Transporte

COSCO encomenda 15 graneleiros Newcastlemax com tecnologia para uso de metanol e amônia

A COSCO SHIPPING Development anunciou a encomenda de 15 novos graneleiros Newcastlemax com capacidade de 210 mil toneladas de porte bruto, projetados para uma futura operação com metanol e amônia como combustíveis alternativos.

O investimento total no projeto chega a 7,92 bilhões de yuans, sem impostos, valor equivalente a aproximadamente US$ 1,17 bilhão. A iniciativa faz parte da estratégia da companhia chinesa para modernizar sua frota e acompanhar a evolução da descarbonização do transporte marítimo.

Navios serão construídos por dois estaleiros chineses

As novas embarcações serão produzidas por dois estaleiros da China. Dez unidades ficarão sob responsabilidade da Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding, subsidiária da China State Shipbuilding Corporation (CSSC), enquanto outras cinco serão construídas pela Nantong Xiangyu Shipbuilding & Offshore Engineering, empresa controlada pela Xiamen Xiangyu.

Os contratos foram firmados pela Hainan COSCO SHIPPING Development Shipping, subsidiária integral indireta da COSCO. Cada navio terá custo estimado de 528 milhões de yuans, cerca de US$ 78 milhões.

O acordo com a Waigaoqiao Shipbuilding soma 5,28 bilhões de yuans, com entregas previstas entre junho e dezembro de 2030. Já o contrato com a Nantong Xiangyu envolve 2,64 bilhões de yuans, com as cinco embarcações programadas para serem entregues entre maio e dezembro do mesmo ano.

Graneleiros serão destinados a contratos de longo prazo

Após a conclusão, os 15 navios de transporte de granéis serão utilizados em contratos de afretamento de longo prazo com a Huifeng Shipping, subsidiária da COSCO Shipping Bulk.

Cada contrato terá duração de 240 meses, com possibilidade de variação de até 120 dias no prazo inicial, considerando a data de entrega de cada embarcação.

Por serem preparados para operar com propulsão bicombustível, o valor anual de afretamento de cada navio não deverá ultrapassar 59,4 milhões de yuans, sem impostos.

Ao término dos contratos, a decisão sobre o destino dos navios ficará com os proprietários, sem obrigação de compra por parte da empresa responsável pelo afretamento.

Tecnologia prepara frota para combustíveis de baixo carbono

Segundo a COSCO SHIPPING Development, os novos graneleiros Newcastlemax foram desenvolvidos para atender às necessidades do transporte marítimo de longa distância.

A preparação para uso de metanol e amônia permite que as embarcações sejam adaptadas conforme o avanço das tecnologias de combustíveis de menor emissão de carbono.

A companhia destaca que o projeto busca equilibrar metas ambientais, eficiência operacional e redução de custos ao longo do ciclo de vida dos navios.

A empresa também afirmou que a entrada das novas unidades ajudará a fortalecer sua frota de grandes graneleiros e ampliar o volume de ativos navais de alta qualidade sob sua administração.

COSCO amplia estratégia de leasing naval

Além da expansão da frota, a companhia pretende fortalecer sua atuação no segmento de arrendamento de embarcações, criando uma carteira mais diversificada em tipos de navios, modelos operacionais e ciclos de utilização dos ativos.

Segundo a COSCO SHIPPING Development, a estratégia deve contribuir para o crescimento de longo prazo do negócio de leasing marítimo.

Companhia mantém ritmo acelerado de expansão da frota

A nova encomenda ocorre poucas semanas após outro grande anúncio da empresa. Em 30 de junho, a COSCO SHIPPING Development informou a contratação de 24 novas embarcações por meio da Hainan COSCO SHIPPING Development Shipping, em um investimento total de 8,656 bilhões de yuans.

O pacote inclui 20 navios multipropósito para transporte de grãos, com capacidade de 87 mil toneladas de porte bruto, além de dois graneleiros de 210 mil toneladas e dois navios de carga seca com a mesma capacidade.

Todas as unidades também serão destinadas a contratos de afretamento de longo prazo após a entrega.

Entre os navios para transporte de grãos, 15 serão construídos pela COSCO SHIPPING Heavy Industry, em Dalian, e cinco pelo estaleiro CSSC Chengxi.

Os dois graneleiros preparados para operação futura com metanol e amônia serão produzidos pela Dalian Shipbuilding Industry Corporation, enquanto os dois navios de carga seca com a mesma tecnologia ficarão a cargo da Beihai Shipbuilding.

Atualmente, a COSCO SHIPPING Development informa que possui mais de 100 embarcações em construção. As entregas estão programadas para ocorrer gradualmente ao longo dos próximos cinco anos.

FONTE: I marine news
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Etanol impulsiona Porto de Santos na disputa pelo bunker verde

O Porto de Santos deu um passo importante na transição energética do transporte marítimo ao realizar o primeiro abastecimento, em território brasileiro, de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol. A operação reforça o potencial do maior complexo portuário da América Latina para se consolidar como um hub de bunker verde e coloca o Brasil em posição de destaque na corrida global por combustíveis marítimos de baixo carbono.

O procedimento foi realizado no último dia 12 com o navio CMA CGM IRON, embarcação com capacidade para 13 mil TEU equipada com motor tricombustível, certificado para operar com etanol, metanol e combustíveis convencionais.

A ação envolveu a participação da CMA CGM, Copersucar, Bunker One, Santos Brasil, AGEO Terminais e da fabricante de motores marítimos Everllence.

Setor marítimo acelera busca por combustíveis sustentáveis

A iniciativa acontece em meio ao avanço das metas globais de descarbonização da navegação. Com regras ambientais cada vez mais rigorosas, armadores e operadores portuários vêm ampliando os investimentos em alternativas ao óleo combustível tradicional.

A Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu como objetivo alcançar a neutralidade climática do setor até meados deste século, enquanto o regulamento europeu FuelEU Maritime passou a exigir redução gradual da intensidade de carbono dos combustíveis utilizados por navios que operam em portos da Europa.

As metas começam com redução de 2% nas emissões em 2025 e deverão chegar a 80% até 2050, aumentando os incentivos para o uso de energias renováveis na navegação internacional.

Corrida tecnológica movimenta indústria naval

Responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, o transporte marítimo vive uma disputa entre diferentes tecnologias para combustíveis de baixa emissão.

Entre as principais alternativas estão metanol, etanol, amônia, hidrogênio, biometano e outros biocombustíveis líquidos.

Enquanto a Maersk concentra sua estratégia no metanol verde, a CMA CGM aposta em uma matriz diversificada, investindo simultaneamente em gás natural liquefeito (GNL), metanol, biometano e combustíveis renováveis para reduzir riscos tecnológicos.

Esse movimento também se reflete na construção de novos navios. Dados da consultoria Clarksons Research apontam que 590 embarcações aptas a utilizar combustíveis alternativos foram encomendadas em 2025, elevando para quase duas mil unidades a carteira global desse tipo de tecnologia. Deste total, 385 navios já possuem capacidade para operar com metanol, considerado uma das principais apostas da indústria para reduzir emissões.

Brasil ganha vantagem com produção de etanol

O Brasil aparece como um dos mercados mais competitivos nesse cenário por reunir ampla oferta de biomassa, produção consolidada de etanol e infraestrutura logística capaz de atender à demanda internacional.

Especialistas avaliam que a compatibilidade tecnológica entre motores preparados para metanol e etanol pode facilitar a adoção do biocombustível brasileiro pela nova geração de embarcações, ampliando as oportunidades para o setor sucroenergético nacional.

Além de utilizar uma cadeia produtiva já estabelecida, o etanol reduz a necessidade de investimentos em novas estruturas industriais, tornando-se uma alternativa economicamente competitiva para a descarbonização da navegação.

Operação reforça papel estratégico do Porto de Santos

O abastecimento exigiu uma operação logística integrada, envolvendo transporte do combustível, armazenamento em estrutura dedicada e transferência ao navio por meio de uma barcaça especializada, seguindo protocolos internacionais de segurança.

Com isso, o Porto de Santos fortalece sua posição como candidato a centro regional de fornecimento de combustíveis marítimos renováveis para o Atlântico Sul, beneficiado pela proximidade com a principal região produtora de etanol do país e pela infraestrutura já existente.

A estratégia também acompanha o fortalecimento da presença da CMA CGM no Brasil após a aquisição da Santos Brasil, concluída em 2025, ampliando os investimentos do grupo francês na infraestrutura logística e na transição energética do transporte marítimo.

Nova geração de navios amplia mercado para biocombustíveis

Entregue em 2025, o CMA CGM IRON é o primeiro de uma série de 12 porta-contêineres de 13 mil TEU equipados com motores tricombustíveis preparados para operar com etanol.

A companhia projeta colocar em operação cerca de 200 embarcações movidas por energias de baixo carbono até 2031.

Caso a demanda mundial por combustíveis sustentáveis continue crescendo na próxima década, o Brasil poderá ampliar sua liderança no mercado de biocombustíveis, estendendo ao transporte marítimo o protagonismo já consolidado no setor rodoviário e fortalecendo o papel estratégico dos portos nacionais na transição energética global.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Sustentabilidade

Maersk conclui teste inédito com navio movido 100% a etanol

A Maersk, considerada a maior armadora do mundo, anunciou a realização bem-sucedida da primeira navegação de um navio abastecido integralmente com etanol. A operação ocorreu no primeiro trimestre de 2026 e foi divulgada pela companhia no relatório financeiro do período.

O teste representa mais um passo da empresa na busca por soluções de combustíveis renováveis para reduzir as emissões de carbono no setor marítimo.

Testes começaram com mistura entre etanol e metanol

Os experimentos da armadora com etanol tiveram início em 2025, utilizando combinações graduais do biocombustível com metanol em navios bicombustíveis. Essas embarcações conseguem operar tanto com bunker — combustível fóssil derivado do petróleo — quanto com alternativas renováveis.

Os primeiros testes utilizaram uma mistura com 10% de etanol e 90% de metanol. Posteriormente, a proporção evoluiu para 50% de cada combustível, até chegar ao uso integral do etanol.

Segundo a companhia, os resultados comprovaram que o biocombustível pode ser incorporado de forma segura e eficiente às operações marítimas.

Etanol surge como alternativa de baixa emissão

Para a Maersk, o uso do etanol amplia as possibilidades de descarbonização da frota marítima global.

A empresa avalia que o combustível pode se tornar uma alternativa escalável e de baixa emissão para navios bicombustíveis atualmente preparados para operar com metanol.

O avanço ocorre em um momento de forte pressão internacional para redução das emissões no setor naval. Regras da Organização Marítima Internacional determinam que o transporte marítimo elimine completamente as emissões de gases de efeito estufa até 2050. Até 2030, a meta mínima de redução é de 20%.

Atualmente, o setor responde por cerca de 2% a 3% das emissões globais de gases-estufa.

Maersk quer neutralidade de carbono até 2040

Além das metas internacionais, a armadora estabeleceu um compromisso próprio de alcançar a neutralidade de carbono até 2040, antecipando em dez anos o prazo estipulado pela IMO.

Para cumprir o objetivo, a companhia vem investindo em alternativas como bioetanol, e-metanol, biodiesel e outros combustíveis sustentáveis.

A empresa já encomendou 45 navios bicombustíveis, sendo que 14 embarcações já estão em operação.

Setor marítimo amplia busca por combustíveis renováveis

Outras companhias de navegação também aceleram investimentos em tecnologias voltadas à transição energética. Entre as alternativas mais estudadas estão o gás natural liquefeito (GNL), a amônia verde e os biocombustíveis.

Especialistas do setor estimam que, caso apenas 10% da frota mundial passe a utilizar etanol, a demanda global pelo combustível poderá atingir 50 bilhões de litros por ano — volume superior à produção atual do Brasil, mesmo considerando o crescimento do etanol de milho.

Brasil pode ganhar espaço no mercado marítimo de biocombustíveis

Os principais fornecedores globais de etanol para o transporte marítimo são os Estados Unidos e o Brasil, responsáveis juntos por aproximadamente 80% da produção mundial do biocombustível.

Apesar do potencial brasileiro, a falta de infraestrutura portuária para abastecimento de navios ainda é um desafio para ampliar a participação do país nesse mercado.

Nos testes realizados pela Maersk, cargas de etanol produzidas no Brasil foram transportadas até o Porto de Amsterdã, onde abasteceram o navio Laura Mærsk.

Origem sustentável do combustível preocupa setor naval

Além da logística, a indústria marítima acompanha com atenção a origem dos combustíveis alternativos utilizados nas embarcações.

No caso do etanol brasileiro, existe preocupação sobre possíveis impactos ambientais provocados pela expansão da produção agrícola para atender uma futura demanda bilionária do setor naval, incluindo riscos relacionados ao avanço do desmatamento.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Número de navios dual fuel quase dobra em 2025 e encomendas seguem aquecidas

O número de navios dual fuel — embarcações capazes de operar com combustíveis alternativos de menor emissão — quase dobrou em 2025, de acordo com dados recentes do World Shipping Council (WSC). A atualização anual do Dual-Fuel Fleet Dashboard revela que os armadores seguem investindo fortemente nessa tecnologia, mesmo diante da ausência de regras regulatórias definitivas para emissões.

Carteira de encomendas mantém ritmo acelerado

Segundo o WSC, a frota de porta-contêineres e navios transportadores de veículos com sistema dual fuel atingiu 400 unidades ao final de 2025, quase o dobro das 218 registradas em 2024. Além disso, há 726 embarcações ainda em encomenda, garantindo que a tecnologia continue com grande presença na carteira global de navios. Somando frotas em operação e em construção, os dois segmentos devem alcançar 1.126 navios dual fuel, com crescimento de 28% em um ano, representando investimentos superiores a US$ 150 bilhões.

Segmentos líderes na transição energética

Os setores de contêineres e transporte de veículos concentram 74% de todos os navios dual fuel. Em termos de arqueação bruta (DWT), 74% das encomendas de contêineres e 87% das de veículos já utilizam combustíveis alternativos. Nos demais segmentos, a participação é menor, cerca de 21%.

Cruzeiros também avançam na transição: mais de 40% das embarcações em encomenda (31 de 75) foram projetadas para operar com múltiplos combustíveis, principalmente GNL, enquanto 59% da arqueação bruta dos cruzeiros em construção utilizará combustíveis alternativos.

Projeções para a frota global

De acordo com análise da DNV, entre 2026 e 2033 estão previstas entregas de 1.138 navios, dos quais 40% devem operar com combustíveis alternativos, o que poderá quase dobrar a frota desse tipo nos próximos oito anos. Apesar de uma desaceleração nas encomendas movidas a metanol em 2025, devido a limitações de oferta, a tendência de transição energética permanece firme, com navios alternativos representando quase 40% de todos os pedidos do ano.

Continuidade do investimento em 2026

Segundo Jason Stefanatos, diretor global de descarbonização da DNV, o movimento seguiu em 2026: apenas em janeiro foram registrados 20 novos pedidos de navios com combustíveis alternativos, incluindo 16 porta-contêineres a GNL, um navio offshore a metanol e três transportadores de GLP, reforçando a aceleração da adoção dessa tecnologia no transporte marítimo.

FONTE: Maritime Executive
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Navios de carga movidos por combustíveis mais limpos representam 37% dos pedidos

Os navios de carga movidos por combustíveis mais limpos responderam por 37% dos pedidos de embarcações mercantes entre janeiro e outubro de 2025, mantendo o mesmo percentual registrado no mesmo período do ano anterior.

Segundo dados da consultoria marítima AXSMarine, essa estabilidade reflete a incerteza dos compradores sobre quando entrarão em vigor as novas normas globais para redução das emissões marítimas.

O tonelagem bruta total (GT) — medida de capacidade usada na indústria naval — somou 78 milhões de toneladas entre janeiro e outubro, uma queda em relação aos 113 milhões registrados no mesmo intervalo de 2024, conforme os dados divulgados pela entidade.

Os pedidos de navios em 2024 atingiram o maior nível em 17 anos, impulsionados pelo desvio de rotas no Mar Vermelho devido aos ataques dos rebeldes houthis, o que exigiu colocar mais embarcações em operação para manter os cronogramas de viagens mais longas.

As operadoras marítimas também estavam se preparando para as novas regulações ambientais propostas pela agência das Nações Unidas responsável pelo transporte marítimo internacional.

Entre janeiro e outubro deste ano, os pedidos de embarcações com combustíveis alternativos totalizaram cerca de 29 milhões de toneladas de arqueação bruta (GT), abaixo das 42 milhões de GT registradas no mesmo período de 2024, segundo a AXSMarine.

No entanto, a incerteza aumentou novamente em outubro, quando, sob pressão de delegados dos Estados Unidos e da Arábia Saudita, os países membros da Organização Marítima Internacional (OMI) votaram por adiar em um ano a decisão que estabeleceria metas globais de redução de carbono, além de criar mecanismos de incentivo ou sanção para o cumprimento dessas metas.

“Com o adiamento da votação sobre o Marco de Emissões Líquidas Zero da OMI, uma postura de ‘esperar para ver’ parece agora o cenário mais provável”, afirmou Alexander Hadzhigaev, vice-presidente de dados da AXSMarine, em referência aos futuros pedidos.

O transporte marítimo é responsável por cerca de 80% do comércio mundial e representa aproximadamente 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, proporção que pode crescer sem medidas de controle.

Grandes companhias como Maersk e Hapag-Lloyd afirmaram que continuarão investindo em redução das emissões de carbono em suas frotas.

“Mais de 70% da capacidade encomendada por operadoras de porta-contêineres e transportadoras de veículos entre janeiro e outubro era compatível com combustíveis alternativos, em comparação com apenas 10% a 15% entre graneleiros e petroleiros”, explicou Hadzhigaev.

Atualmente, o gás natural liquefeito (GNL) permanece como o combustível alternativo predominante, respondendo por 29% dos pedidos totais no ano. O metanol representa 9%, enquanto o amônia e outros combustíveis combinados somam cerca de 1%.

No segmento de porta-contêineres, o entusiasmo pelo metanol diminuiu: sua participação nos novos pedidos caiu de 48% em 2023 e 18% em 2024 para apenas 10% em 2025, devido à baixa disponibilidade do combustível e ao alto custo, segundo dados da AXSMarine.

FONTE: Portal Portuario
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Exterior

Importadores rejeitam bebidas brasileiras após contaminação por metanol

Os recentes casos de contaminação por metanol em bebidas brasileiras já refletem no mercado global. Importadores estrangeiros têm recusado cargas de conhaques, espumantes e outras bebidas alcoólicas produzidas no país, por temor de riscos à saúde.

Embora não haja uma restrição oficial por parte de países parceiros, o alerta do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) indica que a situação já prejudica o setor exportador, reforçando a necessidade de fortalecer a fiscalização e o controle público.

Produtores legalizados e clandestinos

Janus Pablo Macedo, presidente do Anffa Sindical, esclarece que as empresas legalmente registradas e fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) seguem padrões rigorosos de qualidade e rastreabilidade. Até o momento, não há indícios de envolvimento de produtores legalizados.

“As investigações apontam para fabricantes clandestinos, que operam à margem da lei e representam sério risco à saúde pública e à imagem do Brasil”, afirma Macedo.

Riscos à saúde e casos registrados

As ocorrências de intoxicação por metanol já provocaram mortes e dezenas de internações em diferentes estados. O crime consiste em adicionar metanol, um álcool extremamente tóxico, a bebidas destiladas para reduzir custos.

Quando ingerido, o metanol se transforma em substâncias que podem causar lesões no sistema nervoso, cegueira ou até a morte.

“Esses casos mostram que a proteção da sociedade depende de um Estado forte e tecnicamente estruturado”, reforça Macedo, destacando o papel dos auditores fiscais na prevenção de fraudes e na garantia de que apenas produtos seguros cheguem ao consumidor.

Medidas de fiscalização e combate à clandestinidade

O Anffa Sindical defende a criação de um grupo de trabalho interinstitucional envolvendo técnicos do Mapa e outras autoridades federais, com foco em rastreabilidade de bebidas e combate à produção clandestina.

Além disso, o presidente do sindicato enfatiza a importância de investir em inteligência e na inspeção pública, citando o Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteira) como ferramenta essencial, que precisa de mais recursos humanos e estrutura para atuar de forma eficaz.

Orientações ao consumidor

A intoxicação por metanol é uma emergência médica grave. Os principais sintomas incluem:

  • Visão turva ou perda de visão, podendo evoluir para cegueira
  • Náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese intensa

Em caso de suspeita, procure atendimento médico imediato e acione canais especializados:

  • Disque-Intoxicação Anvisa: 0800 722 6001
  • CIATox da sua cidade (lista disponível online)
  • Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733

As autoridades recomendam alertar outras pessoas que possam ter consumido a mesma bebida, pois a demora no atendimento aumenta o risco de sequelas graves ou morte.

Segurança alimentar e responsabilidade pública

O Anffa Sindical lamenta as mortes e os impactos desse crime à saúde pública e à credibilidade das bebidas brasileiras. A entidade reforça que apenas produtos com procedência comprovada e inspeção oficial garantem segurança.

Os auditores fiscais federais agropecuários permanecem à disposição do Estado e da sociedade, com compromisso técnico e público para identificar riscos e proteger a população.

FONTE: FSB Comunicação – Assessoria Anffa Sindical
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Anffa Sindical

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Importação

Selo IPI: como funciona o sistema que controla destilados importados

A recente onda de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas reacendeu a discussão sobre o controle de destilados no Brasil. Vodcas e gins, principais alvos das investigações, só podem ser comercializados legalmente se estiverem identificados com o selo de controle da Receita Federal.

O que é o selo IPI e por que ele é obrigatório

O selo IPI é exigido no processo de importação para garantir o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados. A certificação é entregue aos importadores no momento da nacionalização das bebidas e deve estar presente em todas as garrafas destinadas à venda no país.

Produzido pela Casa da Moeda do Brasil, o selo é feito em papel-moeda de alta qualidade e traz a inscrição “RFB” (Receita Federal do Brasil). A holografia alterna as letras conforme o ângulo de visão; se todas aparecerem simultaneamente, há indício de falsificação.

Quais bebidas precisam do selo

De acordo com instruções normativas da Receita Federal (1.432/2013, 770/2007 e 1.883/2019), o uso do selo é obrigatório para diferentes tipos de bebidas alcoólicas importadas, incluindo:

  • conhaque
  • uísque
  • rum
  • gim
  • vodca
  • licor
  • aguardentes diversas

O que o selo não garante

Apesar de ser essencial para fins tributários, o selo IPI não atesta a qualidade ou autenticidade do conteúdo. Essa responsabilidade é do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), órgão que fiscaliza e autoriza a importação das bebidas.

Mercado ilegal e fraudes

As investigações sobre mais de 200 casos de intoxicação apontam que selos falsificados estão sendo vendidos para dar aparência de legalidade a bebidas adulteradas. Além deles, garrafas, tampas e rótulos também circulam no mercado paralelo, alimentando o risco de consumo de produtos inseguros.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Logística

Cosco converte porta-contêineres para propulsão dupla de metanol e reforça aposta em combustíveis alternativos

Conversão inédita na frota da Cosco Shipping

O navio porta-contêineres Cosco Shipping Libra, com capacidade nominal de 20.119 TEUs, retornou ao serviço após passar por quatro meses de conversão para propulsão dupla de metanol. A embarcação, construída em 2018, é a primeira da companhia a ser adaptada para esse tipo de combustível alternativo, segundo dados do Alphaliner.

A modernização foi realizada no estaleiro da Ilha Changxing, operado pela Cosco Shipping Heavy Industry (CHI), braço de construção naval do grupo. O projeto envolveu a adaptação do motor principal MAN B&W 11S90ME-C10.5 para o modelo MAN B&W 11S90ME-LGIM10.5, compatível com metanol, além da atualização dos motores auxiliares, instalação de um tanque de grande porte para o novo combustível e inclusão de sistemas adicionais de tubulação.

Impacto na capacidade de carga

Por conta da menor densidade energética do metanol, o tanque ocupa parte significativa do espaço do navio, reduzindo sua capacidade de transporte. Embora a Cosco ainda não tenha divulgado números oficiais, o Alphaliner estima que o Cosco Shipping Libra tenha agora capacidade de aproximadamente 19.700 TEUs, contra os 20.119 originais.

Movimento global por navios movidos a metanol

A Cosco segue a tendência já adotada por outras grandes operadoras. Em 2024, a Maersk converteu o porta-contêineres Maersk Halifax (15.282 TEUs), incluindo a extensão do casco de 353 para 367 metros para compensar a perda de espaço causada pelos tanques de metanol.

O Cosco Shipping Libra é classificado como um Megamax-23, com 399,80 metros de comprimento e 58,60 metros de boca (23 fileiras). Construído no Estaleiro Dalian (DSIC) e entregue em julho de 2018, faz parte de uma série de cinco navios-irmãos produzidos pela DSIC e pela CSSC Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding.

Expansão da frota pronta para combustíveis alternativos

Apesar de ser o primeiro navio convertido para metanol da Cosco, a empresa já opera embarcações com tecnologia de combustível duplo. Em junho de 2025, recebeu o Cosco Shipping Yangpu (16.136 TEUs), o primeiro de uma frota superior a 20 navios prontos para metanol, atualmente em construção nos estaleiros Cosco e DACKS.

Após a conversão, o Cosco Shipping Libra voltou a integrar o serviço Ásia-Europa ‘NEU2’ (AEU3) da Ocean Alliance, que conta com navios MGX-23 e MGX-24 da Cosco Shipping Lines e embarcações fretadas internamente por sua subsidiária OOCL.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Cosco

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ANVISA

Anvisa autoriza importação de antídoto contra intoxicação por metanol

A Anvisa liberou a importação excepcional de 2.600 frascos de antídoto destinado a tratar casos de intoxicação por metanol no Brasil. No entanto, ainda não há previsão para a chegada do medicamento ao país.

Distribuição de etanol farmacêutico como medida emergencial

Enquanto isso, o Ministério da Saúde distribuiu no último sábado quase 600 frascos de etanol farmacêutico em cinco estados como alternativa para combater os efeitos da contaminação por metanol.

Crescimento de casos de intoxicação

O aumento dos episódios de intoxicação está ligado ao consumo de bebidas adulteradas com metanol. Até o momento, o Ministério da Saúde contabilizou 225 casos confirmados em todo o território nacional.

A medida da Anvisa visa reforçar a resposta emergencial do governo e assegurar tratamento adequado às vítimas de contaminação por essa substância tóxica.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/A Província do Paraná

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Notícias

MP identificou importação irregular de metanol pelo PCC para adulterar combustíveis; setor vê impacto em mais de 2.500 postos

Segundo investigação consumidores estariam pagando por volumes inferiores ao informado pelas bombas. Combustíveis adulterados estavam fora das especificações técnicas exigidas pela ANP.

Investigação realizada pelo Ministério Público de São Paulo identificou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) agia na importação irregular de produtos químicos para adulterar os combustíveis vendidos para consumidores. O setor estima impacto em cerca de 30% dos postos de combustíveis em todo o estado, em torno de 2.500 estabelecimentos.

Nesta quinta-feira (28), o MP realiza uma megaoperação com 1.400 agentes para cumprir mandados de busca, apreensão e prisão ligados a um esquema bilionário da facção criminosa no setor de combustíveis.

Segundo os investigadores, um dos principais eixos da fraude passa pela importação irregular de metanol. O produto, que chega ao país pelo Porto de Paranaguá (PR), não era entregue aos destinatários indicados nas notas fiscais.

O MP identificou que, em vez disso, o metanol era desviado e transportado clandestinamente, com documentação fraudulenta e em desacordo com normas de segurança, o que coloca em risco motoristas, pedestres e o meio ambiente.

Produto altamente inflamável e tóxico, o metanol era direcionado a postos e distribuidoras, nos quais acabava utilizado para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários à organização criminosa.

Várias redes de postos de gasolina foram investigadas e foram detectadas, pelo MP, fraudes em mais 300 postos de combustíveis, tanto qualitativas quanto quantitativas. O setor estima impacto maior, com pelo cerca de 30% do setor (2.500 mil postos) impactados pelo esquema.

Consumidores estariam pagando por volumes inferiores ao informado pelas bombas (fraude quantitativa) ou por combustíveis adulterados fora das especificações técnicas exigidas pela ANP (fraude qualitativa).

Empresários e comerciantes do setor de combustíveis avaliam que hoje, só no estado de São Paulo, 30% dos postos são abastecidos com álcool adulterado com metanol. O total envolveria mais de 2.500 postos em um universo de 8.500 no estado.

As distribuidoras e associações de postos têm setores de inteligência que ajudam a fazer levantamentos e denúncias para as autoridades do setor de combustíveis.

Compra de usinas

Parcela considerável do dinheiro obtido por meio desse esquema criminoso fomentou a compra de usinas sucroalcooleiras e potencializou a atuação do grupo, que absorveu em sua estrutura criminosa distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis.

Os integrantes, inclusive, obrigavam fazendeiros, donos de usinas e de postos de gasolina a venderem suas propriedades com valores subfaturados. Eles eram ameaçados de morte caso desistissem do negócio ou fizessem denúncias.

As investigações descobriram uma complexa rede de laranjas e empresas de fachada para ocultar os verdadeiros beneficiários em camadas societárias e financeiras, especialmente em Shell Companies, fundos de investimento e instituições de pagamento.

Fonte: G1

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