Agronegócio

Conab anuncia operação com farelo de soja em meio à queda do preço do suíno

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) detalhou uma nova operação voltada à comercialização de farelo de soja no mercado interno, com o objetivo de contribuir para a regulação do abastecimento. A iniciativa inclui uma apresentação técnica para esclarecer os procedimentos da operação e é acompanhada de perto pelas agroindústrias.

A medida ocorre em um momento de pressão sobre a suinocultura brasileira, com as cotações do suíno vivo abaixo de US$ 1 por quilo. O cenário aumenta a preocupação dos produtores com a rentabilidade, especialmente diante dos custos de alimentação dos animais e das oscilações do mercado.

Queda da soja pressiona o mercado de insumos

A atuação da Conab acontece em meio à desvalorização da soja no mercado internacional. Na última semana, os contratos futuros da oleaginosa recuaram 2,5% na Bolsa de Chicago, acumulando cinco sessões consecutivas de perdas.

No Brasil, as negociações no mercado físico seguem em ritmo lento, enquanto os produtores concentram esforços no plantio da nova safra. As projeções elevadas da Conab para a temporada 2026/27 também influenciam as expectativas de preços e contribuem para a cautela dos compradores, que aguardam possíveis novas quedas.

Esse contexto afeta diretamente o mercado de farelo de soja, ingrediente fundamental na fabricação de rações para animais. A perspectiva de preços mais baixos pode favorecer a redução dos custos de produção, embora o impacto dependa das condições de comercialização e da disponibilidade do produto.

Suinocultura enfrenta margens apertadas

Para os produtores de suínos, a possibilidade de barateamento da ração contrasta com a desvalorização do animal vivo. A combinação limita a recuperação das margens e mantém o setor atento à evolução dos preços da proteína.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou a edição de setembro do Boletim do Suíno, que confirma um cenário de rentabilidade pressionada e menor dinamismo nas negociações.

Além das cotações domésticas, o câmbio representa outro fator importante para a atividade. O Banco Central do Brasil (BCB) registrou a taxa de câmbio PTAX de fechamento do dólar em R$ 5,0820. Esse valor serve de referência para operações comerciais e influencia tanto as receitas com exportações quanto os custos de aquisição de microingredientes utilizados na alimentação dos animais.

Câmbio e custos de produção exigem atenção dos produtores

A combinação entre suíno vivo abaixo de US$ 1 por quilo, dólar acima de R$ 5 e mudanças na comercialização do farelo de soja amplia os desafios para a gestão financeira das granjas e das agroindústrias.

Nesse contexto, o acompanhamento dos preços dos insumos e o controle das despesas com alimentação tornam-se fundamentais para preservar a rentabilidade das operações de suinocultura.

A efetividade da iniciativa da Conab dependerá das condições de oferta e comercialização do farelo de soja e de seus reflexos sobre os preços internos. Uma eventual estabilização do insumo poderá contribuir para aliviar os custos de produção, embora não elimine a pressão provocada pela baixa remuneração dos suínos.

Para os sistemas de produção de ciclo completo, a evolução desses fatores será importante para orientar decisões de manejo, planejamento produtivo e manutenção da viabilidade econômica no curto prazo.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

Ler Mais
Internacional

Safra dos EUA: USDA confirma recorde de soja e eleva previsão de milho em 17,5 milhões de toneladas

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou uma produção recorde de soja e apresentou uma estimativa de milho superior às expectativas do mercado para a safra 2026/27. Os números divulgados em outubro indicam uma colheita de 124,1 milhões de toneladas de soja e 407,3 milhões de toneladas de milho, cenário que aumentou a pressão sobre os preços dos grãos na Bolsa de Chicago (CBOT).

O principal destaque foi o milho, cuja produção estimada ficou quase 17,5 milhões de toneladas acima da projeção apresentada em agosto pelo Pro Farmer Crop Tour. A revisão reforça a percepção de ampla oferta norte-americana e amplia as preocupações dos investidores sobre o equilíbrio entre produção e demanda global.

Na soja, por outro lado, o resultado ficou próximo da estimativa de 124,4 milhões de toneladas feita pelo Pro Farmer após as avaliações de campo realizadas em agosto.

Milho dos EUA surpreende e pressiona cotações em Chicago

A revisão da produção norte-americana provocou uma reação expressiva no mercado futuro. Segundo Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex e analista da Agrinvest Commodities, o milho negociado em Chicago acumulou uma desvalorização de aproximadamente 70 centavos em relação ao pico registrado em setembro, equivalente a uma queda de 12%.

No mesmo intervalo, a soja recuou cerca de 4%, evidenciando uma pressão mais intensa sobre o cereal.

A diferença entre as estimativas do USDA e do Pro Farmer ajuda a explicar a mudança na percepção do mercado. No fim de agosto, o levantamento de campo apontava para uma safra de milho de 389,8 milhões de toneladas. A projeção oficial mais recente, de 407,3 milhões, indica que as lavouras apresentaram uma capacidade de recuperação superior à sugerida pelas avaliações realizadas durante o verão norte-americano.

Condições das lavouras explicam parte da diferença

As inspeções realizadas em agosto identificaram uma safra heterogênea, marcada por problemas climáticos em diferentes regiões produtoras dos Estados Unidos.

Em Ohio e Indiana, havia áreas afetadas pelo excesso de chuva. Já em Dakota do Sul, a falta de umidade comprometia o desenvolvimento das lavouras. Também foram observadas diferenças entre estágios de maturação, ocorrência de doenças e condições de produtividade entre estados.

Com o avanço da colheita norte-americana, os resultados começaram a demonstrar que parte das plantações conseguiu compensar os problemas identificados anteriormente.

Isso não significa, porém, que todos os riscos tenham desaparecido. O ritmo dos trabalhos ainda apresenta atrasos em estados importantes para a produção de milho, enquanto relatos de campo continuam apontando consequências das condições climáticas adversas no Corn Belt.

Também foram registradas situações incomuns, como milho germinando em lavouras de Nebraska, além da possibilidade de abandono de determinadas áreas.

Soja mantém projeção próxima das avaliações de agosto

Para a soja, a divulgação do USDA trouxe menos surpresas. A estimativa oficial de 124,1 milhões de toneladas ficou apenas 300 mil toneladas abaixo da projeção do Pro Farmer, uma diferença inferior a 1%.

A proximidade dos números indica que o potencial de produção da safra norte-americana de soja já estava relativamente bem identificado pelo mercado antes da atualização de outubro.

Apesar disso, as lavouras também enfrentaram dificuldades ao longo do ciclo, incluindo problemas localizados de umidade, doenças e diferenças no desenvolvimento das plantas. A disponibilidade de água no solo ajudou a sustentar parte das áreas durante a fase final de crescimento, embora o clima continuasse sendo um fator determinante.

Assim como no milho, a colheita da oleaginosa também apresenta atrasos.

Para Vitor Lima, analista de mercado da Pátria Agronegócios, a safra ainda pode trazer surpresas até sua conclusão. Segundo ele, a produtividade projetada continua elevada, mas a combinação de seca no início do ciclo e excesso de umidade durante a colheita pode comprometer a qualidade dos grãos.

Esse cenário também pode favorecer a formação de prêmios para a soja brasileira, caso problemas de qualidade na produção norte-americana aumentem a procura por fornecedores alternativos.

Exportações dos EUA entram no centro das atenções

Com a dimensão da produção mais bem definida, o mercado passa a observar com maior atenção a capacidade de absorção da oferta norte-americana.

As vendas externas são fundamentais para determinar se o volume adicional de milho encontrará compradores suficientes sem provocar novas quedas nas cotações.

Segundo os dados semanais divulgados pelo USDA, as vendas líquidas de milho dos Estados Unidos somaram 1,122 milhão de toneladas na semana encerrada em 8 de outubro. O resultado representou crescimento de 46% em relação à semana anterior e de 42% na comparação com a média das quatro semanas precedentes.

Apesar do avanço, o ritmo das exportações ainda desperta questionamentos. A projeção oficial para os embarques de milho foi revisada para cima, mas a competitividade dos fornecedores sul-americanos representa um obstáculo para ampliar as vendas norte-americanas.

De acordo com Vanin, os preços do milho dos Estados Unidos estão praticamente equiparados aos do Brasil, da Argentina e da Ucrânia. Nesse contexto, a China precisaria encontrar condições comerciais mais vantajosas para aumentar significativamente suas compras do produto norte-americano.

Além disso, a redução de tarifas anunciada após as conversas entre Donald Trump e Xi Jinping não foi acompanhada por mudanças nas cotas comerciais mencionadas na análise. Isso limita as expectativas de uma expansão expressiva da demanda chinesa.

Brasil e América do Sul ganham relevância na disputa comercial

A competitividade dos grãos sul-americanos é outro fator importante para as perspectivas do mercado. Segundo a análise de Vanin, o programa de exportação de milho dos Estados Unidos estava cerca de 10 milhões de toneladas atrás do registrado no mesmo período do ano anterior.

O desempenho das vendas também depende da distribuição geográfica dos embarques. No ciclo anterior, dos 14 milhões de toneladas de crescimento das exportações norte-americanas, aproximadamente 12 milhões passaram pelos portos do Pacífico, região estratégica para o atendimento de compradores asiáticos.

Nesse mercado, o milho brasileiro também apresentou competitividade nas negociações recentes, ampliando a disputa por clientes internacionais.

A combinação entre uma oferta norte-americana maior e a disponibilidade de grãos da América do Sul tende a intensificar a concorrência entre exportadores, com reflexos sobre os preços internacionais e as margens dos produtores.

China volta a aparecer nas negociações de soja

Os dados de vendas também apontaram movimentações relevantes no mercado de soja. Após o período coberto pelo relatório semanal, exportadores privados norte-americanos informaram ao USDA a venda de 558 mil toneladas da oleaginosa para a China e outras 236 mil toneladas para destinos ainda não identificados.

Os negócios foram destinados à entrega na safra 2026/27 e foram anunciados na sexta-feira, dia 16, conforme o relato original.

As vendas reforçam a importância da demanda chinesa para a formação dos preços da soja, embora seja necessário acompanhar a continuidade dos negócios e o ritmo efetivo dos embarques para avaliar o impacto sobre o mercado.

Plantio brasileiro será determinante para os preços dos grãos

A entrada de uma grande safra norte-americana no mercado coincide com o início do plantio de mais um ciclo de produção no Brasil. Essa sobreposição coloca a oferta global e a disputa pelos compradores internacionais no centro das atenções dos investidores.

Com a produção dos Estados Unidos mais próxima de uma definição, o avanço da safra brasileira 2026/27 deve ganhar peso na formação das cotações da Bolsa de Chicago e dos preços internos.

O desenvolvimento das lavouras brasileiras, as condições climáticas e o potencial produtivo serão acompanhados de perto por produtores, exportadores e operadores do mercado.

Embora a colheita norte-americana esteja avançando e revele uma produção elevada, o risco climático continua presente. A próxima etapa da temporada já começou, e qualquer mudança nas condições de cultivo pode alterar as perspectivas de oferta e a trajetória dos preços de milho e soja.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Exportação

Exportações de soja de Mato Grosso caem 49,71% em setembro de 2026

As exportações de soja de Mato Grosso registraram queda de 49,71% em setembro de 2026, na comparação com agosto. O recuo está relacionado à redução sazonal da disponibilidade do grão para embarque. Apesar da retração mensal, o estado mantém desempenho positivo no acumulado do ano, com 30,97 milhões de toneladas exportadas entre janeiro e setembro, alta de 6,15% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e mostram que, embora os embarques tenham perdido força em setembro, o volume acumulado das vendas externas segue acima do registrado no ano anterior.

Menor oferta de soja reduz embarques em setembro

A queda nas exportações acompanha o comportamento sazonal da oferta de soja disponível para o mercado internacional. Com a diminuição do volume de grãos disponível para embarque nesta época do ano, os envios ao exterior recuaram em relação ao mês anterior.

No entanto, o resultado mensal não comprometeu o desempenho das exportações do agronegócio mato-grossense no acumulado de 2026. Nos nove primeiros meses do ano, o estado embarcou 30,97 milhões de toneladas de soja, superando em 6,15% o volume contabilizado no mesmo período de 2025.

China segue como principal destino da soja de Mato Grosso

A China permaneceu como o principal mercado consumidor da soja produzida em Mato Grosso. Entre janeiro e setembro de 2026, o país asiático concentrou 59,13% do volume total exportado pelo estado.

Apesar da liderança chinesa no acumulado do ano, a participação do país nos embarques mensais apresentou redução. O levantamento divulgado pelo Imea, entretanto, não apresenta informações que esclareçam os fatores responsáveis por essa mudança.

A relevância do mercado chinês reforça a importância da demanda internacional para o desempenho das exportações de soja brasileira, especialmente para Mato Grosso, um dos principais estados produtores e exportadores da oleaginosa.

Exportações de soja podem perder ritmo até o fim do ano

A perspectiva de menor disponibilidade do grão indica que os embarques de soja de Mato Grosso podem continuar desacelerando nos próximos meses. Mesmo diante desse cenário, a expectativa é de que o estado finalize 2026 com um volume exportado próximo ao registrado no ano passado.

O resultado dependerá do ritmo das operações de exportação durante os últimos meses do ano. Até setembro, o balanço permanece favorável em relação a 2025, apesar da queda expressiva observada na comparação entre agosto e setembro.

Dessa forma, o comportamento dos embarques no último trimestre será determinante para definir o resultado anual das exportações de soja de Mato Grosso.

FONTE: Agrolink
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

Ler Mais
Agricultura

Soja busca recuperação em Chicago, mas mercado aguarda dados do USDA

Os contratos futuros de soja registravam leves altas na Bolsa de Chicago na manhã desta quarta-feira (30), em um movimento de recuperação após a pressão das últimas sessões. O avanço, porém, permanecia limitado pela cautela dos investidores antes da divulgação de novos dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Por volta das 7h26, no horário de Brasília, o contrato com vencimento em novembro de 2026 subia 3,75 pontos, cotado a US$ 13,0150 por bushel. O janeiro de 2027 avançava 4 pontos, para US$ 13,16, enquanto o março de 2027 também ganhava 4 pontos, negociado a US$ 13,25 por bushel.

Demanda chinesa limita avanço da soja

Apesar da sinalização positiva em Chicago, o mercado segue encontrando dificuldades para ampliar os ganhos diante das incertezas em relação à demanda chinesa por soja dos Estados Unidos.

A China não incluiu a oleaginosa norte-americana no pacote de redução de tarifas anunciado nesta semana. Com isso, a soja dos EUA continua sujeita a uma tarifa de 10%, mantendo um obstáculo para a expansão das compras chinesas do produto.

Além da questão tarifária, outros fatores aumentam a cautela entre os participantes do mercado. Informações divulgadas pela agência Reuters nesta quarta-feira apontam para estoques elevados de soja nas esmagadoras chinesas, margens de processamento negativas e uma perspectiva de menor consumo de ração animal.

De acordo com a agência, os estoques de soja nas unidades de esmagamento da China atingiram o maior nível em 15 anos. Esse cenário pode diminuir a necessidade de novas importações durante o quarto trimestre.

Brasil e Argentina ganham espaço nas compras

A disponibilidade de soja da América do Sul, principalmente do Brasil e da Argentina, também pesa sobre a competitividade do produto norte-americano no mercado chinês.

Um executivo de alto escalão de uma empresa chinesa de processamento de oleaginosas afirmou à Reuters que as compras já realizadas garantem cargas brasileiras e argentinas para outubro e boa parte de novembro. Segundo ele, os embarques devem chegar justamente no período de maior demanda associado ao Ano Novo Chinês.

Nesse contexto, os compradores privados da China tendem a priorizar a soja sul-americana, considerada mais competitiva. Já as compras de soja dos Estados Unidos continuam mais concentradas nas empresas estatais chinesas.

Mercado aguarda estoques dos EUA

Além das questões relacionadas à China e à demanda por soja, os investidores acompanham nesta quarta-feira a divulgação do novo relatório trimestral de estoques dos Estados Unidos.

O USDA apresentará os dados referentes à posição dos estoques norte-americanos em 1º de setembro. As informações são aguardadas pelo mercado e podem trazer novos elementos para a formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Internacional

China compra mais 111 mil toneladas de soja dos EUA antes de encontro entre Trump e Xi

A China voltou a comprar soja dos Estados Unidos na última sexta-feira (18), em mais um movimento que reforça a demanda chinesa pela oleaginosa norte-americana. Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), foram comercializadas 111 mil toneladas de soja, com embarque previsto para o ano comercial 2026/27.

A nova operação ocorre às vésperas do aguardado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, aumentando a atenção do mercado para os possíveis desdobramentos das negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

Compras chinesas de soja ganham ritmo em setembro

O anúncio desta sexta-feira amplia uma sequência de negócios realizados pela China no mercado norte-americano ao longo de setembro.

De acordo com os comunicados do USDA, os compradores chineses já haviam adquirido volumes expressivos de soja dos EUA neste mês:

  • 136 mil toneladas em 1º de setembro;
  • 202 mil toneladas em 2 de setembro;
  • 192 mil toneladas em 3 de setembro;
  • 272 mil toneladas em 10 de setembro;
  • 111 mil toneladas anunciadas nesta sexta-feira (18).

A repetição das operações mantém a demanda chinesa em evidência justamente durante um período importante para a comercialização da nova safra dos Estados Unidos.

Soja está no radar das negociações entre Trump e Xi

A retomada das compras ocorre em um momento particularmente relevante para o comércio agrícola global. O encontro entre Trump e Xi Jinping é aguardado pelo mercado diante das discussões envolvendo tarifas e relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Nesse contexto, a soja aparece entre os produtos agrícolas acompanhados de perto por traders e produtores. Mudanças nas políticas comerciais ou novos compromissos de compra da China podem alterar os fluxos internacionais da oleaginosa.

Para os Estados Unidos, a continuidade das vendas representa um importante sinal de demanda durante a entrada da nova safra no mercado.

Efeito pode chegar ao mercado brasileiro

O movimento chinês também interessa diretamente ao mercado brasileiro de soja.

O aumento das compras da China nos Estados Unidos pode influenciar as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, além de afetar os prêmios de exportação e a formação dos preços nos portos brasileiros.

Por isso, além do volume efetivamente negociado, o mercado acompanha os próximos passos das relações comerciais entre Washington e Pequim. Eventuais novos acordos ou mudanças nas tarifas poderão interferir na distribuição da demanda chinesa entre os principais fornecedores mundiais de soja.

Com a reunião entre Trump e Xi no horizonte, as novas compras chinesas acrescentam mais um elemento ao cenário de preços da soja, exportações e competição entre Estados Unidos e Brasil pelo principal mercado consumidor da oleaginosa.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Internacional

Trump e Xi se preparam para encontro decisivo, com soja no centro das negociações entre EUA e China

Donald Trump e Xi Jinping ainda não se encontraram pessoalmente, mas Estados Unidos e China já movimentam suas estratégias antes de uma das reuniões de maior peso econômico e geopolítico de 2026. O encontro está previsto para a próxima quinta-feira, 24 de setembro, em Washington.

Será a segunda reunião presencial entre os dois líderes neste ano. A primeira ocorreu em maio, durante a visita de Trump a Pequim. Agora, Xi deverá voltar à Casa Branca pela primeira vez em cerca de uma década. O presidente chinês esteve nos Estados Unidos em 2023 para a cúpula da APEC, em São Francisco, mas aquela passagem pelo país não incluiu uma visita à sede do governo americano.

Tarifas e comércio entram na pauta de Trump e Xi

A dimensão da reunião vai muito além da relação comercial. Entre os assuntos que podem influenciar as negociações estão tarifas, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, Taiwan, relações da China com o Irã, energia e agricultura.

Nos últimos dias, Washington e Pequim deram sinais de que estão preparando o terreno para a reunião.

Segundo informações da Bloomberg divulgadas nesta sexta-feira (18), os Estados Unidos devem deixar para depois do encontro entre Trump e Xi o anúncio de novas tarifas relacionadas ao que Washington considera excesso de capacidade produtiva de parceiros comerciais.

Um relatório que poderia ser divulgado antes da reunião teria a possibilidade de recomendar uma tarifa adicional de 7,5% sobre produtos chineses. Até o momento, porém, não há definição sobre a alíquota final, e o governo americano não informou oficialmente a razão para o adiamento.

Enquanto isso, o mercado financeiro também acompanha os movimentos chineses. O yuan offshore chegou a 6,6957 por dólar nesta sexta-feira, maior nível desde julho de 2022. A valorização ocorreu após o Banco Popular da China reforçar sua taxa de referência pela oitava sessão consecutiva.

Empresários chineses podem acompanhar Xi

As articulações não se limitam aos governos. Estados Unidos e China também trabalham na composição de uma possível delegação de empresários chineses para acompanhar Xi durante a visita.

Executivos de grandes empresas dos setores de veículos elétricos, baterias, tecnologia, bancos e agronegócio estão entre os nomes considerados. A lista, entretanto, ainda não foi concluída e pode depender das negociações previstas para este fim de semana entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng.

Apesar dos preparativos em Washington, Pequim ainda não havia confirmado publicamente e de forma explícita a reunião até quinta-feira. Em conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que os dois países deveriam preparar a próxima etapa das interações de alto nível, sem mencionar diretamente o encontro entre Trump e Xi.

Soja ganha importância nas negociações agrícolas

Em meio a temas como Taiwan, Irã, tecnologia e minerais estratégicos, a soja pode parecer uma questão secundária. Para o mercado agrícola, porém, qualquer mudança na relação comercial entre Estados Unidos e China pode produzir efeitos relevantes.

“No caso da soja, ela é um temperinho dessa coisa que é muito maior. Ela faz parte do que está se discutindo”, afirmou Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex, ao Notícias Agrícolas.

Segundo o analista, um eventual acordo comercial precisaria envolver produtos de grande relevância para as importações chinesas. Entre eles, estariam petróleo, gás e soja.

A avaliação ajuda a dimensionar o papel da oleaginosa: ela é apenas uma das peças de uma negociação muito mais ampla, mas tem potencial para afetar preços, fluxos internacionais e a concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês de soja.

Agricultura pode ser área de avanço entre os países

A agricultura aparece entre os setores com possibilidade de avanço nas negociações. Neste mês, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que podem surgir anúncios envolvendo produtos agrícolas e barreiras não tarifárias.

Além da soja, milho e sorgo também podem fazer parte das discussões.

De acordo com a Casa Branca, a China teria se comprometido, após o encontro de Trump e Xi no ano passado, a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Pequim, contudo, não reconheceu publicamente o compromisso nos mesmos termos apresentados pelo governo dos Estados Unidos.

As compras chinesas realizadas até agora, por outro lado, caminham na direção do volume indicado por Washington. A China já teria adquirido quase metade desse montante e continua ativa no mercado americano.

Somente na semana passada, compradores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos. A possibilidade de novos compromissos agrícolas ocorre em um momento em que a demanda chinesa voltou a ganhar destaque no mercado de Chicago.

Mais compras chinesas poderiam mexer com Chicago

Para Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, uma eventual ampliação das compras chinesas poderia encontrar os Estados Unidos em um cenário de menor disponibilidade.

“Os Estados Unidos não têm soja para se comprometer a exportar tanto assim a mais para a China”, afirmou o analista ao Notícias Agrícolas. Na avaliação dele, uma compra adicional de 5 milhões de toneladas poderia provocar uma forte reação no mercado de curto prazo, especialmente em Chicago.

Palavro, entretanto, não considera que um aumento das compras chinesas nos Estados Unidos necessariamente prejudicaria o Brasil.

Segundo ele, uma eventual perda de participação brasileira na demanda chinesa poderia ser compensada por outros mercados, já que Brasil e Estados Unidos são os dois principais fornecedores globais da oleaginosa.

Outro ponto destacado pelo analista é a relação entre os preços internacionais e o mercado brasileiro. Uma valorização da soja americana tende a influenciar também as cotações brasileiras.

Por isso, para o produtor nacional, será importante observar não apenas o volume que a China eventualmente comprar dos Estados Unidos, mas também os efeitos sobre Chicago, prêmios de exportação e preços da soja no Brasil.

Irã, Taiwan e energia ampliam as negociações

O contexto atual também diferencia a reunião de setembro de outras negociações entre Trump e Xi.

Para Eduardo Vanin, as relações entre China e Irã ganharam importância, assim como Taiwan, tecnologia e comércio. O analista avalia que o peso das questões envolvidas atualmente é maior do que em negociações anteriores.

Nesse cenário, produtos como soja, petróleo e gás podem funcionar como elementos de uma eventual composição comercial entre Washington e Pequim.

A questão do Irã já está presente na agenda diplomática. Nesta semana, Wang Yi conversou com Marco Rubio sobre a situação do Oriente Médio, depois de receber em Pequim o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A China defendeu a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Energia também pode entrar no acordo

O setor energético é outro ponto de interesse nas relações entre os dois países. As compras chinesas de petróleo e gás dos Estados Unidos foram interrompidas depois da adoção de tarifas.

Uma eventual redução recíproca das tarifas, que vem sendo discutida entre Washington e Pequim, poderia criar condições para a retomada desses fluxos comerciais.

Assim, a negociação entre Trump e Xi envolve uma combinação de interesses econômicos, tecnológicos, energéticos e geopolíticos, com a agricultura inserida nesse cenário mais amplo.

O que está em jogo para a soja brasileira

A reunião entre Trump e Xi ocorre em um momento de atenção redobrada dos mercados agrícolas. Uma eventual mudança na política comercial entre Estados Unidos e China pode alterar os fluxos globais de soja, afetando diretamente as referências internacionais e os prêmios praticados no Brasil.

Para o mercado agrícola, algumas questões serão especialmente importantes: a China anunciará novas compras de soja americana? Haverá redução de tarifas? Os dois países estabelecerão novos compromissos para produtos agrícolas?

Para o produtor brasileiro, o impacto dependerá também da reação de Chicago, dos prêmios de exportação e da capacidade de outros mercados absorverem eventuais volumes que deixem de ser destinados à China.

A soja, portanto, é apenas uma peça dentro de uma negociação que envolve comércio, tecnologia, energia, segurança e geopolítica. Mesmo assim, qualquer sinal de mudança na relação entre Washington e Pequim pode repercutir rapidamente nas cotações agrícolas e no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Agronegócio

China e soja brasileira: quem está do outro lado do mercado que movimenta o agronegócio?

A China se tornou muito mais do que o principal comprador de importantes produtos do agronegócio brasileiro. A força do mercado chinês já influencia o ritmo das exportações, a operação de portos e ferrovias e até as referências de preços que chegam às propriedades rurais.

Para o produtor brasileiro, entender o que ocorre no outro lado dessa cadeia deixou de ser apenas uma questão comercial. É uma forma de acompanhar os fatores que podem interferir diretamente na produção de soja, nos custos e na formação de preços.

China se transforma em potência econômica

Em pouco mais de 70 anos, a China passou de um país marcado pela pobreza para uma das principais potências econômicas globais. Em 2025, o PIB da China alcançou 140,2 trilhões de yuans, avanço de aproximadamente 5% na comparação com o ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

A expansão econômica aumentou a presença do país no comércio internacional e aproximou ainda mais a China do agronegócio brasileiro.

Essa relação é particularmente relevante no mercado de soja brasileira. Todos os anos, milhões de toneladas do grão cruzam o oceano para abastecer a indústria chinesa. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma forte dependência desse mercado para escoar uma parcela significativa de sua produção.

Para produtores que participaram da expedição da Agrinvest Commodities à China, conhecer o país permitiu observar de perto uma cadeia que está cada vez mais conectada, apesar da distância física.

“Em se tratando de mercado da soja, Brasil e China só têm uma coisa que nos separa: é o oceano. Cinquenta dias de viagem. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, afirma Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

China também é importante para os insumos agrícolas

A relação comercial entre os dois países não acontece somente no sentido Brasil-China. Enquanto os produtores brasileiros enviam principalmente commodities agrícolas para o mercado asiático, a China também participa do fornecimento de produtos essenciais para a agricultura brasileira.

O país está entre os principais fornecedores de defensivos agrícolas e de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes destinados ao Brasil.

Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, existe uma relação de dependência mútua nessa cadeia.

“Nós vendemos para eles a nossa soja, vendemos proteína e compramos deles os nossos insumos”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O cenário é ainda mais relevante porque o Brasil depende fortemente do mercado externo para atender sua demanda por fertilizantes. A produção nacional representa menos de 20% do volume consumido no país.

Com isso, alterações na oferta internacional ou decisões tomadas por grandes fornecedores podem afetar diretamente os custos da produção brasileira.

Souza destaca que questões envolvendo patentes e políticas adotadas pela China contribuíram, nos últimos anos, para mudanças importantes nos preços de determinados produtos. Assim, movimentos originados no mercado chinês podem chegar ao produtor brasileiro antes mesmo que ele perceba a causa.

China compra cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil

A dimensão do mercado chinês fica evidente nos números das exportações. Em 2025, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume correspondente a aproximadamente 80% das exportações brasileiras do grão naquele ano, conforme dados apresentados durante a expedição acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Depois de chegar ao país asiático, grande parte da soja é destinada ao processamento industrial.

O farelo de soja é utilizado principalmente na fabricação de ração animal, enquanto o óleo extraído do grão abastece a indústria alimentícia e outros setores.

A China também produz soja internamente. A colheita nacional é estimada entre 20 milhões e 21 milhões de toneladas.

Há, porém, uma diferença importante entre a produção chinesa e a soja importada em larga escala. A produção doméstica é convencional, ou seja, não transgênica, e uma parcela relevante é destinada diretamente à alimentação humana.

Dos grãos produzidos no próprio país, aproximadamente 14 milhões de toneladas são consumidos internamente.

Tofu, shoyu e outros alimentos fazem parte da dieta chinesa

A soja está presente em diversos produtos tradicionais consumidos na China, entre eles tofu e shoyu, além de outros alimentos derivados do grão.

“Essa soja produzida na China é 100% não GMO, então é soja convencional”, explica Vanin.

O consumo aparece também no dia a dia da população. Júlio Guan, guia turístico que acompanhou a expedição, conta que produtos derivados da soja fazem parte de sua alimentação cotidiana.

“No meu café da manhã eu como frango, suíno e leite de soja e tofu também. Produtor brasileiro que produz muita soja vende para a China, a gente come bastante”, relata.

Conhecer o consumidor chinês pode ajudar o produtor brasileiro

Para quem trabalha no campo, visitar a China significa mais do que conhecer o principal destino da soja exportada pelo Brasil. A experiência permite observar hábitos de consumo, mudanças na indústria e novas exigências que podem, posteriormente, impactar a cadeia produtiva brasileira.

Entender como o grão brasileiro é utilizado na indústria chinesa também ajuda a dimensionar o tamanho e a complexidade da demanda.

Na avaliação de Vanin, acompanhar esse processo amplia a visão do produtor sobre o mercado e permite observar de perto a velocidade das transformações tecnológicas chinesas.

A viagem também revelou uma diferença entre a percepção que parte dos brasileiros tem sobre a China e a realidade encontrada durante a expedição.

O agricultor Adelar José Marafon participou da viagem justamente para conhecer o país pessoalmente e formar sua própria opinião.

“A China na verdade é um tabu muito grande quando se fala dela, porque ela muita coisa é fechada. A gente ouve muitas versões daqui de dentro da China. Então eu estou aqui para realmente tirar as minhas conclusões, para ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”, afirma.

China quer manter parceria estratégica com o Brasil

A relação comercial também é considerada estratégica pelo governo chinês. Yin Ruifeng, vice-presidente de dados, analista e representante do Ministério da Agricultura da China, afirma que o país pretende manter uma relação estável com o Brasil nos próximos anos.

A expectativa é de continuidade da demanda por grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros, especialmente soja, algodão e açúcar.

Segundo Ruifeng, o Brasil é a principal fonte chinesa de importações dessas commodities a granel, e a intenção é preservar essa participação em patamares elevados.

A representante chinesa também destacou a importância da qualidade e da sustentabilidade para os produtores brasileiros que desejam manter espaço no mercado chinês.

“Continuem produzindo produtos de alta qualidade para aumentar e manter essa boa relação entre a China e o Brasil, e sempre mantenham o desenvolvimento sustentável, uma agricultura e proteção ao meio ambiente”, ressalta.

A mensagem indica que a competitividade brasileira no mercado asiático não deverá depender apenas de volume e preço. Qualidade dos produtos, sustentabilidade no agronegócio e preservação ambiental tendem a ganhar peso nas relações comerciais.

Produtor precisa acompanhar demanda, preços e custos

Para o agricultor brasileiro, acompanhar a China significa observar uma série de fatores que vão muito além da quantidade de soja vendida.

Mudanças no consumo chinês, decisões políticas, disponibilidade de insumos, custos de produção e comportamento dos preços internacionais podem ter reflexos na rentabilidade das lavouras brasileiras.

A expedição da Agrinvest Commodities teve justamente o objetivo de aproximar os produtores da outra ponta da cadeia.

Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, destaca que esse contato permite conectar quem produz àqueles que consomem a produção brasileira.

“Isso nos deixa muito gratificante dessa nossa missão, pela vida também dessa conectividade, trazer a produção com o consumidor, cada vez mais próximo”, avalia.

Para ele, conhecer o mercado chinês ajuda o produtor a identificar para onde a soja está indo e compreender quem está por trás da demanda.

Brasil e China estão ligados pela cadeia da soja

A distância geográfica entre os dois países continua sendo de milhares de quilômetros, mas o agronegócio Brasil-China criou uma conexão cada vez mais estreita.

A soja produzida nas propriedades brasileiras atravessa o oceano para abastecer uma das maiores cadeias industriais e alimentares do planeta. No caminho inverso, decisões tomadas na China podem chegar às fazendas brasileiras por meio de alterações na demanda, nos preços e nos custos dos insumos.

Por isso, compreender quem está do outro lado da cadeia da soja brasileira se tornou cada vez mais importante para o produtor que busca antecipar movimentos do mercado e tomar decisões mais estratégicas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Agronegócio

Soja registra queda no Porto de Paranaguá com aumento da oferta no mercado

As cotações da soja começaram agosto em baixa, mantendo a tendência observada no fim de julho. Na segunda-feira (3), o indicador Cepea/Esalq para o Porto de Paranaguá (PR) recuou 0,60%, encerrando o dia cotado a R$ 144,04 por saca. Foi o quarto pregão consecutivo de desvalorização.

Maior oferta pressiona preços da soja

De acordo com o Cepea, a redução das cotas disponíveis para embarques nos principais portos brasileiros durante o mês de agosto aumentou a oferta de grãos no mercado spot, fator que contribuiu para pressionar os preços da soja.

Outro elemento que limitou as negociações foi a postura dos compradores. Segundo o centro de pesquisas, muitos consumidores anteciparam aquisições nas semanas anteriores e reduziram a demanda por grandes volumes neste início de mês.

Cenário internacional também influencia o mercado

Além dos fatores internos, o mercado acompanha a melhora das perspectivas para a safra dos Estados Unidos. As condições climáticas mais favoráveis nas regiões produtoras elevaram as expectativas de produção, influenciando negativamente as cotações internacionais da oleaginosa.

A queda nos preços do petróleo também contribuiu para o movimento de baixa, refletindo sobre o mercado de commodities agrícolas.

Preços variam entre as principais regiões produtoras

Nas praças monitoradas pela AgRural, o comportamento das cotações foi heterogêneo.

Em Ponta Grossa (PR), o preço permaneceu estável em R$ 138 por saca. Já em Primavera do Leste (MT), houve valorização de R$ 1, com a saca negociada a R$ 125. Por outro lado, em Luís Eduardo Magalhães (BA), a cotação caiu R$ 0,50, encerrando o dia em R$ 127 por saca.

Bolsa de Chicago fecha em alta

Na Bolsa de Chicago (CBOT), referência mundial para o mercado da soja, o movimento foi diferente. Os contratos com vencimento em novembro avançaram 0,40%, fechando cotados a US$ 11,9225 por bushel.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

Ler Mais
Agronegócio

Soja reage em Chicago, enquanto preços nos portos brasileiros seguem próximos de R$ 150 por saca

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) registram leve recuperação nesta quinta-feira (30), após a forte pressão de venda observada na sessão anterior. O movimento é considerado uma correção técnica depois que as cotações atingiram os menores níveis das últimas semanas, influenciadas pela melhora das condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Apesar da alta moderada, o mercado continua atento às previsões do tempo e ao comportamento da demanda internacional, fatores que seguem determinando a direção dos preços.

Liquidação de fundos pressionou as cotações

Além do clima mais favorável para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, a intensa liquidação de posições por parte dos fundos de investimento ampliou a queda dos preços na quarta-feira (29).

Por volta das 7h10 (horário de Brasília), os principais contratos avançavam entre 1,50 e 3,25 pontos. O vencimento de agosto era negociado a US$ 11,79 por bushel, enquanto novembro alcançava US$ 11,96. O contrato de janeiro permanecia acima da marca de US$ 12,00, cotado a US$ 12,07 por bushel.

Clima nos Estados Unidos continua no radar

Mesmo com a recuperação das cotações, operadores mantêm cautela diante das previsões meteorológicas para o cinturão produtor dos Estados Unidos.

Os modelos climáticos indicam chuvas abrangentes e temperaturas mais amenas nos próximos dias, cenário considerado favorável às lavouras. Em um horizonte mais distante, no entanto, a expectativa de calor acima da média em importantes regiões produtoras segue sendo acompanhada pelo mercado por seu potencial impacto sobre a produtividade.

Relatório do USDA pode definir os próximos movimentos

Outro fator aguardado pelos investidores é a divulgação do relatório semanal de vendas para exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Os dados devem indicar o ritmo da demanda pela soja norte-americana e podem influenciar o comportamento das cotações em um momento em que o mercado avalia a competitividade do produto dos Estados Unidos no comércio internacional.

Além disso, os agentes acompanham a movimentação do complexo soja, especialmente os contratos de farelo, óleo de soja e também o mercado de petróleo. Nesta quinta-feira, tanto o farelo quanto o óleo operavam em alta, oferecendo suporte adicional às cotações do grão.

Portos brasileiros mantêm preços firmes

No mercado brasileiro, o foco permanece sobre os preços praticados nos portos e na influência do câmbio.

Mesmo com a pressão exercida por Chicago ao longo da semana, a valorização do dólar frente ao real e a demanda pela soja brasileira continuam sustentando as indicações no mercado físico, embora os negócios ocorram de forma mais seletiva.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista de mercado e diretor da Royal Rural, a soja disponível nos principais portos brasileiros segue sendo negociada próxima de R$ 150 por saca, enquanto a safra nova trabalha com referência em torno de R$ 140 por saca.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Exportação

Preços da soja avançam nos portos e mercado acompanha exportações e câmbio

O mercado da soja encerrou a terça-feira com comportamento misto, combinando estabilidade na Bolsa de Chicago e avanço das cotações em importantes regiões produtoras do Brasil. O desempenho foi sustentado pelo ritmo das exportações, pela valorização do câmbio e pela demanda do mercado interno, fatores que deram suporte aos preços nos portos brasileiros.

De acordo com a TF Agroeconômica, os contratos de vencimento mais próximo registraram leve recuo após os ganhos observados na sessão anterior. A melhora nas condições das lavouras dos Estados Unidos limitou novos avanços, embora as condições climáticas ainda continuem oferecendo sustentação às cotações internacionais.

Chicago recua com melhora das lavouras norte-americanas

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato da soja para agosto fechou em queda de 0,53%, cotado a US$ 12,1950 por bushel. Já o vencimento de setembro recuou 0,41%, encerrando o dia a US$ 12,1050 por bushel.

Entre os derivados, o farelo de soja registrou alta de 0,99%, enquanto o óleo de soja teve desvalorização de 0,51%.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura apontou que 66% das lavouras estão classificadas como boas ou excelentes, índice superior aos 65% da semana anterior. Além disso, a falta de novas compras por parte da China contribuiu para pressionar os contratos de vencimento mais longo.

Mercado brasileiro registra alta nos portos e no interior

No Brasil, as principais altas foram observadas nos portos e em parte das regiões produtoras.

No Rio Grande do Sul, a saca chegou a R$ 143 em Rio Grande, favorecida pelos prêmios de exportação e pela valorização do dólar. No Paraná, Paranaguá alcançou R$ 145 por saca, avanço de 2,11%, enquanto Ponta Grossa registrou R$ 139.

Em Santa Catarina, São Francisco do Sul encerrou o dia com a saca cotada a R$ 137.

Já em Mato Grosso do Sul, Dourados e Campo Grande atingiram R$ 127 por saca. Apesar de cerca de 64% da safra já estar comercializada, o déficit de armazenagem, estimado em mais de 12,4 milhões de toneladas, reduz o poder de negociação dos produtores.

No Mato Grosso, Rondonópolis registrou cotação de R$ 126 por saca, em um cenário marcado por exportações recordes, fretes elevados e maior disputa por espaço nos silos.

Déficit de armazenagem segue como desafio para o setor

A capacidade de armazenagem continua sendo um dos principais entraves para o mercado da soja. A chegada da safra de milho de segunda safra e do trigo aumenta a ocupação dos armazéns, reduzindo o espaço disponível para o grão.

Ao mesmo tempo, os custos elevados do diesel mantêm os fretes em patamares altos, dificultando o repasse das valorizações registradas no mercado externo para as regiões do interior. Esse cenário também leva parte dos produtores a antecipar vendas diante das limitações logísticas.

FONTE: Agrolink
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook