Agricultura

Algodão pode ganhar força em 2026/27 com oferta global mais ajustada

O mercado internacional de algodão começa a safra 2026/27 diante de uma relação mais estreita entre oferta e demanda. De acordo com análise do Itaú BBA, o cenário pode contribuir para dar sustentação às cotações da fibra ao longo do novo ciclo.

A instituição projeta uma produção mundial de algodão de 25,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo global é estimado em 26,8 milhões de toneladas. A diferença resultaria em um déficit próximo de 1,2 milhão de toneladas.

Com a demanda acima da produção, os estoques globais devem recuar de 16,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 15,2 milhões de toneladas em 2026/27.

Segundo o Itaú BBA, esse equilíbrio mais apertado torna os preços mais vulneráveis a eventuais problemas de produção nos principais países produtores e exportadores.

Estoques chineses reduzem oferta disponível no mercado

A relação entre oferta e demanda fica ainda mais restrita quando os estoques mantidos pela China são retirados da conta. Isso ocorre porque uma parcela relevante dessas reservas possui menor disponibilidade para o comércio internacional.

Nesse cenário, eventuais perdas de produção nos Estados Unidos, Índia ou China poderiam ampliar a pressão sobre as cotações internacionais do algodão.

Brasil amplia presença nas exportações de algodão

O Brasil encerrou a safra 2025/26 com produção recorde de aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de pluma, mesmo diante de uma redução de 6,3% na área cultivada, que ficou próxima de 2,07 milhões de hectares.

O desempenho foi favorecido por condições climáticas consideradas favoráveis, pelo aumento da participação de áreas irrigadas e pela adoção de novas tecnologias, fatores que ajudaram a compensar a menor área plantada.

As exportações brasileiras de algodão também alcançaram recorde no ano comercial 2025/26, com 3,4 milhões de toneladas embarcadas.

A China importou 1,5 milhão de toneladas da fibra no período. Desse total, 784 mil toneladas tiveram origem no Brasil, o equivalente a 51% das compras chinesas.

Mercado brasileiro diversifica destinos

A China continua sendo um importante mercado para o algodão brasileiro, mas os embarques vêm alcançando outros países.

Em agosto de 2026, a Índia respondeu por 26% das exportações brasileiras da fibra. Na sequência apareceram Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia.

Na avaliação do Itaú BBA, a ampliação desses mercados reduz a dependência brasileira em relação à China e aproxima o país de importantes centros mundiais de processamento e transformação do algodão.

Alta dos preços melhora margem do produtor

A recuperação das cotações do algodão também trouxe melhora para a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Entre o início de julho e a primeira metade de setembro, o preço da fibra no mercado interno, considerando a referência de Rondonópolis (MT), avançou 6,4%, chegando a R$ 4,04 por libra-peso.

No mercado futuro de Nova York, a valorização acumulada desde julho superou 8%. A média passou de US$ 0,775 para US$ 0,84 por libra-peso na primeira quinzena de setembro.

A alta também favoreceu a relação de troca do algodão com importantes fertilizantes, como MAP, ureia e KCl. Com isso, foi necessária uma quantidade menor da fibra para adquirir os mesmos volumes desses insumos.

Margem do algodão de segunda safra sobe em Mato Grosso

Diante da melhora dos preços, o Itaú BBA revisou sua estimativa para a margem agrícola do algodão de segunda safra em Mato Grosso.

A projeção para 2026/27 passou de 26% para aproximadamente 38%. A estimativa anterior, divulgada em abril, considerava os preços observados naquele momento.

A melhora da rentabilidade pode aumentar a atratividade do algodão em relação a outras opções de segunda safra e estimular o crescimento da área cultivada no próximo ciclo.

Área brasileira pode superar 2,2 milhões de hectares

As primeiras projeções do banco indicam que a área plantada com algodão no Brasil poderá ultrapassar os 2,2 milhões de hectares registrados na safra 2024/25.

Mesmo com uma possível expansão do cultivo, a produção nacional projetada para 2026/27 é de 4,2 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 4,4 milhões de toneladas alcançado no ciclo anterior.

A diferença está relacionada a uma perspectiva mais conservadora para a produtividade das lavouras.

El Niño aparece como fator de risco

Entre os principais pontos de atenção para a próxima safra está o comportamento do El Niño. Segundo o relatório, o fenômeno pode provocar maior irregularidade nas chuvas em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba durante o desenvolvimento do algodão de segunda safra.

Em Mato Grosso, a definição da área cultivada também dependerá da competitividade do algodão diante do milho e do calendário de plantio da soja.

Caso as chuvas atrasem, a janela disponível para a implantação do algodão pode ser reduzida, afetando as decisões dos produtores.

Produção de algodão dos EUA é revisada para baixo

Nos Estados Unidos, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu sua estimativa para a produção de algodão na safra 2026/27.

A projeção passou de 2,96 milhões de toneladas em agosto para 2,87 milhões de toneladas em setembro, após a piora das condições das lavouras durante o verão.

A produtividade média estimada também recuou, de 0,96 tonelada por hectare na safra anterior para 0,87 tonelada por hectare no novo ciclo.

Na semana encerrada em 13 de setembro, apenas 36% das lavouras norte-americanas estavam classificadas entre boas e excelentes. No mesmo período de 2025, esse percentual era de 52%.

Outro fator de preocupação é a seca nos Estados Unidos. No início de setembro, cerca de 59% da área destinada ao algodão apresentava algum nível de estiagem, com situação especialmente crítica no Texas, principal estado produtor.

Com a revisão para baixo na produção, os estoques finais norte-americanos foram estimados em 780 mil toneladas. A previsão para as exportações, entretanto, permaneceu em 2,7 milhões de toneladas.

China e Índia também trazem incertezas

A produção chinesa de algodão também deve diminuir em 2026/27. O adido agrícola do USDA estima 7,1 milhões de toneladas, queda de 5,6% em relação à temporada anterior. A previsão oficial do departamento é um pouco maior, de 7,3 milhões de toneladas.

A retração está associada principalmente à redução da área cultivada em Xinjiang e a condições climáticas menos favoráveis.

Embora o consumo chinês de algodão permaneça próximo de 9 milhões de toneladas, o Itaú BBA observa que a diferença entre produção e consumo não significa necessariamente um aumento proporcional das importações.

A China conta com estoques elevados e utiliza mecanismos como cotas de importação e reservas governamentais. Além disso, o ritmo das compras externas depende da rentabilidade da indústria têxtil do país.

Na Índia, por sua vez, o comportamento do El Niño e das monções está entre os principais fatores de risco. Uma eventual queda de produtividade poderia diminuir o algodão disponível para exportação e elevar a necessidade de importações para atender a indústria doméstica.

Maior oferta pode limitar repasse de preços

A chegada da nova safra tende a aumentar a disponibilidade de fibra no mercado. Com isso, as tradings podem ganhar maior poder de negociação, dificultando que toda a valorização observada em Nova York seja repassada aos produtores brasileiros.

O Itaú BBA aponta que o aumento da área cultivada e das exportações brasileiras pode ampliar esse risco durante a colheita de 2027.

Nesse contexto, a gestão comercial e de riscos ganha importância para preservar as margens dos produtores diante de possíveis oscilações do mercado.

Cenário internacional ainda depende da demanda

No cenário considerado pelo Itaú BBA, a menor produção norte-americana e a redução dos estoques mundiais tendem a oferecer sustentação às cotações internacionais do algodão, mantendo espaço para as exportações brasileiras.

Há, contudo, fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão uma eventual desaceleração da economia mundial, menor consumo da indústria têxtil, redução das compras chinesas ou uma produção brasileira superior às expectativas.

A concorrência das fibras sintéticas, principalmente o poliéster, também permanece como um fator que limita uma recuperação mais forte da demanda global por algodão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Agritech

Ler Mais
Internacional

Algodão recua em Nova York e acumula perdas de até 8,3% na semana

Os preços do algodão terminaram a última sexta-feira (4) novamente em baixa na Bolsa de Nova York. Todos os contratos acompanhados fecharam o pregão no campo negativo, ampliando as perdas acumuladas ao longo da semana.

O contrato dezembro/26 teve queda de 0,12 cent, equivalente a 0,14%, e encerrou a sessão cotado a 86,33 cents por libra-peso (cents/lb).

Entre os demais vencimentos, o outubro/26 recuou 0,94 cent, ou 1,13%, para 82,42 cents/lb. O março/27 perdeu 0,18 cent, baixa de 0,20%, e terminou em 88,62 cents/lb. Já o maio/27 caiu 0,24 cent, ou 0,27%, fechando a 89,97 cents/lb.

Algodão acumula perdas expressivas na semana

Na comparação com o encerramento da sexta-feira anterior, dia 28, todos os contratos registraram desvalorização.

O vencimento outubro/26 apresentou a maior queda semanal. A cotação passou de 89,92 para 82,42 cents/lb, representando uma perda de 8,34%.

No contrato dezembro/26, o preço caiu de 91,38 para 86,33 cents/lb, acumulando baixa de 5,53% no período.

O março/27 recuou de 93,34 para 88,62 cents/lb, queda de 5,06%, enquanto o maio/27 passou de 94,48 para 89,97 cents/lb, uma desvalorização de 4,77%.

Estimativas de produção pressionam o mercado

De acordo com Jack Scoville, o movimento negativo das cotações está ligado às vendas realizadas após a divulgação de estimativas de produção de algodão pelo setor privado.

O mercado também começa a se posicionar antes da divulgação dos próximos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previstos para a próxima semana. As expectativas em torno dos números oficiais contribuem para aumentar a cautela entre os participantes.

Clima segue no radar dos investidores

Além das projeções de produção, as condições climáticas nas lavouras de algodão continuam sendo acompanhadas pelo mercado. Os impactos de um clima adverso sobre as plantações permanecem entre os fatores de atenção para os preços.

Mesmo com a valorização do dólar americano, que pode influenciar a formação das cotações das commodities, o mercado de algodão manteve a trajetória de queda na sessão.

Bolsa de Nova York terá feriado na segunda-feira

A negociação dos contratos de algodão em Nova York será interrompida na segunda-feira (7). A Bolsa de Nova York permanecerá fechada em razão do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

As operações serão retomadas após o feriado, com os investidores atentos aos novos dados de produção e às condições das lavouras.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Informação

Algodão recua em Nova York, mas contratos acumulam alta superior a 3% na semana

Os preços do algodão terminaram a sessão desta sexta-feira (28) em baixa na Bolsa de Nova York. O movimento ocorreu após a forte valorização registrada no pregão anterior. Apesar do recuo diário, os principais contratos da commodity encerraram a semana com ganhos acima de 3%.

Preços do algodão na Bolsa de Nova York

O contrato com vencimento em dezembro de 2026 caiu 1,03 cent, ou 1,11%, e fechou a sessão a 91,38 cents por libra-peso.

Entre os demais vencimentos, o outubro de 2026 registrou queda de 1,14 cent (-1,25%), para 89,92 cents/lb. Já o março de 2027 recuou 1,06 cent (-1,12%), encerrando o dia em 93,34 cents/lb. O contrato maio de 2027 teve baixa de 1,02 cent (-1,07%), aos 94,48 cents/lb.

Mesmo com a queda desta sexta-feira, o desempenho semanal foi positivo para todos os principais contratos.

  • Outubro/26: de 87,07 para 89,92 cents/lb, alta de 2,85 cents (+3,27%);
  • Dezembro/26: de 88,35 para 91,38 cents/lb, avanço de 3,03 cents (+3,43%);
  • Março/27: de 90,15 para 93,34 cents/lb, valorização de 3,19 cents (+3,54%);
  • Maio/27: de 91,19 para 94,48 cents/lb, ganho de 3,29 cents (+3,61%).

Exportações dos Estados Unidos sustentam atenção do mercado

Os dados mais recentes de vendas para exportação indicam que os compromissos de embarques de algodão dos Estados Unidos para a safra 2026/27 somam 4,332 milhões de fardos.

O volume representa crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior e equivale a 38% da estimativa de exportações projetada pelo USDA. Na mesma época da temporada passada, esse percentual era de 30%.

Apesar do avanço, o ritmo atual ainda permanece abaixo da média registrada nos últimos cinco anos.

Condições das lavouras de algodão preocupam

De acordo com Jack Scoville, as lavouras de algodão nos EUA apresentam condições consideravelmente inferiores às observadas no ano passado.

O desenvolvimento da safra norte-americana também segue atrasado quando comparado à média histórica, fator que permanece no radar dos participantes do mercado de algodão.

Petróleo e dólar influenciam os negócios

No cenário internacional, o petróleo operou pressionado pela valorização do dólar e por sinais de que o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz pode aumentar.

As perdas, entretanto, foram parcialmente contidas pelas incertezas relacionadas à retomada da normalidade no transporte de petróleo proveniente do Oriente Médio.

O dólar ganhou força após declarações consideradas mais duras do presidente do Federal Reserve, Warsh. Segundo ele, a inflação norte-americana não apresenta uma desaceleração significativa.

Depois dos comentários, a expectativa de uma alta dos juros na próxima reunião do FOMC aumentou para 50%, ante 36% anteriormente.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Internacional

Algodão sobe em Nova York e dezembro de 2026 fecha a 89,14 cents por libra

Os preços do algodão reagiram nesta quarta-feira (26) na Bolsa de Nova York e recuperaram parte das perdas registradas na sessão anterior. Os contratos futuros avançaram em um movimento de recuperação após a queda de terça-feira.

O vencimento dezembro/26 ganhou 0,80 centavo, alta de 0,91%, e terminou o pregão a 89,14 cents por libra-peso. O contrato outubro/26 subiu 0,69 centavo, ou 0,79%, para 87,77 cents/lb.

Entre os contratos mais longos, março/27 teve valorização de 0,84 centavo, equivalente a 0,93%, encerrando a 91,07 cents/lb. Já maio/27 avançou 0,93 centavo, alta de 1,02%, para 92,25 cents/lb.

Safra dos Estados Unidos segue abaixo do padrão

De acordo com Jack Scoville, as condições das lavouras de algodão nos Estados Unidos continuam inferiores às observadas no mesmo período do ano passado. O desenvolvimento da safra também permanece atrasado em relação à média histórica.

A fase de abertura das cápsulas de algodão já começou. Para as regiões produtoras do Delta e do Sudeste, a previsão indica chuvas de intensidade esparsa a isolada, acompanhadas por temperaturas entre quentes e muito quentes.

O comportamento do clima segue no radar dos participantes do mercado, especialmente durante uma etapa importante para a definição do potencial da produção norte-americana.

Algodão brasileiro também registra alta

No Brasil, o mercado de algodão em pluma apresentou valorização nos últimos dias, segundo o Cepea. Entre os fatores que sustentaram os preços estão a firmeza dos vendedores e a alta das referências internacionais.

Compradores que precisam repor matéria-prima no curto prazo demonstram maior disposição para fechar negócios, principalmente quando se trata de lotes com melhor qualidade.

Por outro lado, parte das indústrias continua adotando uma postura mais cautelosa. O cenário está relacionado às dificuldades enfrentadas pelo setor para repassar integralmente os custos mais elevados aos produtos manufaturados.

Preço doméstico fica abaixo da paridade de exportação

Apesar da recente recuperação dos preços, o Cepea aponta uma mudança importante na relação entre o mercado interno e o externo.

As cotações domésticas do algodão passaram a ficar aproximadamente 3% abaixo da paridade de exportação. Segundo o centro de estudos, esse cenário não era registrado desde novembro de 2025.

A combinação entre a recuperação das cotações internacionais, o comportamento da safra norte-americana e a dinâmica do mercado brasileiro mantém o preço do algodão no radar dos produtores, compradores e indústrias.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Sustentabilidade

Algodão brasileiro busca novos mercados com tecnologia, qualidade e sustentabilidade

O algodão brasileiro vive uma nova etapa de expansão no mercado internacional, mas o aumento da produção já não é suficiente para garantir competitividade. Com as exportações em crescimento, produtores enfrentam uma cobrança maior por qualidade, rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade, além dos desafios relacionados ao clima, às pragas e às doenças.

Esse cenário estará no centro dos debates do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), marcado para 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG). O evento reunirá produtores, pesquisadores, consultores, técnicos e empresas para discutir desde o manejo das lavouras até as exigências dos compradores da fibra brasileira.

Congresso debate desafios da produção de algodão

A programação do CBA inclui temas ligados à fisiologia do algodoeiro, resiliência produtiva e impactos das mudanças climáticas sobre as lavouras.

Também estão previstos debates sobre o bicudo-do-algodoeiro, outras pragas e doenças, nematologia, matologia e destruição de soqueira. Agricultura digital, melhoramento vegetal e biotecnologia completam parte da agenda científica.

As discussões avançam ainda para as etapas posteriores à produção, com conteúdos sobre colheita, beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço. A proposta é aproximar os avanços técnicos das decisões tomadas nas propriedades e das demandas de toda a cadeia produtiva.

Para Marcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso acompanha as mudanças que vêm transformando a cotonicultura.

Segundo ele, o evento coloca em debate questões que vão da ciência e tecnologia à sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado.

Produtividade precisa vir acompanhada de qualidade

A maior presença do Brasil no mercado mundial de algodão aumenta a responsabilidade do setor. A produção em larga escala precisa estar associada a padrões de qualidade capazes de atender diferentes perfis de consumidores.

Nesse contexto, a origem da fibra e as condições utilizadas em sua produção ganham importância. Rastreabilidade e transparência passam a ser fatores estratégicos para uma cadeia que pretende ampliar sua participação no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, problemas recorrentes no campo continuam influenciando os resultados. Condições climáticas adversas, pragas, doenças e falhas de manejo podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade do algodão.

Portocarrero afirma que a expansão internacional coloca a cotonicultura brasileira diante de uma nova fase, na qual produtividade, inovação e responsabilidade precisam avançar conjuntamente.

Ciência busca soluções para os desafios do campo

A programação científica do congresso terá 12 horas de palestras distribuídas em duas plenárias. Os conteúdos abrangem diferentes etapas da produção e buscam aprofundar questões que afetam diretamente o desempenho das lavouras.

Entre os temas estão a fisiologia do algodoeiro e sua capacidade de preservar a produtividade em situações adversas. O manejo fitossanitário também terá destaque, com discussões sobre bicudo, fitopatologia, nematologia e matologia.

O período pós-colheita também será abordado. Beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço serão discutidos ao lado de melhoramento vegetal e biotecnologia.

As chamadas Plenárias Conexões ampliarão o debate para assuntos como mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para o setor. A proposta é relacionar o desenvolvimento técnico da produção às transformações que ocorrem no mercado.

Agricultura digital ganha espaço na cotonicultura

A agricultura digital vem ampliando as possibilidades de monitoramento, manejo e tomada de decisão nas propriedades. O tema será discutido no congresso junto a ferramentas como biotecnologia e melhoramento genético.

Quatro Hubs Técnicos concentrarão debates especializados. A programação também terá workshops e minicursos voltados ao aprofundamento de conteúdos e à troca de experiências entre profissionais.

A área de exposição reunirá empresas que atuam na cadeia do algodão, com apresentação de tecnologias, produtos e serviços destinados às diferentes etapas da produção e do beneficiamento.

A aproximação entre fornecedores de soluções e profissionais do campo deve facilitar o debate sobre tecnologias capazes de responder aos desafios enfrentados pela cotonicultura.

Para Portocarrero, a trajetória do algodão brasileiro foi marcada por tecnologia, profissionalização e capacidade de adaptação. Na avaliação do executivo, a próxima etapa depende de manter esse processo de evolução sem deixar de lado qualidade e responsabilidade.

Congresso reúne setor em momento de expansão

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado no Expominas, em Belo Horizonte.

A edição anterior aconteceu em Fortaleza e reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países e 25 estados. O encontro contou com 114 palestrantes, 62 patrocinadores, 19 hubs temáticos e 288 trabalhos científicos.

Para a edição deste ano, a organização estima a participação de aproximadamente 2.500 pessoas, entre produtores, pesquisadores, consultores, técnicos, representantes de empresas e outros profissionais.

O encontro ocorre em um momento estratégico para o setor algodoeiro brasileiro. Entre os principais desafios estão aumentar a eficiência produtiva, preservar a qualidade da fibra, incorporar novas tecnologias e atender às exigências de compradores cada vez mais atentos à sustentabilidade e à origem dos produtos.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Exportação

Exportações brasileiras de algodão avançam 21,8% em julho de 2026

As exportações brasileiras de algodão atingiram 155 mil toneladas em julho de 2026, volume 21,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A receita obtida com os embarques também cresceu. As vendas externas movimentaram US$ 262,4 milhões, alta de 27,2% na comparação anual. Já o preço médio do algodão exportado ficou em US$ 1,70 por quilo FOB, aumento de 4,5% em relação a julho do ano passado.

Novo ciclo começa com resultado positivo

Para Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), os números indicam um começo favorável para o novo ciclo, mesmo diante da menor disponibilidade de produto no início da temporada.

Segundo ele, o desempenho de julho ocorre após um ano-safra encerrado com recorde nas exportações de algodão. Como os estoques remanescentes são menores e a oferta ainda está limitada no início da nova temporada, o primeiro mês do ciclo tende a apresentar embarques mais moderados.

Ainda assim, julho de 2026 registrou o segundo maior volume da série histórica para o mês, de acordo com a avaliação da entidade.

Embarques devem ganhar força a partir de setembro

A expectativa do setor é de crescimento das exportações de algodão nos próximos meses, à medida que a colheita e o beneficiamento da safra 2025/26 avancem.

O início da colheita ocorreu com atraso, mas o ritmo das operações passou a se aproximar das médias habituais. Com isso, a oferta de algodão disponível para o mercado externo tende a aumentar.

A Anea projeta que os embarques devem apresentar volumes mais elevados a partir de setembro, acompanhando a maior disponibilidade da nova safra.

Bangladesh foi o principal destino

Entre os mercados compradores, Bangladesh liderou as importações de algodão brasileiro em julho, com 19,3% do total embarcado.

Na sequência ficaram:

  • Vietnã: 17,7%;
  • Turquia: 17,3%;
  • Paquistão: 14,5%;
  • Índia: 9,6%;
  • Indonésia: 8,8%;
  • Malásia: 3,4%;
  • China: 3,3%.

Egito, Coreia do Sul, Colômbia e Tailândia também figuraram entre os principais destinos da fibra brasileira.

Índia abre janela de isenção tarifária

A participação da Índia nas compras ocorre em meio à abertura temporária de uma janela de isenção tarifária para importações de algodão.

Apesar da medida, a Anea considera que os efeitos sobre o algodão brasileiro devem ser restritos no curto prazo. Entre os fatores apontados estão o tempo necessário para o transporte até o mercado indiano e a menor oferta da fibra no começo da temporada.

Algodão ocupa quarta posição no agronegócio

Em julho, o algodão representou 0,77% de todas as exportações brasileiras e ficou na 22ª posição entre os produtos vendidos pelo país ao mercado internacional.

Quando são consideradas apenas as exportações do setor agropecuário, a participação da fibra sobe para 3,35%, garantindo ao produto a quarta colocação entre os itens mais exportados pelo segmento.

Logística se prepara para aumento dos embarques

Com a previsão de uma oferta maior da nova safra, o setor também começa a se preparar para uma possível pressão adicional sobre a infraestrutura logística brasileira.

De acordo com a Anea, já foram realizadas articulações envolvendo agentes do Porto de Salvador, exportadores e representantes dos setores público e privado. O objetivo é acompanhar o crescimento esperado dos embarques e antecipar eventuais necessidades da cadeia logística.

A entidade avalia que o bom volume projetado para a safra e as perspectivas favoráveis para as exportações de algodão brasileiro exigem planejamento de todos os segmentos envolvidos no escoamento da produção.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook