tributação das exportações seria considerada em uma etapa futura, conforme o desenvolvimento do setor.

Análise será feita mineral por mineral

A avaliação do governo não deverá seguir uma regra única para todas as commodities minerais. A proposta é analisar cada cadeia produtiva individualmente, levando em conta fatores como o volume produzido no Brasil, a capacidade de processamento nacional e as condições específicas de cada mercado.

Dessa forma, o governo deverá verificar, para cada mineral, se algum mecanismo de controle ou tributação das exportações é necessário e qual seria o momento adequado para sua eventual adoção.

Governo busca ampliar processamento no Brasil

A discussão está relacionada à estratégia de aumentar o processamento de minerais no país e estimular a agregação de valor à produção nacional.

No entanto, técnicos do setor reconhecem que as diferentes cadeias produtivas apresentam níveis distintos de desenvolvimento. Enquanto algumas já possuem estruturas mais consolidadas, outras ainda estão em fase inicial de produção.

Para determinados minerais críticos, a avaliação é que impor restrições ou tributos às exportações neste momento poderia ocorrer antes de o Brasil contar com uma cadeia produtiva nacional capaz de absorver esses materiais.

Regulamentação definirá critérios

Os critérios que poderão orientar a adoção de mecanismos sobre as exportações deverão ser detalhados na regulamentação da nova política de minerais críticos.

A definição das regras deverá considerar as particularidades de cada cadeia, incluindo a produção nacional, a capacidade de processamento e as condições do mercado.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Informação

PL dos minerais: governo tenta sancionar Política Nacional de Minerais Críticos nesta semana

O governo federal pretende sancionar ainda nesta semana o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta foi aprovada pelo Senado na semana passada e agora aguarda a sanção presidencial.

A realização de uma cerimônia para marcar a sanção ainda não foi confirmada. O evento depende da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está em campanha eleitoral. Segundo fontes do governo e do setor privado que acompanham as negociações, porém, a intenção é viabilizar a solenidade nos próximos dias.

Projeto cria nova política para minerais estratégicos

O texto foi encaminhado à Casa Civil na sexta-feira (4), depois de passar pelo Senado sem alterações de mérito. A proposta estabelece uma política específica para o segmento e amplia as ferramentas disponíveis ao governo para estimular o processamento de minerais no Brasil, monitorar operações estratégicas e reduzir possíveis riscos de desabastecimento.

A iniciativa também se encaixa no discurso de soberania sobre os recursos naturais, que ganhou espaço nas declarações recentes de Lula e passou a integrar sua agenda eleitoral. No pronunciamento do 7 de Setembro, o presidente voltou a mencionar as reservas brasileiras de terras raras e defendeu que esses recursos sejam transformados em desenvolvimento econômico para o país.

Regulamentação do CIMCE ficará para uma segunda etapa

Embora a sanção possa ocorrer nos próximos dias, alguns dos principais pontos da nova política ainda não têm regulamentação definida. Entre eles está o funcionamento do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), órgão ligado à Presidência da República.

O conselho terá atribuições para analisar determinadas operações e poderá, na prática, impedir negócios relacionados a ativos minerais considerados estratégicos. A legislação estabelece que deverão passar por um mecanismo de triagem situações como alterações de controle societário, operações envolvendo títulos minerários, determinados contratos internacionais e casos de participação ou influência estrangeira em empresas que possuem direitos minerários.

O principal ponto em aberto é justamente a extensão desse poder. A lei aprovada pelo Congresso deixa para o Executivo a tarefa de regulamentar o sistema de triagem e estabelecer quais critérios deverão diferenciar operações comuns daquelas capazes de representar risco à segurança econômica ou estratégica do Brasil.

Governo avalia critérios para definir operações relevantes

Entre os parâmetros analisados pelo governo estão o valor da operação, a importância estratégica do ativo e a possibilidade de uma transação afetar o abastecimento nacional.

A tendência discutida é utilizar esses fatores como filtros para evitar que toda aquisição, venda ou alteração societária envolvendo empresas de minerais críticos precise ser submetida ao CIMCE.

A definição é considerada especialmente importante porque a abrangência prevista na lei é ampla. Além das mudanças no controle de empresas, o mecanismo poderá alcançar contratos e parcerias internacionais de fornecimento que tenham potencial de impacto econômico ou geopolítico, além de transferências de títulos minerários e situações em que companhias estrangeiras tenham participação relevante ou influência significativa.

Sem critérios de proporcionalidade, a avaliação poderia alcançar uma parcela expressiva dos projetos de mineração existentes no país. O próprio governo considera que esse cenário seria inviável operacionalmente e inadequado para o funcionamento do conselho.

Setor de mineração cobra critérios objetivos

Durante a tramitação do projeto no Congresso, representantes das mineradoras defenderam que parte dos filtros fosse incluída diretamente na legislação. A intenção era diminuir a margem de decisão que ficaria nas mãos do Executivo.

As tentativas, no entanto, não avançaram. Com a eventual sanção da proposta, a discussão sobre os critérios passa agora para a fase de regulamentação. O setor privado cobra regras objetivas, transparentes e previamente conhecidas para determinar quais operações poderão ser analisadas pelo CIMCE.

A sinalização transmitida pelo governo às empresas é de que o conselho não deverá atuar como uma espécie de órgão de aprovação para transações consideradas rotineiras. A expectativa é concentrar sua atuação em negócios com relevância econômica ou estratégica suficiente para representar impacto sobre a soberania nacional.

Conselho terá até 90 dias para ser regulamentado

Apesar das diretrizes já discutidas, fontes que acompanham o processo afirmam que os critérios ainda não estão suficientemente consolidados para serem apresentados no momento da sanção.

O próprio projeto estabelece prazo de até 90 dias após a publicação da lei para que o Executivo instale formalmente e regulamente a estrutura do CIMCE.

Outras partes da nova política também dependerão de regulamentação. É o caso dos mecanismos destinados a incentivar o beneficiamento e a transformação de minerais no Brasil, incluindo exigências relacionadas à agregação de valor em produtos destinados à exportação.

Nesses casos, caberá ao Executivo estabelecer critérios, limites, procedimentos, prazos e mecanismos de acompanhamento para a aplicação das novas regras.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Internacional

Terras raras no Brasil: acordo de US$ 4,5 milhões pode abrir mercado para o Japão

A canadense Aclara Resources, especializada em terras raras e listada na Bolsa de Toronto, firmou uma parceria que pode aproximar a produção mineral brasileira do mercado japonês. O acordo prevê investimentos de até US$ 4,5 milhões em atividades de exploração no Brasil e envolve a Japan Organization for Metals and Energy Security (Jogmec), agência ligada ao governo do Japão.

O objetivo da parceria é identificar depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas. Em um cenário de busca por novas fontes de minerais estratégicos, o acordo também pode criar uma futura rota de comercialização da produção brasileira para empresas japonesas.

Japão poderá investir até US$ 4,5 milhões na exploração

Pelos termos anunciados na terça-feira (8), a Jogmec destinará inicialmente até US$ 3 milhões para financiar trabalhos de exploração durante três anos.

Caso determinadas condições sejam atendidas, a agência japonesa poderá acrescentar outros US$ 1,5 milhão ao projeto e estender o período de exploração por mais 12 meses.

Além do financiamento, o acordo prevê mecanismos para garantir ao Japão acesso à futura produção. A Jogmec terá direitos de preferência para compras, o que, segundo a Aclara, estabelece um caminho para possíveis vendas dos minerais brasileiros ao mercado japonês.

“O acordo também cria um caminho natural para futuras vendas ao Japão por meio dos direitos de preferência da Jogmec”, afirmou Ramón Barúa, CEO da Aclara, em comunicado.

Jogmec poderá ficar com 30% de um projeto

Após realizar os aportes previstos, a organização japonesa poderá adquirir 30% de um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

A participação também dará à Jogmec o direito de comprar uma quantidade da produção proporcional à sua fatia no empreendimento, além de outros 10% da produção futura. Os contratos deverão seguir condições comerciais de mercado.

A agência ainda poderá transferir sua participação e os direitos associados para uma empresa japonesa ou para um consórcio formado por companhias do país.

Durante a fase de exploração, a Aclara Resources continuará responsável pela operação. Depois dessa etapa, os investimentos adicionais serão divididos entre os parceiros conforme a participação de cada um no projeto.

Projeto Carina, em Goiás, está fora da parceria

A Aclara possui ativos de terras raras no Brasil e no Chile e trabalha na construção de uma cadeia produtiva que pretende abranger desde a extração do minério até a fabricação de ligas destinadas à produção de ímãs permanentes.

No Brasil, o principal empreendimento da companhia é o Projeto Carina, localizado em Nova Roma, Goiás. O ativo, porém, não fará parte da joint venture com a Jogmec e permanecerá sob controle integral da empresa canadense.

De acordo com estimativas da própria Aclara, o projeto demanda aproximadamente R$ 2,8 bilhões em investimentos. A expectativa é alcançar uma produção média anual de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras.

A companhia projeta o início da operação para 2028 e estima uma vida útil de 18 anos para o empreendimento.

O acordo com a Jogmec será direcionado a outras áreas de exploração da Aclara no Brasil. Até o momento, a empresa não revelou qual projeto poderá receber a participação de 30% da organização japonesa.

Para que servem as terras raras?

As terras raras são fundamentais para diversas aplicações de alta tecnologia. Entre seus principais usos estão a fabricação de ímãs permanentes, empregados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e diferentes equipamentos eletrônicos.

Elementos como disprósio e térbio têm papel importante nesses componentes porque ajudam a aumentar sua resistência a temperaturas elevadas.

Além dos projetos de mineração, a Aclara desenvolve uma unidade de separação de terras raras nos Estados Unidos. A companhia também mantém uma joint venture com a chilena CAP para transformar os óxidos separados em metais e ligas utilizados na fabricação de ímãs.

Por que o Japão está interessado nas terras raras brasileiras?

A parceria acontece em meio ao esforço de grandes economias para diminuir a dependência da China na cadeia global de minerais estratégicos.

Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a China responde por aproximadamente 60% da extração mundial de terras raras usadas na produção de ímãs. A concentração é ainda maior nas etapas seguintes da cadeia: o país representa mais de 90% do refino e cerca de 95% da fabricação de ímãs permanentes.

Nesse contexto, a Jogmec busca desenvolver fontes alternativas de fornecimento fora do território japonês. A agência oferece instrumentos como financiamento, garantias, suporte técnico e participação em projetos de mineração internacionais.

Em troca, o Japão procura ampliar a segurança do abastecimento e garantir acesso à produção futura de minerais estratégicos.

Acordo representa avaliação positiva dos ativos brasileiros

Antes da formalização da joint venture, a Jogmec realizou uma avaliação técnica do portfólio de projetos da Aclara no Brasil.

Para Ramón Barúa, a entrada da organização japonesa representa uma espécie de validação independente da qualidade e do potencial dos ativos brasileiros da companhia.

O acordo, além de financiar novas etapas de exploração, pode aproximar o Brasil de um dos principais mercados interessados em diversificar o fornecimento global de minerais críticos e terras raras.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic

Ler Mais
Internacional

Empresa chinesa Gulf Resources anuncia entrada no mercado de lítio e terras raras no Brasil

A chinesa Gulf Resources, produtora de bromo e sal bruto com ações negociadas na Nasdaq, anunciou na quarta-feira (26) um acordo para iniciar operações no setor mineral brasileiro. A estratégia prevê atuação em ativos de lítio, terras raras, bromo e outros minerais.

A companhia firmou, em 20 de agosto, um acordo de cooperação estratégica com a brasileira Montes Verdes Participações. A proposta é criar uma joint venture que combine os ativos minerais da empresa brasileira com a tecnologia, a experiência industrial e a estrutura comercial da Gulf Resources.

Até o momento, as companhias não divulgaram o valor que será aplicado no negócio, a participação de cada sócia na nova empresa nem quais projetos brasileiros farão parte da operação. Segundo a Gulf Resources, as negociações sobre os termos da parceria ainda estão em andamento.

Montes Verdes reúne ativos de diferentes minerais

De acordo com o comunicado da empresa chinesa, a Montes Verdes atua na exploração de ouro, manganês, lítio, bromo e terras raras.

A Gulf Resources afirma que os recursos minerais da companhia brasileira poderão ser desenvolvidos a partir da aplicação de sua experiência tecnológica e industrial.

Apesar do anúncio, ainda não foram informados quais projetos de terras raras no Brasil poderão integrar a futura joint venture. Também não há detalhes públicos sobre reservas, recursos minerais ou possíveis cronogramas de produção.

Parceria mira expansão internacional

A criação da joint venture faz parte da estratégia da Gulf Resources para ampliar sua presença fora da China. Atualmente, os negócios da companhia estão concentrados principalmente no mercado doméstico chinês.

A expectativa é unir os recursos minerais brasileiros à tecnologia, capacidade operacional e canais de comercialização da empresa chinesa, criando novas oportunidades de negócios em mercados internacionais.

A parceria também representa uma tentativa de diversificação das fontes de receita da Gulf Resources e de expansão de sua atuação em segmentos considerados estratégicos para a indústria global, como lítio e terras raras.

Meta de US$ 180 milhões em receitas em 2027

O acordo estabelece uma meta de crescimento para as operações que deverão ser incorporadas à estrutura da Gulf Resources.

Segundo o comunicado, a Montes Verdes garantiu que os negócios consolidados pela companhia chinesa deverão alcançar pelo menos US$ 180 milhões em receita em 2027.

O valor não corresponde, portanto, ao montante que será investido pela Gulf Resources no Brasil. Trata-se de uma projeção mínima de faturamento para as atividades que poderão ser integradas à empresa.

O planejamento prevê ainda crescimento anual de pelo menos 20% na receita durante os cinco anos seguintes.

As companhias, entretanto, não especificaram quais operações ou ativos deverão gerar esse volume de negócios já no próximo ano.

Gulf Resources quer reduzir dependência da China

A expansão para o Brasil está inserida em um plano mais amplo de internacionalização da Gulf Resources.

A empresa informou que pretende diminuir a dependência das operações realizadas na China e aumentar a geração de caixa proveniente de outros mercados.

No comunicado, a companhia também reconheceu que sua condição de empresa chinesa listada nos Estados Unidos e com forte concentração de negócios no mercado doméstico contribuiu para o desempenho negativo de suas ações nos últimos anos.

Com a recuperação dos preços do bromo, a Gulf Resources afirma identificar oportunidades para ampliar sua presença internacional.

Produção no Brasil ainda não tem data

A empresa chinesa avalia que a parceria com a Montes Verdes poderá abrir espaço para negócios envolvendo bromo, sal bruto, lítio e outros minerais, além de ampliar a geração de caixa fora da China.

Ainda não há, porém, uma previsão para a constituição formal da joint venture.

Também permanecem sem definição os ativos brasileiros que serão transferidos para a nova empresa e a data para eventual início da produção mineral no Brasil.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Informação

Exportações de minerais críticos do Brasil somam US$ 11,4 bilhões em 2025, aponta ApexBrasil

O Brasil alcançou US$ 11,4 bilhões em exportações da cadeia de minerais críticos em 2025, segundo um estudo técnico divulgado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Desse total, US$ 4,3 bilhões tiveram como destino a União Europeia, que respondeu por 37,6% das exportações brasileiras dos nove minerais analisados.

A publicação, lançada nesta terça-feira (14), apresenta a versão em português do levantamento e destaca oportunidades de cooperação entre Brasil e União Europeia em um segmento considerado estratégico para ambas as economias.

Estudo destaca minerais estratégicos para a transição energética

A análise contempla nove minerais críticos considerados essenciais para o desenvolvimento industrial e tecnológico: cobre, nióbio, silício, níquel, lítio, grafite, terras raras, fosfato e potássio.

Além de avaliar o desempenho das exportações, o estudo também mapeia os fluxos comerciais dessas cadeias produtivas, identifica instrumentos de incentivo governamental e reúne projetos aptos a receber investimentos internacionais.

Brasil amplia papel como fornecedor estratégico

Com reservas expressivas de diversos desses recursos naturais, o Brasil reforça sua posição como fornecedor estratégico para atender ao crescimento da demanda global impulsionada pela transição energética, pela digitalização da economia e pelo fortalecimento das cadeias globais de suprimentos.

O levantamento aponta que a busca da União Europeia por diversificar seus fornecedores cria um ambiente favorável para novas parcerias com o Brasil. Entre os fatores que fortalecem esse cenário estão iniciativas europeias como o Critical Raw Materials Act (CRMA), o programa Global Gateway e a European Raw Materials Alliance (ERMA), além da conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Outro diferencial destacado é a matriz energética renovável brasileira, que aumenta a atratividade do país para investimentos de longo prazo voltados ao desenvolvimento da cadeia de minerais estratégicos.

Investimentos devem impulsionar agregação de valor

O relatório ressalta que as oportunidades vão além da extração mineral. Há potencial para ampliar etapas como processamento, refino, transformação industrial e fabricação de produtos de maior valor agregado dentro do território brasileiro.

Para estimular esses investimentos, o país conta com diferentes mecanismos de financiamento, incluindo linhas de crédito do BNDES, da Finep, debêntures incentivadas e programas ligados à Nova Indústria Brasil (NIB) e ao Novo PAC.

Projetos abrangem diferentes fases da cadeia mineral

Em parceria com o IBRAM, a ApexBrasil estruturou um portfólio de oportunidades voltado a investidores estrangeiros. Os projetos contemplam desde atividades de pesquisa e exploração mineral até etapas de beneficiamento químico e industrial.

Entre os segmentos considerados mais promissores para atração de recursos e transferência de tecnologia estão terras raras, grafite, cobre, níquel, cobalto e potássio, apontados como prioritários para os próximos anos.

FONTE: Apex Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vantoen Pereira Jr

Ler Mais
Indústria

China fortalece ecossistema industrial e amplia liderança global em energia e tecnologia

A transformação econômica da China deixou para trás explicações baseadas apenas em mão de obra barata, câmbio desvalorizado ou reprodução de tecnologias estrangeiras. Hoje, o avanço industrial do país é sustentado por um modelo integrado que combina energia elétrica, processamento de minerais estratégicos e fabricação de tecnologias voltadas à transição energética.

Um relatório divulgado pelo Rhodium Group, em março de 2026, aponta que Pequim consolidou um sistema conhecido como “Estado elétrico” (“electro-state”), capaz de criar um ciclo de produção altamente eficiente e difícil de ser reproduzido por outras economias.

Modelo integra energia, mineração e indústria

Segundo o estudo, o diferencial chinês está na conexão entre três setores considerados essenciais para a indústria moderna: geração de energia de baixo custo, refino de metais industriais e produção de equipamentos ligados à energia limpa.

Nesse modelo, a oferta abundante de eletricidade reduz os custos para processar materiais como lítio, alumínio e cobre. Com insumos mais baratos, a fabricação de baterias, painéis solares e turbinas eólicas também se torna mais competitiva.

Ao mesmo tempo, a expansão das fontes renováveis amplia a disponibilidade de energia, criando um ciclo contínuo de redução de custos e aumento da capacidade produtiva.

Escala da infraestrutura impressiona analistas

Os números apresentados pelo Rhodium Group evidenciam a dimensão da estratégia chinesa.

Em 2025, a geração combinada de energia solar e eólica da China superou todo o consumo industrial dos Estados Unidos. A projeção do relatório indica que, em 2026, essa produção também ultrapassará a soma do consumo residencial e industrial norte-americano.

Outro indicador destacado é o crescimento da mobilidade elétrica. A frota de veículos elétricos em circulação no país já reduz o consumo equivalente a cerca de 1,76 milhão de barris de petróleo por dia, diminuindo a dependência chinesa dos combustíveis fósseis e aumentando sua segurança energética.

Desde o início dos anos 2000, a China respondeu por aproximadamente 60% do crescimento mundial no consumo de eletricidade, mantendo expansão da demanda energética mesmo durante a desaceleração provocada pela crise do setor imobiliário.

Carvão continua sendo peça-chave da estratégia chinesa

Apesar da liderança em energia renovável, o relatório ressalta que o sistema industrial chinês continua apoiado em uma ampla estrutura de geração baseada em carvão mineral.

A utilização desse recurso garante fornecimento constante de energia para setores intensivos, como siderurgia e metalurgia, que exigem estabilidade para operar continuamente.

Além disso, o carvão oferece vantagens estratégicas para o país por ser amplamente disponível em território nacional, reduzindo a dependência de importações de petróleo e gás natural.

Em 2024, a China adicionou cerca de 88 gigawatts de capacidade instalada em usinas termelétricas a carvão. Embora as fontes renováveis tenham liderado o crescimento da geração elétrica, o carvão permanece como elemento fundamental para assegurar o funcionamento da indústria pesada.

Ocidente enfrenta dificuldades para replicar modelo

O estudo afirma que a integração entre infraestrutura energética, processamento de minerais e manufatura avançada foi construída ao longo de décadas, com forte participação do Estado, financiamento subsidiado e planejamento de longo prazo.

Na avaliação do Rhodium Group, reproduzir esse ecossistema em outros países representa um desafio significativo, especialmente para economias que buscam desenvolver cadeias próprias de minerais críticos e reduzir a dependência da indústria chinesa.

Segundo a análise, iniciativas de reorganização das cadeias globais poderão exigir políticas industriais robustas e medidas de proteção comercial, o que tende a elevar os custos para consumidores e empresas.

Brasil possui potencial, mas enfrenta desafios industriais

Embora o relatório não trate especificamente do Brasil, o cenário apresentado reforça um debate recorrente sobre o papel do país na cadeia global de valor.

O Brasil reúne importantes reservas de minério de ferro, lítio, alumínio e nióbio, além de contar com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e elevado potencial para geração de energia solar e eólica.

Entretanto, grande parte desses recursos ainda é exportada como matéria-prima, enquanto produtos industrializados de maior valor agregado continuam sendo importados.

Nesse contexto, especialistas apontam que ampliar a industrialização exigiria políticas de longo prazo, incentivos ao investimento, financiamento e fortalecimento das cadeias produtivas nacionais.

Planejamento de longo prazo explica avanço chinês

O relatório conclui que o chamado “Estado elétrico” não surgiu de forma espontânea, mas é resultado de décadas de planejamento estratégico, investimentos públicos, coordenação industrial e expansão da infraestrutura energética.

A combinação desses fatores permitiu à China consolidar uma posição de liderança em setores considerados fundamentais para a economia do futuro, como energia limpa, baterias, veículos elétricos e minerais críticos, tornando seu modelo uma referência para o debate sobre competitividade industrial global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Maxim Shemetov

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook