Comércio

Mercado Livre entra no varejo farmacêutico e pressiona ações do setor

A expansão do Mercado Livre (MELI) no mercado de medicamentos provocou forte reação entre investidores e derrubou as ações de empresas do varejo farmacêutico na última quinta-feira (24). Os papéis do segmento chegaram a registrar perdas de até 8% diante da perspectiva de aumento da concorrência.

Apesar do novo movimento representar um desafio para companhias como RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3), análises de mercado indicam que a reação inicial pode ter incorporado um cenário de impacto maior do que o esperado sobre os resultados das redes de farmácias.

Mercado Livre amplia venda de medicamentos

O principal fator por trás da queda das ações foi o anúncio de que o Mercado Livre vai ampliar sua operação de farmácia online no Brasil.

A plataforma passará a comercializar medicamentos que exigem prescrição, incluindo antibióticos e canetas GLP-1, utilizadas em tratamentos para diabetes e obesidade. Para concluir a compra, o consumidor poderá encaminhar a receita, que será analisada por um farmacêutico antes da liberação do pedido.

A companhia também pretende integrar farmácias de terceiros ao seu marketplace. As primeiras parcerias estão previstas para outubro, com a meta de reunir pelo menos 20 redes até o fim de 2026.

Entregas em até 60 minutos entram na estratégia

Outro elemento da expansão é o serviço “Chega Agora”, que promete realizar entregas em até 60 minutos. Inicialmente, a modalidade estará disponível em determinadas regiões de São Paulo.

Na avaliação da XP, a iniciativa pode criar uma nova fonte de receita para o Mercado Livre em uma categoria de grande volume e alta recorrência. Por outro lado, os investimentos necessários em logística, estoques e profissionais farmacêuticos podem gerar pressão sobre as margens da companhia no curto prazo.

Para os analistas, contudo, a expansão da plataforma não significa necessariamente uma ameaça imediata aos resultados das maiores redes de farmácias.

Mercado pode ter exagerado na reação

O JPMorgan classificou o anúncio como relevante para o sentimento dos investidores, mas avaliou que o impacto sobre os lucros das empresas farmacêuticas listadas tende a ser limitado neste momento.

Após a notícia, RD Saúde e Pague Menos tiveram desempenho inferior ao Ibovespa em aproximadamente 5% e 7%, respectivamente, segundo o banco.

Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, também considera que a intensidade da queda no curto prazo foi elevada. Ao mesmo tempo, ele avalia que a ameaça competitiva do Mercado Livre é concreta e pode ganhar relevância ao longo dos próximos anos.

Segundo Luersen, a entrada da companhia no setor ocorreu gradualmente, começando pelos medicamentos que não exigem receita e avançando posteriormente para produtos sujeitos a prescrição.

Na avaliação do especialista, portanto, o movimento mais recente não representaria uma mudança completamente inesperada para o mercado, mas uma nova etapa de uma estratégia que já vinha sendo observada pelos investidores.

Medicamentos GLP-1 aumentam preocupação

As canetas GLP-1 estão entre os produtos que mais chamaram a atenção na nova estratégia do Mercado Livre. A importância dessa categoria, porém, vai além da receita obtida diretamente com a venda dos medicamentos.

Luersen cita dados divulgados pela própria Pague Menos segundo os quais consumidores em tratamento com esses produtos gastam aproximadamente nove vezes mais do que os clientes tradicionais e visitam as lojas cerca de 50% mais vezes.

Essa característica aumenta a preocupação das redes com a possibilidade de perda de clientes recorrentes, e não apenas de vendas individuais de medicamentos.

Regras podem limitar descontos agressivos

O JPMorgan, por outro lado, aponta fatores que podem limitar uma eventual ruptura no mercado de medicamentos GLP-1.

De acordo com o banco, os grandes fabricantes mantêm programas de benefícios destinados a pacientes, com condições de preços e descontos aplicáveis por farmácias credenciadas. Isso reduz a margem para uma estratégia baseada exclusivamente em preços muito baixos.

A instituição também destaca que o Mercado Livre não teria a mesma liberdade para oferecer cupons amplos utilizada em outras categorias da plataforma. Descontos de medicamentos vinculados a cupons, cartões ou identificação do paciente estão sujeitos às regras da CMED.

Esse ambiente regulatório limita, segundo a análise, uma eventual política irrestrita de descontos financiados pela plataforma.

Margens baixas também são um desafio

Outro ponto considerado pelas análises é a própria estrutura econômica do varejo de medicamentos. O segmento trabalha tradicionalmente com margens reduzidas e tíquete médio relativamente baixo.

Essas características podem dificultar a rentabilidade de uma operação baseada em marketplace, especialmente diante dos custos adicionais de logística, estoque e cumprimento das exigências específicas para a comercialização de medicamentos.

O JPMorgan também aponta que o Mercado Livre não necessariamente pratica preços menores que as farmácias tradicionais.

Em uma análise anterior envolvendo aproximadamente 2 mil produtos comparáveis, o banco identificou preços geralmente próximos aos praticados pelo varejo convencional. Nos medicamentos considerados “core” e nos produtos OTC, de venda livre, os preços da plataforma chegaram a ficar acima dos concorrentes em determinadas comparações.

Redes físicas continuam sendo um diferencial

As grandes redes de farmácias também contam com ativos que podem funcionar como vantagem competitiva diante da expansão do Mercado Livre.

A presença física, a ampla rede de lojas, a escala e os modelos de atendimento omnichannel são apontados pela XP como fatores que ajudam as empresas estabelecidas a enfrentar a concorrência digital.

O mercado brasileiro continua bastante pulverizado. Segundo a XP, o setor movimenta mais de R$ 200 bilhões, enquanto a RD Saúde possui participação inferior a 20%.

Nesse cenário, a expansão do Mercado Livre pode ocorrer sem necessariamente retirar todo o crescimento futuro das grandes redes, especialmente em categorias associadas à recorrência e à conveniência.

Concorrência pode virar parceria

A relação entre o Mercado Livre e as redes tradicionais também não precisa ficar restrita à disputa por consumidores.

A XP observa que a integração de farmácias de terceiros ao marketplace pode criar um modelo semelhante ao já adotado por plataformas de entrega rápida. Nesse formato, grandes redes poderiam eventualmente atuar como parceiras da própria plataforma.

O JPMorgan também destaca que a venda digital de medicamentos não é uma novidade no Brasil. Farmácias autorizadas já comercializam produtos, inclusive medicamentos GLP-1, por meio de plataformas como o iFood.

Assim, embora a chegada do Mercado Livre represente um novo canal digital de grande escala, o modelo não inaugura uma forma completamente inédita de distribuição de medicamentos.

Impacto sobre o setor ainda é incerto

A entrada de uma companhia com forte capacidade logística e grande base de consumidores eleva o nível de concorrência no varejo farmacêutico e pode influenciar a percepção dos investidores sobre as ações do segmento.

Por outro lado, as análises da XP e do JPMorgan apontam, neste momento, para efeitos mais limitados sobre os fundamentos das grandes redes no curto prazo. O impacto efetivo dependerá da velocidade de expansão da operação, da adesão dos consumidores e das condições comerciais oferecidas pelo novo canal.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Logística

Mercado Livre e Shopee lideram demanda por galpões logísticos no Brasil

O Mercado Livre e a Shopee concentram a maior parte da ocupação de galpões logísticos por grandes empresas no Brasil. Juntas, as duas plataformas somam cerca de 4,1 milhões de metros quadrados locados, segundo dados do Market Analytics da SiiLA.

O Mercado Livre aparece com ampla vantagem, ocupando aproximadamente 2,98 milhões de metros quadrados. A Shopee vem na sequência, com 1,14 milhão de metros quadrados.

A Amazon ocupa a terceira posição, com 685 mil metros quadrados. Com isso, as três maiores ocupantes de condomínios logísticos no país são empresas estrangeiras.

A primeira companhia brasileira no ranking é o Magazine Luiza, que possui 517 mil metros quadrados locados em galpões.

Mercado Livre e Shopee ampliam contratos

A demanda das duas empresas deve continuar elevada. Mercado Livre e Shopee já possuem, juntas, cerca de 1,1 milhão de metros quadrados pré-locados para o segundo semestre de 2026.

A maior parte dos espaços contratados está destinada a operações de transporte e logística e digital fulfillment, segmentos que concentram os maiores volumes de área ocupada no mercado brasileiro.

As projeções indicam que, caso 80% da entrega de novos espaços prevista seja efetivada, a taxa de vacância nacional deverá terminar 2026 entre 6% e 7%.

O cenário mantém aquecida a procura por galpões logísticos, impulsionada principalmente pelo crescimento do comércio eletrônico e pela necessidade de ampliar a capacidade de distribuição.

E-commerce impulsiona ocupação de galpões

Levantamentos recentes reforçam a importância do Mercado Livre e da Shopee na demanda por espaços logísticos.

Fora dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o varejo e o e-commerce responderam por 49% da absorção bruta registrada no último trimestre. O Mercado Livre, sozinho, representou 23% da absorção no período.

A expansão das operações digitais tem levado grandes varejistas a buscar instalações próximas aos principais centros consumidores e corredores de transporte.

Mercado Livre anuncia R$ 57 bilhões em investimentos

O Mercado Livre também ampliou os investimentos no país. Para 2026, a empresa anunciou um Capex de R$ 57 bilhões, valor 50% superior ao registrado no ano anterior.

Os recursos incluem a expansão da estrutura logística e contribuíram para a abertura de mais de 14 centros de distribuição.

Quando anunciou o investimento, em março, a companhia informou que pretendia fortalecer as rotas regionais e manter 75% das entregas rápidas em até 48 horas após a confirmação dos pedidos.

Digital fulfillment cresce e aumenta disputa por espaços

O segmento de digital fulfillment apresentou crescimento próximo de 50% entre o segundo trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, conforme os dados da SiiLA.

No mesmo intervalo, a área ocupada pelo segmento de transporte e logística aumentou 21%.

Atualmente, o digital fulfillment ocupa 5,94 milhões de metros quadrados, com taxa de vacância de 4,42%. Já o segmento de transporte e logística possui 7,46 milhões de metros quadrados ocupados.

A expansão ocorre ao mesmo tempo em que a oferta de espaços disponíveis diminui.

Vacância de galpões logísticos recua

No segundo trimestre de 2026, a taxa de vacância dos condomínios logísticos das classes A+, A e B caiu para 4,42%, ante 6,05% no trimestre anterior.

O estoque nacional monitorado pela SiiLA chegou a 30,45 milhões de metros quadrados.

A redução da disponibilidade ocorre em um mercado no qual a demanda permanece elevada e a entrada de novos empreendimentos não acompanha o mesmo ritmo da absorção.

Segundo Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, a absorção líquida continua em níveis elevados. Para ele, a queda da vacância está relacionada principalmente à velocidade de entrega de novos espaços.

Digital fulfillment lidera absorção líquida

Nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2026, o digital fulfillment registrou absorção líquida de 1,35 milhão de metros quadrados.

O resultado supera em mais de duas vezes os 593 mil metros quadrados registrados pelo segmento de transporte e logística no mesmo período.

Considerando todo o mercado brasileiro, a absorção líquida chegou a 3,28 milhões de metros quadrados.

Na absorção bruta, os dois segmentos apresentaram números próximos: transporte e logística registrou 1,47 milhão de metros quadrados, enquanto digital fulfillment alcançou 1,41 milhão de metros quadrados.

Principais contratos do segundo trimestre

Entre as maiores locações registradas no segundo trimestre de 2026 estão contratos firmados pelo Mercado Livre e pela Shopee.

O Mercado Livre ocupou 125,1 mil metros quadrados no Zolver Bandeirantes e outros 63,1 mil metros quadrados no KSM Log Guarulhos I.

A Shopee, por sua vez, contratou 100,8 mil metros quadrados no BRZ 386 Logistics Park e mais 53,7 mil metros quadrados no Parque Logístico Guarulhos II.

O movimento reforça a expansão da infraestrutura necessária para atender ao crescimento do comércio eletrônico no Brasil, mantendo os grandes operadores de varejo digital entre os principais demandantes de espaços logísticos.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mercado Livre

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Economia

Mercado Livre movimenta R$ 73,1 bilhões e amplia impacto na economia brasileira

O Mercado Livre estima ter gerado um impacto econômico de R$ 73,1 bilhões no Brasil em 2025, entre efeitos diretos e indiretos. O valor corresponde a aproximadamente 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o Relatório de Impacto Efeito Meli 2026, divulgado nesta segunda-feira (31/8).

Do total calculado, R$ 30 bilhões representam o impacto direto da empresa na economia, enquanto outros R$ 43,1 bilhões são atribuídos aos efeitos indiretos provocados pela atividade do ecossistema.

O levantamento considera a atuação da companhia nas áreas de comércio eletrônico, logística e serviços financeiros e aponta que, para cada R$ 1 de valor agregado diretamente pelo Mercado Livre, outros R$ 1,40 são gerados nas cadeias produtivas relacionadas à operação.

Mercado Livre amplia atuação e fortalece PMEs

O crescimento da plataforma tem sido acompanhado pela expansão de sua infraestrutura no país. A empresa passou a operar com uma rede logística própria, incluindo frota aérea, e ampliou sua capacidade de entrega expressa.

Segundo o relatório, o ecossistema do Mercado Livre tinha cerca de 627 mil pequenas e médias empresas (PMEs) e empreendedores vendendo ativamente na plataforma em 2025.

Para 60% desses negócios, o marketplace é o principal canal de vendas. Além disso, sete em cada dez afirmam que a plataforma representou sua primeira experiência de comercialização pela internet.

Os microempreendedores individuais (MEIs) correspondem a 40% dos vendedores considerados no levantamento, mostrando a participação significativa de negócios de menor porte no ecossistema.

Plataforma amplia acesso à inteligência artificial

O estudo foi elaborado a partir de mais de 90 mil entrevistas realizadas nas operações do Mercado Livre no Brasil, Argentina, Chile e México. No Brasil, foram ouvidos 22,8 mil parceiros.

Um dos dados destacados pelo levantamento é o uso de inteligência artificial por pequenos negócios. Metade das PMEs brasileiras que utilizam o Mercado Livre teria tido o primeiro contato com a tecnologia por meio da plataforma.

Fundado em 1999, o Mercado Livre se consolidou como uma das principais empresas de e-commerce e tecnologia financeira da América Latina, com presença em 18 países.

Ecossistema está associado a mais de 413 mil empregos

A operação brasileira do Mercado Livre também teve impacto sobre o mercado de trabalho. Em 2025, foram criados 61,1 mil empregos diretos relacionados à companhia, enquanto outros 352 mil postos indiretos foram associados às atividades do ecossistema.

Ao todo, o número supera 413 mil empregos, equivalente a cerca de 0,4% das vagas ocupadas no país.

A expansão da plataforma também aumentou o alcance geográfico das vendas. Três em cada cinco encomendas comercializadas em 2025 atravessaram fronteiras estaduais.

Além disso, 61% das PMEs brasileiras que vendem pelo Mercado Livre conseguiram chegar a cidades onde anteriormente não tinham clientes.

Rede logística chega a um em cada quatro municípios

A estrutura de logística do Mercado Livre também ganhou escala. Em 2025, a companhia contava com 137 centros logísticos ativos, incluindo centros de distribuição, bases e instalações de apoio.

A rede era complementada por aproximadamente 5.950 unidades Meli Places.

Com essa estrutura, a empresa afirma estar presente em um a cada quatro municípios brasileiros, ampliando a capacidade de distribuição dos produtos vendidos por pequenos negócios.

Mercado Livre movimenta bilhões no Distrito Federal

No Distrito Federal, mais de 7 mil PMEs utilizaram o marketplace para vender seus produtos em 2025.

As vendas realizadas por esses negócios representaram quase 1% do total de vendas brutas do comércio varejista da unidade federativa. Para metade dos comerciantes locais, a plataforma é o principal canal de vendas.

As PMEs que comercializaram produtos pelo Mercado Livre no DF empregaram aproximadamente 77 mil pessoas, sendo que 35% delas estavam envolvidas em atividades relacionadas ao marketplace.

O crescimento das vendas também levou comerciantes a ampliar suas equipes. No ano passado, cerca de 3,6 mil empresas locais fizeram novas contratações. Ao todo, 800 PMEs criaram 1,7 mil empregos diretos para atender à demanda gerada pela plataforma.

Logística do DF recebe novos centros

A estrutura logística da empresa no Distrito Federal também foi ampliada. Foram ativados três novos centros, que somaram 19,4 mil metros quadrados de área operacional.

Com a expansão, 74% dos produtos comercializados pelas PMEs do DF passaram a ser enviados para consumidores localizados em outros estados.

Na área financeira, quase 69,7 mil empresas e empreendedores do Distrito Federal utilizaram o Mercado Pago para receber pagamentos em 2025.

As transações movimentaram mais de R$ 6 bilhões. No crédito, foram realizadas mais de 218 mil operações destinadas a PMEs e empreendedores, totalizando mais de R$ 220 milhões.

Mercado Pago movimenta R$ 410 bilhões

O braço financeiro do grupo também apresentou forte movimentação no país. Em 2025, cerca de 4,7 milhões de empresas e empreendedores processaram pagamentos por Pix e máquinas de cartão utilizando o Mercado Pago.

O volume movimentado superou R$ 410 bilhões, equivalente a aproximadamente 3,4% de todos os pagamentos digitais realizados pelo comércio brasileiro.

Na área de crédito, o Mercado Pago concedeu R$ 15 bilhões em empréstimos para pequenas e médias empresas, distribuídos em 12,4 milhões de operações.

Empresa destaca efeito sobre a cadeia econômica

Para Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de Estratégia, Relações com Investidores e Sustentabilidade do Mercado Livre, os resultados mostram que a atividade do comércio digital produz efeitos que vão além da relação entre consumidor e plataforma.

Segundo ele, o crescimento das PMEs, a geração de empregos e a adoção de ferramentas de inteligência artificial fazem parte de uma cadeia econômica que se movimenta a partir das vendas realizadas pela internet.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Mercado Livre

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Logística

Galpões logísticos registram absorção superior a 2 milhões de m² no primeiro semestre de 2026

O mercado brasileiro de galpões logísticos e condomínios industriais encerrou o primeiro semestre de 2026 com 2,054 milhões de metros quadrados de absorção bruta, de acordo com levantamento da Newmark Brasil. O resultado reflete o aquecimento da demanda por espaços destinados à armazenagem e distribuição, impulsionado principalmente pelo crescimento do e-commerce e pela expansão das operações de grandes empresas.

Entre os principais responsáveis pelo desempenho estão gigantes do comércio eletrônico, como Mercado Livre e Amazon, além de operadores especializados em logística integrada, que também ampliaram sua presença no mercado.

Pré-locações reforçam cenário positivo para o setor

Além do volume já ocupado no período, o estudo aponta perspectivas favoráveis para os próximos meses. Entre abril e maio, contratos de pré-locação assinados para empreendimentos ainda em construção somaram mais 448 mil metros quadrados, indicando que a demanda continua elevada antes mesmo da entrega dos novos ativos.

Para Mariana Hanania, head de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark Brasil, o crescimento vai além do aumento da área locada.

Segundo a executiva, o mercado passa por uma redistribuição estratégica da ocupação entre diferentes regiões do país, movimento que fortalece o papel dos condomínios logísticos na eficiência operacional e na competitividade das empresas.

Mercado Livre e Amazon lideram novas locações

O levantamento mostra que o Mercado Livre foi o maior contratante de áreas no semestre, totalizando 109 mil metros quadrados. As locações estão concentradas principalmente em São Paulo, mas também contemplam empreendimentos no Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Mato Grosso.

Na sequência aparece a Amazon, que alugou 82 mil metros quadrados em empreendimentos distribuídos entre os estados de São Paulo e Paraná.

Crescimento do e-commerce sustenta demanda por armazenagem

O estudo da Newmark acompanha uma tendência já observada no mercado imobiliário logístico. Dados da Colliers indicam que os ativos logísticos movimentaram mais de R$ 1 bilhão em transações apenas no primeiro trimestre de 2026.

Segundo a consultoria, a expansão do comércio eletrônico continua sendo um dos principais motores da procura por galpões logísticos, impulsionada pela necessidade de entregas mais rápidas e operações de distribuição cada vez mais eficientes.

As projeções da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) reforçam esse cenário. A entidade estima que o e-commerce brasileiro ultrapasse R$ 258 bilhões em faturamento ao longo de 2026, ampliando a demanda por infraestrutura logística capaz de atender ao crescimento das vendas online.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Mercado de trabalho

Mercado Livre anuncia 28 mil novas vagas de emprego no Brasil em 2026

O Mercado Livre anunciou a criação de 28,2 mil novas vagas na área de logística ao longo de 2026 no Brasil. Com as contratações, a empresa deverá encerrar o ano com 78,1 mil colaboradores no setor logístico em território nacional, conforme informou a companhia nesta segunda-feira (6).

Na América Latina, a expansão elevará o quadro de funcionários da operação logística para aproximadamente 133 mil trabalhadores.

Expansão faz parte de investimento bilionário no Brasil

A abertura das novas vagas integra o plano de investimentos de R$ 57 bilhões anunciado pela empresa em março para fortalecer sua atuação no mercado brasileiro.

Além das contratações, o projeto prevê a inauguração de 14 novos Centros de Distribuição Fulfillment, ampliando a rede para 48 unidades no país. O crescimento representa um aumento de 50% na quantidade de centros logísticos em comparação ao ano anterior.

Cidades concentram maior número de oportunidades

As contratações estarão concentradas principalmente em municípios que já abrigam importantes operações logísticas da empresa.

As cidades com maior oferta de vagas são:

  • Cajamar (SP): 5,5 mil postos;
  • Araçariguama (SP): 2,5 mil vagas;
  • Governador Celso Ramos (SC): 2,4 mil oportunidades;
  • Campinas (SP): 1,6 mil vagas;
  • Extrema (MG): 930 postos de trabalho.

Crescimento do e-commerce impulsiona expansão

Segundo Patricia Monteiro de Araújo, diretora de Pessoas do Mercado Livre no Brasil, o país segue entre os maiores mercados de e-commerce do mundo, embora a participação das compras online ainda corresponda a cerca de 17% do varejo nacional.

A executiva destaca que fatores como entregas mais rápidas, redução do custo do frete e maior disponibilidade de produtos têm incentivado novos consumidores a comprar pela internet, além de aumentar a frequência de compras dos clientes já ativos. Nesse cenário, a ampliação da infraestrutura logística contribui para sustentar o crescimento da operação.

Aporte recorde fortalece logística, marketplace e serviços financeiros

O investimento de R$ 57 bilhões representa um aumento de 50% em relação ao valor aplicado pela companhia no Brasil no ano anterior e é o maior já realizado pela empresa no país.

Os recursos serão destinados principalmente à expansão da infraestrutura logística, ao fortalecimento do marketplace e ao crescimento do Mercado Pago, braço de serviços financeiros da companhia.

Na ocasião do anúncio do aporte, o vice-presidente executivo de Commerce do Mercado Livre para a América Latina, Fernando Yunes, afirmou que a empresa pretende manter o ritmo de investimentos após consolidar resultados recordes em participação de mercado e satisfação dos clientes.

Brasil permanece como principal mercado da empresa

O Brasil continua sendo o maior mercado do grupo na América Latina. Em 2025, o país respondeu por 52,6% da receita total da companhia, com faturamento líquido de R$ 84,5 bilhões, reforçando sua importância na estratégia de expansão do Mercado Livre.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Aeroportos

E-commerce impulsiona aeroportos e transforma logística de cargas no Brasil

O crescimento acelerado do e-commerce está redefinindo o papel dos aeroportos brasileiros. Antes voltados principalmente ao transporte de passageiros, os terminais passaram a ocupar posição estratégica na logística de cargas, funcionando como centros de armazenagem, distribuição e conexão entre empresas e consumidores em todo o país.

A busca por entregas mais rápidas e a expansão das operações de grandes varejistas digitais têm impulsionado investimentos em infraestrutura aeroportuária e fortalecido o transporte aéreo como peça-chave da cadeia logística.

Movimentação de carga aérea segue em alta

Os números mais recentes confirmam essa tendência. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mostram que os aeroportos brasileiros movimentaram 115,3 mil toneladas de carga em abril, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O mercado doméstico registrou avanço de 4,8%, alcançando 37,6 mil toneladas, enquanto as operações internacionais cresceram 4%, totalizando 77,7 mil toneladas.

Embora represente uma parcela menor do volume total transportado no país, o transporte aéreo de cargas concentra produtos de maior valor agregado e com elevada necessidade de rapidez na entrega, como medicamentos, eletrônicos, autopeças, equipamentos industriais e itens comercializados pela internet.

Gigantes do varejo ampliam hubs logísticos

O fortalecimento da logística aérea é impulsionado principalmente pelas grandes plataformas de comércio eletrônico.

O Mercado Livre, por exemplo, anunciou investimentos de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026 e segue ampliando sua estrutura operacional. Entre os projetos estão a expansão do hub aéreo localizado em Guarulhos (SP) e o reforço das operações realizadas em parceria com a Gollog.

A Amazon também avançou na estratégia de distribuição aérea ao transformar Brasília (DF) em um importante centro logístico operado em conjunto com a Latam Cargo Brasil.

A posição geográfica da capital federal permite atender com maior agilidade consumidores das regiões Norte e Centro-Oeste, áreas historicamente mais desafiadoras para a distribuição de mercadorias.

Além das gigantes do varejo digital, empresas como Azul Cargo Express, Latam Cargo e Gollog vêm ampliando rotas, frota e capacidade operacional para atender à crescente demanda por entregas expressas.

Brasil lidera movimentação de carga aérea na América Latina

O fortalecimento do setor acompanha uma tendência observada em toda a região. Segundo a Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA), o Brasil permaneceu na liderança da movimentação internacional de cargas aéreas na América Latina em 2025, com 880,9 mil toneladas processadas.

A rota entre Brasil e Estados Unidos continua sendo a principal do segmento. No entanto, o avanço do varejo online vem alterando o perfil das cargas transportadas.

Produtos ligados ao comércio eletrônico passaram a ocupar espaço crescente em um mercado que tradicionalmente era dominado por mercadorias industriais e farmacêuticas.

Aeroportos ampliam atuação como centros de negócios

A transformação vai além da logística. Inspirados no conceito internacional de aerotrópole, os aeroportos brasileiros estão diversificando suas atividades e atraindo novos empreendimentos.

Áreas próximas aos terminais vêm recebendo investimentos em centros de distribuição, condomínios empresariais, parques industriais, hotéis, serviços e espaços comerciais.

Essa expansão é incentivada pelo programa Investe+ Aeroportos, do Ministério de Portos e Aeroportos, que busca estimular a participação da iniciativa privada em projetos localizados dentro e no entorno dos aeroportos.

A proposta é transformar essas áreas em polos de desenvolvimento econômico, gerando receitas adicionais e fortalecendo a integração dos terminais com as cadeias produtivas regionais.

Aeroportos regionais ganham protagonismo

A expansão do comércio eletrônico também tem impulsionado a interiorização da logística aérea.

Para reduzir prazos de entrega e aproximar estoques dos consumidores, empresas vêm direcionando investimentos para aeroportos localizados fora dos grandes centros urbanos.

Nesse cenário, cidades como Araguaína (TO), Paulo Afonso (BA), Serra Talhada (PE) e Cacoal (RO) passaram a desempenhar papel relevante na conexão entre polos produtivos regionais e os principais mercados consumidores do país.

O movimento também recebe apoio do governo federal por meio do programa AmpliAR, que busca fortalecer aeroportos regionais e integrá-los às redes administradas pelas concessionárias responsáveis pelos grandes terminais.

Nova fase da logística brasileira

A expansão dos hubs cargueiros e dos centros de distribuição instalados em áreas aeroportuárias evidencia uma mudança estrutural na logística nacional.

Com a evolução do comércio eletrônico e o aumento da demanda por entregas rápidas, os aeroportos deixaram de ser apenas pontos de embarque e desembarque para assumir uma função estratégica na movimentação de mercadorias, tornando-se peças fundamentais para o crescimento da economia digital brasileira.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Aeroportos

E-commerce impulsiona uso de aeroportos como hubs logísticos no Brasil

O crescimento acelerado do e-commerce no Brasil vem transformando os aeroportos em peças estratégicas para operações de logística e distribuição de mercadorias. Empresas do varejo digital têm ampliado investimentos em hubs aéreos, rotas cargueiras e integração entre centros de distribuição para acelerar entregas em diferentes regiões do país.

O movimento acompanha iniciativas do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que busca estimular novos usos econômicos da infraestrutura aeroportuária por meio dos programas Investe+ Aeroportos e AmpliAR.

Comércio eletrônico amplia demanda por logística aérea

Nos últimos anos, gigantes do varejo online passaram a fortalecer suas estruturas de transporte aéreo no Brasil. O objetivo é garantir entregas mais rápidas e ampliar a cobertura logística nacional, especialmente em regiões distantes dos grandes centros urbanos.

Em 2026, o Mercado Livre anunciou investimentos de R$ 57 bilhões no país e confirmou a expansão de sua rede logística, que deve alcançar 42 centros de distribuição. A companhia também ampliou a capacidade operacional do Air Hub em Guarulhos (SP) e reforçou a frota cargueira em parceria com a GOLLOG.

A Amazon seguiu estratégia semelhante ao anunciar Brasília (DF) como novo hub aéreo em parceria com a Latam Cargo Brasil. A iniciativa amplia a capacidade de distribuição para estados das regiões Norte e Centro-Oeste.

Brasília ganha papel estratégico na distribuição nacional

Segundo a Amazon, a escolha de Brasília ocorreu devido à posição geográfica da capital federal e à forte conectividade aérea da região. O novo centro logístico deve acelerar entregas e melhorar a eficiência operacional em áreas consideradas de difícil acesso.

As operações incluem voos diretos para estados como Amazonas, Pará, Rondônia, Acre, Roraima, Amapá, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Com isso, cresce também a importância da integração entre aeroportos, rodovias e centros logísticos, fortalecendo a infraestrutura de transporte de cargas no país.

Programa Investe+ Aeroportos busca ampliar uso econômico da infraestrutura

A expansão das operações ligadas ao comércio eletrônico está alinhada ao programa Investe+ Aeroportos, criado pelo MPor para incentivar empreendimentos comerciais, industriais e logísticos em áreas localizadas dentro ou no entorno dos aeroportos brasileiros.

A proposta é transformar os sítios aeroportuários em polos de negócios e desenvolvimento regional, atraindo investimentos e ampliando receitas para o setor.

Entre os projetos previstos estão centros logísticos, hotéis, hospitais, shoppings, oficinas de manutenção aeronáutica, escolas e espaços de eventos.

Aeroportos regionais ganham espaço na logística nacional

Outra iniciativa do governo é o programa AmpliAR, que pretende fortalecer a conectividade aérea regional ao incorporar aeroportos menores aos contratos de concessionárias responsáveis por grandes terminais.

A estratégia busca ampliar investimentos e melhorar a integração da malha aeroportuária brasileira, permitindo que cidades fora dos grandes centros também recebam operações logísticas.

Alguns aeroportos já incluídos no programa ocupam posições estratégicas para circulação de mercadorias e conexão regional.

Em Paulo Afonso (BA), por exemplo, o terminal facilita a ligação do interior nordestino com hubs como Recife (PE), Salvador (BA) e Maceió (AL). Já Araguaína (TO) se destaca pela localização entre as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Serra Talhada (PE) fortalece a conectividade do sertão nordestino, enquanto Cacoal (RO) amplia sua integração regional após investimentos em modernização da infraestrutura aeroportuária.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/MPor

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Logística

Shopee amplia logística com maior galpão do Brasil e intensifica disputa no e-commerce

A Shopee deu um passo decisivo no mercado brasileiro ao fechar o maior contrato de locação de galpão logístico já registrado no país. A estrutura, com cerca de 220 mil metros quadrados, está localizada em Guarulhos, às margens da Rodovia Presidente Dutra — um dos principais corredores de transporte do Brasil.

O movimento reforça a estratégia da empresa de acelerar entregas e ampliar sua eficiência operacional, elevando a concorrência com gigantes como Mercado Livre e Amazon.

Contrato antecipado revela disputa por infraestrutura

Um dos pontos mais relevantes da operação é que a Shopee assinou o contrato antes mesmo da conclusão da obra. Em um cenário de baixa disponibilidade de espaços logísticos — cerca de 8% em São Paulo — a decisão demonstra antecipação estratégica.

Ao garantir o ativo previamente, a empresa não apenas assegura capacidade de expansão, como também limita o acesso de concorrentes a estruturas similares em localização privilegiada.

Localização estratégica reduz custo da última milha

A escolha de Guarulhos é considerada estratégica por sua proximidade com grandes centros consumidores e conexão direta com importantes rotas rodoviárias.

Essa localização favorece a chamada logística de última milha, etapa final da entrega e uma das mais caras do processo. Quanto menor a distância até o consumidor, maior a eficiência e menor o custo operacional.

Investimento prioriza eficiência e velocidade

O valor de locação gira em torno de R$ 45 por metro quadrado, indicando que a decisão vai além do custo imediato. A aposta está na redução do custo por entrega ao longo do tempo, por meio de escala logística, otimização de rotas e maior velocidade de processamento.

O empreendimento pertence à empresa Mark Logistics, controlada pela gestora ARIS Management, e foi projetado para operações de grande volume.

Expansão acelerada supera 1 milhão de m²

Desde 2020, a Shopee vem ampliando sua presença no Brasil com rapidez. Atualmente, a empresa soma pelo menos 16 centros de distribuição e ultrapassa 1 milhão de metros quadrados em área logística.

Esse crescimento coloca a plataforma entre as maiores operações do país, atrás apenas do Mercado Livre em infraestrutura logística.

Modelos como cross docking e fulfillment aceleram entregas

Para otimizar operações, a empresa combina diferentes modelos logísticos. O cross docking permite que produtos sejam rapidamente redirecionados sem necessidade de armazenamento prolongado.

Já o modelo de fulfillment centraliza o estoque de vendedores nos centros da Shopee, garantindo maior controle sobre embalagem, separação e envio — o que contribui para reduzir prazos e padronizar processos.

Rede descentralizada amplia capilaridade

Além dos centros de distribuição, a Shopee conta com mais de 3 mil pontos físicos espalhados pelo Brasil. Esses locais funcionam como pontos de coleta, retirada e devolução, aumentando a capilaridade logística.

Essa estratégia descentralizada aproxima a operação do consumidor final e reduz a dependência de grandes hubs.

Prazos menores elevam concorrência no setor

Os efeitos da expansão já são percebidos nos prazos de entrega. Na região metropolitana de São Paulo, parte significativa dos pedidos chega em até dois dias, com uma parcela entregue no dia seguinte.

Esse avanço pressiona concorrentes a reagirem com melhorias em frete, prazos e benefícios, elevando o nível de exigência no setor de e-commerce.

Impacto direto no consumidor e no mercado

Com entregas mais rápidas e maior previsibilidade, o consumidor tende a se beneficiar de uma experiência mais eficiente. Ao mesmo tempo, a disputa entre grandes players intensifica a competitividade por preço e serviço.

A estratégia da Shopee indica uma mudança no foco do mercado: a infraestrutura logística passa a ser um dos principais diferenciais competitivos no comércio eletrônico.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Logística

E-commerce impulsiona boom de galpões logísticos no Brasil

O forte desempenho da Black Friday, no dia 28 de novembro, ajudou a explicar a explosão na ocupação de galpões logísticos por grandes empresas de e-commerce no terceiro trimestre. Juntas, as duas maiores plataformas responderam por 90% dos 656 mil m² alugados no período, segundo a consultoria imobiliária Binswanger.

O Mercado Livre, líder entre os varejistas online, contratou 415 mil m² em sete empreendimentos. Já a Shopee ampliou sua operação com 138 mil m² distribuídos em oito unidades.

Expansão inédita das gigantes digitais

Com a nova rodada de contratos, o Mercado Livre alcançou 3,39 milhões de m² de área logística no Brasil. Em 2020, eram apenas 236 mil m². O volume ultrapassou 1 milhão em 2021 e, entre 2023 e 2025, a expansão foi de 2,5 vezes.

A Shopee segue trajetória semelhante. A empresa já ocupa 1,23 milhão de m², ante somente 63 mil m² em 2021 – um crescimento quatro vezes maior entre 2023 e 2025. Em apenas cinco anos de atuação no país, a plataforma já supera operadoras tradicionais como Via Varejo (985 mil m²), Magazine Luiza (722 mil m²) e Amazon (709 mil m²).

“Essa expansão deve continuar avançando em um ritmo muito acelerado”, afirma Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brasil. Para ela, ainda há muitas regiões do país a serem exploradas por essas empresas.

Shopee e Mercado Livre disputam galpões estratégicos

De acordo com a consultoria JLL, a Shopee assinou o maior contrato do trimestre ao dobrar sua área no complexo GLP Bandeirantes, em Franco da Rocha (SP), chegando a 157 mil m².
Fontes do setor afirmam que a plataforma chinesa entrou em uma nova fase, priorizando instalações de grande porte, após anos focada em estruturas menores voltadas ao last mile.

O Mercado Livre também mantém protagonismo ao assegurar ativos próximos à capital paulista, em um raio de 30 a 50 quilômetros, área considerada estratégica e difícil de replicar. “É uma disputa por território”, explica Santos.

Escassez de galpões limita novos concorrentes

A dificuldade de encontrar espaços bem localizados tem limitado a entrada de novos players no e-commerce, dizem executivos do setor. O Mercado Livre, por exemplo, já pré-locou áreas que só ficarão prontas em 2027 e 2028.

Segundo a Colliers, a taxa de vacância nos galpões logísticos caiu para 7% no fim de setembro. Com poucos imóveis disponíveis, cresce o número de contratos fechados ainda na fase de obras: dos 1,4 milhão de m² alugados até setembro, 404 mil m² estavam em estruturas em construção.
A Binswanger estima que 25% dos 1,9 milhão de m² previstos para entrega em 2025 já estejam pré-locados.

Preços sobem com a corrida por infraestrutura

A escassez de espaços aumentou o poder de negociação dos desenvolvedores. “A velocidade de expansão dessas empresas joga contra elas mesmas”, disse um executivo.
O preço médio do aluguel subiu de R$ 26,37 para R$ 27,78/m² em um ano.

Para reduzir custos e oferecer frete grátis, as varejistas buscam galpões cada vez mais próximos dos grandes centros consumidores. Mas os imóveis de maior qualidade seguem restritos e disputados, mantendo os proprietários em vantagem nas tratativas.
Mesmo assim, incentivos como carência de até seis meses e descontos nos primeiros anos têm sido oferecidos para garantir contratos com Mercado Livre e Shopee.

Infraestrutura logística mais sofisticada

Desenvolvedores afirmam que a exigência técnica das gigantes do e-commerce impulsionou a modernização do setor. Além dos chamados galpões “triple A”, com pé-direito de 12 metros e piso para 6 toneladas, a demanda agora inclui soluções ainda mais avançadas, como pátios otimizados para agilizar a movimentação de veículos.

Ter uma dessas gigantes como inquilina também valoriza o imóvel na hora de vender. Investidores tendem a pagar um “prêmio” por galpões ocupados por empresas vistas como pagadoras confiáveis e altamente integradas em tecnologia.

Empresas seguem expandindo

O Mercado Livre não comentou.
A Shopee informou que já possui 15 centros de distribuição, mais de 200 hubs logísticos e 3 mil agências para coleta e devolução. Segundo a empresa, sua capacidade de processamento de pacotes mais que dobrou em comparação com novembro de 2024.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Silvia Costanti/Valor

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Tecnologia

Mercado Livre usará 125 robôs para separar pedidos no Brasil, após novo frete grátis impulsionar vendas

Mudança ocorre após redução do valor mínimo para frete grátis elevar vendas. Equipamentos manuseiam até 105 mil itens por dia, diminuindo em 25% o ciclo de processamento de pedidos com múltiplos itens

O Mercado Livre anunciou o lançamento de uma nova geração com 125 robôs de separação de produtos para acelerar as operações logísticas e otimizar as entregas. Eles são capazes de manusear até 105 mil itens por dia, diminuindo em 25% o ciclo de processamento de pedidos com múltiplos itens. Na prática, isso vai significar uma hora a menos no ciclo total de preparo de uma encomenda, o que possibilita um avanço no prazo de entrega ao cliente.

A empresa já tem quase 500 robôs em operação no país, contando também com um modelo chinês que carrega as estantes até os operadores, economizando quilômetros de caminhada dos trabalhadores de centros de distribuição.

Indagada se a inovação significaria perda de postos de trabalho, a cúpula da empresa afirmou que busca otimizar o trabalho humano, realocando funcionários em funções de maior valor agregado. Fernando Yunes, vice-presidente sênior da plataforma, afirmou que a implementação dos robôs não elimina a necessidade de mão de obra e que a empresa planeja contratar mais de 12 mil pessoas este ano.

O reforço da automação ocorre pouco depois de a empresa reduzir o valor mínimo para frete grátis de R$ 79 para R$ 19, o que levou a um crescimento de 34% no volume comercializado em julho na comparação com o mês anterior.

A aposta no frete mais acessível pressiona a rentabilidade no curto prazo, mas visa o crescimento sustentável a longo prazo ao expandir a base de clientes, afirmou Yunes. A estratégia de frete grátis para pedidos de menor valor, com prazo de entrega mais longo, permite que a empresa use melhor sua malha logística.

— Temos que mandar o caminhão de todo jeito, então ocupamos espaços sobrando com esses pacotes que não têm urgência — completa Luiz Vergueiro, diretor sênior de Logística.

Segundo a empresa, a otimização de rotas e espaços vazios gerou ganho de eficiência crucial para a operação.

IA busca produto proibido

O Brasil é o maior mercado da empresa na América Latina. Segundo a plataforma, 5,8 milhões de empreendedores e pequenas e médias empresas usaram o ecossistema da companhia no ano passado e movimentaram R$ 381 bilhões.

De acordo com a empresa, 56% das entregas são feitas em até 24 horas nas capitais, índice que chega a 73% no estado de São Paulo.

Com a recente resolução da Anatel que responsabiliza marketplaces pela venda de produtos irregulares, o Mercado Livre afirmou que reforçou sua postura de não permitir a venda de itens não homologados. A plataforma exige que os vendedores preencham um campo com o código de homologação da Anatel ao anunciar produtos eletrônicos.

A empresa usa ferramentas de inteligência artificial (IA) para monitorar e derrubar anúncios que violam as regras. No ano passado, mais de 10 milhões de anúncios foram removidos automaticamente por meio desses algoritmos.

Além do uso da IA, a empresa mantém um programa de colaboração com as próprias marcas. Equipes das grandes marcas parceiras do Mercado Livre navegam pela plataforma buscando produtos que possam ser irregulares. Ao identificar um anúncio que a IA não detectou, elas podem denunciá-lo.

A partir da denúncia, o Mercado Livre inicia investigação do vendedor e do produto, aplicando penalidades que variam desde a remoção do anúncio até o banimento definitivo da plataforma em casos de reincidência.

Fonte: O Globo

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