Internacional

Vinhos brasileiros podem gerar US$ 2,4 milhões em negócios após rodada internacional em São Paulo

O mercado brasileiro de vinhos, espumantes e sucos de uva deve movimentar aproximadamente US$ 2,4 milhões em negócios imediatos e futuros nos próximos 12 meses. O resultado é fruto de uma iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), realizada entre 6 e 8 de outubro, durante a feira ProWine São Paulo 2026.

A ação integrou o programa Exporta Mais Brasil e contou com a participação de 24 empresas nacionais, que realizaram 140 reuniões comerciais com compradores de sete países. A iniciativa busca ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior, estimular novas parcerias e diversificar os destinos das exportações do setor vitivinícola.

Do total estimado, US$ 900 mil correspondem a negócios imediatos, enquanto outros US$ 1,9 milhão são esperados nos meses seguintes. Os números divulgados pela ApexBrasil reforçam o potencial de expansão da produção brasileira no mercado internacional.

Exporta Mais Brasil conecta produtores brasileiros a sete países

Promovida em parceria com o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), a iniciativa faz parte do projeto setorial Wines of Brazil, voltado à promoção internacional dos vinhos e espumantes brasileiros.

Os encontros comerciais reuniram produtores, cooperativas e empresas exportadoras com potenciais parceiros da China, Reino Unido, Países Baixos, Angola, Rússia, México e Paraguai.

A aproximação permitiu apresentar produtos nacionais a compradores estrangeiros, negociar condições comerciais e identificar oportunidades de entrada em novos mercados.

Para Camila Torres Meyer, especialista da Gerência Regional da ApexBrasil, a diversidade e a identidade dos produtos brasileiros são diferenciais importantes para conquistar espaço em um segmento internacional competitivo.

Segundo ela, os resultados da rodada de negócios demonstram o interesse crescente dos compradores estrangeiros pela qualidade e pela variedade da produção nacional. As conexões estabelecidas durante o evento também podem contribuir para ampliar as exportações e gerar novas oportunidades para as empresas brasileiras.

Degustações e visitas aproximam compradores da produção nacional

Além das reuniões comerciais, a programação proporcionou aos compradores internacionais uma experiência mais próxima da vitivinicultura brasileira.

Os participantes puderam visitar vinícolas, degustar produtos, conhecer lançamentos e avaliar as características da produção nacional. A proposta foi apresentar os diferenciais dos vinhos, espumantes e sucos de uva brasileiros e aproximar a oferta local das preferências de diferentes mercados consumidores.

De acordo com Rafaela Albuquerque, especialista da Gerência de Agronegócios da ApexBrasil, o contato direto com os produtores ajuda os compradores a compreender melhor a capacidade de inovação e a diversidade do setor.

A iniciativa também permite identificar demandas específicas de cada mercado, facilitando o desenvolvimento de estratégias comerciais mais adequadas para a internacionalização das empresas.

Exportações de vinhos e espumantes crescem 23,73% em 2026

O desempenho da rodada comercial ocorre em um cenário de expansão das vendas externas do setor.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de vinhos e espumantes somaram aproximadamente US$ 6,79 milhões, alta de 23,73% em relação ao mesmo período de 2025. Os produtos nacionais chegaram a 79 países.

Confira os resultados por categoria:

  • Vinhos: US$ 5,61 milhões em exportações, crescimento de 24,66%.
  • Espumantes: US$ 1,18 milhão em vendas externas, avanço de 19,50%.

Os dados são do projeto Wines of Brazil e indicam o avanço da presença internacional dos produtos brasileiros.

O crescimento das exportações reforça a importância de iniciativas de promoção comercial e de aproximação entre produtores nacionais e compradores estrangeiros, especialmente em um mercado marcado pela concorrência internacional.

Número de vinícolas brasileiras cresce 41,5% em cinco anos

A expansão comercial acompanha o aumento do número de estabelecimentos dedicados à produção de vinhos no país.

Segundo o Anuário do Vinho 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil passou de 682 vinícolas registradas em 2020 para 965 em 2025, crescimento de 41,5% em cinco anos.

As vinícolas estão distribuídas por 327 municípios brasileiros, com maior concentração na Região Sul e no estado de São Paulo.

Veja a distribuição dos estabelecimentos nos três estados com maior número de vinícolas:

  • Rio Grande do Sul: 600 vinícolas;
  • Santa Catarina: 102 vinícolas;
  • São Paulo: 86 vinícolas.

Os números demonstram a ampliação da base produtiva nacional e a relevância do Rio Grande do Sul para a cadeia vitivinícola. Santa Catarina também se destaca entre os principais polos produtores, enquanto São Paulo mantém presença expressiva no setor.

A expansão dos estabelecimentos pode contribuir para diversificar a oferta de produtos, estimular a inovação e fortalecer a capacidade de atendimento aos mercados interno e externo.

Mercado internacional abre novas oportunidades para o vinho brasileiro

O avanço das exportações, a ampliação do número de vinícolas e os resultados das rodadas comerciais indicam oportunidades para o fortalecimento da indústria brasileira de vinhos e espumantes.

A participação em feiras internacionais e o contato direto com compradores ajudam as empresas a conhecer exigências comerciais, identificar tendências de consumo e desenvolver relações duradouras com parceiros estrangeiros.

Nesse contexto, o programa Exporta Mais Brasil atua como instrumento de promoção das exportações, conectando empresas nacionais a potenciais compradores e contribuindo para a diversificação dos mercados atendidos pela produção brasileira.

A expectativa é que os contatos realizados durante a ProWine São Paulo 2026 se convertam em novos contratos nos próximos meses, ampliando a presença dos produtos nacionais no comércio internacional.

O que é o programa Exporta Mais Brasil?

O Exporta Mais Brasil é uma iniciativa da ApexBrasil destinada a impulsionar as exportações por meio da aproximação entre empresas brasileiras e compradores internacionais.

O programa organiza encontros comerciais voltados a diferentes setores da economia, criando oportunidades para apresentar produtos, estabelecer parcerias e ampliar o acesso a mercados estrangeiros.

No segmento vitivinícola, a iniciativa busca fortalecer a competitividade dos produtores nacionais e aumentar o reconhecimento internacional dos vinhos, espumantes e sucos de uva brasileiros.

FONTE: Apex Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Apex Brasil

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Exportação

Exportações de vinho argentino caem a níveis históricos e pressionam vinícolas

As exportações de vinho argentino fecharam o último ano em forte retração, alcançando o menor volume desde 2004 e o menor valor desde 2009. O desempenho negativo acendeu um alerta entre as principais vinícolas da Argentina, que enfrentam um cenário marcado por custos elevados, perda de competitividade e mudanças no perfil de consumo global.

Exportações registram queda anual de 7%

Dados do Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) mostram que as exportações recuaram 7% entre janeiro e dezembro do ano passado na comparação com o mesmo período anterior. Ao todo, foram embarcados 1,9 milhão de hectolitros de vinhos tintos e brancos, abaixo dos 2 milhões de hectolitros registrados no ano precedente.

Menor fluxo marítimo de vinhos em 2025

No transporte marítimo, os números também refletem a desaceleração. Informações da plataforma DataLiner indicam que a Argentina exportou apenas 1.253 TEUs de vinhos entre janeiro e novembro de 2025, reforçando a queda no ritmo dos embarques internacionais.

Custos internos e logística pesam sobre o setor

Segundo a CEO da Wines of Argentina (WofA), Magdalena Pesce, o desempenho fraco está diretamente relacionado ao ambiente econômico interno. Ela aponta o aumento dos custos de produção como um dos principais entraves, mesmo com a inflação sob maior controle.

Além disso, Pesce destaca desafios estruturais históricos, como logística cara, dificuldade de competir com preços internacionais e instabilidade nos mercados externos, fatores que continuam limitando o crescimento das exportações.

Estados Unidos e China desaceleram demanda

Entre os principais destinos do vinho argentino, dois mercados estratégicos apresentaram desaceleração: Estados Unidos e China. No caso norte-americano, Pesce observa que o impacto da conjuntura econômica reduziu o consumo, movimento que afeta não apenas a Argentina, mas o setor vitivinícola global.

Ainda assim, os EUA seguem como mercado-chave. Entre 25% e 28% da produção argentina é exportada, sendo que cerca de metade desse volume tem como destino o mercado norte-americano.

Exceções em meio ao cenário negativo

Apesar do quadro adverso, algumas empresas conseguiram resultados positivos. A Trivento, maior exportadora de vinhos argentinos, registrou crescimento mesmo após um aumento de 10% nas tarifas. Segundo Marcos Jofré, CEO da empresa na Argentina, houve avanço tanto nos embarques quanto nas vendas efetivas nos Estados Unidos, com base em dados da Circana Trends.

Mudança de hábitos limita recuperação

A queda nas exportações não foi ainda mais profunda porque, em determinados meses, como julho e agosto, a retração interanual chegou a superar 15%. Para Pesce, a mudança no comportamento do consumidor é um fator decisivo.

Ela ressalta que a geração Z consome menos álcool e busca bebidas mais leves, o que exige adaptação das vinícolas. O diretor executivo da Bodegas de Argentina, Milton Kuret, reforça que a redução do consumo de vinho é um fenômeno global, somado à perda de competitividade internacional do setor argentino.

Vinhos premium mostram maior resiliência

Nesse contexto, os vinhos de maior valor agregado têm apresentado desempenho mais estável. A Trivento aposta em uma estratégia voltada ao público gourmet, com diversificação do portfólio, incluindo varietais como Cabernet Sauvignon e investimentos no White Malbec, considerado um produto inovador para atrair novos consumidores e ampliar as ocasiões de consumo.

FONTE: Forbes Argentina
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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