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Lula defende soberania do Brasil sobre minerais críticos

Presidente inaugura maior termelétrica a gás da América Latina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (28), a soberania do Brasil sobre seus minerais críticos e afirmou que as riquezas do país serão usufruídas pelo povo brasileiro. Lula ainda criticou o crescente interesse dos Estados Unidos (EUA) nesses minerais e disse que as empresas privadas poderão pesquisar o território nacional mas “sob o nosso controle”.

“Eu fiquei sabendo que os Estados Unidos vão ajudar a Ucrânia [na guerra contra a Rússia], mas estão querendo ter privilégio nos minerais críticos da Ucrânia. Esses dias eu li que os Estados Unidos têm interesse nos minerais críticos do Brasil. Ora, se eu nem conheço esse minério, e ele já é crítico, eu vou pegar ele para mim. Por que que eu vou deixar para outro pegar?”, argumentou Lula, em evento em São João da Barra, estado do  Rio.

Minerais críticos ou minerais de terras raras são aqueles cuja disponibilidade atual é limitada, e a exploração é considerada necessária para assegurar a transição energética, já que são essenciais para a fabricação de peças e equipamentos associados à ideia de energia verde. Por exemplo, há demanda por cobre nas usinas eólicas, por silício para os painéis fotovoltaicos, por níquel e lítio para as baterias, por bauxita e alumina para os cabos de transmissão.

Pesquisa indica que a busca por minerais necessários para projetos de transição energética já vem causando conflito nas novas frentes exploratórias. Outro estudo mostra que, no Brasil, essa procura acelera a crise climática.

Lula disse que o governo está estabelecendo parcerias, com a criação de uma “comissão ultraespecial”, para o levantamento de todo tipo de riqueza no solo e no subsolo do país. De acordo com o presidente, 70% do território ainda não foram pesquisados.

“Nós temos que dar autorização para a empresa pesquisar sob o nosso controle. A hora que a gente der autorização para uma empresa, e ela achar, ela não pode vender sem conversar com o governo e, muito menos, ela vai poder vender a área que tem o minério, porque aquilo é nosso”, afirmou.

“O povo brasileiro tem que ter direito de usufruir da riqueza que essas coisas podem produzir. É simples assim. A gente não quer nada dos outros, a gente quer apenas garantir que aquilo que é nosso possa gerar riqueza para que este país deixe de ser um país eternamente em via de desenvolvimento e seja um país altamente desenvolvido”, acrescentou.

Nesse sentido, Lula defendeu as políticas educacionais do governo, de ampliação da oferta e de maior acesso ao ensino técnico e superior, com a construção de universidades e institutos federais.

“A qualificação do nosso povo [é] que vai garantir a competitividade do Brasil, produtividade na escala e competitividade na qualidade. Porque não tem país do mundo que tenha se desenvolvido que, antes, não tenha feito investimento na educação.”

Nova termelétrica

Nesta segunda-feira, o presidente participou da inauguração da Usina Termelétrica GNA II, no Porto do Açu, em São João da Barra.

A nova usina foi selecionada como estratégica no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), atraindo R$ 7 bilhões em investimentos e gerando mais de 10 mil empregos.

O empreendimento integra o maior parque de geração a gás natural da América Latina com 3 gigawatts (GW) de capacidade instalada, tendo as usinas GNA I, em operação desde 2021, e, agora, a GNA II. Com 1,7 GW de capacidade, a nova termelétrica responde por cerca de 10% da geração a gás natural da matriz elétrica nacional, capaz de atender 8 milhões de residências.

Lula destacou a importância do Estado como garantidor de estabilidade e previsibilidade para atrair investimentos para o país. “Eu não conheço nenhum empresário ou investidor estrangeiro que vai investir num país que ele não acredite na política do país, na economia do país e nas coisas que estão acontecendo no país. Ninguém joga dinheiro fora, muito menos quem tem muito dinheiro”, afirmou.

A Gás Natural Açu (GNA), responsável pelas usinas, é uma empresa criada pela associação das empresas Prumo Logística, bp, Siemens Energy, Siemens AG e SPIC Brasil.

Hoje, a GNA e o governo assinaram carta de intenções para fomentar o mercado brasileiro de gás natural, com o desenvolvimento de projetos e estruturantes de energia e gás natural. De acordo com o governo, a parceria tem potencial de atrair até R$ 20 bilhões em investimentos para o Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano.

“A iniciativa reforça a estratégia para a transição energética e a consolidação do Porto de Açu como hub de gás e energia do país”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Trump proíbe dialogo com equipe de Lula

Uma comissão de senadores embarca nesta sexta-feira (25) para os Estados Unidos, em busca de abrir um canal de negociações no território americano sobre o “tarifaço” que Donald Trump pode aplicar ao Brasil a partir de 1º de agosto.

A ida da comissão é vista com apreensão por diplomatas brasileiros e está sendo boicotada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo blogueiro Paulo Figueiredo.

Interlocutores do presidente Lula que estão em Nova York contaram ao blog que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não autorizou sua equipe abrir diálogo com o Brasil.
Existem conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, como revelou ontem o vice-presidente Geraldo Alckmin, mas o recado que os negociadores têm ouvido é que tudo está centralizado na Casa Branca.

Nesta quinta-feira (24), por exemplo, o presidente Lula afirmou que Trump não quer negociar.

De outro lado, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, comentou com amigos que teve várias conversas nos Estados Unidos, onde está em missão na ONU, e ouviu que realmente Trump não está permitindo reabertura de negociações com o Brasil.

Segundo Vital do Rêgo comentou com interlocutores, há um clima de medo e apreensão nos Estados Unidos. Tudo estaria centralizado em Trump e ninguém tem coragem de desafiá-lo.

O vice-presidente Geraldo Alckmin revelou na quinta-feira (24) que, no último sábado (19), voltou a ter uma conversa com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, sobre o tarifaço. Ele não quis revelar o conteúdo da reunião, que ocorreu por telefone e durou cerca de 50 minutos.

Mesmo diante do clima pessimista, o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirma que é preciso fazer algo diretamente nos Estados Unidos, e que espera pelo menos adiar a entrada em vigor do tarifaço para que sejam reabertas as negociações entre os dois países. O tempo é curto.

“Queremos também esclarecer o que o governo americano exatamente quer negociar, como eles não retomaram oficialmente as negociações, ninguém sabe exatamente os limites de Trump. Se ele realmente emperrou por questões políticas, de Bolsonaro, se tem a questão da nova moeda dos Brics, Irã”, disse o senador.

A Comissão de Senadores terá sua primeira reunião de trabalho no domingo (27), mas já foram avisados que o deputado Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo estão trabalhando para dificultar as reuniões dos parlamentares em Washington e até impedir qualquer encontro com negociadores do governo Trump.

A maioria dos senadores embarca nesta sexta-feira (25). Outros, no sábado (26).

Na segunda-feira (28), os senadores serão recebidos na embaixada do Brasil nos EUA. No mesmo dia, terão encontro com empresários da Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).

Na terça, a comissão irá ao Capitólio se reunir com senadores e deputados americanos.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Lula diz que Brasil está disposto a negociar com Trump sobre tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o Brasil está aberto a negociar com os Estados Unidos sobre a tarifa de importação de 50% imposta a produtos brasileiros, caso o presidente norte-americano Donald Trump queira conversar.

Ao bater novamente na tecla da soberania nacional e do respeito às questões internas do Brasil, durante um evento em Minas Gerais, Lula afirmou que irá defender os interesses dos empresários e dos bancos brasileiros.

O presidente aproveitou para ressaltar que o Brasil cultiva a tradição de ser um bom negociador “com o mundo inteiro”, mas “sobretudo com quem quer conversar”.

Trump anunciou em carta ao governo brasileiro a imposição de tarifa de 50% sobre os produtos do Brasil, apesar de o país ter déficit comercial com os EUA. No texto, Trump afirmou que as tarifas seriam impostas, entre outros motivos, pelo que ele classificou como perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, processado por envolvimento em tentativa de golpe de Estado após sua derrota eleitoral em 2022.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Lula propõe aprofundar relações econômicas e comerciais com o México

Alckmin visitará o país em agosto, acompanhado de comitiva empresarial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta quarta-feira (23) para a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para discutir as relações econômicas e comerciais entre os dois países. Segundo o Palácio do Planalto, Lula ressaltou a importância de aprofundar essas relações, principalmente diante do atual momento de incertezas. 

Na conversa, Lula e Sheinbaum acertaram uma visita oficial ao México que será liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. A data da viagem será dias 27 e 28 de agosto. Alckmin deverá levar uma comitiva de empresários de diferentes setores.

“Como resultado da visita, Lula propôs o início de negociações para ampliar acordo comercial Brasil-México, que favoreça a expansão do fluxo comercial entre os dois países”, informou o Palácio do Planalto, em nota sobre o telefonema.

Os dois presidentes também destacaram os setores da indústria farmacêutica, agropecuária, de etanol, biodiesel, aeroespacial, bem como de inovação e educação como áreas estratégicas na relação bilateral.

A visita de Alckmin ao México ocorre em meio à ampliação da pressão tarifária por parte dos Estados Unidos contra seus parceiros históricos. Recentemente, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o aumento tarifário a ser aplicado a partir de 1º de agosto sobre produtos brasileiros exportados para os EUA.

Dias antes, Trump já havia imposto 30% de tarifas de exportação sobre produtos oriundos do México, país vizinho que tem profunda relação comercial com os EUA.  O vice-presidente brasileiro também tem sido o principal interlocutor do país com empresários e com o governo norte-americano nas tentativas de negociação sobre as tarifas unilaterais. 

Fonte: Agência Brasil

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Negócios

Brasil recusa reabrir negociações de acordo Mercosul-UE

França havia proposto salvaguarda para carnes e açúcar

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou à Comissão Europeia que não está disposto a reabrir as negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, concluídas em dezembro passado, no Uruguai.

Segundo o jornal Valor Econômico, o Brasil rejeitou a proposta de analisar uma salvaguarda sugerida pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para viabilizar a ratificação do tratado.

Paris propôs a criação de um mecanismo de proteção que seria acionado na UE com base em determinados volumes e preços nas importações de carne bovina, frango e açúcar oriundos dos países do Mercosul.

Durante uma visita de Estado à França no mês passado, Lula pediu a Macron que “abra o coração para a possibilidade de fazer esse acordo”, em meio aos tarifaços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Fonte: ANSA Brasil

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Comércio Exterior, Economia

Escalada da tensão entre Brasil e EUA eleva preocupação da indústria, diz FIESC

Setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira

A escalada da tensão política entre Brasil e Estados Unidos aumentou a preocupação da indústria catarinense. O setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira. O assunto foi discutido na reunião de diretoria da Federação das Indústrias (FIESC), nesta sexta-feira, dia 18.

Conforme relatos de industriais à Federação, embora ainda não estejam sendo cancelados pedidos, muitos clientes estão solicitando para que mercadorias encomendadas ainda não sejam embarcadas, até haver maior clareza sobre a situação.

“O ônus será para a sociedade. Dependemos muito dos Estados Unidos. É o destino para o qual exportamos produtos de valor agregado e que não conseguiremos redirecionar para outros mercados no curto prazo”, alertou o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, ressaltando que os EUA são o principal destino dos embarques catarinenses.

No ano passado, SC exportou US$ 1,74 bilhão para os Estados Unidos. Entre os principais produtos embarcados estiveram: obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.

“Reconquistar um cliente norte-americano perdido por conta de aplicação de tarifas é difícil e caro. Então, o prejuízo será enorme. Temos uma relação de 200 anos de comércio e cooperação. Não podemos perder isso”, declarou Aguiar.

Na quarta, dia 16, Aguiar reuniu-se com o vice-presidente da República e ministro de Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e defendeu o diálogo para tentar reverter os impactos do tarifaço. 

No encontro, ele salientou que retaliar seria o pior encaminhamento, pois ampliaria ainda mais os prejuízos para a indústria brasileira. “Além de tentar reduzir as tarifas, precisamos buscar alternativas como a prorrogação do prazo de início da aplicação, para haver mais tempo para as negociações e para que as empresas tenham fôlego para se reorganizar e buscar novos mercados”, disse, lembrando que a palavra de ordem é negociar. 

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Em meio a tarifas e medidas de Trump contra o STF, Lula participa de encontro de países em defesa da democracia no Chile

Reunião terá líderes do Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai. No início do mês, o presidente dos Estados Unidos anunciou tarifas de 50% sobre importação de produtos brasileiros.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta segunda-feira (21) de uma reunião com líderes do Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai para discutir a defesa da democracia e o combate à desinformação em Santiago, capital chilena.

O objetivo da cúpula é avançar em um posicionamento compartilhado em favor do multilateralismo, da democracia e da cooperação global baseada na justiça social.

Segundo o governo do Chile, anfitrião do encontro, a reunião terá três eixos principais:

  • fortalecimento da democracia e o multilateralismo;
  • redução das desigualdades; e
  • luta contra a desinformação e regulação de tecnologias emergentes.

O tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também deve ser um dos assuntos abordados na reunião.

No dia 9 de julho, o presidente dos Estados Unidos enviou uma carta ao presidente Lula e anunciou tarifas de 50% em cima dos produtos brasileiros que são importados pelos Estados Unidos.

Entre mais de 20 países que devem enfrentar cobranças elevadas sobre importação nos EUA, a medida anunciada ao Brasil é a mais alta até agora e deve começar a valer a partir de 1º de agosto.

Em um pronunciamento à nação na quinta-feira (17), Lula afirmou que as tarifas impostas por Trump são uma ‘chantagem inaceitável’ e chamou de ‘traidores da pátria’ políticos brasileiros que tem apoiado as medidas impostas pelo presidente dos Estados Unidos.

A reunião acontece nesta segunda-feira (21) e vai contar com a presença de:

  • Gabriel Boric, presidente do Chile;
  • Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha;
  • Gustavo Petro, presidente da Colômbia; e
  • Yamandú Orsi, presidente do Uruguai.

O encontro dá continuidade aos compromissos firmados durante o lançamento da iniciativa “En Defensa de la Democracia”, voltada para fortalecer as instituições democráticas e enfrentar desafios como a desigualdade e a disseminação de informações falsas.

A agenda prevê ainda um almoço na chancelaria chilena e um evento com a sociedade civil.

As propostas originadas na reunião serão levadas para o próximo encontro, previsto para acontecer às margens da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em setembro deste ano.

Fonte: G1


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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Os pedidos de Lula na carta que será enviada aos EUA após tarifaço de Trump

Documento será endereçado à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas

O governo Lula (PT) pretende enviar, nos próximos dias, uma carta para os Estados Unidos por meio da embaixada do Brasil em território norte-americano. A decisão ocorre em meio às negociações do Brasil para reverter a taxação de 50% a produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump. As informações são do g1.

A carta será endereçada à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas. O documento está pronto e será assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler Mauro Vieira. O texto aguarda o aval de Lula.

No documento enviado ao governo dos EUA, o Brasil formaliza três pedidos:

  • Que os canais de diálogo entre os dois governos continuem abertos;
  • Que sejam marcadas novas reuniões entre os representantes dos países sobre o tema; e
  • Que os Estados Unidos respondam o material que o governo brasileiro mandou ainda em maio, detalhando informações sobre balança comercial e outros números, e que permanecem sem resposta.

Lei da Reciprocidade

Lula (PT) assinou na segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade. A medida possibilita que o Brasil adote uma resposta à sobretaxa de 50% anunciada por Donald Trump para produtos brasileiros.

A proposta foi aprovada no Congresso em abril, quando teve tramitação acelerada na Câmara e no Senado, com apoio de ruralistas e governistas. O decreto impõe a reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países.

O tarifaço de Trump

A taxação adicional de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos foi anunciada na semana passada em carta divulgada pelo presidente norte-americano Donald Trump. No texto, o líder credita a medida a uma “caça às bruxas” que na opinião dele vem sendo feita na Justiça do Brasil contra o ex-presidente e aliado Jair Bolsonaro, além de citar um suposto déficit do país nas relações comerciais com o Brasil e processos para retirada de conteúdo contra gigantes de tecnologia que atuam no país.

O anúncio gerou reações no meio político e econômico brasileiro, com o receio sobre possíveis reflexos no país. As vendas para os Estados Unidos representam cerca de 12% das exportações nacionais e 14% das vendas de Santa Catarina para o mercado externo.

Fonte: NSC Total

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Lei de Reciprocidade Comercial é regulamentada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial. A informação foi confirmada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em declaração à imprensa após um evento no Palácio do Planalto. O teor do decreto será publicado em edição regular do Diário Oficial da União (DOU).

A norma autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil no mercado global. A medida poderá ser usada para responder à imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA), a partir do dia 1º de agosto, conforme anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. 

Segundo Rui Costa, o decreto não menciona especificamente nenhum país e estabelece os mecanismos necessários para dar cumprimento à lei. “A denominação ‘reciprocidade’ pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos”, explicou.

Histórico

Aprovada em março pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, a nova lei é justamente uma resposta à escalada da guerra comercial desencadeada por Donald Trump contra dezenas de países. 

No caso do Brasil, a tarifa inicialmente imposta pelos EUA foi de 10% sobre todos os produtos exportados para o mercado norte-americano. A exceção nessa margem de tarifas são o aço e o alumínio, cuja sobretaxa imposta pelos norte-americanos está em 25%, afetando de forma significativa empresas brasileiras, que constituem os terceiros maiores exportadores desses metais para os norte-americanos.

A Lei da Reciprocidade Comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.

A norma valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.

No Artigo 3º do texto, por exemplo, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.

Comitê de emergência

Para discutir como reagir às tarifas dos EUA, o governo também instalou um comitê de trabalho interministerial, com participação de setores empresariais da indústria e do agronegócio.

As primeiras reuniões do colegiado ocorrerão nesta terça-feira (15), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin.

FONTE: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Tarifas de 50% de Trump: para onde o Brasil pode redirecionar suas exportações — e quais os desafios

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que alguns países têm condições de absorver parcialmente o excedente de produtos brasileiros. Há, no entanto, uma série de especificidades setoriais em jogo.

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um duro golpe para o comércio exterior do Brasil. Se entrar em vigor em 1º de agosto, a medida poderá reduzir significativamente a exportação de diversos setores.

Os EUA são o segundo principal destino dos itens brasileiros, atrás apenas da China. Além disso, representam um mercado estratégico para a venda de bens diversificados e de maior valor agregado, como aviões executivos e eletroeletrônicos.

Só em 2024, foram vendidos US$ 40,4 bilhões em produtos para o mercado norte-americano — 12% do total exportado pelo Brasil no ano. Na prática, uma tarifa de 50% tornaria inviável a compra de diversos itens brasileiros por empresas sediadas nos EUA, já que o custo de importação ficaria muito mais alto.

Se os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump não chegarem a um acordo até a data prevista, setores relevantes da economia brasileira terão de buscar novos mercados para escoar seus produtos — o que, ainda assim, pode não ser suficiente para compensar as perdas.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que alguns países têm condições de absorver parcialmente o excedente de produtos brasileiros.

Há, no entanto, uma série de especificidades setoriais em jogo: para certos produtos, o redirecionamento pode ser mais viável e, para outros, mais complexo. Além disso, o Brasil pode enfrentar dificuldades para realocar esse excedente no curto prazo.

“Esse redirecionamento é possível, mas leva tempo e requer negociações de alto nível. Então, não é tão simples como parece”, afirma André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

Leia nesta reportagem:


Quais são os produtos brasileiros mais exportados para os EUA

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que petróleo, ferro, aço, café e carne estão entre os principais produtos brasileiros exportados para os EUA.

Veja abaixo os valores vendidos de janeiro a junho de 2025:

  1. Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos — US$ 2,37 bilhões
  2. Produtos semimanufaturados de ferro ou aço (baixo carbono) — US$ 1,49 bilhão
  3. Café não torrado, não descafeinado — US$ 1,16 bilhão
  4. Carnes bovinas desossadas e congeladas — US$ 737,8 milhões
  5. Ferro-gusa (ferro fundido bruto não ligado) — US$ 683,6 milhões
  6. Celulose (pasta química de madeira não conífera) — US$ 668,6 milhões
  7. Óleos combustíveis e preparações de petróleo — US$ 610,2 milhões

Há também produtos que, embora não estejam entre os mais exportados, têm grande importância para os mercados brasileiro e norte-americano. É o caso do suco de laranja41,7% de todas as exportações brasileiras do produto foram destinadas aos EUA na safra 2024/25, encerrada em junho.

Aeronaves também se enquadram nessa categoria. Segundo relatório do BTG, 63% das exportações brasileiras do setor tiveram como destino os EUA. A Embraer é a empresa nacional com maior exposição nesse mercado. (leia mais abaixo)

Quais itens são mais ‘fáceis’ de vender para outros países

Welber Barral, consultor em comércio internacional, explica que, no caso de commodities como café, suco de laranja e açúcar é mais fácil redirecionar esses produtos para outros mercados, já que possuem preços definidos internacionalmente.

“Commodity com preço internacional acaba sendo vendida para vários outros lugares, dependendo de demanda. Às vezes, quando há superoferta no mercado, cai um pouco o preço. Mas acaba sendo vendido para algum lugar”, diz.

Por outro lado, empresas brasileiras que exportam produtos específicos e de maior valor agregado devem enfrentar mais dificuldades. “É o caso da exportação de uma autopeça específica para uma montadora, por exemplo. Não há muita margem para redirecionar esse tipo de venda”, explica.

Por isso, as ações da Embraer caíram quase 11% nesta semana. A fabricante brasileira de aeronaves é uma das empresas listadas na bolsa com maior exposição à medida, com 23,8% de sua receita proveniente de vendas para os EUA, segundo levantamento da XP Investimentos.

“Ninguém vende tanto avião executivo nos EUA como a Embraer”, diz Galhardo. Ele destaca que, mesmo para uma potência como a China, transferir essa demanda — ou seja, passar a vender para o país — é um processo difícil.

Quais países podem ser os principais destinos alternativos

O especialista em comércio exterior Jackson Campos também destaca que o Brasil enfrentaria dificuldades para redirecionar, no curto prazo, toda a produção atualmente destinada aos EUA.

Segundo ele, países como China, Índia, Vietnã, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, México e nações europeias têm potencial para absorver parte da produção brasileira. Mas nenhum deles tem, isoladamente, capacidade para substituir o mercado americano de forma equivalente.

“A China, embora seja o maior parceiro comercial do Brasil, enfrenta desaceleração no consumo interno e restrições em setores como aço e petróleo, o que limita sua capacidade de absorção total”, afirma.

Campos acrescenta que, no caso de produtos como petróleocelulose carne bovina, a Ásia pode se tornar o principal destino alternativo, se necessário.

Produtos sob investigação da Seção 232 — como semicondutores, minerais críticos e produtos farmacêuticos — devem seguir isentos da tarifa de Trump, segundo a agência de notícias Reuters. A isenção também se estenderia ao petróleo e seus derivados, ponto que ainda é dúvida para setor.

Quais são as janelas de oportunidade para o Brasil

Welber Barral, consultor em comércio internacional, destaca que os países asiáticos tendem a ganhar mais protagonismo nas relações comerciais com o Brasil, caso a tarifa de 50% anunciada por Trump se concretize.

“Naturalmente, a Ásia é o principal mercado de expansão para os produtos brasileiros. O que essa questão com os EUA pode fazer é acelerar a crescente dependência dos mercados asiáticos pelas exportações do Brasil”, avalia.

Para André Galhardo, da Análise Econômica, o Brasil deve buscar escoar seus produtos para países com os quais já vem estreitando relações comerciais, especialmente nações interessadas em aderir ao Brics, países do sudeste asiático e a própria China.

  • O Brics é um grupo de países emergentes que inclui, atualmente, Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.

A grande oportunidade estratégica, segundo o economista, é a aproximação com a União Europeia (UE). Ele acredita que o momento poderá servir para firmar laços e ampliar as exportações de bens tecnológicos e manufaturados — ou seja, de maior valor agregado — para os países da região.

“Poderíamos aproveitar esse momento para nos aproximar dos países europeus que estão ressentidos com o acirramento comercial com os EUA. É uma oportunidade única para o Brasil”, diz.

Jackson Campos reconhece que a União Europeia oferece potencial em determinados setores, mas ressalta que há forte concorrência interna. Por isso, ele sugere outras alternativas.

“Se a tarifa de 50% for mantida, o Brasil pode aproveitar para acelerar acordos com Índia e Indonésia e aprofundar o Mercosul com África e Oriente Médio”, conclui.

Fonte: G1

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