Exportação

Brasil amplia exportações agroalimentares para a União Europeia e ganha espaço no mercado

O Brasil foi o único entre os cinco principais parceiros comerciais da União Europeia (UE) a registrar crescimento nas exportações de produtos agroalimentares para o bloco nos primeiros sete meses deste ano. Até julho, os embarques brasileiros somaram € 11,2 bilhões, o equivalente a uma participação de aproximadamente 10% nas importações europeias do setor.

No mesmo período, a União Europeia importou € 108,6 bilhões em produtos agroalimentares. A participação brasileira poderia ter sido ainda maior, mas a queda nas cotações do café reduziu o valor total das compras.

Café e soja estão entre os principais produtos importados pela UE

Entre os produtos que mais pesam na pauta de importações europeias estão café, cacau, chá e especiarias. Juntos, eles movimentaram € 20,5 bilhões em compras até julho, valor 19% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Além desses produtos, frutas, castanhas e soja aparecem entre os principais itens adquiridos pelo bloco. No caso da soja, o Brasil ampliou sua participação ao elevar o volume destinado ao mercado europeu.

Os dados da Comissão Europeia também mostram aumento nos gastos com carne bovina. Até julho, as compras do bloco alcançaram € 2,1 bilhões. Apesar da relevância desse mercado, a União Europeia suspendeu, no início deste mês, a entrada de carne bovina brasileira.

Tarifas dos EUA afetam comércio com a Europa

A política comercial adotada pelo governo de Donald Trump, marcada pela aplicação de tarifas sobre parceiros comerciais dos Estados Unidos, também repercutiu nas relações entre norte-americanos e europeus.

De janeiro a julho, as importações da União Europeia provenientes dos Estados Unidos recuaram 4%, para € 7,69 bilhões. No sentido contrário, as exportações europeias para o mercado norte-americano caíram 9%, para € 16 bilhões.

A relação comercial entre a UE e a China também perdeu ritmo. As exportações europeias para os chineses diminuíram 3%, enquanto as importações permaneceram praticamente estáveis.

Produtos agroalimentares movimentam bilhões

Entre as principais dependências da União Europeia no setor agroalimentar estão café, cacau, frutas, soja e cereais. Já entre os produtos mais exportados pelo bloco aparecem cereais processados, lácteos, vinho, café e carne suína.

Café e cacau estão entre os produtos que mais movimentam o comércio agroalimentar europeu. Até julho, a UE desembolsou € 20,5 bilhões para importar esses itens e, posteriormente, reexportou € 6,6 bilhões em produtos de maior valor agregado relacionados ao café.

No mercado de tabaco, as importações chegaram a € 3,1 bilhões, enquanto as exportações alcançaram € 4,8 bilhões.

Exportações de soja brasileira avançam

O desempenho brasileiro também aparece nos dados mais recentes de exportação. Segundo a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), as vendas externas de soja brasileira chegaram a 7,24 milhões de toneladas neste mês.

Com exceção de fevereiro, o volume embarcado em todos os meses deste ano ficou acima do registrado nos mesmos períodos de 2025.

O acumulado já alcança 102 milhões de toneladas, aproximando-se das 109 milhões de toneladas exportadas durante todo o ano passado, conforme os dados da Anec.

Farelo de soja e DDGS também ganham mercado

As exportações brasileiras de milho apresentam ritmo mais moderado. De janeiro a setembro, os embarques somaram 19,5 milhões de toneladas.

Enquanto isso, o aumento no processamento da soja impulsionou as vendas externas de farelo de soja. Os embarques chegaram a 19,3 milhões de toneladas no acumulado do ano, diante das 23 milhões de toneladas exportadas em todo 2025.

Outro produto que vem ampliando espaço no comércio exterior é o DDGS, subproduto da fabricação de etanol de milho com alto teor de proteínas. Segundo cálculos da Anec, o Brasil já exportou 840 mil toneladas neste ano, superando as 796 mil toneladas embarcadas durante todo o ano passado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Roosevelt Cassio/Reuters

Ler Mais
Informação

Vila do Conde terá alta de 694% na movimentação de grãos até 2050, aponta PNL 2050

O Complexo Portuário de Vila do Conde, em Barcarena, no Pará, deverá enfrentar uma forte expansão na demanda por movimentação de cargas nas próximas décadas. O Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) projeta que o volume de soja e milho para exportação pelo estado crescerá 694,6% entre 2023 e 2050.

Segundo as estimativas do plano, a movimentação desses grãos deve saltar de 2,52 milhões de toneladas, registradas em 2023, para 20,03 milhões de toneladas em 2050.

O crescimento coloca Barcarena diante de um desafio de infraestrutura: ampliar a capacidade de escoamento de cargas e, ao mesmo tempo, reduzir os gargalos existentes nos diferentes modais que abastecem o complexo portuário.

Vila do Conde já utiliza 68% da capacidade

O diagnóstico do PNL 2050 aponta que o Porto de Vila do Conde opera atualmente com aproximadamente 68% de sua capacidade instalada.

A taxa de utilização reduz a margem disponível para absorver aumentos repentinos na demanda, principalmente durante os períodos de maior movimentação da safra agrícola.

O estudo relaciona a elevada ocupação à possibilidade de formação de filas de navios na área de fundeio e ao aumento do tempo necessário para carregar e descarregar mercadorias.

Problemas na recepção de cargas transportadas por barcaças e caminhões também podem provocar retenções em diferentes pontos da cadeia logística.

Com a perspectiva de que a movimentação de soja e milho alcance 20,03 milhões de toneladas em 2050, a infraestrutura precisará acompanhar uma demanda muito superior à atual.

Rodovias pressionam corredor de acesso ao porto

Os gargalos logísticos não estão restritos à estrutura portuária. O fluxo de mercadorias até Vila do Conde depende de uma rede de transporte na qual a PA-483 e a PA-151 têm papel importante.

De acordo com o diagnóstico, a PA-483 apresenta trechos com problemas de saturação e desgaste estrutural. A região de acesso ao complexo também concentra diferentes tipos de tráfego, incluindo caminhões, veículos de passeio e pedestres.

Com o aumento esperado da movimentação portuária, a tendência é de maior pressão sobre essas vias e sobre os demais acessos utilizados para transportar cargas até os terminais.

Rota do Pará prevê investimentos na PA-483

Procurada pelo Portal Barcarena, a Rota do Pará, concessionária responsável pela administração de 526 quilômetros de rodovias entre a Região Metropolitana de Belém e o sudeste paraense, afirmou que considera a infraestrutura atual adequada ao tráfego registrado nos trechos sob sua responsabilidade.

A empresa informou que o contrato de concessão, com duração de 30 anos, prevê serviços e obras de infraestrutura ao longo da malha, incluindo a restauração e recuperação do pavimento da PA-483.

Também estão previstos mais de 240 quilômetros de acostamentos, além de obras de duplicação, implantação de terceiras faixas, melhorias na sinalização e outras intervenções.

Segundo a concessionária, o cronograma de obras foi antecipado em 2026. Os trabalhos começaram pela restauração e recuperação da PA-150 e pela implantação de acostamentos no trecho entre Moju e Goianésia do Pará.

Na Alça Viária, a Rota do Pará afirma realizar, desde agosto de 2024, serviços de conservação e melhoria, como reforço da sinalização, roçada e operações de tapa-buracos.

Sobre o impacto do crescimento da movimentação de cargas, a concessionária informou que as intervenções previstas consideram estudos técnicos sobre o volume de veículos registrado nos diferentes trechos concedidos.

Ferrovias são apontadas como alternativa de longo prazo

O PNL 2050 também considera a ampliação da integração ferroviária como parte da estratégia para o futuro da logística paraense.

Entre os projetos citados está a conexão da Ferrovia Norte-Sul com Barcarena, por meio da Ferrovia Açailândia-Barcarena.

Enquanto essas ligações não avançam, o escoamento de cargas para Vila do Conde continuará dependendo principalmente do transporte rodoviário e da navegação por barcaças.

Hidrovias também enfrentam riscos

O transporte fluvial representa outro ponto de atenção para o planejamento logístico. O PNL 2050 considera a possibilidade de aumento na frequência e na intensidade dos períodos de seca nas bacias dos rios Tocantins e Tapajós.

Em períodos de níveis muito baixos dos rios, comboios de barcaças podem ter a navegação restringida ou precisar reduzir a quantidade de carga transportada para diminuir o risco de encalhe.

Para Vila do Conde, eventuais limitações nas hidrovias podem afetar diretamente o abastecimento dos terminais e comprometer o fluxo de mercadorias destinado à exportação.

O acesso marítimo também exige manutenção permanente. O diagnóstico destaca a necessidade de dragagem e melhorias na sinalização do canal, medidas necessárias para garantir a navegação de grandes embarcações e reduzir restrições associadas às janelas de maré.

Crescimento portuário aumenta pressão sobre Barcarena

Os efeitos da expansão logística ultrapassam os limites do complexo portuário e chegam à área urbana de Barcarena.

O aumento do tráfego de veículos pesados pode contribuir para o desgaste da malha viária, além de elevar a poluição sonora, a emissão de poeira e outros poluentes e a demanda sobre os serviços públicos municipais.

O município já trabalha em alternativas para melhorar a mobilidade urbana diante do crescimento do fluxo de caminhões.

Entre as iniciativas está a extensão da Avenida Dom Romualdo Coelho até o bairro Laranjal, que já está em processo de licitação. Também está previsto o planejamento de um ramal de ligação entre a PA-483 e a Rodovia da Integração.

A nova ligação deverá ser destinada principalmente ao tráfego de veículos menores que circulam entre Barcarena-Sede, o Complexo Industrial e a região de Belém pela Alça Viária.

Expansão pode afetar comunidades tradicionais

O planejamento logístico também envolve questões territoriais e ambientais. O diagnóstico do PNL 2050 aponta possíveis conflitos envolvendo comunidades tradicionais, quilombolas e ribeirinhas instaladas no entorno das áreas industriais e dos canais utilizados para navegação.

A expansão de Terminais de Uso Privado (TUPs), novas estruturas de acostagem e áreas de retroporto pode avançar sobre territórios ocupados por essas comunidades.

O cenário pode gerar disputas relacionadas a direitos territoriais, processos de licenciamento e implantação de novos empreendimentos.

Segundo o diagnóstico, a existência de passivos socioambientais sem solução também pode atrasar licenças e obras necessárias para aumentar a capacidade logística de Vila do Conde.

Desafio é preparar Vila do Conde para 2050

As projeções do PNL 2050 colocam o complexo de Vila do Conde diante de uma questão central: como ampliar o escoamento de cargas sem permitir que as limitações de infraestrutura reduzam a capacidade de crescimento do corredor de exportação.

A previsão de que soja e milho destinados ao mercado externo cheguem a 20,03 milhões de toneladas em 2050 contrasta com uma estrutura portuária que já utiliza cerca de 68% de sua capacidade instalada.

Para atender à demanda futura, o planejamento aponta para a necessidade de ampliar terminais, melhorar os acessos rodoviários, preservar a navegabilidade das hidrovias e avançar na integração ferroviária.

O cenário mostra que a expansão do Porto de Vila do Conde não pode ser analisada isoladamente. A eficiência do complexo dependerá também da capacidade das rodovias, hidrovias e ferrovias de formar um corredor logístico integrado para o escoamento da produção paraense.

FONTE: Portal Barcarena
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Barcarena

Ler Mais
Importação

Uganda muda regras de importação de genética avícola para enfrentar falta de poedeiras

O governo de Uganda concluiu novas normas sanitárias para flexibilizar a importação de material genético avícola e enfrentar a escassez de pintinhos destinados à produção de ovos. A mudança permite a aquisição de genética proveniente de zonas e compartimentos da Europa reconhecidos como livres de Influenza Aviária Altamente Patogênica (IAAP).

A medida foi adotada diante dos impactos das restrições anteriores sobre a cadeia de produção de ovos. A Europa é uma das principais fontes de genética para galinhas poedeiras utilizada pela avicultura ugandense.

Nova regra amplia opções para importação de genética

De acordo com a nova orientação do Ministério da Agricultura, Indústria Animal e Pescas de Uganda, os certificados sanitários poderão considerar o princípio da regionalização sanitária.

Na prática, isso permite que o país avalie individualmente áreas consideradas livres da doença, em vez de restringir necessariamente todas as importações provenientes de um país que registre ocorrências de IAAP em determinadas regiões.

A mudança abre caminho para a retomada do comércio com áreas europeias previamente aprovadas e classificadas como livres do vírus.

Segundo Bright Rwamirama, ministro de Estado da Indústria Animal de Uganda, o novo sistema permitirá a entrada de material genético de regiões europeias autorizadas e livres de doenças, mantendo os requisitos sanitários necessários para reduzir o risco de introdução da influenza aviária no país.

Produção de ovos foi a mais afetada

A avicultura de postura sofreu os efeitos mais fortes das restrições impostas às importações europeias. A dependência da Europa para o fornecimento de genética de poedeiras dificultou a reposição dos plantéis e contribuiu para a atual falta de pintinhos.

O cenário é diferente na produção de frangos de corte. O setor conseguiu reduzir os impactos das restrições ao buscar matrizes na vizinha Tanzânia, mantendo uma alternativa de abastecimento para a cadeia produtiva.

Wesley Ruto, presidente do Comitê Técnico da Associação Avícola de Uganda, afirmou que a genética destinada às galinhas poedeiras continua fortemente dependente de fornecedores europeus. Segundo ele, o segmento de corte enfrentou menos dificuldades porque foi possível recorrer à oferta de matrizes da Tanzânia.

Falta de milho e soja aumenta custos

Além da escassez de genética avícola, os produtores ugandenses enfrentam dificuldades para encontrar matérias-primas utilizadas na fabricação de ração.

A disponibilidade doméstica de milho e soja está limitada, levando empresas do setor de alimentação animal a recorrer a compras emergenciais em países como Malawi, Zâmbia e Etiópia.

O aumento da dependência de matérias-primas importadas eleva os custos de fabricação da ração para aves, pressionando as despesas das granjas e aumentando os desafios enfrentados pela indústria avícola.

Mudança busca garantir abastecimento do setor

Com a alteração das regras sanitárias, Uganda pretende ampliar as alternativas de fornecimento de genética para poedeiras sem abrir mão dos controles necessários para evitar a entrada de doenças no território.

A autorização para importar de áreas europeias consideradas livres de IAAP pode ajudar a recompor os plantéis de postura e aliviar a escassez de pintinhos, enquanto o setor continua lidando com custos elevados de alimentação e limitações no mercado interno de insumos.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

Ler Mais
Notícias

Custo de produção de leite sobe 4,13% em 2026 e aumenta pressão sobre produtores

O custo de produção de leite avançou 1,47% em agosto e acumulou alta de 4,13% entre janeiro e agosto de 2026. Os dados são do ICPLeite/Embrapa e apontam para uma sequência de aumentos que pode apertar ainda mais as margens dos produtores nos próximos meses.

Agosto foi o segundo mês consecutivo de elevação significativa das despesas da atividade leiteira. O movimento ocorre em um cenário diferente do observado no custo de vida das famílias brasileiras, que registrou deflação de 0,32% no mês, segundo o IBGE.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o índice de inflação das famílias ficou em 3,11%, abaixo da variação registrada pelo custo da produção de leite.

Minerais e alimentação puxam alta dos custos

Entre os componentes avaliados pelo índice, o grupo minerais apresentou o maior aumento em agosto, com alta de 10,89%.

Outro destaque foi o grupo concentrado, que reúne itens utilizados na alimentação do rebanho. Os custos dessa categoria cresceram 3,35%, influenciados principalmente pela valorização da ração e do milho.

Segundo a análise da Embrapa, a elevação dos custos ainda não está associada aos efeitos do El Niño. O cenário atual está relacionado principalmente à menor oferta de pastagens, ao encarecimento dos grãos e à alta de insumos importados utilizados na alimentação dos animais.

A instituição também considera o impacto de um ambiente de maior tensão no mercado internacional, que pode afetar os preços de determinados insumos utilizados na atividade.

Custo do leite acelera em 12 meses

O avanço das despesas também aparece no acumulado de longo prazo. Nos 12 meses encerrados em agosto, o custo de produção de leite aumentou 3,73%.

O resultado representa mais que o dobro da variação de 1,72% registrada nos 12 meses encerrados em julho.

A mão de obra esteve entre os fatores que mais contribuíram para essa alta, principalmente devido à sua participação relevante na composição das despesas totais das propriedades leiteiras.

No acumulado de janeiro a agosto, os grupos minerais, sanidade e reprodução apresentaram aumentos de dois dígitos. Os gastos com mão de obra também registraram crescimento expressivo no período.

Produtor enfrenta cenário de margens mais apertadas

A combinação entre despesas maiores e a perspectiva de redução dos preços pagos pelo leite pode aumentar a pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Na avaliação da Embrapa, a tendência de custos mais elevados, associada à expectativa de menor remuneração recebida pelos produtores durante o segundo semestre, deve contribuir para uma redução das margens da produção leiteira até o verão.

O cenário deixa a atividade diante de um equilíbrio mais difícil. Enquanto despesas com alimentação, minerais, mão de obra e insumos avançam, existe a possibilidade de queda na remuneração obtida com a venda do leite.

O que é o ICPLeite/Embrapa?

O ICPLeite/Embrapa acompanha mensalmente a evolução dos custos de produção da atividade leiteira em propriedades de Minas Gerais.

O indicador considera diferentes grupos de despesas envolvidos na produção, como alimentação do rebanho, minerais, sanidade e reprodução, mão de obra, energia, além de outros insumos e serviços utilizados nas propriedades.

A evolução do índice serve como referência para acompanhar as mudanças nos custos enfrentados pelos produtores e os impactos sobre a atividade leiteira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

Ler Mais
Agronegócio

Safra 2025/26 deve alcançar recorde de 361,7 milhões de toneladas, estima Conab

A safra brasileira de grãos 2025/26 deve terminar com produção recorde de 361,7 milhões de toneladas de grãos e fibras, segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado representa crescimento de 2,6% em comparação com o ciclo 2024/25 e avanço de 0,3% ante a projeção divulgada em agosto.

A nova estimativa considera o avanço da colheita do milho segunda safra, que vem apresentando produtividade superior à inicialmente projetada.

No balanço geral, soja, milho e algodão registram aumento de produção, enquanto arroz, feijão e trigo apresentam retração em relação à temporada anterior.

Área plantada cresce no Brasil

A área destinada ao cultivo de grãos e fibras chegou a 83,5 milhões de hectares em 2025/26, alta de 1,7% sobre o ciclo anterior.

Os principais avanços foram registrados em:

  • Soja: aumento de 1,3 milhão de hectares, ou 2,7%;
  • Milho: expansão de 762,5 mil hectares, equivalente a 3,5%;
  • Sorgo: crescimento de 32,9%, chegando a 537 mil hectares adicionais.

Produção de soja bate recorde

Principal cultura agrícola do país, a soja deve alcançar 180,4 milhões de toneladas, o maior volume já registrado pela série histórica da Conab.

A projeção representa aumento de 5,2% frente à safra anterior. A área cultivada cresceu 2,7%, enquanto a produtividade da soja avançou 2,5%.

As exportações também devem atingir um novo recorde, com previsão de embarques de 116,2 milhões de toneladas.

Milho chega a 144 milhões de toneladas

A produção brasileira de milho está estimada em 144 milhões de toneladas, crescimento de 2% na comparação com a temporada anterior.

A primeira safra apresenta produtividade recorde de 7.191 kg por hectare, alta de 8,8%. Já a segunda safra deve produzir 112,1 milhões de toneladas, volume 1% inferior ao recorde anterior.

Para a terceira safra, a previsão é de queda de 20,1%, com produção estimada em 2,39 milhões de toneladas.

Algodão também registra recorde

A produção de algodão deve chegar a 4,14 milhões de toneladas em 2025/26, maior resultado da série histórica da Conab.

Mesmo com a redução de 3,2% na área cultivada, estimada em 2,02 milhões de hectares, a produtividade deve crescer 4,9%, alcançando o recorde de 2.053 kg de pluma por hectare.

O volume projetado supera em 1,5% o resultado da safra passada e está 1,4% acima da estimativa apresentada em agosto.

Feijão tem redução na produção

Entre as culturas com queda, o feijão deve registrar produção de 2,95 milhões de toneladas, retração de 3,6% em relação ao ciclo anterior.

A principal razão é a diminuição de 5,7% na área cultivada. Em contrapartida, a produtividade média aumentou 2,2%, chegando a 1.161 kg por hectare.

Para atender ao mercado interno, a demanda projetada é de 2,7 milhões de toneladas, praticamente no mesmo nível da safra anterior.

Arroz recua 13,2%

A produção de arroz está estimada em 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2% em relação a 2024/25.

A área plantada diminuiu 14%, para aproximadamente 1,52 milhão de hectares. Apesar disso, a produtividade média avançou 1%, alcançando 7.303 kg por hectare.

De acordo com a Conab, a redução da área está relacionada aos preços menos remuneradores ao produtor e à substituição do cultivo por alternativas como soja e milho.

Trigo tem maior queda entre as culturas

Entre os principais cultivos, o trigo apresenta a maior retração. A produção estimada para 2025/26 é de 5,74 milhões de toneladas, queda de 27,1% ante a temporada anterior.

A área cultivada recuou 21,2%, enquanto a produtividade média caiu 7,5%, para 2.978 kg por hectare.

Com a menor oferta nacional, as importações de trigo devem alcançar aproximadamente 7,06 milhões de toneladas.

A Conab informou que seguirá atualizando as projeções das culturas que ainda permanecem no campo, como o trigo, nos próximos levantamentos.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Internacional

Crise da carne bovina nos EUA avança sobre o setor de frango e pressiona margens

A crise que atinge o mercado de proteínas animais nos Estados Unidos deve continuar pelos próximos anos. Segundo análise do Santander, o setor de carne bovina ainda enfrentará um período prolongado de oferta restrita, enquanto produtores de frango e suínos passam a lidar com custos mais elevados, principalmente devido à valorização dos grãos usados na alimentação dos animais.

O banco estima que uma recuperação mais consistente do mercado de carne bovina americana só deverá ocorrer a partir de 2028. Diante desse cenário, a instituição adota uma postura mais cautelosa em relação a empresas com forte exposição aos Estados Unidos, como Tyson Foods, JBS e Pilgrim’s Pride. A MBRF é apontada como uma exceção entre as companhias avaliadas.

Rebanho bovino dos EUA encolhe ao menor nível em décadas

A principal dificuldade está na disponibilidade de gado para abate. O Santander projeta que as margens dos frigoríficos permaneçam pressionadas até 2028.

Desde 2019, o número de bovinos destinados à produção de carne nos Estados Unidos caiu 13%, chegando a 27,9 milhões de cabeças. O rebanho bovino total do país atingiu o menor patamar desde 1952, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A combinação de seca prolongada no Oeste americano, aumento dos custos de alimentação e redução das áreas de pastagem levou produtores a vender parte dos animais para preservar o caixa.

Como reflexo da menor oferta, a produção de carne bovina nos EUA caiu 4% em 2025, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos deixaram de ocupar a liderança mundial, que passou ao Brasil.

Importações aumentam para compensar menor oferta

As restrições sanitárias à entrada de bovinos provenientes do México também contribuíram para apertar a oferta americana. A medida foi adotada diante da disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que representa ameaça à pecuária.

Com menos animais disponíveis internamente, os Estados Unidos passaram a depender mais das compras externas. O USDA estima que as importações de carne bovina alcancem 2,78 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 14% em relação ao ano anterior.

Somente no primeiro semestre, as compras externas chegaram a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, alta de 12%.

Preço da carne chega ao consumidor americano

A menor oferta também elevou os preços pagos pelos consumidores. A carne moída, um dos produtos mais consumidos nos Estados Unidos, ficou 0,6% mais cara em agosto na comparação com julho e atingiu novo recorde, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho americano.

Na comparação anual, o preço estava 7,9% maior. Desde 2020, a alta acumulada da carne bovina chega a 75%, conforme dados do Federal Reserve de St. Louis.

O avanço dos preços ganhou repercussão política. Há duas semanas, o presidente Donald Trump anunciou a intenção de ampliar as importações de carne como uma das medidas para tentar reduzir os preços no mercado doméstico.

Frango passa a enfrentar pressão sobre as margens

O problema do setor bovino é principalmente a falta de animais. No mercado de aves, a dificuldade está concentrada nas margens, diante do aumento dos custos de produção e da dificuldade de repassar integralmente os preços.

O Santander destaca especialmente o comportamento do milho, um dos principais componentes da alimentação de frangos e suínos. A commodity acumula valorização próxima de 15% no ano, enquanto as condições das lavouras nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países produtores geram riscos adicionais para os custos.

Nesse ambiente, a rentabilidade dos produtores de frango e carne suína pode ficar pressionada caso os preços das proteínas não acompanhem o aumento das despesas com alimentação.

Medidas adotadas ainda não resolvem o problema estrutural

Entre as iniciativas que podem produzir algum alívio no curto prazo, o Santander cita o fechamento de unidades de abate, a retomada gradual das importações de gado mexicano e programas de apoio aos pecuaristas.

Para os analistas, porém, essas ações não são suficientes para modificar o quadro estrutural. A recomposição do rebanho americano deverá exigir um período mais longo.

Em 2026, o banco estima que os fechamentos líquidos de capacidade de abate somem cerca de 6.700 cabeças por dia, o equivalente a aproximadamente 13% da capacidade existente no início do ano que estará fora de operação.

A redução das plantas pode ajudar a indústria a preservar margens ao adequar a capacidade de processamento à menor disponibilidade de gado. No entanto, o fechamento de frigoríficos não aumenta o número de animais disponíveis.

As importações de bovinos do México também têm alcance limitado. Segundo a estimativa do Santander, elas devem representar entre 0,5% e 1% dos animais encaminhados para confinamento nos EUA em 2026.

Tyson Foods sente os efeitos da crise

Entre as empresas analisadas, a Tyson Foods está entre as mais expostas ao cenário negativo da carne bovina americana.

O Santander reduziu o preço-alvo da companhia de US$ 76 para US$ 68 e manteve recomendação neutra. A revisão veio depois que a Tyson diminuiu sua projeção para 2026, levando o banco a cortar em 8% sua estimativa de EBITDA, para cerca de US$ 3,3 bilhões.

A divisão de Beef é o principal ponto de atenção. O Santander considera que as expectativas do mercado para uma recuperação podem estar adiantadas em relação ao ritmo de recomposição do rebanho.

Os primeiros sinais de retenção de fêmeas devem contribuir para uma recuperação mais significativa da oferta apenas no ano fiscal de 2029, segundo a análise.

A Tyson, contudo, possui uma proteção parcial devido ao aumento da participação de produtos de maior valor agregado no segmento de frango. Por outro lado, o Santander alerta que uma demanda mais fraca nos restaurantes de serviço rápido pode afetar essa divisão.

Pilgrim’s Pride enfrenta excesso de oferta de frango

A Pilgrim’s Pride, uma das maiores produtoras de frango dos Estados Unidos, também é acompanhada com cautela pelo Santander.

O banco manteve recomendação neutra para a companhia, embora considere que suas ações estejam entre as mais baratas do grupo americano de empresas de proteínas analisado.

O principal fator de preocupação é a desaceleração do crescimento dos resultados. Apesar de avaliar que o pico de expansão da oferta de frango já passou, o Santander observa que os preços ainda demoram a reagir devido ao excesso de oferta existente no mercado americano.

A valorização dos grãos acrescenta outro elemento de pressão sobre as margens da empresa.

JBS mantém exposição ao mercado americano

A JBS também permanece com recomendação neutra do Santander. O banco reduziu o preço-alvo da companhia para US$ 15.

Embora os spreads da carne bovina nos Estados Unidos tenham apresentado alguma recuperação, ainda há pouca visibilidade, segundo a análise, sobre uma retomada estrutural do ciclo.

No terceiro trimestre, as margens do negócio de carne bovina americana melhoraram na comparação com o período anterior. Entre os fatores estão a sazonalidade, a demanda maior durante a temporada de churrascos e a queda dos preços do gado.

O Santander, entretanto, considera que essa melhora recente não altera o quadro de recuperação prolongada do setor.

MBRF tem diversificação como fator de proteção

Entre as companhias analisadas, a MBRF aparece como exceção. O Santander manteve recomendação Outperform, embora tenha reduzido o preço-alvo de R$ 28 para R$ 25.

A empresa também possui exposição à National Beef, operação americana de carne bovina, e está sujeita aos efeitos da crise no segmento.

A avaliação mais favorável está principalmente relacionada à BRF, que apresenta desempenho forte nas exportações de frango para o Oriente Médio, além de preços firmes e melhora na demanda por alimentos processados.

Diversificação ganha importância no setor de proteínas

A análise do Santander indica que o mercado americano de proteínas deve atravessar um período de ajustes distintos entre os segmentos. Enquanto a carne bovina enfrenta restrição de oferta de animais, o setor de aves precisa administrar custos elevados e dificuldades para recuperar preços.

Nesse contexto, a capacidade das empresas de atuar em diferentes proteínas e mercados internacionais ganha relevância para reduzir a exposição aos ciclos específicos de cada atividade.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Notícias

Dragagem do Rio Tapajós é vetada pelo governo e ameaça escoamento de grãos no Norte

A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de não autorizar, neste momento, a dragagem de manutenção do Rio Tapajós aumenta a preocupação com a navegação na região em um período de estiagem que pode ser agravado pelo El Niño. Segundo representantes do setor privado e pessoas familiarizadas com o tema, uma eventual interrupção da hidrovia poderia comprometer o transporte de soja e milho e gerar perdas de até R$ 850 milhões.

Além dos impactos sobre a exportação de grãos, existe preocupação com o abastecimento e a mobilidade das comunidades que vivem às margens do rio. Representantes do setor produtivo e autoridades que acompanham o caso afirmam que estudos técnicos apontavam a necessidade da intervenção e que o procedimento poderia ser realizado sem custo para a União.

Hidrovia do Tapajós ganha importância no transporte de grãos

A hidrovia do Tapajós se consolidou como um dos principais corredores logísticos do Arco Norte, especialmente para o transporte de grãos produzidos no Norte de Mato Grosso até os portos do Pará.

Dados do governo mostram a expansão desse sistema nos últimos anos. O volume total de cargas transportadas pela hidrovia passou de 100 mil toneladas, em 2010, para 16,8 milhões de toneladas no ano passado.

Atualmente, quase 40% dos embarques brasileiros de grãos utilizam o Arco Norte. O modal hidroviário é considerado uma alternativa de maior capacidade, com custos de transporte mais baixos e menor impacto ambiental em comparação com o transporte exclusivamente rodoviário.

Seca pode reduzir capacidade de transporte no rio

A redução do nível dos rios durante o período de estiagem é um fenômeno recorrente na região amazônica. A preocupação aumenta diante da possibilidade de um El Niño forte, que pode intensificar a seca e comprometer a profundidade necessária para a circulação das embarcações.

Nesse cenário, a dragagem de manutenção tem a função de retirar sedimentos acumulados pelo assoreamento em pontos específicos do leito. O procedimento não tem como objetivo modificar as características naturais do rio.

A intervenção planejada abrangeria o trecho entre Itaituba e Santarém, no Pará. A execução seria conduzida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em parceria com a Associação Nacional de Navegação Interior (Abani), conforme convênio firmado em novembro do ano passado. A operação, segundo as informações apresentadas, não representaria despesas para a União.

Estudos apontavam sete pontos críticos

Interlocutores que acompanham o processo afirmam que o DNIT elaborou estudos técnicos para identificar sete pontos considerados críticos para a segurança da navegação.

O projeto de dragagem teria recebido aprovação da Marinha e da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Também foram realizados testes laboratoriais em amostras de solo e água, com o objetivo de verificar os possíveis efeitos ambientais e sua adequação aos parâmetros estabelecidos pelo Conama.

Ainda segundo essas informações, a intervenção respeitaria uma distância de 10 quilômetros de comunidades indígenas, condição apontada como suficiente para dispensar a realização de consulta prévia.

Governo interrompe processo após manifestações de comunidades

No fim de julho, o Palácio do Planalto decidiu suspender a continuidade da dragagem. A decisão ocorreu depois de manifestações de comunidades indígenas e ribeirinhas preocupadas com possíveis impactos ambientais.

Pessoas que conhecem as tratativas avaliam que a questão também passou a ter uma dimensão política em razão do calendário eleitoral. Técnicos e representantes do setor privado, porém, demonstram preocupação com as consequências da suspensão diante da previsão de queda do nível do rio.

Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o nível do Tapajós em Itaituba terminou agosto em 452 centímetros. A projeção indicava possibilidade de chegar a 300 centímetros a partir de 18 de setembro, abaixo do chamado nível de restrição para a navegação.

Cada comboio pode transportar até 2 mil toneladas de grãos. À medida que o nível da água diminui, a quantidade de carga por embarcação também precisa ser reduzida, podendo chegar a um ponto em que o transporte pela hidrovia deixa de ser economicamente viável.

Histórico de estiagem aumenta preocupação

O receio também considera o que ocorreu nos últimos anos. Em 2024, a estiagem provocou aproximadamente 45 dias de interrupção da navegação em trechos considerados críticos. O problema também afetou o deslocamento de comunidades ribeirinhas.

O período mais sensível costuma ocorrer entre outubro e janeiro. Quanto mais avançada estiver a estiagem, mais complexa se torna a realização de uma eventual dragagem.

Em carta encaminhada ao presidente Lula no início de agosto, entidades do setor privado alertaram para os efeitos registrados durante a estiagem de 2024. Segundo as associações, houve falta de insumos básicos, aumento do custo de vida, redução da renda real e agravamento da insegurança alimentar nas áreas afetadas.

O documento solicitava uma reunião com o presidente para discutir medidas relacionadas à navegação no Tapajós. Entre os signatários estão Abani, Moveinfra, Confederação Nacional do Transporte (CNT), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e Federação das Indústrias do Estado do Pará, entre outras entidades.

BR-163 é alternativa, mas setor aponta custos maiores

Caso a navegação seja interrompida, uma das alternativas consideradas pelo governo é utilizar o transporte rodoviário pela BR-163. O setor privado, entretanto, argumenta que essa opção apresenta custos e riscos superiores.

Outra possibilidade seria redirecionar parte das cargas para o Sul do país, utilizando rodovias e ferrovias com destino aos portos de Santos e Paranaguá.

Segundo a Moveinfra, um comboio formado por 35 barcaças consegue transportar aproximadamente 70 mil toneladas de grãos. O volume equivale à capacidade de cerca de 1.700 caminhões ou seis composições ferroviárias.

Paralisação pode retirar milhões de toneladas da hidrovia

A estimativa do setor é que uma interrupção da navegação durante três ou quatro meses poderia impedir o transporte de até 5 milhões de toneladas de grãos pelo Tapajós.

O impacto financeiro direto é estimado entre R$ 500 milhões e R$ 850 milhões. A substituição do transporte hidroviário por alternativas terrestres também poderia aumentar as emissões de gases de efeito estufa, com uma projeção de aproximadamente 55 mil toneladas adicionais de CO₂.

Para Ronei Glanzmann, presidente da Moveinfra, a ausência da dragagem não elimina os problemas de navegação e pode transferi-los para outras áreas. Ele argumenta que as alternativas rodoviárias e ferroviárias são mais caras e podem gerar impactos ambientais adicionais.

Glanzmann também afirma que a dragagem envolve critérios técnicos, acompanhamento e medidas de proteção ambiental. Na avaliação dele, a interrupção da hidrovia afeta não apenas a cadeia de exportação, mas também o fornecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos às comunidades locais.

Setor industrial prevê risco de interrupção a partir de outubro

Alex Carvalho, presidente do Conselho de Infraestrutura da CNI e da Federação das Indústrias do Estado do Pará, afirmou que a navegação poderá ser interrompida já em outubro.

Carvalho também questiona a diferença de tratamento em relação a outros rios da Bacia Amazônica, onde existem obras de dragagem em andamento, citando os rios Amazonas, Madeira e Solimões.

Segundo ele, os efeitos econômicos da estiagem já foram sentidos anteriormente. Em 2025, o Pará teria deixado de arrecadar cerca de R$ 30 milhões em ICMS relacionado a combustíveis, enquanto os municípios perderam aproximadamente R$ 7,6 milhões em ISS ligado às operações portuárias e de navegação.

Governo diz que cenário está sendo monitorado

Em nota, o Ministério dos Portos e Aeroportos confirmou que a dragagem entre Itaituba e Santarém não será realizada “neste momento”. A pasta afirmou que a decisão ocorreu após diálogo com os órgãos envolvidos e a escuta de povos indígenas e comunidades da região.

O ministério informou ainda que acompanha os possíveis efeitos sobre a navegabilidade, o transporte de cargas e o abastecimento das comunidades para definir eventuais medidas de contingência durante a estiagem.

Entre as alternativas monitoradas está o uso complementar do transporte rodoviário. Segundo o governo, a medida poderá ajudar a garantir o fornecimento de alimentos, bens essenciais e outros produtos às populações que dependem da navegação do Tapajós.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cristiano Mariz/Agência O Globo

Ler Mais
Exportação

Milho argentino ganha competitividade e desafia exportações brasileiras em setembro

A Argentina vem ampliando sua presença no mercado internacional de milho justamente quando o Brasil enfrenta dificuldades para manter o ritmo de exportações observado em 2025. Com oferta elevada e preços competitivos, os argentinos caminham para um volume recorde de embarques, enquanto as primeiras estimativas para setembro indicam exportações brasileiras de milho inferiores às registradas no mesmo mês do ano passado.

A expectativa é que a Argentina embarque cerca de 10 milhões de toneladas de milho entre agosto e setembro, segundo informações divulgadas pela Reuters nesta semana.

O desempenho é favorecido pela perspectiva de uma safra 2025/26 recorde, estimada em 71,7 milhões de toneladas, além da demanda internacional provocada por problemas na oferta de milho da Ucrânia e perdas relacionadas ao calor em algumas regiões europeias.

Argentina amplia vantagem no mercado internacional

Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, entidade que reúne exportadores e processadores argentinos, afirma que o milho do país ganhou força tanto em preço quanto em disponibilidade.

Essa combinação coloca a Argentina em posição favorável na disputa por compradores internacionais, principalmente em um momento de maior necessidade de reposição de estoques e de incertezas sobre a oferta de outros grandes produtores.

Para o Brasil, o avanço argentino representa uma pressão adicional sobre o programa de exportação de milho em 2026.

Brasil deve exportar menos milho em setembro

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques brasileiros de aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de milho em setembro.

Se a estimativa se confirmar, o resultado ficará abaixo das quase 7 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo mês de 2025.

Além da concorrência argentina, o milho brasileiro enfrenta neste ano a disputa com a oferta dos Estados Unidos e com uma demanda interna mais forte. O setor de etanol, por exemplo, tem ampliado a utilização do cereal no mercado doméstico.

Os dados iniciais de setembro reforçam o cenário de desaceleração. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, foram embarcadas 1,13 milhão de toneladas, com média diária de 281,6 mil toneladas.

O ritmo representa uma queda de 18,1% em relação à média diária de 343,8 mil toneladas registrada em setembro de 2025.

Ritmo melhora em relação a agosto

Apesar da comparação negativa com o ano passado, os embarques brasileiros mostram recuperação quando comparados a agosto.

No mês anterior, o país exportou, em média, 221,7 mil toneladas por dia. Assim, a média registrada nos primeiros dias de setembro é aproximadamente 27% maior.

A questão agora é saber se essa aceleração será suficiente para aproximar o desempenho brasileiro dos níveis registrados em 2025 ou se o volume projetado pela Anec acabará se confirmando.

Argentina é apontada como risco para exportações brasileiras

A maior oferta argentina já vinha sendo considerada um fator de atenção para o mercado brasileiro de milho.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, afirmou que o ritmo dos embarques brasileiros estava abaixo das expectativas e apontou a Argentina como uma das principais ameaças ao desempenho nacional.

Segundo o analista, a combinação entre disponibilidade elevada e preços competitivos aumenta a disputa entre Brasil e Argentina por compradores internacionais.

A Hedgepoint estima que o Brasil poderá exportar aproximadamente 41 milhões de toneladas de milho em 2026, volume próximo ao registrado em 2025. No entanto, Gutierrez avalia que essa projeção pode ser revisada para baixo caso o ritmo dos embarques continue abaixo do esperado.

Milho dos EUA perde parte da competitividade

A concorrência internacional também envolve os Estados Unidos, outro importante fornecedor de milho.

Eduardo Vanin, analista e estrategista sênior da Marex e da Agrinvest, avaliou em entrevista ao Notícias Agrícolas que a recente valorização do milho na Bolsa de Chicago reduziu a vantagem competitiva que o produto americano vinha apresentando nos últimos dois anos.

Na avaliação do especialista, o aumento das cotações está relacionado, em parte, às incertezas sobre os fluxos de grãos pelo Mar Negro.

Com preços mais elevados, o milho americano pode perder parte do espaço que vinha ocupando na disputa com o produto brasileiro no mercado internacional.

Próximas semanas serão decisivas para o milho brasileiro

Ainda não é possível afirmar que o avanço das exportações argentinas esteja retirando diretamente compradores do Brasil. O cenário observado até agora é de maior oferta argentina e preços competitivos em um período no qual os embarques brasileiros seguem abaixo do ritmo registrado em 2025.

As próximas semanas serão importantes para determinar se a recuperação das exportações brasileiras em setembro ganhará força.

Caso o desempenho permaneça inferior ao do ano passado, aumentará a pressão sobre as projeções de exportação de milho do Brasil em 2026, além de crescer a importância do mercado doméstico para absorver a produção disponível.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Informação

Milho sobe mais de 5% em Chicago na semana e analista aponta espaço para novas altas

Os preços futuros do milho encerraram a sexta-feira (28) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT). Com o avanço registrado no último pregão da semana, as principais posições do cereal acumularam ganhos superiores a 5% no período.

Para Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, três fatores vêm dando sustentação às cotações do milho e podem continuar favorecendo o mercado nos próximos dias.

Estoques dos EUA menores sustentam o milho em Chicago

Um dos principais pontos de suporte está relacionado ao relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no início de agosto.

O órgão reduziu a estimativa para os estoques de milho norte-americanos ao fim da temporada 2026/27, de 46 milhões para 41 milhões de toneladas em 31 de agosto de 2027.

A perspectiva de uma oferta mais apertada nos Estados Unidos ajuda a manter os compradores ativos e dá sustentação aos preços negociados na CBOT.

Clima ameaça potencial produtivo da safra americana

Outro fator observado pelo mercado é o risco de redução da produtividade da safra de milho dos Estados Unidos em razão das condições climáticas.

Enquanto algumas áreas do Cinturão do Milho enfrentam períodos de seca, outras registram excesso de chuvas. O cenário aumenta as preocupações com o potencial produtivo da temporada.

O relatório mais recente da expedição Pro Farmer apontou uma produção norte-americana aproximadamente 16 milhões de toneladas inferior à estimativa atualmente considerada pelo USDA.

Conflitos entre Rússia e Ucrânia também dão suporte

As tensões entre Rússia e Ucrânia formam o terceiro elemento citado pelo analista como importante para o comportamento das cotações.

A intensificação dos conflitos compromete o fluxo de grãos no Leste Europeu, reduzindo a disponibilidade de produtos no mercado internacional. A Rússia tem papel relevante nas exportações de trigo, enquanto a Ucrânia é um dos principais fornecedores globais de milho.

Na avaliação de Rafael, o cenário ainda favorece a continuidade da valorização do cereal. Uma mudança nessa perspectiva poderia ocorrer caso o relatório de oferta e demanda do USDA de setembro não confirme uma redução na produtividade dos Estados Unidos ou se houver uma diminuição das tensões na região.

Milho acumula alta de até 5,84% em Chicago

Na CBOT, o contrato setembro/26 terminou cotado a US$ 5,12 por bushel, com alta de 1,75 ponto. O dezembro/26 avançou 3 pontos, para US$ 5,36, enquanto março/27 subiu 4 pontos, a US$ 5,51. O maio/27 também ganhou 4 pontos, encerrando a US$ 5,57.

Na comparação com o fechamento de quinta-feira (27), os ganhos foram de:

  • Setembro/26: +0,34%;
  • Dezembro/26: +0,56%;
  • Março/27: +0,73%;
  • Maio/27: +0,72%.

No acumulado da semana, as altas chegaram a:

  • Setembro/26: +5,84%;
  • Dezembro/26: +5,51%;
  • Março/27: +5,30%;
  • Maio/27: +5,09%.

B3 acompanha movimento positivo, mas em ritmo menor

O milho na B3 também terminou a sexta-feira em território positivo. Entretanto, o avanço dos contratos brasileiros foi mais moderado que o observado em Chicago.

Segundo Rafael, a valorização da CBOT acaba influenciando o mercado brasileiro, embora os ganhos na B3 sejam menores e o mercado físico de milho apresente uma reação ainda mais contida.

Os contratos encerraram o pregão com os seguintes valores:

  • Setembro/26: R$ 71,45, alta de 0,31%;
  • Janeiro/27: R$ 81,00, avanço de 0,27%;
  • Março/27: R$ 83,01, alta de 0,25%;
  • Maio/27: R$ 81,01, queda de 0,05%.

Na semana, os contratos acumularam altas de 0,21% para setembro/26, 0,95% para janeiro/27, 1,90% para março/27 e 1,26% para maio/27.

Preços de R$ 82 a R$ 83 por saca são vistos como oportunidade

Mesmo diante da expectativa de novas altas, o analista considera que os produtores devem avaliar oportunidades de comercialização.

Para a safra de verão 2026/27, negócios entre R$ 82,00 e R$ 83,00 por saca são considerados interessantes em termos de margem. Muitos produtores, porém, continuam segurando a produção na expectativa de uma valorização adicional.

Demanda brasileira deve continuar firme

A perspectiva para a demanda por milho brasileiro também contribui para dar sustentação aos preços.

A indústria de ração animal e o setor de etanol de milho devem manter um consumo elevado do cereal, enquanto as exportações seguem como outro importante componente da demanda.

De acordo com Rafael, os line-ups dos portos brasileiros para as próximas semanas já indicam aproximadamente 4 milhões de toneladas de milho programadas para embarque.

Mercado físico registra altas em várias regiões

No mercado físico, a saca de milho também apresentou valorização em diferentes praças brasileiras no encerramento da semana.

Levantamento da equipe do Notícias Agrícolas identificou altas nos preços em Pato Branco (PR), Palma Sola (SC), Tangará da Serra (MT), Campo Novo do Parecis (MT), Jataí (GO), Rio Verde (GO), Luís Eduardo Magalhães (BA), Campinas (SP) e Porto de Santos (SP).

O movimento reforça o cenário de firmeza observado tanto nos mercados futuros quanto nas negociações físicas do cereal.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Agronegócio

China enfrenta impactos climáticos nas lavouras e pode aumentar demanda por grãos da América Latina

As condições climáticas adversas registradas desde meados de julho em importantes regiões agrícolas da China colocam em alerta a produção de milho, soja e algodão. O avanço de ondas de calor, chuvas intensas e inundações já afeta áreas produtoras do nordeste do país, da planície do norte e de Xinjiang.

O cenário passou a ser acompanhado de perto nesta quinta-feira, 27 de agosto, por produtores, exportadores e empresas do agronegócio latino-americano. Caso os danos provoquem perdas relevantes de produtividade ou comprometam a qualidade da safra chinesa, o país poderá recorrer mais ao mercado internacional, com possíveis reflexos sobre os fluxos globais de grãos, fibras e ração animal.

Clima extremo atinge principais regiões agrícolas da China

Segundo informações divulgadas pela Reuters, algumas das principais províncias produtoras chinesas enfrentaram condições meteorológicas fora do padrão.

Em Jilin e Liaoning, as temperaturas alcançaram ou ultrapassaram recordes históricos em diversas estações. Já Heilongjiang foi afetada por uma sequência de chuvas e episódios de inundação. Em Henan, o calor intenso registrado em julho foi seguido por fortes precipitações relacionadas ao tufão Dolphin.

Neste momento, o mercado busca dimensionar os efeitos efetivos sobre a safra. A principal dúvida é se os eventos climáticos resultarão em queda de produtividade, problemas de qualidade dos grãos ou uma combinação dos dois fatores. A resposta será fundamental para determinar se a China precisará ampliar suas compras externas.

Milho chinês entra no radar dos exportadores

No caso do milho, as temperaturas elevadas coincidiram, em determinadas áreas, com fases importantes do desenvolvimento das plantas. O calor persistente durante a polinização pode prejudicar a formação dos grãos, enquanto o excesso de água aumenta os riscos em áreas mais baixas do nordeste chinês.

Apesar dos problemas localizados, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a expansão da área cultivada com milho pode ajudar a limitar eventuais perdas na produção total. Por isso, ainda não há elementos suficientes para projetar uma queda expressiva da oferta doméstica.

A qualidade do milho disponível após a colheita, entretanto, ganha importância. Eventuais problemas nesse aspecto podem elevar a necessidade da indústria chinesa de recorrer a fornecedores externos para garantir matéria-prima destinada à alimentação animal.

América Latina pode ser afetada por novas compras chinesas

Uma eventual redução da disponibilidade de grãos para alimentação animal na China poderia alterar os fluxos internacionais de milho, sorgo e outros produtos utilizados na pecuária.

Nesse cenário, Brasil e Argentina aparecem entre os países diretamente interessados, já que estão entre os principais exportadores mundiais de milho. Ao mesmo tempo, terão de disputar espaço no mercado chinês com os Estados Unidos e outros fornecedores.

Os efeitos para o agronegócio da América Latina também podem ocorrer de forma indireta, por meio de mudanças nos preços internacionais, prêmios de exportação, custos de frete e contratos negociados nos mercados futuros.

Importações chinesas de milho e sorgo já avançaram

Os números do comércio exterior indicam que a China vem aumentando a aquisição de alguns produtos agrícolas.

Entre janeiro e julho, o país importou 1,36 milhão de toneladas de milho, volume 61,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As compras de sorgo cresceram 86,2%, enquanto as de cevada aumentaram 53,4%, segundo dados citados pela Reuters.

O movimento, por si só, não comprova o início de um ciclo estrutural de grandes importações. Ainda assim, mostra uma utilização maior de grãos importados e substitutos para alimentação animal.

Para os exportadores latino-americanos, a evolução das compras chinesas durante e após a colheita será um indicador mais importante para avaliar os efeitos do clima do que as primeiras estimativas de perdas nas lavouras.

Soja exige atenção especial de Brasil e Argentina

O mercado de soja apresenta características diferentes. Em Heilongjiang, o excesso de chuva prejudicou condições de temperatura do solo e reduziu a disponibilidade de luz, aumentando os riscos para a qualidade da produção e para os níveis de proteína.

Entretanto, existe uma diferença importante entre a soja produzida internamente pela China e aquela adquirida no exterior. Grande parte da produção doméstica é não transgênica e destinada ao consumo humano. Já a soja importada é utilizada principalmente no processamento industrial, conhecido como crushing, e na alimentação animal.

Por isso, uma eventual quebra da produção chinesa não necessariamente provocará um aumento proporcional das importações. Mesmo assim, qualquer mudança significativa na demanda do país asiático continua sendo estratégica para Brasil e Argentina, que concentram grande parcela da oferta mundial de soja.

Algodão também pode sofrer impactos

O algodão chinês é outro produto sob observação. Xinjiang responde por mais de 90% da produção nacional e enfrentou temperaturas elevadas e pouca chuva.

Em algumas áreas, as condições climáticas reduziram o número médio de cápsulas por planta, sinalizando possíveis impactos sobre a produtividade.

Ao mesmo tempo, as importações chinesas já chamam atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, o país comprou 1,02 milhão de toneladas de algodão, praticamente o mesmo volume adquirido ao longo de todo o ano de 2025, conforme dados divulgados pela Reuters.

Se as perdas na produção doméstica forem maiores do que o esperado, a necessidade de importações poderá crescer e modificar a disputa entre fornecedores internacionais. O movimento interessa especialmente ao Brasil, que vem ampliando sua participação no comércio global de algodão.

Próximos dados serão decisivos para o mercado agrícola

Para produtores e empresas do agronegócio brasileiro e latino-americano, o principal indicador será a transformação dos danos climáticos em compras efetivas da China.

Relatórios sobre a qualidade da safra, o comportamento das importações de milho e demais grãos forrageiros, o ritmo do processamento de soja e os números do comércio de algodão serão fundamentais para medir o impacto real.

O cenário, portanto, não significa necessariamente uma alta automática das commodities agrícolas. Ele acrescenta, porém, uma variável importante às estratégias comerciais dos grandes exportadores.

Se a China precisar recorrer com maior intensidade ao mercado internacional, Brasil, Argentina, Estados Unidos e outros grandes fornecedores agrícolas voltarão a disputar de maneira ainda mais intensa a demanda do maior comprador de diversos produtos do agronegócio mundial.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Tingshu Wang

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook