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Custo de produção de leite sobe 4,13% em 2026 e aumenta pressão sobre produtores

O custo de produção de leite avançou 1,47% em agosto e acumulou alta de 4,13% entre janeiro e agosto de 2026. Os dados são do ICPLeite/Embrapa e apontam para uma sequência de aumentos que pode apertar ainda mais as margens dos produtores nos próximos meses.

Agosto foi o segundo mês consecutivo de elevação significativa das despesas da atividade leiteira. O movimento ocorre em um cenário diferente do observado no custo de vida das famílias brasileiras, que registrou deflação de 0,32% no mês, segundo o IBGE.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o índice de inflação das famílias ficou em 3,11%, abaixo da variação registrada pelo custo da produção de leite.

Minerais e alimentação puxam alta dos custos

Entre os componentes avaliados pelo índice, o grupo minerais apresentou o maior aumento em agosto, com alta de 10,89%.

Outro destaque foi o grupo concentrado, que reúne itens utilizados na alimentação do rebanho. Os custos dessa categoria cresceram 3,35%, influenciados principalmente pela valorização da ração e do milho.

Segundo a análise da Embrapa, a elevação dos custos ainda não está associada aos efeitos do El Niño. O cenário atual está relacionado principalmente à menor oferta de pastagens, ao encarecimento dos grãos e à alta de insumos importados utilizados na alimentação dos animais.

A instituição também considera o impacto de um ambiente de maior tensão no mercado internacional, que pode afetar os preços de determinados insumos utilizados na atividade.

Custo do leite acelera em 12 meses

O avanço das despesas também aparece no acumulado de longo prazo. Nos 12 meses encerrados em agosto, o custo de produção de leite aumentou 3,73%.

O resultado representa mais que o dobro da variação de 1,72% registrada nos 12 meses encerrados em julho.

A mão de obra esteve entre os fatores que mais contribuíram para essa alta, principalmente devido à sua participação relevante na composição das despesas totais das propriedades leiteiras.

No acumulado de janeiro a agosto, os grupos minerais, sanidade e reprodução apresentaram aumentos de dois dígitos. Os gastos com mão de obra também registraram crescimento expressivo no período.

Produtor enfrenta cenário de margens mais apertadas

A combinação entre despesas maiores e a perspectiva de redução dos preços pagos pelo leite pode aumentar a pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Na avaliação da Embrapa, a tendência de custos mais elevados, associada à expectativa de menor remuneração recebida pelos produtores durante o segundo semestre, deve contribuir para uma redução das margens da produção leiteira até o verão.

O cenário deixa a atividade diante de um equilíbrio mais difícil. Enquanto despesas com alimentação, minerais, mão de obra e insumos avançam, existe a possibilidade de queda na remuneração obtida com a venda do leite.

O que é o ICPLeite/Embrapa?

O ICPLeite/Embrapa acompanha mensalmente a evolução dos custos de produção da atividade leiteira em propriedades de Minas Gerais.

O indicador considera diferentes grupos de despesas envolvidos na produção, como alimentação do rebanho, minerais, sanidade e reprodução, mão de obra, energia, além de outros insumos e serviços utilizados nas propriedades.

A evolução do índice serve como referência para acompanhar as mudanças nos custos enfrentados pelos produtores e os impactos sobre a atividade leiteira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Internacional

Indústria láctea da Argentina passa por onda de fusões e aquisições que transforma o setor

A indústria láctea da Argentina vive um dos períodos mais intensos de reestruturação das últimas décadas. Impulsionado por fusões, aquisições e liquidação de ativos, o setor passa por um processo de consolidação que promete alterar o cenário competitivo, fortalecer grandes grupos empresariais e redefinir o mercado de marcas tradicionais no país e no exterior.

O movimento ocorre em um momento de crescimento da produção de leite e de expansão das exportações, fatores que têm aumentado o interesse de investidores nacionais e internacionais.

Produção de leite cresce, mas mercado fica mais concentrado

Dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) mostram que a produção leiteira argentina alcançou o maior nível dos últimos dez anos no primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril, foram produzidos cerca de 3,5 milhões de litros, volume 9,3% superior à média da última década.

A produtividade das propriedades rurais também avançou. A produção média diária por fazenda chegou a 3.287 litros, resultado 27% acima da média registrada nos cinco anos anteriores.

Apesar da expansão, o setor vem passando por um processo acelerado de concentração. Atualmente, fazendas que produzem mais de 10 mil litros por dia respondem por aproximadamente 30% da produção nacional, participação muito superior aos cerca de 5% observados em 2010.

Arcor e Danone assumem controle total da La Serenísima

Uma das principais movimentações do ano ocorreu em março, quando Arcor e Danone concluíram a aquisição da totalidade das ações da Mastellone Hermanos, empresa responsável pela tradicional marca La Serenísima.

A operação, realizada por meio da Bagley Argentina, garantiu às duas empresas o controle integral da líder do mercado argentino, ao incorporar a participação que ainda permanecia com a família fundadora e o fundo Dallpoint Investments.

Com a mudança societária, Arcor e Danone passam a concentrar integralmente a estratégia e a gestão da companhia.

Venda da Saputo muda liderança do setor

Outra negociação de grande impacto envolveu a canadense Saputo, que decidiu vender 80% de sua operação de laticínios na Argentina para o grupo peruano Gloria Foods.

Avaliada em aproximadamente US$ 630 milhões, a transação está entre as maiores da indústria alimentícia argentina nos últimos anos.

Mesmo deixando o controle da operação, a Saputo permanecerá com 20% da empresa, mantendo parte das atividades de exportação e da produção de determinadas marcas.

Já o grupo Gloria amplia significativamente sua presença no mercado argentino. Somando sua operação local, realizada por meio da Corlasa, aos ativos adquiridos, a empresa passa a ocupar a liderança do setor em volume de processamento de leite.

A estratégia prevê fortalecer a marca La Paulina, posicionando-a como principal plataforma de crescimento para disputar mercado com concorrentes como Mastellone e Adecoagro.

Exportações impulsionam interesse dos investidores

O bom momento das exportações de lácteos tem sido um dos principais fatores por trás da consolidação do setor.

Nos quatro primeiros meses do ano, a Argentina exportou cerca de 130 mil toneladas de produtos lácteos, maior volume desde 2012. As vendas externas somaram aproximadamente US$ 455 milhões.

O Brasil permanece como principal destino dos embarques argentinos, seguido por mercados como Argélia, Chile e China, consolidando o comércio internacional como um dos pilares da rentabilidade da indústria.

Falência da SanCor abre disputa por ativos históricos

Enquanto algumas empresas ampliam seus investimentos, outras enfrentam dificuldades financeiras.

A tradicional cooperativa SanCor, que acumula um passivo estimado em US$ 120 milhões, entrou oficialmente em processo de liquidação judicial.

A Justiça autorizou a venda dos ativos da empresa em sete lotes, avaliados em aproximadamente US$ 52,1 milhões.

Entre os interessados estão grupos como Savencia (controladora da Milkaut), Adecoagro, Elcor, La Tarantela, Punta del Agua e o empresário Gustavo Scaglione.

O principal ativo é o lote que reúne as marcas e os direitos intangíveis da SanCor, considerado estratégico pelo reconhecimento da marca junto aos consumidores.

San Ignacio também negocia venda

O movimento de consolidação pode ganhar um novo capítulo com a possível venda da Establecimientos San Ignacio, tradicional fabricante argentina fundada em 1939 e reconhecida como uma das principais exportadoras de doce de leite do país.

Segundo informações do mercado, a empresa mantém negociações avançadas com o grupo mexicano Mexicana de Industrias y Marcas (MIYM), que busca ampliar sua atuação internacional após adquirir outras empresas do segmento neste ano.

Caso a operação seja concluída, o grupo mexicano fortalecerá sua presença no mercado de derivados lácteos, especialmente nos segmentos de doce de leite e queijo azul.

Consolidação deve redesenhar a indústria argentina

As recentes operações evidenciam uma transformação estrutural no setor lácteo argentino. Enquanto empresas com dificuldades financeiras deixam espaço para novos investidores, grupos de maior porte ampliam sua escala de produção e exportação.

O cenário combina recordes de produtividade, crescimento das vendas externas e valorização de marcas tradicionais, tornando a indústria láctea da Argentina um dos mercados mais movimentados da economia do país em 2026.

FONTE: Milkpoint
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

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Importação

Importações de lácteos recuam em abril, mas mercado segue pressionado no Brasil

O mercado brasileiro de lácteos registrou desaceleração nas importações e exportações em abril na comparação com março. Apesar da retração mensal, os volumes negociados continuam elevados e mantêm o setor atento ao comportamento do mercado internacional.

A redução nas compras externas foi de 10% no período, mas a entrada de produtos importados ainda segue favorecida pelo câmbio e pela maior competitividade dos derivados estrangeiros frente à produção nacional.

Queijos e muçarela ampliam presença no mercado

Entre os principais destaques do mês, as importações de queijos avançaram 49%, indicando maior demanda por produtos externos no mercado brasileiro.

A muçarela importada apresentou crescimento ainda mais expressivo, com alta de 98% em relação ao período anterior.

Por outro lado, alguns segmentos registraram retração. As compras de leite em pó integral caíram 16%, refletindo ajustes na demanda e no cenário internacional de preços.

Exportações de manteiga têm forte retração

No comércio exterior, as exportações brasileiras de derivados lácteos também perderam força em abril.

O principal recuo ocorreu nas vendas externas de manteiga, que registraram queda de 51% no comparativo mensal.

O movimento reforça o cenário de cautela entre produtores e indústrias do setor, que acompanham as oscilações de preços globais e os impactos da concorrência internacional.

Setor monitora dólar e medidas no Mercosul

Especialistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para o mercado de lácteos no Brasil.

Entre os fatores de atenção estão o comportamento do dólar, a evolução dos preços internacionais e as discussões envolvendo possíveis medidas antidumping no Mercosul.

A combinação desses elementos pode influenciar diretamente a competitividade da indústria brasileira e o ritmo das importações de derivados lácteos.

FONTE: Milk Point
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Milk Point

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