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WEG defende novas fontes de receita para impulsionar mercado de baterias no Brasil

A WEG defende mudanças regulatórias para ampliar as oportunidades de negócio dos sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage Systems), no Brasil. Para Manfred Peter Johann, vice-presidente de Automação e Sistemas da companhia, permitir que essas soluções sejam remuneradas por diferentes serviços prestados ao setor elétrico é essencial para consolidar o mercado e estimular novos investimentos.

Em entrevista à CNN, o executivo ressaltou que o primeiro leilão de armazenamento de energia, previsto para dezembro, será importante para impulsionar a escala do setor. No entanto, ele avalia que o desenvolvimento do mercado não deve depender exclusivamente desse mecanismo de contratação.

A proposta é diversificar as fontes de receita dos sistemas de baterias, incluindo serviços como disponibilidade de potência, arbitragem de energia, controle de frequência e tensão e suporte à rede elétrica.

Segundo Johann, a combinação dessas possibilidades pode tornar os projetos economicamente mais atrativos e ampliar sua presença em empreendimentos de geração, transmissão e distribuição, além de instalações industriais.

Armazenamento de energia depende de novas regras de remuneração

A ampliação das receitas é apontada pela WEG como um fator importante para viabilizar o investimento em sistemas de armazenamento de energia. Além de armazenar eletricidade para uso posterior, as baterias podem contribuir para a estabilidade e a flexibilidade do sistema elétrico.

Entre as aplicações estão o equilíbrio entre oferta e demanda, a prestação de serviços ancilares e o auxílio na manutenção dos níveis adequados de frequência e tensão da rede.

A expectativa da companhia é que a regulamentação avance para reconhecer o valor econômico desses diferentes serviços. Com mais possibilidades de remuneração, os sistemas BESS poderão atender a diferentes necessidades do setor, reduzindo a dependência de um único modelo de contratação.

Leilão de baterias prevê contratos de 15 anos

Para os empreendimentos que participarão do leilão previsto para dezembro, as diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME) estabelecem um modelo de remuneração por disponibilidade de potência.

Os contratos terão duração de 15 anos, com início do suprimento programado para 1º de agosto de 2028.

De acordo com a Portaria Normativa MME nº 136, a receita fixa deverá remunerar integralmente os usos dos empreendimentos vencedores pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), respeitando os compromissos contratados. Nesse formato, não estão previstas receitas adicionais fora do Contrato de Potência de Reserva de Capacidade.

A regulamentação também determina que a energia consumida durante a recarga das baterias e aquela posteriormente injetada no sistema sejam liquidadas no mercado de curto prazo. Os resultados positivos ou negativos dessas operações serão destinados à Conta de Potência para Reserva de Capacidade, observados os limites estabelecidos na portaria.

WEG prevê armazenamento como parte dos investimentos até 2030

Manfred Peter Johann avalia que o armazenamento de energia no Brasil deverá se tornar uma solução habitual nos investimentos do setor elétrico até 2030.

Essa perspectiva está relacionada à expansão das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, cuja geração depende das condições climáticas e pode exigir recursos adicionais para equilibrar o fornecimento de eletricidade.

O executivo também destaca as limitações da infraestrutura de transmissão e a crescente demanda por confiabilidade e qualidade no abastecimento de energia.

Nesse cenário, as baterias podem ajudar a aumentar a flexibilidade operacional do sistema, armazenando eletricidade em determinados períodos e disponibilizando-a conforme a necessidade.

Baterias abrem oportunidades em data centers e na indústria

Além dos leilões, a WEG identifica oportunidades comerciais em diferentes segmentos, como instalações industriais, empreendimentos comerciais, data centers, microrredes e prestação de serviços à rede elétrica.

Essas aplicações podem utilizar sistemas de armazenamento para melhorar a gestão do consumo, reforçar a continuidade do fornecimento e atender a demandas específicas de energia.

A empresa também enxerga possibilidades de expansão no mercado internacional, acompanhando o avanço das soluções de armazenamento em diferentes sistemas elétricos.

A diversificação dos segmentos atendidos é considerada uma oportunidade para ampliar a adoção da tecnologia e fortalecer o mercado para além dos contratos firmados em leilões públicos.

Fábrica de baterias em Itajaí receberá R$ 330 milhões

Como parte de sua estratégia de longo prazo, a WEG ampliou, em setembro, o projeto de sua fábrica de sistemas de armazenamento de energia em Itajaí, Santa Catarina.

O investimento total estimado é de R$ 330 milhões, e a unidade deverá alcançar capacidade produtiva de 4 GWh por ano. O início das operações está previsto para o segundo semestre de 2027.

O projeto reforça a aposta da companhia no crescimento da demanda por soluções de armazenamento e na expansão desse segmento no mercado brasileiro.

Segundo Johann, o investimento considera a importância crescente das baterias para o funcionamento do sistema elétrico. A expectativa é que, com a evolução regulatória, o aumento da geração renovável e a diversificação das aplicações, o armazenamento conquiste espaço cada vez maior nos projetos de energia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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