Comércio Exterior

Vendas de carros na China caem 28% em setembro, apesar do avanço das exportações

As vendas de carros na China registraram nova retração em setembro, mesmo com o início do período sazonalmente mais aquecido para o setor automotivo. O resultado reforça os sinais de enfraquecimento da demanda interna, apesar do crescimento das exportações e da participação recorde dos veículos eletrificados no mercado.

Segundo dados divulgados na segunda-feira (12) pela Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA), as vendas no varejo de carros de passeio somaram 1,62 milhão de unidades no mês, queda de 28% em relação a setembro do ano anterior. Na comparação com agosto, porém, houve crescimento de 5%.

O desempenho representa o 12º mês consecutivo de queda na comparação anual e indica que o mercado ainda não apresenta sinais consistentes de recuperação.

Demanda interna fraca pressiona o mercado automotivo chinês

A CPCA atribui parte do resultado à redução da procura por veículos convencionais, movidos a combustíveis fósseis. Os preços elevados do petróleo e o enfraquecimento do consumo na China têm dificultado a retomada das vendas.

Outro fator de pressão é o aumento dos custos dos chips de memória, que vem atrasando o lançamento de novos modelos e limitando o desempenho comercial das montadoras.

Depois de anos de expansão acelerada e de resultados expressivos no ano passado, a indústria automotiva chinesa atravessa uma fase de ajuste, marcada pelos primeiros sinais de consolidação empresarial e reorganização estratégica.

Entre os movimentos recentes do setor está a intenção do Guangzhou Automobile Group de adquirir uma participação de 50% na FAW Toyota, atualmente pertencente ao grupo FAW. Geely e NIO também anunciaram uma parceria voltada ao intercâmbio de tecnologias de troca de baterias e recarga.

Veículos elétricos e híbridos ganham participação

Os veículos de nova energia (NEVs), categoria que reúne carros elétricos e híbridos plug-in, continuam entre os principais destaques da indústria chinesa.

Em setembro, esses modelos responderam por 67% das vendas totais de automóveis, estabelecendo um novo recorde de participação no mercado. Apesar disso, o segmento também registrou retração: as vendas no varejo recuaram 17% na comparação anual, totalizando 1,08 milhão de unidades.

O resultado mostra que, mesmo com o avanço da eletrificação, o mercado doméstico enfrenta dificuldades para sustentar o ritmo de crescimento observado nos últimos anos.

Exportações de carros chineses avançam em setembro

Diante da desaceleração interna, as fabricantes chinesas ampliam a presença internacional para compensar a perda de força nas vendas domésticas.

De acordo com a CPCA, as exportações de veículos de nova energia mais que dobraram novamente em setembro. Já os embarques de carros de passeio cresceram 74% em relação ao mesmo mês do ano anterior, alcançando 917 mil unidades.

A Tesla também registrou volumes expressivos no período. A fabricante norte-americana exportou 30.529 veículos produzidos em sua fábrica de Xangai e comercializou 95.366 unidades no mês.

O avanço das vendas externas tem ajudado a sustentar a atividade das montadoras, embora o setor permaneça exposto a barreiras comerciais e mudanças nas condições dos principais mercados internacionais.

Guerra de preços limita perspectiva de recuperação em outubro

A CPCA não projeta uma retomada expressiva das vendas em outubro. A entidade avalia que a confiança dos consumidores continua baixa, enquanto a disputa por preços entre as montadoras mantém os compradores cautelosos.

Além da concorrência acirrada, as mudanças demográficas e os custos elevados dos combustíveis podem continuar limitando a demanda por automóveis.

No mercado externo, a expectativa também é de desaceleração das exportações, diante das pressões comerciais enfrentadas pelas fabricantes chinesas na União Europeia.

O cenário combina, portanto, queda nas vendas domésticas, expansão dos embarques internacionais e avanço estrutural dos veículos eletrificados. Para o setor automotivo chinês, o desafio será equilibrar a capacidade de produção e a concorrência entre fabricantes com uma demanda interna ainda enfraquecida.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Negócios

BYD perde US$ 45 bilhões em valor de mercado com suspeita de dívida oculta

Relatório aponta endividamento muito acima do divulgado

A montadora chinesa BYD, líder global em vendas de carros elétricos, viu seu valor de mercado despencar em US$ 45 bilhões após suspeitas de que estaria ocultando dívidas bilionárias. A denúncia partiu da consultoria GMT Research, de Hong Kong, em relatório divulgado pela Bloomberg.

Segundo a análise, a dívida líquida real da BYD seria próxima de 323 bilhões de yuans (US$ 44,1 bilhões) em 30 de junho — bem acima do que aparece oficialmente em seus balanços financeiros.

“Dívida oculta” em financiamentos a fornecedores

De acordo com a GMT, o descompasso se deve ao uso do chamado financiamento da cadeia de suprimentos, prática que permite à empresa atrasar pagamentos a fornecedores por longos períodos.
“Independentemente da forma como é estruturado, isso é claramente uma forma de financiamento, ou uma dívida oculta”, afirmou o analista Nigel Stevenson, da GMT Research.

Em 2023, a BYD demorou em média 275 dias para quitar seus compromissos com parceiros, contra prazos bem menores fora da China — entre 45 e 90 dias. A rival Tesla, por exemplo, declara pagar fornecedores em até 90 dias.

Saltos nos passivos levantam dúvidas

Outro ponto de alerta está no crescimento acelerado da categoria “outros passivos” nos balanços da BYD: de 41,3 bilhões de yuans em 2021 para 165 bilhões em 2023. A GMT sugere que parte desse valor esteja ligada ao Dilink, sistema criado pela montadora em 2021 e que já emitiu 400 bilhões de yuans (US$ 56 bilhões) em notas para fornecedores administrarem recebíveis.

O uso do Dilink chamou atenção das bolsas chinesas, que pediram esclarecimentos a empresas fornecedoras. Algumas delas alegaram não ver risco de calote, já que os títulos receberam classificação AAA.

Risco para investidores

Apesar disso, analistas alertam para a falta de transparência sobre os reais compromissos da companhia.
“O risco é você não ter ideia de quais são os termos, quão rápido os fundos podem ser retirados ou a quem exatamente esses valores são devidos”, destacou Stevenson.

FONTE: BNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Brasil

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