Agronegócio

Milho sobe em Chicago e recupera US$ 4,50 após queda superior a 10% em outubro

Após um mês de outubro marcado por fortes desvalorizações, os contratos futuros do milho começaram novembro em alta na Bolsa de Chicago (CBOT). Nesta segunda-feira (2), o vencimento dezembro/26 voltou a ultrapassar US$ 4,50 por bushel, impulsionado por compras de oportunidade após as perdas expressivas registradas nas últimas semanas.

Apesar da reação positiva, o mercado internacional continua atento à perspectiva de uma oferta abundante nos Estados Unidos e ao ritmo da demanda global pelo cereal, fatores que podem limitar uma recuperação mais acentuada das cotações.

Por volta das 9h05 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,5075 por bushel, com alta de 3 cents em relação ao fechamento anterior. Os demais vencimentos também apresentavam valorização:

  • Março/27: US$ 4,6425 por bushel, avanço de 3,25 cents.
  • Maio/27: US$ 4,7225 por bushel, alta de 3,25 cents.
  • Julho/27: US$ 4,7850 por bushel, valorização de 2,75 cents.

Milho acumula perdas superiores a 10% em outubro

A recuperação observada no início de novembro ocorre depois de um período de forte pressão sobre os preços. Em outubro, o contrato dezembro/26 recuou de US$ 5,0075 por bushel, registrados no encerramento de setembro, para US$ 4,4775 na última sexta-feira (30).

Com isso, o principal vencimento acumulou desvalorização de 10,58% durante o mês. Os contratos março/27 e maio/27 também registraram perdas superiores a 10%, enquanto o julho/27 encerrou o período com queda de 9,81%.

De acordo com análise publicada pela Reuters nesta segunda-feira, a sequência de baixas abriu espaço para compras de oportunidade na Bolsa de Chicago, contribuindo para a reação inicial das cotações.

Ainda assim, a possibilidade de uma oferta elevada no mercado internacional continua sendo um obstáculo para uma valorização mais consistente do cereal.

Colheita nos Estados Unidos segue no radar dos investidores

O andamento da colheita de milho nos Estados Unidos permanece como um dos principais indicadores acompanhados pelos participantes do mercado.

No relatório mais recente, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 60% das lavouras de milho estavam colhidas até 25 de outubro. Na semana anterior, o índice era de 44%.

Mesmo com a evolução dos trabalhos, o percentual permanecia abaixo da média histórica de 66% para o período.

Os investidores aguardavam nesta segunda-feira, às 18h (horário de Brasília), a publicação de uma nova atualização do relatório Crop Progress, com informações sobre o avanço da colheita até 1º de novembro. O horário de divulgação no Brasil foi impactado pelo encerramento do horário de verão nos Estados Unidos.

As condições climáticas também influenciam as expectativas. A previsão de chuvas mais abrangentes no Meio-Oeste americano durante os primeiros dias de novembro pode provocar paralisações temporárias nas atividades de campo. Entretanto, boa parte da produção já foi retirada das lavouras.

Vendas externas de milho apresentam resultados mistos

Pelo lado da demanda, os números divulgados pelo USDA mostram um cenário de desempenho variável nas exportações norte-americanas.

Na quinta-feira (29), o órgão informou que as vendas líquidas de milho referentes à temporada 2026/27 alcançaram 1.303.900 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro.

O resultado representou uma redução de 15% em relação à semana anterior. Por outro lado, ficou 32% acima da média registrada nas últimas quatro semanas.

Os embarques efetivos somaram 552.900 toneladas, volume 29% inferior ao da semana precedente.

Mesmo com o desempenho das vendas, os compromissos acumulados de exportação dos Estados Unidos continuam abaixo dos registrados no mesmo intervalo da temporada anterior. Esse cenário mantém dúvidas sobre a capacidade de recuperação da demanda internacional por milho.

Concorrência entre Brasil, Argentina e Estados Unidos pressiona cotações

Outro elemento importante para a formação dos preços é a disputa comercial entre os principais países exportadores de milho.

Em entrevista concedida ao Notícias Agrícolas na sexta-feira (30), Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, destacou que os Estados Unidos procuram recuperar competitividade por meio de ajustes nos diferenciais do mercado físico.

Ao mesmo tempo, Brasil e Argentina seguem disputando espaço entre os compradores internacionais, especialmente para os embarques previstos nos próximos meses.

Na avaliação do especialista, a recuperação dos contratos futuros para níveis próximos de US$ 4,50 por bushel ainda não representa uma mudança definitiva de tendência. A disponibilidade de produto e a concorrência entre os exportadores continuam entre os fatores que podem restringir novas altas na CBOT.

Preços do milho no Brasil dependem de fatores internos e externos

Para os produtores brasileiros, a valorização registrada em Chicago representa uma recuperação parcial das referências internacionais após o desempenho negativo de outubro.

Entretanto, a evolução das cotações do milho no mercado brasileiro não depende exclusivamente dos preços futuros negociados nos Estados Unidos.

O comportamento do dólar, os prêmios de exportação e as condições regionais de oferta e demanda também têm influência direta sobre a formação dos preços internos.

Nesta segunda-feira, devido ao feriado de Finados no Brasil, não há negociação regular dos contratos futuros de milho na B3. Dessa forma, as atenções dos participantes do mercado ficam concentradas nas movimentações internacionais.

A divulgação dos novos dados de progresso da colheita norte-americana deverá fornecer informações adicionais para avaliar as perspectivas de oferta e o comportamento dos preços do milho ao longo da semana.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook