Portos

Porto de Itajaí realiza mergulhos técnicos para definir remoção do Pallas

Estudos avançam para eliminar obstáculo histórico, ampliar a segurança das operações e aumentar a competitividade do Complexo Portuário

A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), realizou, na quinta-feira (3) e sexta-feira (4), mergulhos técnicos nos destroços do navio Pallas, naufragado há mais de 130 anos no rio Itajaí-Açu.

A atividade integra a etapa final dos estudos que definirão a metodologia de remoção da embarcação. Também faz parte das ações voltadas à melhoria da infraestrutura do canal de acesso, à ampliação da capacidade operacional e ao aumento da segurança e da competitividade do Complexo Portuário de Itajaí.

Para o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a retirada do Pallas está alinhada ao planejamento de obras e melhorias do canal.

“Estamos trabalhando para avançar nas obras e melhorias de que o nosso canal de acesso precisa. A retirada do Pallas é uma ação estratégica, porque eliminará um obstáculo histórico e permitirá avançar no aprofundamento do canal e na ampliação da bacia de evolução. Nosso compromisso é proporcionar cada vez mais segurança às operações portuárias, ampliar a capacidade para receber navios de maior porte e garantir mais competitividade ao Complexo Portuário de Itajaí”, afirma Artur.

Inspeções definem operação de remoção

Os mergulhos ocorreram nas proximidades da Bacia de Evolução nº 2 e do molhe norte, no lado de Navegantes. Apesar da visibilidade subaquática praticamente nula e da forte correnteza, mergulhadores especializados inspecionaram os destroços e coletaram informações para complementar os levantamentos já realizados.

Os trabalhos subaquáticos contam com a participação de Osmar Tibúrcio da Silva, conhecido como Maresia, proprietário e fundador da Sulmar Serviços Subaquáticos. A experiência da equipe é fundamental diante da complexidade da inspeção, realizada em condições de forte correnteza e baixa visibilidade.

Segundo o professor Jules Soto, diretor do Museu Oceanográfico da Univali e responsável pelo acompanhamento dos estudos, a inspeção é essencial para confirmar as condições da embarcação e orientar a definição da operação.

“Estamos em uma etapa fundamental do estudo. Mesmo com visibilidade praticamente zero e forte correnteza, contamos com mergulhadores altamente capacitados para coletar informações essenciais sobre a estrutura da embarcação e as condições em que os destroços se encontram. Precisamos confirmar dados sobre o casco, o sedimento e também a possibilidade de o navio estar partido”, explica Jules.

Além da inspeção, a equipe coleta amostras do aço da embarcação e realiza cortes experimentais. Os procedimentos permitirão avaliar as características da estrutura metálica e dimensionar a operação de remoção.

“Essas informações são importantes para definirmos como esse material poderá ser cortado, movimentado e retirado com segurança. Estamos falando de um desafio de nível internacional, pelas condições adversas do local e pela complexidade de uma operação que poucas empresas especializadas no mundo têm capacidade de executar”, destaca o professor.

A previsão é de que o estudo seja concluído nos próximos dias. O convênio entre a Univali e o Porto de Itajaí prevê investimento de R$ 310 mil e inclui inspeções subaquáticas, mergulhos técnicos, sondagens, análises estruturais e outros levantamentos necessários.

Remoção permitirá aprofundar o canal

Atualmente, os destroços limitam o aprofundamento do canal naquela região a 16 metros. A retirada também permitirá avançar na adequação da Bacia de Evolução nº 2, cujo projeto prevê 530 metros de diâmetro. A ampliação deverá melhorar as condições de manobra e contribuir para a operação de navios de maior porte.

A remoção completa do casco será custeada com recursos do Governo Federal.

A iniciativa integra o planejamento da SPI para modernizar a infraestrutura aquaviária e preparar o complexo para a evolução da frota mundial. O objetivo é proporcionar mais segurança e previsibilidade às operações, além de fortalecer a competitividade do Complexo Portuário de Itajaí.

Naufrágio ocorreu em 1893

Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas transportava cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí.

O navio naufragou em 23 de outubro de 1893, durante a Revolta da Armada, na região do Pontal da Barra de Itajaí, atualmente pertencente a Navegantes. Segundo registros históricos, a embarcação atingiu pedras submersas nas proximidades do atual molhe norte.

Os destroços foram novamente identificados em 2017, durante trabalhos de dragagem para a implantação da nova bacia de evolução. Levantamentos posteriores indicaram que a embarcação pode estar partida ao meio, com estruturas metálicas e fragmentos de madeira espalhados pelo leito do rio.

Com a conclusão dos estudos, o Porto de Itajaí e a Univali terão os dados necessários para definir a estratégia de remoção do Pallas e avançar nas próximas etapas do projeto. A retirada eliminará um obstáculo à expansão da infraestrutura aquaviária e permitirá prosseguir com o aprofundamento do canal e a ampliação da Bacia de Evolução nº 2.

Fonte e imagens: Porto de Itajaí

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook