Exportação

Exportações de milho brasileiro para a Europa ganham força em setembro e podem avançar em outubro

As exportações de milho brasileiro para a União Europeia ganharam impulso em setembro de 2026, com cinco países do bloco importando, em apenas um mês, um volume superior ao acumulado entre janeiro e agosto. O movimento indica uma reação recente do Brasil em mercados estratégicos, embora o país ainda registre redução nos embarques para a Europa no balanço da atual temporada comercial.

Levantamento do Notícias Agrícolas, com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), aponta que Espanha, Itália, Países Baixos, Irlanda e Portugal receberam juntos 1,07 milhão de toneladas de milho brasileiro em setembro. Nos oito meses anteriores, o volume destinado a esses mercados havia somado 895,4 mil toneladas.

A recuperação ocorre em um cenário de expansão das compras europeias, mas com concorrência mais intensa de fornecedores como Estados Unidos e Ucrânia.

União Europeia aumenta importações de milho e amplia concorrência

Dados da Comissão Europeia divulgados pela Reuters mostram que o bloco importou aproximadamente 6,64 milhões de toneladas de milho entre 1º de julho e 18 de outubro de 2026. O volume representa crescimento de 40% em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior.

Os Estados Unidos foram o fornecedor que mais ampliou suas vendas, passando de cerca de 900 mil toneladas para 2,9 milhões de toneladas no período.

O Brasil permaneceu na segunda posição entre os principais exportadores para o mercado europeu, mas os embarques recuaram de 2,74 milhões para 1,82 milhão de toneladas.

A Ucrânia também aumentou sua participação, com fornecimentos que passaram de aproximadamente 770 mil para 1,62 milhão de toneladas.

Dessa forma, apesar da reação brasileira observada em setembro, os números acumulados ainda mostram perda de espaço do país no mercado europeu de milho para exportação.

Espanha, Itália e Países Baixos concentram embarques brasileiros

Os dados de peso líquido exportado da Secex, consultados por meio do sistema Comex Stat, revelam que setembro concentrou uma parcela significativa das vendas brasileiras para os cinco destinos europeus analisados.

O volume embarcado no mês correspondeu a aproximadamente 54% do total exportado para esses países entre janeiro e setembro de 2026.

A Espanha liderou as compras, com 446.725 toneladas. Na sequência apareceram a Itália, com 290.623 toneladas, e os Países Baixos, com 263.785 toneladas.

Irlanda e Portugal receberam volumes menores, de 37.400 toneladas e 30.041 toneladas, respectivamente.

Itália registra forte aumento nas compras de milho brasileiro

O desempenho italiano foi um dos principais destaques do levantamento. Em setembro, o país importou 290,6 mil toneladas do cereal brasileiro, mais de três vezes o volume de 87,4 mil toneladas registrado entre janeiro e agosto.

A dimensão desse avanço fica ainda mais evidente na comparação com o ano passado. Somente as compras de setembro de 2026 equivaleram a 61,4% das 473,6 mil toneladas de milho brasileiro destinadas à Itália durante todo o ano de 2025.

Os Países Baixos também concentraram uma parcela expressiva das importações no mês, enquanto a Espanha permaneceu como principal destino europeu do cereal brasileiro.

Apesar da concentração observada em setembro, os dados disponíveis não permitem concluir que os embarques cresceram continuamente ao longo de todos os meses anteriores.

Outro aspecto importante é o papel logístico dos Países Baixos. Parte do milho desembarcado no país pode ser posteriormente distribuída para outros mercados europeus, o que significa que o destino registrado na exportação brasileira nem sempre corresponde ao consumidor final.

Compras de milho brasileiro crescem 9,6% em três mercados europeus

Na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026, Espanha, Itália e Países Baixos ampliaram conjuntamente suas importações de milho brasileiro.

Os três países receberam 1.001.133 toneladas no mês mais recente, ante 913.402 toneladas um ano antes, avanço de 9,6%.

A Itália apresentou o crescimento mais expressivo, de 64,1%, passando de 177.118 para 290.623 toneladas.

Na Espanha, as compras aumentaram 6,8%, de 418.175 para 446.725 toneladas.

Já os Países Baixos seguiram na direção contrária: as importações recuaram 17,1%, de 318.109 para 263.785 toneladas.

Mesmo com a queda no mercado neerlandês, o resultado conjunto dos três destinos contrasta com a retração das exportações brasileiras totais de milho.

Em setembro, os embarques nacionais caíram 31,1% na comparação anual, passando de 7,56 milhões para 5,21 milhões de toneladas.

Com isso, a participação conjunta de Espanha, Itália e Países Baixos no total exportado pelo Brasil aumentou de aproximadamente 12,1% para 19,2%.

O indicador demonstra que esses mercados europeus ganharam importância relativa para o escoamento do cereal brasileiro, mesmo em um mês de redução das exportações totais.

É necessário considerar, porém, que os dados da Secex se referem às exportações brasileiras realizadas em setembro, enquanto as estatísticas da Comissão Europeia abrangem a temporada comercial iniciada em julho. Por isso, os dois conjuntos de números não são diretamente equivalentes.

Exportações brasileiras de milho para a Europa podem acelerar em outubro

As perspectivas para outubro também indicam a possibilidade de novos avanços. Segundo projeção da corretora Stag International divulgada pela Reuters na quarta-feira (21), as exportações brasileiras de milho para países europeus podem chegar a 1,65 milhão de toneladas em outubro de 2026.

Se confirmada, a estimativa representará um salto expressivo em relação às aproximadamente 200 mil toneladas exportadas para a região no mesmo mês do ano anterior.

A corretora associa essa expectativa à menor disponibilidade de milho para exportação da Ucrânia, em meio às dificuldades logísticas enfrentadas pelo país, e à competitividade dos fornecedores sul-americanos.

Nesse cenário, Brasil e Argentina podem encontrar oportunidades para ampliar sua participação no mercado europeu.

Programação de navios indica embarques superiores a 1 milhão de toneladas

As programações de embarque acompanhadas pela agência marítima Cargonave, também citadas pela Reuters, apontam a possibilidade de exportações brasileiras superiores a 1 milhão de toneladas destinadas à Europa em outubro.

A Espanha aparece entre os principais destinos previstos.

Esses números, entretanto, correspondem a estimativas e operações programadas. Eles ainda não representam volumes integralmente embarcados e confirmados pelas estatísticas oficiais de comércio exterior.

A divulgação dos dados efetivos será importante para verificar se o movimento observado em setembro terá continuidade e se poderá reduzir parte da perda brasileira acumulada na temporada comercial europeia.

Demanda externa pode ampliar as alternativas para o milho brasileiro

O aumento das compras europeias pode oferecer aos produtores brasileiros uma alternativa adicional para o escoamento da safra, especialmente em um momento em que a indústria nacional de etanol de milho também amplia sua demanda pelo cereal.

Ainda assim, a recuperação dos embarques não garante, por si só, uma valorização dos preços nas regiões produtoras.

A remuneração do milho depende de outros fatores, como a taxa de câmbio, os custos de transporte, os fretes marítimos, a infraestrutura logística e a concorrência internacional entre os principais fornecedores.

O avanço de setembro e as projeções para outubro sinalizam uma oportunidade para o Brasil recuperar parte do espaço perdido na Europa. A confirmação de uma retomada mais consistente, porém, dependerá dos volumes efetivamente exportados nos próximos meses.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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