Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul amplia acesso do Brasil a 36% do comércio global

Um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o acordo Mercosul-União Europeia elevará significativamente a presença do Brasil no comércio mundial. Com a entrada em vigor do tratado, o país passará a ter acesso preferencial a 36% do mercado global de importações de bens, ante os atuais 8%. O salto ocorre porque a União Europeia respondeu sozinha por 28% do comércio global em 2024.

A análise foi apresentada no sábado (17), após a assinatura do acordo entre representantes do bloco europeu e dos países do Mercosul, em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai. Para a CNI, a formalização do tratado representa uma mudança estratégica relevante para a indústria brasileira.

Redução tarifária favorece exportações brasileiras

Segundo o levantamento, 54,3% dos produtos negociados — mais de cinco mil itens — terão tarifa de importação zerada na União Europeia assim que o acordo começar a valer. Já no Mercosul, o processo será mais gradual: o Brasil terá prazos entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, o que corresponde a cerca de 4,4 mil itens.

Com base em dados de 2024, a CNI destaca que 82,7% das exportações brasileiras para a UE entrarão no bloco europeu sem imposto de importação desde o início da vigência. Em contrapartida, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações provenientes da União Europeia, o que cria uma assimetria considerada favorável ao país.

Prazos ampliam previsibilidade para o Brasil

O estudo indica ainda que o Brasil contará, em média, com oito anos adicionais de adaptação em relação aos prazos concedidos à União Europeia, considerando o comércio bilateral e o cronograma estabelecido no acordo.

Para a CNI, o tratado, negociado ao longo de mais de 25 anos, é o mais amplo já firmado pelo Mercosul. Além da redução tarifária, o texto incorpora regras que ampliam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e estimulam investimentos, inovação e geração de empregos.

Impactos sobre emprego e renda

De acordo com a entidade, o comércio com a União Europeia já apresenta efeitos relevantes sobre o mercado de trabalho. Em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para o bloco europeu gerou 21,8 mil empregos, movimentou R$ 441,7 milhões em massa salarial e impulsionou R$ 3,2 bilhões em produção.

No setor agroindustrial, o acordo também amplia oportunidades. As cotas negociadas favorecem segmentos estratégicos e, no caso da carne bovina, superam em mais do que o dobro as concedidas pela UE a parceiros como o Canadá e são mais de quatro vezes maiores que as destinadas ao México. As cotas de arroz, por sua vez, ultrapassam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco.

Cooperação tecnológica e transição verde

O tratado também cria condições para ampliar a cooperação tecnológica entre Brasil e União Europeia, especialmente em projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade. A CNI aponta oportunidades em áreas como descarbonização industrial, captura e armazenamento de carbono, hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex, reciclagem de baterias e desenvolvimento de bioinsumos agrícolas.

Essas iniciativas, segundo a entidade, fortalecem a competitividade brasileira e aceleram a transição para uma economia de baixo carbono, alinhada às exigências regulatórias e de mercado do bloco europeu.

Relação comercial Brasil–União Europeia

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total, mantendo-se como o segundo principal parceiro comercial do país, atrás apenas da China. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, ou 17,9% do total.

Quase 98,4% das importações brasileiras provenientes da Europa foram de produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras à UE corresponderam a bens industriais. Além disso, o bloco europeu segue como o maior investidor estrangeiro no Brasil, concentrando 31,6% do estoque de investimento produtivo externo em 2023.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Internacional

Tarifas dos EUA sobre a Groenlândia impulsionam acordo Mercosul-União Europeia

As novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países europeus contrários à anexação da Groenlândia por Washington voltaram a acirrar as tensões comerciais globais. A medida, divulgada no sábado (17), ocorre às vésperas de Trump completar um ano de seu segundo mandato e carrega forte componente geopolítico.

Embora tenha caráter político, a decisão pode gerar um efeito indireto relevante: ampliar o apoio ao acordo Mercosul-União Europeia, justamente no momento em que o texto entra na etapa mais delicada de tramitação no Parlamento Europeu.

Europa reage a tarifas e busca novos parceiros comerciais

Ao recorrer às tarifas como instrumento de pressão internacional, os Estados Unidos empurram a Europa para uma postura defensiva no comércio exterior. Parlamentares europeus já discutem abertamente a revisão — ou até a suspensão — do acordo comercial com Washington.

Paralelamente, a Comissão Europeia prepara medidas de retaliação tarifária a partir de fevereiro, caso não haja recuo por parte do governo americano.

Nesse ambiente, o acordo Mercosul-UE deixa de ser apenas uma negociação de longo prazo e passa a ser visto como uma alternativa estratégica concreta. As novas tarifas anunciadas por Trump se somam às já existentes, podendo elevar o custo de acesso dos produtos europeus ao mercado dos EUA para patamares próximos de 40% a partir de junho.

O impacto tende a ser significativo, com redução das exportações, pressão sobre cadeias produtivas e efeitos diretos sobre setores industriais e agrícolas da União Europeia.

Especialistas veem relação direta com fortalecimento do Mercosul-UE

Para o professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, a conexão entre a escalada tarifária americana e o fortalecimento do acordo com o Mercosul é evidente. “É impossível não associar uma coisa à outra. Tarifas de até 25% travam a saída de produtos europeus para os Estados Unidos, e a Europa precisa de novos mercados. Nesse cenário, o acordo Mercosul-UE ganha uma força inédita”, afirma.

Segundo Trevisan, ao dificultar o acesso ao mercado americano, os EUA aceleram a busca europeia por parceiros alternativos, e a América Latina surge como destino natural. “O episódio da Groenlândia, da forma como foi colocado, favorece uma aproximação da Europa com outros mercados, e a América Latina é candidata preferencial”, avalia.

Resistências políticas e risco jurídico ainda preocupam

Apesar do ambiente econômico mais favorável ao acordo, as tensões políticas internas na Europa permanecem. Parte do Parlamento Europeu, especialmente parlamentares ligados ao setor agrícola francês, tenta judicializar o tratado, encaminhando o texto à Corte de Justiça da União Europeia.

Trevisan alerta que nem toda oposição tem motivação econômica. “Há grupos radicalizados, de extrema direita, que defendem o rompimento com os Estados Unidos. Isso tem menos a ver com a Groenlândia e mais com disputas eleitorais”, analisa.

Ele lembra que a União Europeia exportou US$ 642 bilhões para os EUA no ano passado, sustentando empregos em economias centrais como Alemanha e França. Um rompimento abrupto poderia gerar desemprego — cenário que tende a fortalecer movimentos extremistas no continente.

Ambiente geopolítico favorece acordo, mas ritmo é incerto

Na avaliação de Carlos Primo Braga, ex-diretor de Política Econômica e Dívida do Banco Mundial e professor associado da Fundação Dom Cabral, o contexto internacional joga a favor do acordo com o Mercosul, embora obstáculos ainda persistam. “As medidas da administração Trump criam apoio adicional à aprovação do acordo Mercosul-UE, mas ainda existem pedregulhos no caminho”, destaca.

Segundo Braga, a resistência histórica veio de países preocupados com o impacto sobre o setor agrícola, como França e Polônia. No entanto, ajustes recentes — como o apoio da Itália após negociações envolvendo subsídios — reduziram o risco de bloqueio por critério populacional dentro da UE. “Hoje, não há mais os 35% da população europeia necessários para barrar o acordo”, explica.

O principal risco agora é jurídico. A votação no Parlamento Europeu sobre o envio do acordo à Corte de Justiça da UE está marcada para quarta-feira (21). Caso aprovada, a análise pode atrasar o processo entre 12 e 18 meses. “O acordo deve avançar, mas o ritmo ainda é incerto”, resume Braga.

Mercosul-UE ganha peso geopolítico em cenário global instável

O novo capítulo da tensão comercial liderada pelos Estados Unidos reforça a necessidade de reorganização do comércio global. Países e blocos buscam diversificar parceiros, reduzir dependência de Washington e garantir maior previsibilidade regulatória.

Nesse cenário, o acordo Mercosul-União Europeia assume um papel estratégico, deixando de ser apenas um pacto comercial para se tornar um instrumento de equilíbrio geopolítico.

Para a Europa, representa acesso a mercados e recursos naturais em meio ao atrito com os EUA. Para o Brasil e os demais países do Mercosul, é a oportunidade de se consolidar como parceiro confiável em um mundo cada vez mais fragmentado.

De forma quase paradoxal, ao usar tarifas como arma política, Donald Trump pode acabar fortalecendo justamente o acordo que enfrentava maior resistência dentro da própria Europa.

FONTE: CNN / Com informações de análises de especialistas em comércio internacional e relações exteriores.

TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul será assinado neste sábado e avança para fase de ratificação

Após mais de duas décadas de negociações, União Europeia e Mercosul dão neste sábado (17) um passo decisivo rumo à consolidação de um dos maiores acordos comerciais globais. A assinatura do acordo UE-Mercosul ocorre em Assunção, no Paraguai, e marca a criação de uma ampla zona de livre comércio, com potencial para integrar mercados, reduzir tarifas e estimular investimentos entre os dois blocos.

O tratado conecta a América do Sul à zona do euro, reunindo cerca de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões.

Assinatura ocorre sem presença de um dos líderes sul-americanos

A cerimônia contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, além dos chefes de Estado da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai. Luiz Inácio Lula da Silva não participará do evento, embora tenha se reunido com Ursula von der Leyen na véspera, no Rio de Janeiro, quando destacou a longa duração das negociações.

Aprovação política abre caminho para a assinatura

Antes da assinatura, o acordo passou por uma etapa crucial dentro da União Europeia. Após aval provisório do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), os países-membros formalizaram seus votos por escrito dentro do prazo estabelecido por Bruxelas.

Nesta sexta-feira, o Chipre, que ocupa a presidência rotativa do bloco, confirmou que o texto foi aprovado por ampla maioria, liberando a Comissão Europeia para avançar com a assinatura oficial.

Tratado ainda não entra em vigor automaticamente

Apesar da assinatura, o acordo UE-Mercosul ainda não passa a valer de forma imediata. O texto seguirá agora para os processos de ratificação interna nos países envolvidos.

No caso europeu, o tratado será analisado pelo Parlamento Europeu e, dependendo do enquadramento jurídico, poderá exigir aprovação adicional dos parlamentos nacionais. Já no Mercosul, o acordo precisará do aval dos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

🔎 O tratado estabelece obrigações legais, como redução de tarifas, ajustes nas regras comerciais e compromissos regulatórios nos países do Mercosul.

Há ainda a possibilidade de aplicação provisória de partes do acordo, especialmente aquelas ligadas à diminuição de taxas, permitindo que alguns efeitos econômicos sejam antecipados antes da ratificação completa.

Pontos centrais e divergências dentro da União Europeia

Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, normas comuns para o comércio de produtos industriais e agrícolas, além de regras para investimentos e padrões ambientais.

Dentro da União Europeia, o tratado divide opiniões. Países como Alemanha e Espanha defendem o acordo por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.

Por outro lado, a França, com apoio de nações como Polônia, Irlanda e Áustria, expressa resistência, especialmente por preocupações com o impacto sobre o setor agrícola europeu. Agricultores e ambientalistas também apontam riscos relacionados à concorrência e à preservação ambiental.

Para tentar equilibrar os interesses, o texto final inclui salvaguardas agrícolas e exigências ambientais mais rigorosas. No Mercosul, o Brasil desempenha papel central e precisará demonstrar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
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Mercado Internacional

Mais de 200 indústrias brasileiras migram para o Paraguai impulsionadas pela Lei de Maquila e redução de custos

Mais de 200 indústrias brasileiras passaram a operar no Paraguai nos últimos anos, atraídas pelos incentivos da Lei de Maquila, regime que oferece imposto único de 1% sobre a produção exportada, isenção de tributos na importação de insumos e redução significativa dos custos operacionais. O movimento reflete a busca das empresas por maior competitividade e pela redução do chamado “Custo Brasil”.

Levantamentos citados por entidades locais e reportagens da imprensa apontam que a migração industrial se concentra principalmente na região de Ciudad del Este, no departamento de Alto Paraná, área que vem se consolidando como um novo polo estratégico para cadeias produtivas voltadas ao Mercosul.

Lei de Maquila impulsiona produção voltada à exportação

No centro dessa estratégia está a Lei de Maquila, regime paraguaio criado para estimular a industrialização com foco no mercado externo. A legislação permite a admissão temporária de matérias-primas, insumos e máquinas com suspensão de tributos aduaneiros, desde que a produção final seja exportada.

O principal diferencial do modelo é a cobrança de um imposto único de 1%, aplicado na etapa final da operação. De acordo com o governo paraguaio, o tributo incide sobre o maior valor entre a fatura de serviços emitida pela maquiladora à matriz no exterior ou a fatura de exportação, quando a venda ocorre diretamente ao cliente final.

Como funciona o imposto único de 1% no Paraguai

Pelo desenho institucional do regime, as empresas podem atuar no Paraguai por meio de uma maquiladora local ou instalar uma unidade própria para realizar etapas de montagem, transformação ou produção industrial.

O sistema se baseia na importação de componentes e equipamentos sob condições específicas, vinculadas ao compromisso de exportar o produto final. A tributação simplificada substitui a cadeia de impostos comum em outros países, concentrando a carga fiscal no percentual único aplicado na exportação.

Exportações da maquila batem recordes históricos

Dados oficiais do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai indicam crescimento contínuo das exportações realizadas sob o regime de maquila.

Em 2024, o volume exportado alcançou US$ 1,109 bilhão, o maior já registrado até então. Em 2025, o acumulado anual chegou a US$ 1,309 bilhão, estabelecendo um novo recorde histórico.

As estatísticas também mostram que o Brasil figura entre os principais destinos dessas exportações, ao lado de outros mercados regionais, reforçando a integração produtiva entre os dois países.

Redução de custos explica migração de indústrias brasileiras

A diferença de custos tributários e operacionais aparece como o principal fator citado por empresas que decidem transferir parte da produção para o Paraguai. No Brasil, a importação de determinados insumos pode enfrentar alíquotas elevadas e uma extensa lista de obrigações acessórias.

No regime paraguaio, a tributação é concentrada no imposto único, enquanto a entrada de insumos ocorre com suspensão de tributos, dentro das regras do programa. Reportagens destacam casos em que matérias-primas importadas da Ásia, como poliéster para a indústria têxtil, entram no Paraguai com imposto zero, antes da incidência do tributo final na exportação.

Especialistas ressaltam, no entanto, que o impacto econômico varia conforme o setor, o desenho da operação e o correto enquadramento no regime de maquila.

“Custo Brasil”, burocracia e mão de obra entram na conta

Além da carga tributária, empresários apontam a burocracia, os custos administrativos e a complexidade regulatória do ambiente brasileiro como fatores que pesam na decisão de investir no exterior. Esse conjunto de entraves é frequentemente resumido pela expressão “Custo Brasil”.

A comparação também envolve regras trabalhistas e custos de mão de obra. No Paraguai, as atividades das maquiladoras seguem o Código Trabalhista local e são acompanhadas pelo Conselho Nacional das Indústrias Maquiladoras de Exportação (CNIME).

Segundo dados oficiais, em 2024 havia 29.956 empregos vinculados ao regime de maquila, número superior ao registrado no ano anterior, conforme informações do Instituto de Previsión Social.

Mercosul e regras de origem influenciam a estratégia industrial

Em muitos casos, as empresas mantêm o mercado consumidor brasileiro como destino principal, deslocando apenas parte do processo produtivo para o Paraguai. A produção retorna ao Brasil ou segue para outros países do bloco, dentro das regras do Mercosul.

Nesse fluxo, ganham importância as exigências de origem, certificações e requisitos técnicos necessários para acesso a benefícios tarifários no comércio intrabloco. Esses critérios influenciam diretamente o desenho das operações industriais na fronteira.

Alto Paraná concentra plantas industriais e reorganiza cadeias produtivas

Registros do governo paraguaio mostram concentração de empresas com programas de maquila aprovados em departamentos como Alto Paraná, Central, Capital e Amambay, com destaque para Alto Paraná, onde está localizada Ciudad del Este.

Em 2024, o Ministério da Indústria e Comércio estimou que as maquilas responderam por 66% das exportações paraguaias de manufaturas de origem industrial. Para o Brasil, o movimento é descrito como uma reorganização das cadeias produtivas na região de fronteira.

Setores como têxtil, plásticos, autopeças e bens de consumo aparecem com frequência entre as indústrias que adotaram o modelo, em busca de redução de custos, maior previsibilidade tributária e competitividade no mercado internacional.

Fonte: Com informações de reportagens da Band, Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai e órgãos oficiais paraguaios.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/MaratonaDoConsumidor

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Portos

Novo porto seco de Foz do Iguaçu será inaugurado em dezembro de 2026

O novo porto seco de Foz do Iguaçu tem inauguração marcada para 10 de dezembro de 2026. A informação foi divulgada na terça-feira (13) pelo presidente da operadora logística Multilog, Djalma Vilela. De acordo com ele, o empreendimento contará com 550 mil metros quadrados de área alfandegada e segue dentro do cronograma estabelecido.

Atualmente, as obras estão na etapa de terraplanagem e pavimentação. A previsão é que, em fevereiro, tenha início a construção dos prédios que irão abrigar as operações do complexo logístico.

Estrutura moderna para operações aduaneiras

O projeto do porto seco contempla áreas específicas para movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas, todas sob controle da Receita Federal. O complexo terá espaços cobertos destinados ao armazenamento e à vistoria de cargas, além de câmara fria com docas exclusivas, voltadas a produtos que exigem controle rigoroso de temperatura.

A infraestrutura incluirá ainda balanças de alta precisão, scanners, sistemas de monitoramento por câmeras e vigilância interna e externa. Estão previstos gates automatizados de entrada e saída de veículos, inclusive para cargas especiais com dimensões excedentes, além de sistemas integrados de pesagem e identificação veicular. Haverá também uma área dedicada aos motoristas.

Expansão da capacidade logística e impacto regional

Com a nova estrutura, o porto seco de Foz do Iguaçu terá um aumento de 30% na capacidade operacional a partir de dezembro. Atualmente, a unidade figura entre as mais movimentadas do país e se consolida como um dos principais centros logísticos do Mercosul.

Somente em 2025, passaram pelo local 215.070 veículos, o maior volume registrado desde o início das operações. Segundo a Multilog, o novo empreendimento foi dimensionado para acompanhar o crescimento do comércio exterior, incluindo no planejamento a implantação de um terminal de contêineres, o que deve reforçar ainda mais a eficiência logística da região.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

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Comércio

Acordo Mercosul–UE impulsiona plano de Santa Catarina para ampliar competitividade internacional

O governo de Santa Catarina acompanha a etapa final de formalização do acordo Mercosul–União Europeia e já trabalha na elaboração de um plano estratégico para reforçar a competitividade do Estado após a entrada em vigor do tratado. A iniciativa foi confirmada neste fim de semana por representantes da administração estadual.

Maior zona de livre comércio do mundo

Negociado ao longo de mais de 25 anos, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve resultar na criação da maior área de livre comércio global, reunindo um mercado potencial de mais de 720 milhões de consumidores. A expectativa é que a assinatura oficial ocorra nos próximos dias, durante a presidência rotativa do bloco sul-americano, atualmente sob comando do Paraguai.

Acesso a mercados de alta renda e diversificação comercial

Para o governo catarinense, o tratado representa uma oportunidade estratégica para ampliar o acesso a mercados de alto poder aquisitivo e diversificar as relações comerciais internacionais. A avaliação interna destaca que os impactos positivos dependerão da capacidade de organização produtiva, institucional e tecnológica do Estado.

Articulação entre indústria, academia e inovação

Em nota oficial, o secretário estadual de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, afirmou que o planejamento começou antes mesmo da conclusão do acordo. Segundo ele, a orientação do governador Jorginho Mello foi antecipar os preparativos.
“Agora, o foco é estruturar a base produtiva, integrando indústria, academia e tecnologia, além de fortalecer a articulação internacional para converter o acordo em desenvolvimento concreto para Santa Catarina”, destacou.

Força-tarefa e observatório permanente

O plano de ação, ainda em fase de construção, prevê a criação de uma força-tarefa estadual para identificar os impactos do acordo nos diferentes setores econômicos. Também está prevista a implantação de um observatório permanente, voltado a orientar empresas, investidores e políticas públicas, além da definição de metas e indicadores de médio e longo prazos.

O documento inclui ainda medidas de alinhamento com políticas federais e com instrumentos de financiamento, buscando ampliar a explicitação dos benefícios do tratado para o ambiente produtivo catarinense.

Atuação direta junto à União Europeia

Outro eixo estratégico envolve a atuação internacional direta junto à União Europeia, seus países-membros e fóruns relacionados à implementação do acordo. A proposta é antecipar exigências regulatórias e identificar oportunidades em áreas como inovação, infraestrutura e transição ambiental.

Santa Catarina mira integração produtiva e tecnológica

Com uma base produtiva diversificada, forte presença da agroindústria, parque industrial em expansão e um ecossistema de inovação em crescimento, Santa Catarina pretende ir além do papel de exportador. O Estado busca se consolidar como um hub de integração produtiva e tecnológica entre o Mercosul e a União Europeia, transformando o acordo comercial em um vetor de desenvolvimento de longo prazo.

FONTE: Agro Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul: o que muda para o Brasil e a indústria, segundo Roberto Azevêdo

Após 26 anos de negociações, a União Europeia e o Mercosul finalmente chegaram a um consenso para a criação do maior acordo comercial do mundo. A avaliação é do diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que vê no tratado um potencial de transformação estrutural para as economias envolvidas — especialmente para o Brasil.

Embora o acordo inclua salvaguardas agrícolas que podem gerar ruídos no futuro, Azevêdo afirma que os ganhos com a abertura do mercado europeu, sobretudo para produtos de maior valor agregado, tendem a superar os riscos.

Um acordo estratégico em tempos de protecionismo

Para Azevêdo, o momento da aprovação do acordo UE-Mercosul é particularmente favorável diante do avanço de políticas protecionistas, especialmente nos Estados Unidos, e do enfraquecimento do multilateralismo comercial.

Segundo o diplomata, o tratado ajuda a reduzir parte das incertezas do comércio global ao criar um ambiente mais previsível para empresas e investidores. “Estamos falando de um acordo com enorme impacto econômico para os dois blocos”, avalia.

Dimensão econômica e alcance do tratado

O acordo estabelece uma área de livre-comércio que reúne mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Atualmente, o comércio entre os blocos gira em torno de € 111 bilhões por ano, número que tende a crescer com a redução tarifária.

Para o Mercosul, o tratado abre acesso a cerca de 450 milhões de consumidores europeus, enquanto a UE amplia sua presença em um mercado de 280 milhões de pessoas na América do Sul, onde já atuam aproximadamente 30 mil empresas europeias.

Tarifas, setores e compromissos comerciais

Mais de 90% do comércio bilateral terá tarifas eliminadas gradualmente. Para a União Europeia, isso representa a retirada de cerca de € 4 bilhões em impostos, com expectativa de crescimento de € 84 bilhões nas exportações e geração de até 756 mil empregos.

As exportações europeias são lideradas por maquinário, produtos químicos, farmacêuticos e automóveis, enquanto o Mercosul se destaca em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel. Países do bloco sul-americano mantêm tarifas elevadas, como 35% sobre autopeças e 28% sobre lácteos, que serão progressivamente reduzidas.

Salvaguardas agrícolas e limites às commodities

Para viabilizar a aprovação interna, a Comissão Europeia adotou mecanismos de proteção ao setor agrícola, como cotas limitadas, controles mais rígidos e a possibilidade de reintrodução temporária de tarifas.

Azevêdo alerta que a abertura europeia para commodities é limitada e não permitirá um crescimento expressivo das exportações agrícolas do Mercosul. Ainda assim, ele defende uma visão mais ampla do acordo, que vai além do agronegócio.

Indústria brasileira e valor agregado

Na avaliação do ex-presidente da OMC, o maior potencial está na ampliação do acesso a um mercado que demanda produtos industrializados e de maior valor agregado. A União Europeia, com PIB per capita superior ao da China, tende a importar bens mais processados, o que pode favorecer a indústria brasileira.

O acordo também deve estimular investimentos europeus, transferência de tecnologia e maior integração produtiva entre os blocos.

Adaptação gradual e integração de cadeias produtivas

Azevêdo destaca que o tratado prevê um período de transição (phase-in) para setores mais sensíveis da economia brasileira, permitindo adaptação gradual à concorrência externa.

Com a integração das cadeias globais de valor, surgem oportunidades em nichos onde um bloco é mais competitivo que o outro. Para o diplomata, essa dinâmica pode ampliar a presença internacional da indústria brasileira, que historicamente priorizou o mercado interno.

Previsibilidade e segurança jurídica para investidores

Outro ponto ressaltado é o mecanismo de solução de controvérsias previsto no acordo, que garante maior segurança jurídica. Caso uma das partes descumpra as regras, será possível recorrer à arbitragem internacional.

Segundo Azevêdo, esse fator é decisivo para atrair investimentos em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e disputas comerciais.

Próximos passos para o Mercosul

Com o enfraquecimento do sistema multilateral, o ex-diretor da OMC avalia que o Mercosul deve buscar novos acordos regionais e bilaterais, especialmente com mercados avançados e custos de produção compatíveis.

Para ele, o acordo com a União Europeia pode servir de referência para uma estratégia mais ativa de inserção internacional do bloco sul-americano.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Comércio Exterior

Acordos comerciais ampliam acesso e colocam um terço do comércio brasileiro sob tarifas reduzidas

A entrada em vigor de novos acordos de livre comércio deve transformar o perfil do comércio exterior brasileiro, ampliando de forma significativa o número de operações com tarifa zero ou alíquotas reduzidas. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, quase um terço da corrente de comércio do Brasil passará a contar com benefícios tarifários, fortalecendo a inserção internacional do país e criando novas oportunidades para o setor produtivo.

Situação atual ainda limita acesso preferencial

Estimativas inéditas do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) mostram que, em 2025, cerca de US$ 78 bilhões das exportações e importações brasileiras contam atualmente com algum tipo de preferência tarifária. O valor equivale a 12,4% da corrente de comércio.

Esse montante inclui o livre comércio dentro do Mercosul, com Argentina, Uruguai e Paraguai, além de acordos firmados com Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Israel e Egito.

Novos tratados ampliam alcance internacional

O cenário muda com os acordos Mercosul-União Europeia, Mercosul-EFTA e Mercosul-Cingapura. De acordo com os cálculos do MDIC, esses tratados adicionam US$ 118,7 bilhões ao volume de comércio com tarifas reduzidas, o equivalente a 18,9% do intercâmbio total do país.

Com todos os acordos em vigor, o comércio brasileiro beneficiado por preferências tarifárias deve alcançar US$ 196,4 bilhões, o que representa 31,2% da corrente de comércio em 2025.

“A ampliação do comércio coberto por preferências comerciais fortalece nossa inserção internacional e abre novas oportunidades para as empresas brasileiras”, afirmou Alckmin. Segundo ele, o avanço é “expressivo”, quase duas vezes e meia maior em curto prazo, com impacto direto na competitividade, nos investimentos e na geração de empregos.

Estágio dos principais acordos

O acordo Mercosul-Cingapura foi assinado em dezembro de 2023, mas ainda passa por revisão jurídica e precisa ser encaminhado ao Congresso Nacional para ratificação.

Já o tratado com a EFTA, bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, foi firmado em setembro de 2025.

O acordo Mercosul-União Europeia, negociado por cerca de 25 anos, deve ser finalmente assinado neste sábado (17), em Assunção, aproveitando a presidência rotativa do Paraguai no bloco.

Mercosul negocia novos acordos comerciais

Após o avanço com a União Europeia, o Mercosul mantém negociações com outros parceiros estratégicos. Entre eles estão:

  • Emirados Árabes Unidos, com tratativas avançadas e possibilidade de acordo em 2026
  • Canadá, cujas negociações foram retomadas após a pandemia
  • Vietnã e Indonésia, ainda em fase inicial
  • Índia, com foco na ampliação do atual acordo de preferências tarifárias

Também há discussões com República Dominicana, Panamá e El Salvador, além de conversas para modernizar os acordos já existentes com Colômbia e Equador, considerados defasados em temas como serviços e normas aduaneiras.

Interesse global e desafios internos

O Japão avalia iniciar uma parceria estratégica como passo prévio a um acordo comercial, enquanto o Reino Unido, após o Brexit, já manifestou interesse em negociar com o Mercosul.

Segundo a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, o governo brasileiro tem interesse em avançar em todas as frentes. O principal desafio, porém, é a limitação de equipes negociadoras diante do grande número de tratativas em andamento.

“Gostaríamos de avançar em todas as negociações. Vontade, nós temos”, afirmou a diplomata.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSN

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Comércio

Acordo Mercosul-União Europeia cria zona de livre comércio com mais de 700 milhões de pessoas

A União Europeia aprovou um amplo acordo de livre comércio com o Mercosul, abrindo caminho para a formação de uma das maiores zonas comerciais do mundo, que conecta mercados de Europa e América do Sul com mais de 700 milhões de consumidores. O pacto envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e encerra negociações que se arrastavam há cerca de 25 anos.

UE aposta em cooperação enquanto EUA endurecem postura externa

A decisão europeia ocorre em contraste com a postura mais confrontacional adotada recentemente pelos Estados Unidos. Enquanto o bloco europeu revisava regras e construía consensos internos para viabilizar o acordo, o governo americano intensificava ações militares e ameaças diplomáticas na América Latina, incluindo medidas contra a Venezuela, Colômbia, Cuba e até a Groenlândia.

Analistas avaliam que o ambiente de guerra comercial e a política externa mais agressiva de Washington acabaram estimulando outros países a acelerar acordos comerciais sem a participação dos EUA.

Isolamento americano impulsiona novos pactos globais

Segundo o professor de comércio internacional de Harvard, Robert Z. Lawrence, as políticas adotadas por Donald Trump contribuem para a formação de um cenário global menos dependente dos Estados Unidos. Na avaliação do especialista, essa tendência vai além do comércio e se reflete também em fóruns multilaterais, como encontros do G20, cúpulas de saúde e debates climáticos, realizados sem a presença americana.

Resistências internas marcam debate na Europa

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul enfrentou forte oposição de setores agrícolas e ambientalistas europeus. Críticos alegam que produtores sul-americanos não seguem os mesmos padrões exigidos na Europa em temas como uso de pesticidas, desmatamento, bem-estar animal e direitos trabalhistas.

Em Paris, agricultores franceses chegaram a bloquear vias próximas à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo em protesto contra o pacto, temendo concorrência de importações agrícolas mais baratas, especialmente de carnes.

Indústria europeia vê oportunidades no mercado sul-americano

Apesar das resistências, setores industriais da Europa, como montadoras e farmacêuticas, defendem o acordo por enxergarem grande potencial no mercado do Mercosul. Países como Alemanha e Espanha pressionaram pela aprovação. A Bolívia, recém-integrada ao bloco sul-americano, poderá aderir ao tratado futuramente.

Para garantir apoio político, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ofereceu concessões de última hora, incluindo acesso antecipado a 45 bilhões de euros em subsídios agrícolas.

Aprovação política abre caminho para assinatura oficial

Mesmo com a oposição reiterada de França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria, a adesão da Itália garantiu a maioria necessária para o aval político. A Bélgica optou pela abstenção. Com isso, Ursula von der Leyen deve viajar ao Paraguai para a assinatura formal do acordo, que ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu.

Em nota, von der Leyen afirmou que o pacto envia uma mensagem clara ao mundo de que parcerias promovem prosperidade e que a Europa se posiciona como um parceiro confiável no comércio global.

Brasil celebra avanço do multilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o anúncio como um “dia histórico para o multilateralismo”. O acordo prevê a redução de tarifas tanto para produtos europeus exportados à América do Sul quanto para bens sul-americanos vendidos à Europa, além de ampliar o acesso europeu a matérias-primas estratégicas, reduzindo a dependência da China.

América do Sul no centro da disputa geopolítica

O pacto envolve governos ideologicamente distintos, como o do presidente argentino Javier Milei, aliado de Trump, e o de Lula, frequentemente crítico da política externa americana. Para Washington, a América Latina segue sendo tratada como área de influência estratégica, agora sob uma diretriz chamada de “Doutrina Donroe”, atualização da histórica Doutrina Monroe.

Especialistas avaliam que a postura americana busca conter a influência de potências externas, especialmente a China, hoje o maior parceiro comercial da América do Sul e grande investidora em infraestrutura, energia e logística na região.

Europa surge como alternativa para acordos baseados em regras

Embora a China amplie sua presença econômica no continente, analistas apontam que Pequim também adota políticas industriais agressivas e subsídios que desafiam normas do livre comércio internacional. Para países como o Brasil, que defendem acordos baseados em regras claras e previsibilidade jurídica, a União Europeia desponta como a principal alternativa viável.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yves Herman

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Comércio Internacional

Brasil amplia estratégia comercial após Mercosul-UE e mira acordos com Índia, Canadá e Emirados Árabes

Após o sinal verde do Conselho Europeu ao acordo Mercosul-União Europeia, o Brasil definiu novas frentes para aprofundar sua inserção no comércio internacional. Para 2026, o governo federal pretende concentrar esforços na ampliação e conclusão de acordos comerciais do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos, considerados mercados estratégicos para a diversificação das exportações brasileiras.

Índia entra no radar para expansão do comércio agroindustrial

Entre as prioridades, a Índia ocupa posição de destaque. O governo brasileiro avalia que o país asiático, atualmente o mais populoso do mundo e com forte processo de industrialização nas últimas duas décadas, ainda é pouco explorado pelos exportadores nacionais.

Hoje, a pauta brasileira destinada à Índia é concentrada em óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto, que respondem por mais da metade das vendas. A avaliação oficial é de que há espaço para ampliar a presença de produtos como minério de ferro, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas, além de itens como carne de aves, pescados, café e suco de laranja.

Tarifas elevadas são principal obstáculo nas negociações com a Índia

O maior desafio nas tratativas com Nova Délhi está nas altas tarifas de importação. Atualmente, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo de comércio preferencial existente com o Mercosul. O tratado inclui cerca de 450 categorias de produtos, de um universo aproximado de 10 mil, com reduções tarifárias limitadas, entre 10% e 20%.

A meta do governo é ampliar a cobertura do acordo, incluir novos produtos — especialmente do agronegócio brasileiro —, negociar cortes tarifários mais amplos e reduzir barreiras comerciais. Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Índia sinalizou positivamente para a expansão do acordo após conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi.

Emirados Árabes avançam para acordo de livre comércio com o Mercosul

No Oriente Médio, o foco está na conclusão do acordo de livre comércio entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos. As negociações, iniciadas em 2024, avançaram de forma acelerada e já passaram por quatro rodadas, a última encerrada em novembro.

Embora houvesse expectativa de assinatura ainda em 2025, alguns pontos sensíveis ficaram pendentes e devem ser resolvidos ao longo de 2026. Entre eles está a demanda dos Emirados pela eliminação de tarifas para produtos petroquímicos, segmento em que o país árabe é altamente competitivo e que gera preocupação na indústria brasileira.

Comércio e investimentos fortalecem relação Brasil–Emirados

Atualmente, os principais produtos exportados pelo Brasil aos Emirados Árabes são carne de frango, carne bovina e açúcar. No sentido inverso, o Brasil importa principalmente petróleo, ureia, enxofre e peças aeronáuticas.

Além do comércio, a relação bilateral tem sido impulsionada por investimentos estrangeiros. Grupos como Mubadala, ADIG, Edge Group e DP World ampliaram significativamente sua atuação no Brasil, reforçando o status da parceria como estratégica e confiável.

Canadá é visto como porta de entrada para mercados de maior valor agregado

Com o Canadá, o objetivo é avançar nas negociações de um acordo de livre comércio Mercosul-Canadá, considerado essencial para ampliar o acesso brasileiro a setores de maior valor agregado, como mineração, além de beneficiar o agronegócio.

As negociações tiveram início em 2018, mas foram retomadas com mais intensidade em 2025, em meio às incertezas no comércio global provocadas por medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos. O acordo busca reduzir tarifas, facilitar o comércio de bens e serviços e aprofundar a cooperação em áreas como investimentos, compras governamentais e regras ambientais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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